INICIAR SESIÓN♛ 𝐏𝐀𝐎𝐋𝐎 𝐑𝐔𝐒𝐒𝐎 ♛ O som dos disparos parecia música nos meus ouvidos. Quando puxei o gatilho contra os três homens, assisti a cabeça de um deles explodir sem sequer piscar. O estalo do crânio se partindo ecoou pelo galpão como uma sinfonia brutal. Atirei de novo. O segundo homem caiu antes mesmo de perceber que eu o tinha visto. Patético. Ele realmente acreditou que conseguiria se aproximar pelas sombras sem chamar minha atenção. Mas eu sou Paolo Russo. Eu vejo tudo. Eu sei de tudo. O cheiro de pólvora, sangue e morte já fazia parte da minha pele havia anos. A visão dos corpos espalhados diante de mim, depois do confronto entre meus homens e o grupo inimigo, deveria ser perturbadora para qualquer pessoa normal. Para mim, era apenas mais uma noite. Nada se comparava ao que vivi aos nove anos de idade. Nada. Porque foi naquela idade que meu avô me ensinou o que significava carregar o sobrenome Russo. Ainda consigo me lembrar do homem amarrado diante de
Encarei Paolo e a vergonha me atingiu em cheio. Não apenas por ter recusado uma quantia tão significativa — dinheiro que poderia salvar minha avó — mas por todo o desperdício que aquilo tinha se tornado nas minhas mãos. Já que depois de pensar muito sobre devolver ele achando o dinheiro sujo, voltar atrás e ainda sim perder em um roubo. Quando o olhar dele encontrou o meu, senti uma eletricidade estranha percorrer a pele. Por um segundo, tudo ao redor perdeu o peso. Era como se aquele fosse o primeiro verdadeiro contato entre nós, e não o momento anterior em que seus homens quase tinham matado um morador de rua. Respirei fundo quando ele começou a caminhar na minha direção. Meu corpo ficou rígido, esperando qualquer coisa — cobrança, desprezo, punição. Mas ele apenas passou por mim, como se eu não existisse. E isso foi pior. Fiquei imóvel, engolindo em seco. O dinheiro… tinha sido roubado. Um desperdício completo, antes mesmo que eu pudesse fazer qualquer coisa com ele. E
Tentei reunir o pouco de força que ainda me restava e voltei para fora de casa. Os vizinhos continuavam espalhados pela rua, comentando sobre os roubos enquanto a polícia fazia perguntas. Segundo eles, os caras pareciam amadores. Tinham invadido várias casas da região pegando apenas as coisas mais fáceis de vender. Celulares. Computadores. Dinheiro. Meu dinheiro. Eu mal conseguia abrir a boca para falar. Minha cabeça girava sem parar. Os policiais disseram que tentariam encontrar os responsáveis, mas bastava olhar ao redor para perceber a realidade. Aquilo era um bairro pobre. Nem câmeras direito existiam naquela região. Como eles encontrariam aqueles infelizes? Parecia que eu ia explodir a qualquer momento. A pressão dentro de mim estava insuportável. Minha avó entre a vida e a morte. O dinheiro desaparecido. O medo constante. E agora aquilo. Mesmo completamente destruída emocionalmente, ainda precisei ir até a delegacia prestar depoimento. Passei horas responden
A primeira coisa que fiz foi entrar correndo dentro de casa. Troquei de roupa rapidamente e, mesmo sabendo que precisava usar o dinheiro daquela maleta, escondi tudo embaixo de uma caixa na cozinha. Parte de mim ainda se sentia horrível só de olhar para aquele dinheiro. Mas eu não tinha escolha. Corri para o hospital aproveitando a carona de Bianco. O caminho inteiro foi silencioso. Meu coração parecia prestes a sair pela boca. Assim que cheguei, fui direto falar com o médico. E as notícias foram ainda piores do que eu imaginava. — Houve algumas complicações durante a madrugada. Senti meu corpo gelar imediatamente. — O estado dela piorou bastante. Se não iniciarmos um tratamento mais avançado… ela pode não resistir mais do que dois ou três dias. Dois ou três dias. Minha vontade foi desabar ali mesmo. Olhei para minha avó desacordada naquela cama e senti lágrimas queimarem meus olhos. Ela não podia morrer. Não depois de tudo. Não depois de me criar pra
Respirei fundo. Com certeza ele vai me matar. Arregalei os olhos com o próprio pensamento, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Paolo invadiu meu espaço e entrou na minha casa sem esperar permissão. Os dois homens ficaram do lado de fora. Já ele… Parecia dono do lugar. Fechei a porta lentamente enquanto observava sua postura fria caminhar pela sala simples da minha casa. Os olhos escuros dele recaíram sobre mim dos pés à cabeça. Meu rosto queimou imediatamente. Apertei ainda mais o roupão contra o corpo, tentando esconder a vergonha. — Se veio pelo que aconteceu… Ele me interrompeu antes mesmo que eu terminasse. — Você salvou a vida do meu avô. E eu quero recompensar você por isso. Pisquei algumas vezes, confusa. Não era aquilo que eu esperava ouvir. — Meu avô quase morreu hoje — continuou ele friamente. — E você foi a única pessoa que pulou naquela água para ajudá-lo. Engoli seco. — Como você sabe disso? O olhar dele permaneceu fixo no meu. Frio. Control
༒ 𝐏𝐑𝐎́𝐋𝐎𝐆𝐎 ༒ O som dos aparelhos mantendo minha avó viva ecoava como um zumbido constante dentro da minha cabeça. Lá fora, a chuva castigava a cidade como se até o céu soubesse que tudo estava desmoronando. Dessa vez, os médicos foram claros: ela precisava de um tratamento melhor. Mais caro. Mais urgente. E automaticamente pensei nele. Paolo Russo. O homem mais frio que já conheci. Cruel. Intimidador. Perigoso. A arma presa à sua cintura deixava claro que ele não era um homem comum. Casar com ele por contrato era algo que eu jamais aceitaria… se não estivesse desesperada. Mas o que eu podia fazer? Nada. Aproximei-me da cama e beijei as mãos geladas da minha avó, segurando o choro preso na garganta. — Por favor… fica viva até eu voltar. Então saí do hospital e peguei um táxi em direção ao encontro que mudaria minha vida para sempre. Encontrei Paolo dentro de um restaurante luxuoso completamente fechado apenas para nós dois. É claro que um homem como ele comprar







