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Capítulo 3

作者: Rio
Passei a observar aquela encenação com certa frieza.

Naquele dia, depois da negociação, voltamos para casa, e Rodrigo ficou um bom tempo hesitando no sofá.

No fim, explicou:

— Afinal, nosso casamento ainda é secreto. Ainda não encontramos uma oportunidade adequada para explicar tudo.

— No futuro, vamos tornar isso público. Por enquanto, o mais importante é resolver bem esse projeto.

Assenti, sem dizer mais nada.

Também não lembrei a ele que o mais importante deveria ser a cerimônia de casamento que estava prestes a acontecer.

Uma cerimônia que, desde o momento em que ele prometeu realizar, nunca tinha sido preparada.

Eu não lembraria Rodrigo de que, naquele dia, o período de reflexão do divórcio chegaria ao fim.

Afinal, aos olhos dele, Hanna ainda era o mais importante.

Durante o projeto, Rodrigo evitava de propósito que Hanna e eu nos encontrássemos, e Gisele acabou percebendo algo estranho.

Com certa curiosidade, ela me perguntou:

— Você e o Sr. Rodrigo também já tiveram alguma coisa no passado?

Eu sorri.

— Como isso seria possível?

Gisele torceu os lábios.

— Várias vezes ele olhou para você escondido, com uma culpa enorme no olhar. Está na cara que ele ainda não virou um canalha completo. Aquilo era olhar de quem ainda sente algo pela ex.

Fiquei parada por um instante e tentei lembrar com cuidado.

Não era que eu não tivesse percebido. Só que tudo o que havia acontecido no passado me impedia de ter certeza sobre aquele olhar.

Contagem regressiva: dez dias.

Naquele dia, estava marcada a reunião periódica do projeto.

Hanna, de maneira aparentemente casual, conversou comigo por muito tempo.

Eu sabia que ela já havia adivinhado a relação entre Rodrigo e eu.

Mesmo assim, continuei respondendo com educação.

Quando a reunião terminou, Rodrigo tomou a iniciativa de me levar para casa.

Era a primeira vez.

— Sua competência profissional realmente superou minhas expectativas.

Em cinco anos de casamento, era a primeira vez que ele me elogiava.

Minha mão parou no meio do gesto de arrumar os documentos. Olhei para ele com certa dúvida.

Rodrigo hesitou por um bom tempo e, por fim, abriu a boca:

— Ainda dá tempo de fazer a cerimônia?

Baixei a cabeça, sabendo que ele queria cancelar a cerimônia, muito provavelmente por causa de Hanna.

— Então vamos cancelar. Faltam poucos dias mesmo.

Levantei o olhar para ele.

Não revelei o que ele realmente queria dizer, nem queria deixar aquela situação constrangedora para nós dois.

Rodrigo ficou atônito, como se tivesse recebido uma resposta na qual nem ousava acreditar.

De repente, perguntou de novo:

— Você não se importa?

No passado, talvez eu já tivesse perdido o controle ali mesmo, exigindo uma resposta.

Em nosso casamento, muitas das situações constrangedoras entre nós dois aconteceram quando eu perdia o controle.

Embora todas essas explosões tivessem origem nele.

Balancei a cabeça.

— Não tem nada para eu me importar. É só uma cerimônia.

Depois de um longo silêncio, Rodrigo falou outra vez:

— Que tal, daqui a alguns dias, eu levar você a algum ponto turístico aqui perto para relaxar um pouco?

Baixei os olhos para a contagem regressiva no celular.

Restavam apenas dez dias do período de reflexão do divórcio, então recusei.

Rodrigo apertou o volante com força e quase avançou um sinal vermelho.

— Então vamos para a praia? Ou naquele restaurante italiano que você sempre quis conhecer?

Rodrigo propôs, em sequência, várias formas de relaxar, mas recusei todas.

Quando desci do carro, a expressão dele já havia passado do constrangimento e da culpa para a dúvida e a insatisfação.

Ao ver a expressão dele, tomei a iniciativa de sugerir:

— Que tal irmos ao Residencial Vale Verde?

O Residencial Vale Verde foi onde Rodrigo e eu moramos logo depois do casamento.

Eu realmente sentia um pouco de saudade daquele lugar.

Rodrigo ficou parado por um bom tempo, como se tentasse adivinhar o que eu estava pensando.

Mesmo depois que desci do carro, ele continuou sentado ali, imóvel, durante muito tempo.
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