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♛ 𝑪𝒂𝒑𝒊́𝒕𝒖𝒍𝒐 5 ♛

last update Fecha de publicación: 2026-05-13 10:27:25

Encarei Paolo e a vergonha me atingiu em cheio. Não apenas por ter recusado uma quantia tão significativa — dinheiro que poderia salvar minha avó — mas por todo o desperdício que aquilo tinha se tornado nas minhas mãos. Já que depois de pensar muito sobre devolver ele achando o dinheiro sujo, voltar atrás e ainda sim perder em um roubo.

Quando o olhar dele encontrou o meu, senti uma eletricidade estranha percorrer a pele. Por um segundo, tudo ao redor perdeu o peso. Era como se aquele fosse o primeiro verdadeiro contato entre nós, e não o momento anterior em que seus homens quase tinham matado um morador de rua.

Respirei fundo quando ele começou a caminhar na minha direção. Meu corpo ficou rígido, esperando qualquer coisa — cobrança, desprezo, punição. Mas ele apenas passou por mim, como se eu não existisse.

E isso foi pior.

Fiquei imóvel, engolindo em seco.

O dinheiro… tinha sido roubado. Um desperdício completo, antes mesmo que eu pudesse fazer qualquer coisa com ele.

E agora eu estava aqui por outro motivo, mais humilhante ainda: tentar recuperar o trabalho. Voltar atrás e lutar pelo o meu lugar aqui. Consertar o que já parecia impossível de desfazer.

Olhei por cima do ombro, sentindo o peso da própria vergonha me prender no lugar.

A diretora me olhou de braços cruzados, como se já soubesse exatamente por que eu estava aqui— para me humilhar. O tipo de olhar que te despedaça antes mesmo de você abrir a boca.

Mas, mesmo que ela cuspisse na minha cara, eu teria que tentar. Precisava recuperar meu trabalho. A vida da minha avó dependia disso. Eu trabalharia sábados e domingos se fosse preciso, não me importava. Se necessário, eu até pegaria dinheiro emprestado só para completar o salário daqui.

Ela caminhou até mim com calma calculada.

— O que faz aqui?

A pergunta veio carregada de desprezo, como se minha presença já fosse um erro.

Engoli em seco, mas mantive o olhar firme.

Eu disse que queria meu trabalho de volta. Que não tinha feito nada além de salvar um velhinho inocente no lago.

Ela riu. Riu na minha cara, como se aquilo fosse a coisa mais absurda que já tinha ouvido.

Foi aí que algo dentro de mim endureceu.

Mudei o tom.

Falei das vezes em que ela maltratou idosos ali dentro. Do dinheiro destinado a eles que desaparecia sem explicação. Cada palavra foi um passo sem volta.

O sorriso dela morreu na hora.

O ar pareceu pesar.

Ela entendeu como uma ameaça.

E eu senti uma estranha onda de vitória ao ver seu rosto perder a segurança. Era impagável.

Por um segundo, quase sorri.

Mas então ela se aproximou, devagar, e soltou uma risadinha baixa, quase doentia.

Disse que as câmeras daquele lugar nunca funcionavam de verdade. E que ninguém acreditaria numa mulher como eu — sem dinheiro, sem poder, desesperada para salvar uma “moribunda”, como ela se referiu à minha avó.

O sangue ferveu.

Eu quase levantei a mão.

Quase.

Até ouvir alguém me chamar.

— Nati.

Giácomo.

Ele veio sem a cadeira de rodas, e eu o segurei no reflexo quando ele tropeçou, quase caindo. O coração disparou no mesmo instante.

A diretora tentou me expulsar do local, pronta para encerrar qualquer discussão. Mas, antes que conseguisse, Paolo Russo apareceu naquele exato momento.

A presença dele mudou o ar da sala.

— Deixe ela — disse ele, seco, sem olhar para mim de imediato. — Se meu avô quer a presença dela agora, ele vai ter.

Olhei para ele, quase agradecida. Emocionada até. Mas era impossível sustentar qualquer emoção positiva diante daquela postura fria, quase cruel.

Levei Giácomo para o quarto e ficamos conversando por um tempo. Ele queria que eu voltasse. Eu deixei claro que voltaria. Mas, no fundo, eu já não sabia mais se acreditava nisso.

A esperança tinha se desgastado.

Será que o neto dele pediria por mim? Parecia impossível.

Depois de um tempo com o senhor Giácomo, saí à procura da diretora — e tive uma surpresa.

O neto dele estava lá.

Esperando por mim.

Era quase impossível ignorar a presença dele, parado como se estivesse pronto para atirar em qualquer um. Uma aura intimidadora, pesada, que fazia o ar ao redor parecer mais frio.

Tentei agir como se não o visse. Como ele tinha feito comigo no começo. Ele não podia descobrir que eu tinha perdido o dinheiro.

Mas a voz dele, grave e dominante, cortou meus pensamentos.

— Natália.

Parei.

— Precisamos conversar.

Ele fez um leve gesto com a cabeça.

— Venha comigo.

Eu poderia ignorar. Mas, na minha posição, ele poderia me destruir ali mesmo. E minha avó precisava de mim.

Segui em silêncio, tremendo, até dentro do carro.

Ele entrou logo depois e o motorista deu partida. O silêncio dele era sufocante — como lâminas lentas me pressionando por dentro.

E quando finalmente falou…

— Soube que você perdeu todo o dinheiro que eu lhe dei.

Arregalei os olhos.

Como ele descobriu?

Eu tinha certeza de que, depois daquele dia, ele teria simplesmente apagado minha existência.

Respirei pesadamente, tentando me explicar em meio às palavras embaralhadas e gaguejadas. Disse que a culpa não era minha, que eu não tinha como prever, que tudo tinha fugido do meu controle.

Ele me cortou antes que eu terminasse.

— Eu só quero saber como você pensa em me pagar o prejuízo. Afinal, eu lhe dei o dinheiro como recompensa. Como não chegou a isso, foi um desperdício total.

A forma como ele falou era absurda. Como se dinheiro não significasse absolutamente nada. Como se retirar aquilo da conta dele fosse o mesmo que tirar moedas de um bolso qualquer — irrelevante, insignificante.

Engoli em seco.

Não havia o que fazer.

Era isso ou nada.

Era encarar o fim.

Aceitei meu destino com a mente em branco.

— Ok… pode me matar — minha voz saiu baixa, trêmula. — Mas saiba que vai tirar a vida de uma mulher que também tem uma avó doente.

Ele me olhou por alguns segundos, sem expressão. Frio. Imóvel.

E então vi o movimento sutil da mão indo até a arma.

O ar me faltou.

O corpo inteiro travou.

Eu só conseguia pensar na minha avó.

O choro veio sem permissão. Silencioso, desesperado. A tensão era grande demais para caber dentro de mim.

Até que ele falou, seco:

— Eu não te chamei aqui para sujar meu carro com seu sangue.

Fiquei paralisada. Confusa.

O silêncio dele voltou a pesar, ainda mais sufocante.

— Eu tenho uma proposta para você — continuou.

Engoli em seco e assenti levemente. Nada podia ser pior do que aquilo… certo?

Ou podia.

Ele falou com firmeza, cada palavra medida:

— Eu pago o tratamento da sua avó. E abato a dívida que você criou ao deixar ser roubado os 50 mil euros.

Meus olhos se arregalaram.

— Como…?

O choque me deixou sem ar.

Havia esperança. Pequena, frágil, quase perigosa de sentir.

Até que ele completou, lançando a outra bomba com a mesma calma gelada de antes:

— Mas você vai ter que se casar comigo.

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  • A ESPOSA CONTRATADA DA MÁFIA    ♛ 𝐂𝐀𝐏𝐈́𝐓𝐔𝐋𝐎 𝟔 ♛

    ♛ 𝐏𝐀𝐎𝐋𝐎 𝐑𝐔𝐒𝐒𝐎 ♛ O som dos disparos parecia música nos meus ouvidos. Quando puxei o gatilho contra os três homens, assisti a cabeça de um deles explodir sem sequer piscar. O estalo do crânio se partindo ecoou pelo galpão como uma sinfonia brutal. Atirei de novo. O segundo homem caiu antes mesmo de perceber que eu o tinha visto. Patético. Ele realmente acreditou que conseguiria se aproximar pelas sombras sem chamar minha atenção. Mas eu sou Paolo Russo. Eu vejo tudo. Eu sei de tudo. O cheiro de pólvora, sangue e morte já fazia parte da minha pele havia anos. A visão dos corpos espalhados diante de mim, depois do confronto entre meus homens e o grupo inimigo, deveria ser perturbadora para qualquer pessoa normal. Para mim, era apenas mais uma noite. Nada se comparava ao que vivi aos nove anos de idade. Nada. Porque foi naquela idade que meu avô me ensinou o que significava carregar o sobrenome Russo. Ainda consigo me lembrar do homem amarrado diante de

  • A ESPOSA CONTRATADA DA MÁFIA    ♛ 𝑪𝒂𝒑𝒊́𝒕𝒖𝒍𝒐 5 ♛

    Encarei Paolo e a vergonha me atingiu em cheio. Não apenas por ter recusado uma quantia tão significativa — dinheiro que poderia salvar minha avó — mas por todo o desperdício que aquilo tinha se tornado nas minhas mãos. Já que depois de pensar muito sobre devolver ele achando o dinheiro sujo, voltar atrás e ainda sim perder em um roubo. Quando o olhar dele encontrou o meu, senti uma eletricidade estranha percorrer a pele. Por um segundo, tudo ao redor perdeu o peso. Era como se aquele fosse o primeiro verdadeiro contato entre nós, e não o momento anterior em que seus homens quase tinham matado um morador de rua. Respirei fundo quando ele começou a caminhar na minha direção. Meu corpo ficou rígido, esperando qualquer coisa — cobrança, desprezo, punição. Mas ele apenas passou por mim, como se eu não existisse. E isso foi pior. Fiquei imóvel, engolindo em seco. O dinheiro… tinha sido roubado. Um desperdício completo, antes mesmo que eu pudesse fazer qualquer coisa com ele. E

  • A ESPOSA CONTRATADA DA MÁFIA    ♛ 𝑪𝒂𝒑𝒊́𝒕𝒖𝒍𝒐 4 ♛

    Tentei reunir o pouco de força que ainda me restava e voltei para fora de casa. Os vizinhos continuavam espalhados pela rua, comentando sobre os roubos enquanto a polícia fazia perguntas. Segundo eles, os caras pareciam amadores. Tinham invadido várias casas da região pegando apenas as coisas mais fáceis de vender. Celulares. Computadores. Dinheiro. Meu dinheiro. Eu mal conseguia abrir a boca para falar. Minha cabeça girava sem parar. Os policiais disseram que tentariam encontrar os responsáveis, mas bastava olhar ao redor para perceber a realidade. Aquilo era um bairro pobre. Nem câmeras direito existiam naquela região. Como eles encontrariam aqueles infelizes? Parecia que eu ia explodir a qualquer momento. A pressão dentro de mim estava insuportável. Minha avó entre a vida e a morte. O dinheiro desaparecido. O medo constante. E agora aquilo. Mesmo completamente destruída emocionalmente, ainda precisei ir até a delegacia prestar depoimento. Passei horas responden

  • A ESPOSA CONTRATADA DA MÁFIA    ♛ 𝑪𝒂𝒑𝒊́𝒕𝒖𝒍𝒐 3 ♛

    A primeira coisa que fiz foi entrar correndo dentro de casa. Troquei de roupa rapidamente e, mesmo sabendo que precisava usar o dinheiro daquela maleta, escondi tudo embaixo de uma caixa na cozinha. Parte de mim ainda se sentia horrível só de olhar para aquele dinheiro. Mas eu não tinha escolha. Corri para o hospital aproveitando a carona de Bianco. O caminho inteiro foi silencioso. Meu coração parecia prestes a sair pela boca. Assim que cheguei, fui direto falar com o médico. E as notícias foram ainda piores do que eu imaginava. — Houve algumas complicações durante a madrugada. Senti meu corpo gelar imediatamente. — O estado dela piorou bastante. Se não iniciarmos um tratamento mais avançado… ela pode não resistir mais do que dois ou três dias. Dois ou três dias. Minha vontade foi desabar ali mesmo. Olhei para minha avó desacordada naquela cama e senti lágrimas queimarem meus olhos. Ela não podia morrer. Não depois de tudo. Não depois de me criar pra

  • A ESPOSA CONTRATADA DA MÁFIA    ♛ 𝑪𝒂𝒑𝒊́𝒕𝒖𝒍𝒐 2 ♛

    Respirei fundo. Com certeza ele vai me matar. Arregalei os olhos com o próprio pensamento, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Paolo invadiu meu espaço e entrou na minha casa sem esperar permissão. Os dois homens ficaram do lado de fora. Já ele… Parecia dono do lugar. Fechei a porta lentamente enquanto observava sua postura fria caminhar pela sala simples da minha casa. Os olhos escuros dele recaíram sobre mim dos pés à cabeça. Meu rosto queimou imediatamente. Apertei ainda mais o roupão contra o corpo, tentando esconder a vergonha. — Se veio pelo que aconteceu… Ele me interrompeu antes mesmo que eu terminasse. — Você salvou a vida do meu avô. E eu quero recompensar você por isso. Pisquei algumas vezes, confusa. Não era aquilo que eu esperava ouvir. — Meu avô quase morreu hoje — continuou ele friamente. — E você foi a única pessoa que pulou naquela água para ajudá-lo. Engoli seco. — Como você sabe disso? O olhar dele permaneceu fixo no meu. Frio. Control

  • A ESPOSA CONTRATADA DA MÁFIA    ♛ 𝑪𝒂𝒑𝒊́𝒕𝒖𝒍𝒐 1 ♛

    ༒ 𝐏𝐑𝐎́𝐋𝐎𝐆𝐎 ༒ O som dos aparelhos mantendo minha avó viva ecoava como um zumbido constante dentro da minha cabeça. Lá fora, a chuva castigava a cidade como se até o céu soubesse que tudo estava desmoronando. Dessa vez, os médicos foram claros: ela precisava de um tratamento melhor. Mais caro. Mais urgente. E automaticamente pensei nele. Paolo Russo. O homem mais frio que já conheci. Cruel. Intimidador. Perigoso. A arma presa à sua cintura deixava claro que ele não era um homem comum. Casar com ele por contrato era algo que eu jamais aceitaria… se não estivesse desesperada. Mas o que eu podia fazer? Nada. Aproximei-me da cama e beijei as mãos geladas da minha avó, segurando o choro preso na garganta. — Por favor… fica viva até eu voltar. Então saí do hospital e peguei um táxi em direção ao encontro que mudaria minha vida para sempre. Encontrei Paolo dentro de um restaurante luxuoso completamente fechado apenas para nós dois. É claro que um homem como ele comprar

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