INICIAR SESIÓNTentei reunir o pouco de força que ainda me restava e voltei para fora de casa.
Os vizinhos continuavam espalhados pela rua, comentando sobre os roubos enquanto a polícia fazia perguntas. Segundo eles, os caras pareciam amadores. Tinham invadido várias casas da região pegando apenas as coisas mais fáceis de vender. Celulares. Computadores. Dinheiro. Meu dinheiro. Eu mal conseguia abrir a boca para falar. Minha cabeça girava sem parar. Os policiais disseram que tentariam encontrar os responsáveis, mas bastava olhar ao redor para perceber a realidade. Aquilo era um bairro pobre. Nem câmeras direito existiam naquela região. Como eles encontrariam aqueles infelizes? Parecia que eu ia explodir a qualquer momento. A pressão dentro de mim estava insuportável. Minha avó entre a vida e a morte. O dinheiro desaparecido. O medo constante. E agora aquilo. Mesmo completamente destruída emocionalmente, ainda precisei ir até a delegacia prestar depoimento. Passei horas respondendo perguntas enquanto tentava não desabar na frente dos policiais. Mas a verdade é que eu já estava no meu limite. Saí da delegacia percebendo que não havia mais nada a fazer. Eu não podia esperar dias — ou semanas — até a polícia encontrar aqueles homens. Minha avó não tinha esse tempo. E, pela primeira vez, a realidade realmente me atingiu. Eu talvez precisasse me despedir dela. Caminhei sem rumo por alguns minutos até meu celular tocar. Era Bianco. Ele já tinha descoberto sobre o assalto e apareceu na minha casa pouco tempo depois para tentar me confortar. Assim que o vi, senti toda a pressão que eu estava segurando começar a escapar. — Eu estou perdida… Minha voz saiu falha. — Parece que tenho vontade de chorar o tempo inteiro. Minha avó está… está se desfazendo diante de mim. Bianco me olhou com tristeza genuína. — Eu queria poder ajudar mais, Nati… de verdade. Mas eu não tenho esse dinheiro. Ele passou a mão pelos cabelos, frustrado. — Tudo o que eu ganho no trabalho vai para o financiamento do meu apartamento. Assenti devagar. Eu sabia que ele estava sendo sincero. Depois de alguns segundos em silêncio, aceitei pelo menos seu abraço. Precisava sentir que ainda existia alguém ali comigo. Bianco me abraçou forte. E por alguns segundos eu apenas fechei os olhos tentando não desabar completamente. Mas então… Quando comecei a me afastar lentamente para ajeitar o cabelo grudado no rosto por causa das lágrimas… Ele me puxou para um beijo. Meu corpo travou em choque. Eu não esperava aquilo. Não naquele momento. Não agora. E alguma coisa dentro de mim explodiu. Empurrei Bianco imediatamente. — Vai embora! Minha voz saiu alta e quebrada ao mesmo tempo. — Some da minha frente! Ele arregalou os olhos, claramente arrependido. — Nati, me desculpa… eu— — SOME! Bianco começou a gaguejar um pedido de desculpas antes de finalmente ir embora. E eu fiquei ali parada. Tremendo de raiva. De tristeza. De cansaço. Como ele pôde me beijar enquanto meu mundo inteiro estava desmoronando diante dos meus olhos? Quando Bianco foi embora, me sentei no chão da sala. Fiquei encolhida, abraçando as próprias pernas enquanto me perdia nos meus pensamentos. Como eu deixei isso acontecer? Como? Eu ainda não conseguia acreditar que tinha perdido justamente a única chance de salvar a vida da minha avó. Parecia irreal. Como um pesadelo do qual eu não conseguia acordar. Passei as mãos pelo rosto sentindo o desespero esmagar meu peito. Eu realmente estava perdida. Mesmo diante de tudo aquilo, me obriguei a levantar. Tomei um banho demorado tentando tirar a aparência de choro do meu rosto antes de voltar para o hospital. Durante o trajeto de ônibus, fiquei pesquisando desesperadamente por trabalhos. Serviço doméstico. Cuidadora particular. Faxina. Qualquer coisa urgente servia. Em algum momento, cheguei até a cogitar trabalhar em boates como garota de programa. E pensar nisso fez meu estômago embrulhar imediatamente. Porque aquela seria minha última opção. Meu último limite. Quando finalmente cheguei ao hospital, fui direto para o quarto da minha avó. Mas, dessa vez, não consegui conversar com ela. Não consegui sorrir. Não consegui fingir esperança. Apenas sentei ao lado da cama e permaneci em silêncio segurando sua mão fria entre as minhas. Eu também não conseguia comer absolutamente nada. Parecia que meu corpo inteiro tinha desligado. Depois de algum tempo, o médico me chamou para conversar. E, pela primeira vez, contei a verdade. Expliquei sobre o dinheiro roubado. Sobre o tratamento. Sobre o desespero. Tentei fazer com que ele sentisse pena de mim. Que me ajudasse de alguma forma. Mas ele apenas me encarou friamente antes de falar algo que destruiu o pouco que ainda restava dentro de mim. — Talvez seja melhor desligar os aparelhos. Meu coração parou. Olhei para ele sem acreditar. Minha avó ainda respirava. Ainda estava ali. E mesmo assim ele falava sobre desistir dela como se estivesse comentando sobre algo banal. Eu questionei o médico imediatamente. Perguntei como ele podia sugerir uma coisa dessas enquanto minha avó ainda estava viva. Ele tentou explicar calmamente que talvez fosse melhor do que prolongar o sofrimento dela. Mas ainda existia vida ali. Ela ainda respirava. Ainda estava lutando. E enquanto ela lutasse… eu também lutaria. Eu não podia simplesmente desistir da minha avó. Não podia abandonar a mulher que dedicou a vida inteira para cuidar de mim. Respirei fundo tentando controlar as lágrimas. Então, naquele instante, tomei uma decisão. Eu cuidei muito bem do senhor Giácomo. E sabia que os outros idosos também gostavam de mim. Eu precisava recuperar meu emprego. Precisava. A diretora tinha que entender que eu era uma das melhores cuidadoras daquele lugar. E, sinceramente? Eu tinha quase certeza de que Giácomo tentou me defender de alguma forma depois do acidente. Mas outra certeza martelava na minha cabeça. Rico ou não… Não era a voz de Giácomo que intimidava aquele lugar. Era o sobrenome do neto dele. Paolo Russo. Olhei novamente para o médico antes de responder com firmeza: — Não. Ele me encarou em silêncio. — Eu não vou desistir da minha avó. Saí daquela sala com algo que não sentia fazia horas. Esperança. Percebi que tinha desistido fácil demais do meu trabalho. Eu poderia até denunciar várias coisas erradas que já vi acontecendo naquele lar para idosos. Mas eu não queria destruir o lugar. Só queria continuar trabalhando ali. Continuar cuidando de quem precisava de mim. Peguei um ônibus e fui direto para o lar. Já estava quase anoitecendo quando cheguei. Camila estava indo embora no momento em que me viu entrar pelo portão. Ela praticamente paralisou. — Nati… Mesmo surpresa, ela acabou me deixando entrar. Explicou rapidamente que a diretora estava ocupada com uma pessoa importante. Mas, sinceramente? Naquele momento eu estava pouco me fodendo para isso. Passei direto por ela e caminhei pelo corredor decidida a enfrentar aquela mulher. A diretora odiava escândalos. E com certeza não gostaria da ideia de ser processada por maus-tratos ou negligência. Meu coração batia forte enquanto eu me aproximava da sala. Mas então… Parei imediatamente. Quatro homens de terno preto estavam posicionados na porta. Armados. Meu corpo gelou. E antes que eu pudesse reagir, a porta da sala se abriu. Quase perdi o ar quando vi quem saiu de lá. O próprio, Paolo Russo.♛ 𝐏𝐀𝐎𝐋𝐎 𝐑𝐔𝐒𝐒𝐎 ♛ O som dos disparos parecia música nos meus ouvidos. Quando puxei o gatilho contra os três homens, assisti a cabeça de um deles explodir sem sequer piscar. O estalo do crânio se partindo ecoou pelo galpão como uma sinfonia brutal. Atirei de novo. O segundo homem caiu antes mesmo de perceber que eu o tinha visto. Patético. Ele realmente acreditou que conseguiria se aproximar pelas sombras sem chamar minha atenção. Mas eu sou Paolo Russo. Eu vejo tudo. Eu sei de tudo. O cheiro de pólvora, sangue e morte já fazia parte da minha pele havia anos. A visão dos corpos espalhados diante de mim, depois do confronto entre meus homens e o grupo inimigo, deveria ser perturbadora para qualquer pessoa normal. Para mim, era apenas mais uma noite. Nada se comparava ao que vivi aos nove anos de idade. Nada. Porque foi naquela idade que meu avô me ensinou o que significava carregar o sobrenome Russo. Ainda consigo me lembrar do homem amarrado diante de
Encarei Paolo e a vergonha me atingiu em cheio. Não apenas por ter recusado uma quantia tão significativa — dinheiro que poderia salvar minha avó — mas por todo o desperdício que aquilo tinha se tornado nas minhas mãos. Já que depois de pensar muito sobre devolver ele achando o dinheiro sujo, voltar atrás e ainda sim perder em um roubo. Quando o olhar dele encontrou o meu, senti uma eletricidade estranha percorrer a pele. Por um segundo, tudo ao redor perdeu o peso. Era como se aquele fosse o primeiro verdadeiro contato entre nós, e não o momento anterior em que seus homens quase tinham matado um morador de rua. Respirei fundo quando ele começou a caminhar na minha direção. Meu corpo ficou rígido, esperando qualquer coisa — cobrança, desprezo, punição. Mas ele apenas passou por mim, como se eu não existisse. E isso foi pior. Fiquei imóvel, engolindo em seco. O dinheiro… tinha sido roubado. Um desperdício completo, antes mesmo que eu pudesse fazer qualquer coisa com ele. E
Tentei reunir o pouco de força que ainda me restava e voltei para fora de casa. Os vizinhos continuavam espalhados pela rua, comentando sobre os roubos enquanto a polícia fazia perguntas. Segundo eles, os caras pareciam amadores. Tinham invadido várias casas da região pegando apenas as coisas mais fáceis de vender. Celulares. Computadores. Dinheiro. Meu dinheiro. Eu mal conseguia abrir a boca para falar. Minha cabeça girava sem parar. Os policiais disseram que tentariam encontrar os responsáveis, mas bastava olhar ao redor para perceber a realidade. Aquilo era um bairro pobre. Nem câmeras direito existiam naquela região. Como eles encontrariam aqueles infelizes? Parecia que eu ia explodir a qualquer momento. A pressão dentro de mim estava insuportável. Minha avó entre a vida e a morte. O dinheiro desaparecido. O medo constante. E agora aquilo. Mesmo completamente destruída emocionalmente, ainda precisei ir até a delegacia prestar depoimento. Passei horas responden
A primeira coisa que fiz foi entrar correndo dentro de casa. Troquei de roupa rapidamente e, mesmo sabendo que precisava usar o dinheiro daquela maleta, escondi tudo embaixo de uma caixa na cozinha. Parte de mim ainda se sentia horrível só de olhar para aquele dinheiro. Mas eu não tinha escolha. Corri para o hospital aproveitando a carona de Bianco. O caminho inteiro foi silencioso. Meu coração parecia prestes a sair pela boca. Assim que cheguei, fui direto falar com o médico. E as notícias foram ainda piores do que eu imaginava. — Houve algumas complicações durante a madrugada. Senti meu corpo gelar imediatamente. — O estado dela piorou bastante. Se não iniciarmos um tratamento mais avançado… ela pode não resistir mais do que dois ou três dias. Dois ou três dias. Minha vontade foi desabar ali mesmo. Olhei para minha avó desacordada naquela cama e senti lágrimas queimarem meus olhos. Ela não podia morrer. Não depois de tudo. Não depois de me criar pra
Respirei fundo. Com certeza ele vai me matar. Arregalei os olhos com o próprio pensamento, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Paolo invadiu meu espaço e entrou na minha casa sem esperar permissão. Os dois homens ficaram do lado de fora. Já ele… Parecia dono do lugar. Fechei a porta lentamente enquanto observava sua postura fria caminhar pela sala simples da minha casa. Os olhos escuros dele recaíram sobre mim dos pés à cabeça. Meu rosto queimou imediatamente. Apertei ainda mais o roupão contra o corpo, tentando esconder a vergonha. — Se veio pelo que aconteceu… Ele me interrompeu antes mesmo que eu terminasse. — Você salvou a vida do meu avô. E eu quero recompensar você por isso. Pisquei algumas vezes, confusa. Não era aquilo que eu esperava ouvir. — Meu avô quase morreu hoje — continuou ele friamente. — E você foi a única pessoa que pulou naquela água para ajudá-lo. Engoli seco. — Como você sabe disso? O olhar dele permaneceu fixo no meu. Frio. Control
༒ 𝐏𝐑𝐎́𝐋𝐎𝐆𝐎 ༒ O som dos aparelhos mantendo minha avó viva ecoava como um zumbido constante dentro da minha cabeça. Lá fora, a chuva castigava a cidade como se até o céu soubesse que tudo estava desmoronando. Dessa vez, os médicos foram claros: ela precisava de um tratamento melhor. Mais caro. Mais urgente. E automaticamente pensei nele. Paolo Russo. O homem mais frio que já conheci. Cruel. Intimidador. Perigoso. A arma presa à sua cintura deixava claro que ele não era um homem comum. Casar com ele por contrato era algo que eu jamais aceitaria… se não estivesse desesperada. Mas o que eu podia fazer? Nada. Aproximei-me da cama e beijei as mãos geladas da minha avó, segurando o choro preso na garganta. — Por favor… fica viva até eu voltar. Então saí do hospital e peguei um táxi em direção ao encontro que mudaria minha vida para sempre. Encontrei Paolo dentro de um restaurante luxuoso completamente fechado apenas para nós dois. É claro que um homem como ele comprar







