LOGIN"Encontrei" Donatello de novo na recepção do hotel.A recepcionista olhou para mim, sorrindo profissionalmente.— Srta. Merouin, parabéns. Você foi contemplada com um upgrade para nossa Suíte Aurora, no último andar.Levei a mão à testa e respirei fundo.Então uma figura conhecida apareceu ao meu lado.Donatello entregou o passaporte à recepcionista.— Boa noite. Tenho uma reserva.Ele se virou para mim, com uma expressão de inocência absoluta.— Avril, que coincidência.— Estou hospedado neste hotel também.Ele realmente conseguiu me fazer rir.Me virei para ele, de frente.— Donatello, não preciso que você faça nada disso.— Não preciso de upgrade de suíte.— E não preciso de você num raio de dez metros de mim.— Entendeu?Ele só deu de ombros, absolutamente tranquilo.— Avril, só quero que esteja confortável.— Não precisa se sentir pressionada.— Aliás, esse hotel é meu. — Ele sorriu. — De todos os hotéis da Islândia, você escolheu justo esse. Viu, Avril? É desti
Donatello só me olhou, completamente sem vergonha, como se nada do que eu dissesse pudesse atingi-lo.De repente percebi que discutir com esse homem era pura perda de tempo.Fechei os olhos, deitei o encosto da poltrona e virei o rosto para a janela, dando o assunto por encerrado.O avião voava suavemente acima das nuvens.Fingi dormir, mas sentia o olhar dele em mim.O olhar era intenso, seguindo o contorno do meu rosto, parando na testa, no nariz, nos lábios.Eu estava incrivelmente irritada, mas me recusei a abrir os olhos.Depois de muito tempo, ouvi ele falar suavemente.— Avril.— Posso te perguntar uma coisa?— Você decidiu se divorciar de mim porque descobriu que mandei seguranças proteger a Angelina?Abri os olhos e me virei para ele.— Isso foi só a gota d’água.Depois de tanto tempo, finalmente conseguia falar sobre isso com calma.— Donatello, a ideia de me divorciar de você já estava na minha cabeça há muito, muito tempo.— Avril... — a voz dele era rouca. —
Um mês depois, o ferimento de Donatello já estava quase cicatrizado.O corte, que antes chegava até o osso, era agora só uma cicatriz pálida.Eu o visitei algumas vezes no hospital naquele mês, sempre por apenas dez minutos, uma conversa rápida, e depois ia embora.Ele não tentou me reconquistar.A tensão entre nós, surpreendentemente, tinha diminuído um pouco.Agora que ele estava bem, eu estava pronta para retomar minha viagem interrompida.Comprei uma passagem para a Islândia. No dia anterior à partida, fui ao hospital me despedir.— Donatello — disse, de pé ao lado da cama. — Amanhã estou indo embora.O sorriso dele congelou. — Pra onde você vai?— Islândia. Depois talvez rode pela Escandinávia.— Quanto tempo vai ficar fora?Dei de ombros. — Não sei. Talvez eu volte quando cansar de viajar.Ele ficou em silêncio alguns segundos.Então assentiu, conseguindo até sorrir de leve.— Certo.— Viaja em paz. Aproveite.A reação calma dele me surpreendeu, mas também me aliv
Fiquei encarando minha xícara de café, a cabeça girando.Nunca imaginei que a história, do ponto de vista da Angelina, fosse assim.Depois de um momento de reflexão, finalmente falei:— Angelina, obrigada por me contar tudo isso hoje.— Mas… eu não consigo acreditar totalmente.Angelina levantou o olhar, os olhos ainda molhados de lágrimas, e me encarou.— Se Donatello realmente me amasse — disse, com um sorriso pequeno e amargo —, é impossível que eu não tivesse sentido nada nos últimos três anos.— Intuição de mulher é coisa poderosa.— O frio, o descaso… não são atitudes de quem ama.— Então, Angelina, não quero ficar cavando se ele me ama ou não. Talvez ame, mas isso já não importa.— O que importa é que a dor que vivi por três anos foi real.— Eu não me divorciei dele por causa de você.Os olhos de Angelina se encheram de novo. — Avril…— Angelina — segurei a mão dela com delicadeza. — Escuta.— Eu estava dentro daquele casamento. E mesmo eu já segui em frente.— Vo
Na tarde seguinte, Angelina já estava sentada numa mesa junto à janela quando entrei na cafeteria.Ela usava um suéter bege de tricô, o cabelo longo preso num rabo de cavalo frouxo. Assim que me viu, levantou-se imediatamente.— Avril — disse suavemente, a voz carregada de nervosismo.Sentei de frente para ela e pedi um café americano.Ficamos em silêncio por um tempo, até que ela finalmente falou.— Avril — respirou fundo. — Vim aqui hoje para te dizer, do fundo do coração… me desculpe.Ela se levantou e fez uma pequena reverência.Fiquei surpresa e logo fiz sinal para que sentasse.— Angelina, você não precisa disso.— Preciso sim — insistiu, os olhos ficando vermelhos. — No dia do iate, eu não sabia que você era a esposa do Donatello. Falei tantas coisas… tantas coisas que devem ter te machucado.— Falei que ele mandou seguranças pra mim, contei que ele já teve uma queda por mim…A voz dela falhou.— Cada uma dessas palavras deve ter sido uma faca. E fui eu quem segurou.
Eram três da manhã quando Donatello saiu da cirurgia.Eu estava sentada num banco do corredor, ainda coberta de sangue dele.Não sei por que fiquei.Simplesmente… não consegui ir embora.O médico saiu e me disse: — Ele está fora de perigo.Soltei um longo suspiro trêmulo.O quarto do hospital estava silencioso, exceto pelo bip constante do monitor cardíaco.Donatello jazia na cama, ligado a uma dúzia de tubos.O rosto estava cinzento, mas quando entrei, os olhos dele se abriram devagar.Ele me olhou, os lábios se mexendo.Tive que me inclinar bem perto para escutar.— ...Suas roupas.Falou fraco. — Troque. Você deve estar com frio.Fiquei imóvel.Só percebi que chorava quando senti uma lágrima escorrer pelo rosto.A mão dele, aquela com o soro, tremeu enquanto se levantava devagar.O polegar dele limpou delicadamente a lágrima do canto do meu olho.— Avril, me desculpa — ele sussurrou.— Fui eu quem trouxe esse perigo para você.— Os Salvatori já tinham você como alv







