MasukPOV: KAEROS
— Vá em frente, Lycan... — Seus olhos cintilaram em azul-esverdeado selvagem, mesclando e alternando como fogo sob gelo. — Faça.
Resistência e temor se misturavam naquele olhar. Havia medo, sim. Mas também orgulho. Um espírito forte demais para uma Ômega presa nas minhas garras.
Intensifiquei o aperto no tecido da roupa dela. Ousada. Audaciosa. Me desafiava mesmo com medo. Provocava. Os olhos permaneceram presos aos meus enquanto, devagar, ela inclinava a cabeça de lado, expondo o pescoço, um convite, um desafio.
Rosnei fundo, em aviso.
— Você já quebrou minha loba... — A voz dela saiu trêmula, os olhos brilhando em lágrimas contidas. — O que mais me resta?
Seu peito subia e descia em uma respiração rápida, o pulso acelerado. A pressionei mais contra o pilar, colando nossos corpos, roubando seu espaço. Sua pulsação disparou. O cheiro de medo e teimosia exalava daquela pele delicada.
Maldito perfume agridoce. Maldita Eloween Everlight!
Me inclinei, presas à mostra, perto o suficiente para que o mínimo movimento roçasse aqueles lábios avermelhados, semiabertos, quase convidativos.
— Posso destruir o seu espírito — sussurrei.
Seus olhos se arregalaram. Eu a soltei de repente. Seu corpo trêmulo deslizou pelo pilar até o chão. Soltou o ar que não percebia ter prendido, agarrando o tecido da própria roupa, antes de erguer dois dedos e tocar os próprios lábios, surpresa.
— É o que pretende, Alfa? — A voz saiu quebrada enquanto ela erguia os olhos do chão para me encarar. — Me quebrar?
Semicerrei os olhos. O ódio pulsava nas veias. Meu lobo, agitado, feroz, impaciente.
— Talvez... — Estalei com indiferença.
Ela se ergueu. Pernas trêmulas. Punhos cerrados. Olhar feroz.
— Por quê? — Cuspiu, avançando na minha direção. — Por que está fazendo isto comigo?
As lágrimas se acumularam na linha fina dos olhos. O nariz se ergueu em teimosia insolente.
— Por que não me matou no duelo junto com os outros? — Mordeu os lábios, hesitante. Segui o movimento com os olhos, em reflexo, antes de voltar ao contato. — Eu não sei por que odeia tanto o meu pai, ou o que ele te fez..., mas eu não sou el...
O rugido saiu alto, trovejante. Os pilares e o chão tremeram. Ela recuou por reflexo. Avancei, fechando a distância de novo.
— Os pecados do seu pai também são seus — Declarei, baixando o tom para algo mortal, perigoso. — Você é ainda pior do que ele, Ômega!
O choque atravessou seu rosto. Um soluço preso escapou entre os lábios.
Ela era o verdadeiro monstro por trás daquela bela pele de cordeiro, daqueles olhos angelicais. Eloween Everlight. Doce no olhar. Cruel nas ações. Filha de Skar, o tirano sanguinário. O demônio das terras.
— A morte, para você, seria um alívio que não merece — Cuspi por fim, ajustando a postura, me afastando, a olhando de cima, friamente. — Considere esta alcateia como sua nova jaula. Seu purgatório, pequena Ômega.
Uma lágrima deslizou pelo canto do olho dela. A capturei com a ponta dos dedos antes que escapasse pelo rosto, o toque durando um segundo a mais do que deveria.
— Deveria ter me deixado no duelo — murmurou, a tristeza nua na voz. — Pelo menos lá eu sabia qual seria o meu destino.
— É a mim que você pertence, Ômega — soltei bruscamente, feroz entre os dentes, irritado com a insistência. — Seus dias. Suas lágrimas. Seu destino. Tudo em você pertence ao Devorador de Lobos. Entendeu?
Seus lábios tremeram. Cedeu um passo para trás, fugindo do meu toque, limpando o canto dos olhos com o dorso da mão. Engoliu em seco.
— Sim. — Apertou os dentes, a fúria dançando no olhar enquanto assentia, mecânica. — Vossa Majestade.
O sarcasmo não me passou despercebido. Eloween não era como as outras. Não se curvaria com facilidade.
Avancei, agarrando o pescoço dela com firmeza, a puxando para perto. Apertei de leve, sentindo a pulsação acelerada sob os dedos. Meus olhos a analisavam de perto.
Me inclinei, inspirando profundo seu cheiro agridoce dela.
— Apenas uma fagulha do que era... — murmurei entre as presas, sem perceber.
Seu cenho se franziu, a interrogação surgindo naquele rosto delicado. Rosnei, impaciente, negando com a cabeça, me afastando.
— Estar na minha alcateia significa provar seu valor, Ômega — falei por cima do ombro. — Todos aqui têm uma função em prol da alcateia.
Ela ficou estática por um momento. Depois balançou a cabeça e me seguiu.
— E qual será a minha função? — A ironia vibrou em sua voz. — Devo ser açoitada pelos guardas na praça até o amanhecer? Ou talvez... usada como isca viva pra jovens lobos em treinamento de caçada?
Havia algo ali, mais fundo que a ironia, um fundo de verdade incômoda demais pra eu ignorar.
Arqueei uma sobrancelha, inclinando a cabeça.
— Hunf... não parece uma má ideia. — Pondera com sarcasmo, lançando um olhar para ela, que bufava de indignação. — Aqui você não é princesa. Não é filha de um Alfa caído. E definitivamente não é minha...
— Sua Luna? — Me encarou com desafio, cruzando os braços. — Claro que não. Sua alcateia inteira ouviu a rejeição.
Cerrei os punhos. Ela testava o limite da minha paciência.
— Vai esfregar o chão da cidade inteira. Será útil onde precisarem que seja — declarei, imponente.
Ela me olhou, incrédula.
— Você quer que eu seja empregada da alcateia inteira? — Soltou os braços. — Está falando sério?
— Não sou conhecido pelo meu senso de humor — Estalei, friamente, parando em frente ao hospital, onde uma serva aguardava. — Esta é Nora. Ela vai passar suas tarefas a partir de hoje. Você responde a ela.
Me virei para sair. Mas parei ao seu lado, baixando o tom:
— Não ouse pensar em fugir, pequena Ômega. Não vai querer provocar a ira do meu lobo!
Olhei de soslaio, sua pele estava arrepiada com a proximidade. Umedeci os lábios, impaciente comigo mesmo, engoli em seco.
— Mais uma coisa...
— Céus... realmente é um purgatório — resmungou, mordendo os lábios em seguida, como se tentasse conter as próprias palavras.
"Ela vai dar trabalho..." ronronou meu lobo na superfície, a avaliando. "A essência indomável continua inabalável."
— Não por muito tempo. — respondi, mental.
Voltei a encará-la.
— Não se atrase para o jantar. Não tolero atrasos.
Ela piscou, confusa. Abriu e fechou a boca sem dizer nada.
Ótimo. Era melhor assim.
Mais cedo ou mais tarde eu a ensinaria o seu lugar. A dobraria.
Eloween Everlight e o pai dela pagariam por tudo o que me fizeram passar.
POV: KAEROSInclinei a cabeça de lado. Um sorriso lento e perigoso se formou no canto dos lábios.— Jamais? — Saboreei a palavra, a audácia dela.Tão tola. Tão minha.Ela ainda não tinha percebido? Que já estava entregue, que o corpo pulsava de desejo por mim mesmo enquanto a boca tentava negar. Percorri os olhos pelos traços delicados, as bochechas coradas, o azul e o verde das íris brilhando com intensidade crua, vulnerável.— Você acabou de se desmanchar nos meus dedos, Ômega… — Estalei com arrogância baixa, descendo a ponta do nariz pela face dela até o pescoço. Cheirei a pele úmida, saboreando e memorizando cada arrepio, cada arfada contida que ela tentava engolir. — Seu cheiro… está praticamente implorando para ser devorada aqui nesta banheira.Pressionei os lábios logo abaixo da orelha, a voz um rosnado contido.— E eu ainda nem usei a boca e o que mais deseja...Eloween abriu e fechou a boca, sem encontrar palavras. Os pelos dela estavam arrepiados. Notei a dor atravessar o co
POV: KAEROSSeu rosto estava ainda mais corado, a respiração pesada e acelerada, os seios com os bicos eriçados roçando direto no meu tórax, cada contato disparando ondas de choque pelo corpo inteiro.Maldito elo. Maldito desejo. Maldita ômega linda.— Odeio esse seu maldito mel… — O tom saiu baixo, grave, com o rosnado preso na garganta. Inclinei mais sobre ela, ajustando o corpo enorme entre suas pernas, roçando duro e pulsante perigosamente perto da entrada. Ela estremeceu inteira, os olhos se arregalando ao sentir o quanto estava duro, por ela. Por minha inimiga. — Esse seu olhar tão doce e intenso… cheio de desejoApertei o maxilar, empurrando só o suficiente para que a ponta pressionasse contra ela, sem entrar. Ainda não.— E odeio ainda mais quando me olha com tamanha reluta do que sente.Eloween mordeu os lábios vermelhos e inchados pelo beijo brutal que eu lhe dei antes. Um rosnado escapou da minha garganta. Maldição, aquela boca ainda acabaria comigo.Rocei as presas em seu
POV: KAEROSSeu rosto estava corado, a boca entreaberta, o brilho de desejo cintilando naquelas íris incomuns e vibrantes azul e verde misturados, intensos demais. A cada suspiro contido e gemido que escapava, meu corpo pulsava mais forte com a vontade de tomá-la de uma vez. Travei o maxilar quando Eloween se inclinou, pulsando de volta nos meus dedos, e seus lábios rasparam o meu pescoço como se estivesse farejando o desejo que eu já não conseguia esconder.Notei o brilho ousado atravessar aqueles olhos.— Não sou a única excitada aqui, Alfa… — provocou ela, deliberada, raspando os dentes na pele sensível. — Não se ache demais só porque sabe como tocar uma mulher. Me surpreenderia se não soubesse.O rosnado baixo vibrou no meu peito. Ela estava molhada, contraindo nos meus dedos, e ainda assim tentava me provocar como se não estivesse à beira de se desfazer. Apertei mais o maxilar. Quase ri da audácia, e quase a devorei ali mesmo só para calar aquela boca insolente.Audaciosa demais.
POV: ELOWEENSeus dedos pararam.— Isso não responde à minha pergunta.Quase ri, de sua falsa preocupação e pergunta.— Acha mesmo que Skar me deu alguma chance de fugir? — sussurrei.As lágrimas arderam no canto dos meus olhos, e as lembranças daquele inferno voltaram com força, apertando minha garganta. Eu queria engoli-las, fingir que nada daquilo ainda doía, mas algumas feridas nunca aprendiam a ficar quietas.— Ele me fazia sangrar tanto que, às vezes, eu mal conseguia abrir os olhos. — Minha voz falhou, e respirei fundo. — E essas marcas não são nada comparadas às cicatrizes profundas que meu próprio pai deixou em mim.— Porra! — Kaeros praguejou, furioso.Pegou uma esponja e despejou sobre ela um óleo com aroma de erva-doce. Quando começou a espalhar delicadamente pela minha pele, senti um leve formigamento seguido de um calor reconfortante. Para minha surpresa, a tensão nas minhas costelas diminuiu.— Ômega… você disse que já amou alguém. — Sua voz ficou mais grave. — Por que
POV: ELOWEENKaeros pareceu ponderar minha resposta. Então, sua voz grave rompeu o silêncio, carregada de uma curiosidade perigosa.— Estou curioso sobre uma coisa, pequena Ômega…O tom pecaminoso não deveria combinar tanto com aquele momento de intimidade que jamais deveria existir entre dois inimigos.Minha pele se arrepiava sob o movimento lento de seus dedos em meus cabelos. Sentia seu tórax roçar minhas costas, o calor de seu corpo me envolvendo, enquanto suas pernas fortes permaneciam abertas ao lado das minhas, com seu quadril perigosamente próximo da minha bunda sob a água.Eu precisava me afastar.Precisava me lembrar de que aquele homem era o responsável por boa parte da minha dor, o monstro que eu deveria temer, não o Alfa cujos cuidados estavam confundindo cada maldito instinto meu.— So-sobre o quê? — Minha voz falhou, traindo o efeito que ele provocava em mim.Um riso rouco vibrou no peito de Kaeros, baixo e quase satisfeito.Maldito Lycan arrogante!Ele inclinou a cabeç
POV: ELOWEENSeus dedos tocaram meu queixo e o ergueram, me obrigando a encarar aqueles olhos perigosos.— Quer tocar no seu marido?Meu coração disparou. A respiração pesou contra minhas costelas feridas, mas me recusei a demonstrar o quanto aquele homem conseguia me desestabilizar.Kaeros envolveu minha mão na sua e a conduziu até o tórax nu. O calor de sua pele me atingiu, e meus dedos estremeceram quando ele os guiou lentamente pelo abdômen definido, até a linha da cintura.Puxei o ar, sentindo o rosto queimar.Maldito Alfa. Maldito corpo. Maldita reação traidora!— Kaeros… eu… — Mordi a parte interna da bochecha e puxei a mão, virando o rosto para escapar daquele olhar que parecia arrancar meus segredos à força. — Posso tomar banho sozinha. Poderia sair?Ele ficou em silêncio por um instante.— Está com medo de mim, esposa?— Todo mundo o teme… — Soltei antes de pensar. — Não era isso que queria?O silêncio caiu entre nós, pesado e perigoso. Então, ouvi o zíper sendo aberto e o s







