Share

Capítulo 4

Author: Ivy
O tempo passou lentamente. Cada segundo era uma tortura.

Até que naquela noite chuvosa Alexander voltou.

Ele estava carregando Elena, encharcada de sangue. Na verdade, ela não estava tão gravemente ferida — apenas um corte de faca na perna. Parecia sangrento e chocante, mas eu podia dizer à primeira vista que não tinha atingido nenhuma artéria principal.

Alexander irradiava uma aura violenta. Depois de entregar Elena ao médico, ele se virou para mim.

— Levem-na para a câmara de tortura. — Ordenou friamente aos guarda-costas.

Fui forçada a me ajoelhar no chão de pedra fria por dois brutamontes.

Pouco depois, Elena, com o ferimento enfaixado, saiu mancando, apoiando-se fracamente no peito de Alexander.

— Don… não culpe Ivy. Talvez eu tenha ofendido ela sem querer… — Ela chorava lindamente, como uma flor de pera sob a chuva.

Alexander olhou para ela com dor no coração, depois voltou o olhar para mim. Seus olhos tinham apenas julgamento frio.

— De acordo com a Omertà e as regras da família: aqueles que ferem um companheiro ou conspiram com inimigos enfrentam o chicote.

Ele pegou um chicote de couro embebido em água salgada da parede e o jogou aos pés de Elena.

— Como foi você quem sofreu, você mesma vai se vingar.

Olhei para ele em choque.

— Alexander, você vai usar o chicote em mim por causa dessa mulher mentirosa?

Aquilo era um instrumento usado para punir traidores. Um único golpe podia rasgar pele e carne.

Alexander evitou meu olhar, a voz rígida, porém cruel.

— Isso é para te ensinar uma lição. Você fez algo errado e precisa pagar o preço.

— Ivy, apenas aguente. Deixe-a descarregar a raiva, e podemos deixar isso para trás.

Elena pegou o chicote com mãos trêmulas, olhando para mim com medo fingido.

— Eu… eu não ouso… nunca bati em ninguém…

Alexander segurou a mão dela, encorajando-a suavemente.

— Não tenha medo. Eu estou aqui. Ela deve isso a você.

Um brilho cruel passou pelos olhos de Elena.

No segundo seguinte, ela ergueu o chicote e o desceu com toda a força nas minhas costas.

Crack!

Uma dor agonizante explodiu instantaneamente. Minhas roupas rasgaram, e minha carne se abriu. Cerrei os dentes e não fiz nenhum som.

— Oh não, minha mão escorregou… desculpa, Ivy… — Elena pediu desculpa com a boca, mas os golpes ficaram cada vez mais fortes.

Crack! Crack! Crack!

Cada chicotada carregava o prazer da vingança.

Alexander ficou ao lado, observando meu rosto pálido e o sangue infiltrando nas minhas costas. Suas mãos, pendendo ao lado do corpo, estavam cerradas em punhos apertados.

Um olhar de luta e relutância passou pelos seus olhos; parecia que ele queria mandar parar.

Mas ao ver a gaze na perna de Elena, ele se forçou a se conter.

— É uma lição, Ivy. Não toque no meu povo de novo. — Disse ele friamente, como se estivesse tentando se convencer.

Suor frio escorria pelo meu rosto com a dor, e minha visão ficou turva, mas mantive as costas retas e encarei Alexander sem piscar.

Naquele momento, todo o amor que eu tinha por esse homem foi chicoteado até virar pó, golpe após golpe.

Quando Elena finalmente se cansou, ela parou, ofegante.

Alexander imediatamente deu um passo à frente para segurá-la, perguntando gentilmente:

— Você se sente melhor agora?

Elena assentiu fracamente e enterrou o rosto no peito dele.

— O Don é tão bom comigo.

Deitada no chão, observando as silhuetas deles abraçados, eu de repente soltei uma risada baixa.

— Alexander, você vai se arrepender disso.

Alexander olhou para mim, deitada em uma poça de sangue, um lampejo de dor passando pelos seus olhos, e ordenou que trouxessem o kit médico.

Ele me pegou no colo e me colocou suavemente na cama, tentando aplicar o remédio nas minhas feridas, a testa franzida de frustração.

— Já teve o suficiente? Você percebe que estava errada?

A pura arrogância da sua falsa preocupação me deu enjoo.

— Não toque em mim.

Puxei minha mão de volta e olhei para ele com olhos mortos.

Alexander perdeu a paciência e bateu o kit médico na mesa.

— Ivy! Até quando você vai ser tão teimosa? Eu já te disse, Elena nunca vai ameaçar sua posição. O que mais você quer? Quer que eu arranque meu coração para você ver?

— Coração? — Perguntei, como se tivesse ouvido uma piada.

— Você sequer tem um?

Nesse momento, pelo canto do olho, vi a Glock 17 presa na cintura dele.

Naquele instante, o ódio que eu tinha reprimido por tanto tempo explodiu como um vulcão.

Já que ele me chamou de cruel, já que disse que eu não podia tolerar aquela mulher, decidi tornar a acusação verdadeira!

Avancei sem aviso, movendo-me rápido como uma chita, e arranquei a pistola de serviço da cintura dele.

O rosto de Alexander mudou drasticamente.

— Ivy! Abaixe a arma!

Eu o ignorei completamente. Virei a arma, segurando pelo cano, e esmaguei brutalmente o cabo pesado da pistola na cabeça de Elena, que ainda fingia fraqueza ao lado dele!

— Ah!

Elena gritou quando eu a derrubei no chão.

Montei sobre ela como uma louca e bati o cabo da pistola na testa e nas bochechas dela repetidas vezes.

— Você não disse que eu queria te machucar? Já que você quer tanto que eu seja a vilã, eu vou realizar seu desejo!

O sangue espirrou imediatamente no meu rosto. Elena nem teve tempo de pedir ajuda; só conseguiu gemer de dor.

— Pare! Sua vadia louca!

Assim que eu descarreguei minha raiva e estava apontando a arma para Elena para atirar, Alexander rugiu em pânico. Ele correu e agarrou meu pulso, sua força imensa me arrancando de cima de Elena.

Bang!

Minhas costas bateram com força na parede de mármore maciço. Parecia que meus órgãos internos tinham se deslocado, e o gosto de ferro subiu na minha garganta.

— Pfft.

Não consegui segurar e cuspi um bocado de sangue fresco, manchando o tapete branco de vermelho.

Mas Alexander nem sequer olhou para mim.

Ele pegou Elena, inconsciente e coberta de sangue, em seus braços, a voz trêmula.

— Elena! Acorde! Preparem o carro! Levem o carro para o hospital, agora!

Ele saiu correndo pela porta com aquela mulher nos braços. Ao passar por mim, ele parou por um segundo, deixando para trás uma frase arrepiante:

— Se ela não acordar, Ivy, eu vou te enterrar junto com ela.
Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • A Donna Foi Embora, o Don Enlouqueceu   Capítulo 11

    Alexander ficou uma semana na UTI do hospital.Seus sonhos estavam cheios do passado. O primeiro encontro com Ivy, os votos dela no casamento e o olhar desesperado em seus olhos enquanto estava deitada na mesa de cirurgia.Quando acordou, o quarto estava vazio. Sem flores, sem frutas, e certamente sem aquela figura familiar. Apenas o guarda-costas que o trouxera havia deixado a conta do hospital e ido embora.Depois de receber alta, ele não ousou aparecer diante de Ivy novamente.Como um rato no esgoto, Alexander alugou um apartamento velho em frente à propriedade de Gabriel. Sua única alegria diária era espiar a vida dela através de um telescópio.Ele a viu plantando tulipas no jardim, a luz do sol derramando-se sobre seu rosto, seu sorriso tão brilhante. Era um sorriso que ela nunca teve durante os três anos em que esteve com ele.Gabriel estava ao lado dela, entregando-lhe a pá, enxugando seu suor. Aquela imagem de anos tranquilos feriu seus olhos e o fez perceber o quão compl

  • A Donna Foi Embora, o Don Enlouqueceu   Capítulo 10

    Ivy segurou o braço de Gabriel, atravessando os portões de ferro da mansão sem olhar para o lado.Na visão periférica, a figura negra parada na chuva intensa estava rígida como uma estátua. Alexander estava bem ali, mas ela não lhe daria nem um olhar.De volta à mansão, o aquecimento dissipou o frio de seu corpo.— Vou fazer algo para comer. — Gabriel tirou o casaco, arregaçou as mangas e foi para a cozinha aberta.Ivy sentou-se no balcão, observando-o cortar legumes habilmente e selar bifes. A luz amarela e quente caía sobre ele, criando uma atmosfera doméstica que ela não sentia há muito tempo.Uma vez, ela havia fantasiado sobre momentos assim com Alexander. Mas tudo o que ele lhe dera foram arsenais frios, esperas intermináveis e uma silhueta que cheirava a sangue.— Em que está pensando? — Gabriel lhe entregou uma taça de vinho tinto, seus olhos gentis.Ivy pegou a taça e olhou pela janela à prova de balas do chão ao teto. A chuva ainda caía, e aquela figura ainda estava lá

  • A Donna Foi Embora, o Don Enlouqueceu   Capítulo 9

    Quando Vincent voltou ao quarto, Ivy já tinha terminado de arrumar as malas.Ele olhou pela janela para Alexander sendo arrastado para longe e perguntou:— Coração partido?Ivy fechou a mala, o tom tão calmo como se estivesse falando do clima.— Coração partido? Esse tipo de coisa morreu na mesa de cirurgia há muito tempo. Eu só me sinto enojada. Não quero mais ser perturbada por um cachorro louco.Vincent assentiu com satisfação.— Bom. A Sicília está caótica demais agora. Aquele lunático do Alexander com certeza vai te incomodar de novo quando acordar. Vá para a Suíça. Os lagos e montanhas de lá são bons para se recuperar.— Já fiz os arranjos. Gabriel vai te buscar em Zurique.Gabriel?Um nome surgiu na mente de Ivy. Gabriel, o mais jovem magnata financeiro da Europa e um parceiro crucial nas operações de lavagem de dinheiro da família Rainier. Nascido na antiga nobreza, era um verdadeiro cavalheiro.Mais de dez horas depois, o avião pousou no Aeroporto de Zurique.Assim q

  • A Donna Foi Embora, o Don Enlouqueceu   Capítulo 8

    A declaração de guerra da família Rainier foi como uma bomba nuclear, destruindo metade da influência da família de Alexander da noite para o dia.Como vingança da família Rainier, aquilo era apenas o começo.Naquela noite, um Rolls-Royce blindado com uma bandeira branca parou diante dos portões do castelo Rainier.A mãe de Alexander, a outrora arrogante Donna, entrou sozinha.Ela parecia dez anos mais velha; sua aura de superioridade insuportável havia desaparecido completamente.Ivy a encontrou na sala de estar.— Ivy... não, Srta. Rainier. — Ela olhou para Ivy, seus olhos complexos, contendo um traço de medo. — Não estou aqui para implorar por misericórdia. Eu sei que aquele meu filho ingrato cometeu pecados imperdoáveis.Ela tirou uma pilha grossa de documentos da bolsa e os empurrou na direção de Ivy.— Estas são as escrituras de um terço do território da nossa família na Sicília, e os direitos de controle de nossas duas rotas marítimas mais lucrativas no Mediterrâneo.—

  • A Donna Foi Embora, o Don Enlouqueceu   Capítulo 7

    Elena caiu no chão, rastejando para trás.— Don, deixa eu explicar... eu fui forçada... eles me ameaçaram...A mãe dele entrou com o rosto frio e jogou uma pilha grossa de documentos e fotos na cara de Elena.As fotos se espalharam por todo o chão — provas de seus encontros com a família rival, venda de informações e o laudo forense do tiroteio de seis meses atrás, mostrando claramente que tudo tinha sido encenado com atores e adereços.— Explicar? — Alexander pisou na mão dela quando ela tentou alcançar as fotos — a mesma mão que ela usava para tocar piano e seduzi-lo.Ele aumentou a pressão, ouvindo o som dos ossos dos metacarpos esmagando, sem sentir qualquer emoção.— Ah—! Minha mão! Don, por favor... eu estava errada... — Elena gritou estridentemente, rolando no chão de dor.Ele se agachou, segurou o queixo dela, forçando-a a olhar nos seus olhos injetados de sangue.— Você usou essas mãos para tocar para mim, usou essas mãos para conspirar contra Ivy e usou essas mãos par

  • A Donna Foi Embora, o Don Enlouqueceu   Capítulo 6

    Elena já havia se recuperado bem o suficiente, mas a inquietação no coração de Alexander não se dissipava.Ela ainda implorava para que ele ficasse ao seu lado, mas sua paciência finalmente se esgotou.Ele se virou abruptamente e seguiu em direção ao quarto de hospital de Ivy.Por alguma razão, uma sensação de inquietação crescia dentro dele como ervas daninhas.Ao passar pelo consultório do médico responsável por Elena, a porta estava entreaberta. As vozes que saíam de dentro o fizeram congelar no lugar.— Só me injete mais um pouco desse composto. Crie a ilusão de estado crítico, e o Don vai enlouquecer completamente. O sangue daquela vadia da Ivy vai ser drenado até a última gota mais cedo ou mais tarde... — era a voz de Elena, carregada de uma toxicidade que ele nunca tinha ouvido nela.— Mas senhorita Elena, se descobrirem...— Do que você está com medo? Se algo acontecer, eu assumo. Desde que aquela vadia da Ivy morra, eu serei a única Donna. Você vai receber sua parte.O

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status