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Matando dois coelhos com uma cajadada só

Author: Agnela
last update publish date: 2025-09-12 14:58:03

Yelissa, estava preparada com um lindo vestido que tinha comprado num brechó. Olhava-se no espelho enquanto Noah estava olhando para ela.

— Acha boa ideia ir para esse jantar? Está muito tarde— disse ele. Olhando para fora— Amanhã você precisa ir ao trabalho.

— Estou fazendo o que você disse. Não há nada de complicado. Volto antes do amanhecer. Eu prometo.

— Só não deixa ele chegar muito perto.

— Pode deixar— disse sorrindo.

No apartamento do Gustavo. Tudo estava as mil maravilhas, velas acesas, mesa posta para um jantar romântico, tudo decorado na medida certa.

Quando a campainha tocou, seu coração acelerou. Pelo olho mágico, viu a pequena mulher, num vestido rosa justo ao corpo. E quando abriu a porta, só pode confirmar, tão linda quanto uma boneca de porcelana.

— Não vai me convidar para entrar? — perguntou.

— Claro! Entra. Essa casa em breve será sua— sussurrou.

Ela não ouviu. Apenas seguiu caminhando a dentro.

O jantar feito por ele estava maravilhoso. Ela tinha repetido, Gustavo comprou champanhe sem álcool para ela, enquanto ele bebia vinho.

O momento estava tão sereno, que ambos ficaram olhando um para o outro.

— Não vai me perguntar? — disse ele, olhando fixamente para ela.

— Sobre quê?

— Depois de ouvir tudo aquilo da boca da Clara. Sobre eu ter noiva.

— Oque você não me contar, eu considero que não seja verdade— limpou a boca— Não fui acostumada a ouvir de outros. Diga-me sempre a verdade, e eu acreditarei.

Ele sorriu. Ela tinha muita maturidade para alguém tão nova.

Eles se levantaram e dançaram. O clima estava carregado de alguma coisa, que ambos estavam mortinhos para descobrir.

— Eu vou e quero que seja você a mulher que vai casar comigo— disse ele.

Ela sorriu boba.

E ele a beijou. Lento, tentado a avançar. Mas continuou no beijo.

— Gustavo— sussurrou depois de o soltar— Eu estou pronta.

Aquilo foi um delírio para ele. Seus sentidos estavam completamente errados.

“Eu não posso ter ouvido certo”.

— O que você disse?

— Quero me entregar a você.

A puxou para mais perto sentido seu coraçãozinho acelerado. Ela era pequena, na altura e estrutura corporal. Mas para ele, cabia perfeitamente.

— Você tem certeza?

Ela assentiu.

— Prometo que serei o mais cavalheiro com você— abriu o vestido dela por trás. E tirou com jeito. Yelissa estava tímida, nenhum outro homem tinha visto seu corpo antes, além daquele lugar que ela preferia nem pensar. Gustavo era o único homem que olhava para ela daquele jeito. Apaixonado e com desejo.

Os dois tiveram uma noite encantada. Ele cumpriu a promessa e fez com todo cavalheirismo possível. Para ele, aquilo foi Melhor que tudo que já aconteceu com ele, em toda sua vida.

Ambos dormiram, embalados pelo cansaço e pela estranha paz de finalmente estarem juntos. Mas no meio da madrugada, a campainha tocou com insistência, quebrando o silêncio como uma pancada.

Gustavo despertou primeiro. Ainda sonolento, ergueu-se com cuidado para não acordá-la. Vestiu-se às pressas, os pés descalços no chão frio, e caminhou até a porta.

Ao abri-la, deu de cara com dois policiais uniformizados, sérios e firmes.

— Gustavo Foster? — perguntou um deles.

— Sim… sou eu. Aconteceu alguma coisa?

— Recebemos uma denúncia anônima — começou o outro— De que uma menor de idade estaria neste apartamento, supostamente envolvida com prostituição.

Gustavo franziu o cenho, totalmente confuso.

— O quê? Isso só pode ser um engano!

Antes que pudesse dizer mais, passos leves ecoaram no corredor. Yelissa apareceu na sala, com os cabelos despenteados, a camisa larga dele cobrindo o corpo e os olhos ainda semicerrados de sono.

— Gustavo, o que está acontecendo? — perguntou, parando ao ver os policiais.

Eles a encararam.

— Senhorita, por favor, pode nos informar sua idade?

Ela hesitou, surpresa com a pergunta.

— Dezesseis…

O silêncio que se seguiu foi sufocante. Gustavo ficou imóvel. Um dos policiais suspirou e tirou o bloco de anotações do bolso.

— Precisamos que ambos nos acompanhem até a delegacia para esclarecimentos.

— Isso é um absurdo — Gustavo protestou, se colocando à frente dela— Ela não é nenhuma prostituta!

— Isso será averiguado, senhor — respondeu o policial com calma— Estamos apenas cumprindo o protocolo.

Yelissa tremia.

— Alguém me denunciou? Mas… eu nunca… eu não sou isso…

— Eu sei — disse Gustavo, apertando a mão dela— Nós vamos resolver isso.

Sob os olhares curiosos dos vizinhos, os dois foram conduzidos ao carro da polícia.

O ar da madrugada parecia mais frio. E a noite, mais longa.

Na delegacia, Gustavo e Yelissa foram levados para salas separadas. Os agentes seguiram o protocolo para casos envolvendo possível exploração de menores.

Yelissa foi conduzida até uma sala menor, com uma cadeira de plástico e um agente feminino. Ela tremia, não sabia o que dizer. Perguntaram seu nome completo — Yelissa Spencer —, idade, e onde estavam seus responsáveis legais. Ao confirmar que tinha 16 anos, o clima mudou.

— Você está sozinha? Mora com alguém? — perguntaram.

— Moro… com a minha tia — mentiu, mas a hesitação foi percebida.

— Nome da sua tia? Endereço? — ela inventou rapidamente, mas tudo seria checado.

Enquanto isso, Gustavo Foster era interrogado por outro agente. Mostrou seu documento, confirmou ser maior de idade, explicou que conhecia Yelissa há meses, e que acreditava que ela morava com uma tia. Aparentemente, levavam uma relação estável.

— Você sabia que ela era menor de idade? —

— Sabia. Mas ela nunca me disse nada sobre prostituição. Jamais me envolvi com isso, nem permitiria que alguém a tratasse assim.

Os policiais explicaram que, mesmo sem envolvimento com prostituição, o fato de uma menor estar na residência dele em contexto íntimo gerava suspeitas.

Mais tarde, após checagem do nome de Yelissa, descobriram que ela havia desaparecido aos 14 anos do sistema de acolhimento, e estava considerada fugitiva.

Gustavo recebeu a notícia com choque.

— Como assim ela fugiu? Ela nunca me contou isso…

Por ora, não houve prisão. A delegada de plantão, compreendendo que não havia sinais claros de exploração, decidiu aguardar a investigação social.

Enquanto os agentes finalizavam o relatório, um policial entrou apressado na sala.

— A mãe adotiva foi localizada. Está a caminho da delegacia.

Minutos depois, a porta se abriu bruscamente. Uma mulher alta, de expressão carregada e olhos vermelhos de raiva, entrou como um furacão. Era Mirna Spencer, a mãe adotiva de Yelissa. Assim que a viu, atravessou o corredor e sem dizer nada a abraçou… mas o gesto durou pouco.

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