MasukAna Clara vive uma vida de extremos. De dia, veste o jaleco branco, lutando contra o sono nas aulas de medicina e os prazos de uma mensalidade que ela não tem como pagar. À noite, sob as luzes pulsantes de uma boate exclusiva, ela se torna uma sombra sedutora, dançando para garantir o tratamento de sua avó e a sobrevivência de seus sonhos. Ela tem um plano, uma meta e nenhum espaço para distrações. Matheo Cavalcanti é a personificação do poder. Aos 26 anos, o CEO da Cavalcanti Tech é conhecido por sua frieza cirúrgica nos negócios e uma reputação impecável — até que um flagrante mal interpretado ameaça destruir a fusão bilionária que ele preparou por anos. Para o mercado, ele precisa de uma esposa; para sua família, ele precisa de estabilidade. Um encontro explosivo em um beco escuro atrás da boate sela o destino de ambos. Matheo, em um movimento desesperado para desviar um escândalo, usa Ana Clara como seu escudo público. Agora, a estudante de medicina e o magnata estão presos a um contrato de casamento por conveniência. "Eu não preciso que você me ame, Ana Clara. Preciso apenas que você use essa aliança e finja que não me odeia na frente das câmeras." Entre as paredes de uma cobertura luxuosa, o ódio é a única coisa que parece real. Matheo despreza o que julga ser a vida fútil de Ana; ela detesta a arrogância de um homem que acha que pode comprar o mundo. Mas, enquanto os segredos dela começam a vazar e as vulnerabilidades dele ficam expostas, a linha entre a repulsa e o desejo começa a desaparecer. Em um jogo onde as regras foram escritas com tinta de contrato, eles descobrirão que o maior risco não é o escândalo, mas a entrega.
Lihat lebih banyakO último dia de residência de Ana Clara Souza Cavalcanti no Toronto General Hospital foi uma terça-feira comum. Não havia cerimônia marcada, não havia discurso, não havia o tipo de encerramento solene que os filmes sugeriam existir nesses momentos. Havia um plantão de doze horas, dois pacientes em observação, um relatório que precisava ser finalizado antes das seis, e Priya aparecendo na porta da sala de descanso às cinco e quarenta e cinco da tarde com dois cafés e uma expressão que tentava ser casual e não era. — Último dia — Priya disse, entregando um dos cafés. — Último dia — Ana confirmou, sem olhar para cima do relatório. — Você devia estar com cara de alguma coisa. Alívio. Nostalgia. Qualquer coisa. — Estou com cara de alguém que precisa terminar esse relatório antes das seis. — Ana. — Priya. Priya se sentou
Eles voltaram a Toronto numa quinta-feira.O voo foi longo e quieto Matheo dormiu as primeiras quatro horas com a cabeça levemente inclinada para o lado, o que Ana havia aprendido que era o único sinal físico de que ele estava genuinamente exausto, porque acordado ele nunca permitia aquela perda de controle postural. Ela ficou acordada com o caderno no colo, escrevendo e apagando e reescrevendo listas que eram menos planos do que tentativas de organizar o que estava sentindo em categorias que pudesse examinar.Praga havia feito algo com ela que ela ainda não conseguia nomear completamente.Não era só os documentos. Não era só Viktor ou Rafael ou a caixa de metal com quinze anos de segredo guardado. Era algo menor e maior ao mesmo tempo a janela do hotel com o Rio Vltava lá embaixo, o café de 1884 onde Matheo havia pedido dois strudels sem perguntar e colocado o dela à sua frente com a naturalidade de quem conhece os
Eles ficaram no café por duas horas.Não duas horas de conversa intensa duas horas de algo mais honesto do que isso. Café bebido devagar. Silêncios que não precisavam ser preenchidos. Matheo com o olhar fixo na janela por longos minutos, Ana com o caderno aberto mas a caneta parada, os dois processando de formas completamente diferentes a mesma informação.Era assim que eles funcionavam quando funcionavam bem. Não o casal que finalizava as frases um do outro, não a parceria onde um sempre sabia o que o outro pensava. Mas dois intelectos distintos chegando ao mesmo lugar por caminhos diferentes, e encontrando-se lá com menos surpresa do que o mundo esperaria.O garçom trocou os cafés duas vezes sem ser chamado.Quando Ana finalmente falou, foi com a voz de quem chegou a uma conclusão não pela lógica mas por algo mais fundamental.— Eu preciso te contar algo — ela disse.
Praga em março era exatamente o que Ana havia prometido.Fria de uma forma que o Canadá não ensinava não a frieza seca e cortante de Toronto, mas uma frieza úmida e antiga, que subia das pedras do calçamento e das paredes de pedra arenosa como se o próprio passado da cidade estivesse preservado no frio. O céu era de um cinza pérola que tornava as pontes e as torres ainda mais dramáticas, como se a cidade soubesse que era bonita e tivesse escolhido o cenário adequado para si mesma.Ana ficou parada na janela do hotel por um longo momento depois que chegaram, olhando para o Rio Vltava lá embaixo, para a Ponte Carlos ao longe com as suas estátuas enfileiradas como sentinelas de pedra.— Você nunca veio à Europa — Matheo disse, atrás dela, desfazendo a mala com a eficiência automática de quem passa metade da vida em hotéis.— Nunca tive dinheiro. Depois não tive tempo. — Ela não tirou os olhos da janela. — É diferente do que eu imaginava.— Como você imaginava?— Mais de cartão postal. Me


















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