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Ele Disse: — Vá Morrer.

Ele Disse: — Vá Morrer.

By:  ShirleyCompleted
Language: Portuguese
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No salão VIP de um cassino clandestino, Maeve, a princesa da família Falcone, havia sido servida com bebida forte em excesso. Movida pelo álcool, alguém a provocou a revelar a coisa mais vergonhosa que ela já tinha feito para conquistar o Don. Ela girou o copo, apontou para mim, distribuindo cartas atrás da mesa, e jogou a cabeça para trás, gargalhando. — Sete anos atrás, quando o Declan estava em coma depois de um tiroteio, eu peguei o celular particular dele. Apaguei a mensagem de socorro que aquela vadia mandou para ele, cada último vestígio, e depois respondi no lugar dele: “Você é um fardo. Vá morrer.” — Vocês nunca vão adivinhar o que aconteceu depois: aquela idiota ficou a noite inteira do lado de fora do esconderijo, debaixo de uma chuva torrencial, como um cachorro de rua. Eu quase morri de tanto rir… O salão explodiu em gargalhadas grosseiras. Apenas o homem entronado na cabeceira da mesa permaneceu em silêncio. O copo de uísque de cristal em sua mão se estilhaçou com um estalo seco. O sangue se misturou ao líquido âmbar, escorrendo pelas veias do dorso da sua mão antes de pingar no carpete. Seus olhos injetados, assassinos, estavam cravados em mim. Com calma, distribuí a última carta fechada à sua frente e ofereci um lenço de seda branco, impecável. — Don Declan, você deveria limpar a mão. Sangue no feltro dá azar. Afinal, algumas manchas nunca saem completamente.

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Chapter 1

Capítulo 1

Sete anos atrás, implorei ao meu namorado, Declan, que salvasse a vida do meu pai.

Quando nos reencontramos, ele era o Don mais jovem da cidade, e eu era apenas a mulher que distribuía suas cartas.

Alguém desafiou sua noiva, a princesa Maeve, a contar a coisa mais vergonhosa que já tinha feito para conquistá-lo.

Ela apontou para mim e riu, gabando-se de como havia interceptado minha mensagem de socorro para Declan, me deixando esperar a noite inteira na chuva por nada.

Todos riram, exceto Declan. Entronado na cabeceira da mesa, ele estava com os olhos injetados de sangue.

— Isso é verdade? Por que você realmente me deixou?

Com calma, distribuí suas cartas fechadas.

— Porque você me disse para eu ir morrer.

O cassino clandestino mais exclusivo da cidade havia sido reservado para um evento privado naquela noite.

Corria o boato de que um novo Don, alguém que havia subido ao poder sobre uma montanha de corpos, estava de volta à cidade e comandando tudo.

Quando o gerente me entregou a escala de mesas, havia um traço de pena em seu olhar que eu não consegui decifrar.

— Sienna, aquele salão hoje à noite… se você não quiser ir, posso providenciar outro crupiê.

Ajustei as lapelas do meu colete decotado de crupiê e forcei um leve sorriso.

— Está tudo bem, senhor. É a mesa com as apostas mais altas que temos. As gorjetas são enormes. Eu preciso do dinheiro, o senhor sabe.

O gerente suspirou e não disse mais nada, apenas deu um tapinha no meu ombro.

Quando empurrei o carrinho de fichas para dentro do salão VIP, a fumaça acre de charutos cubanos se misturava ao perfume pesado, agredindo meus sentidos.

Era o cheiro distinto de dinheiro sujo e medo estagnado.

O homem que eu não via há sete anos estava largado no sofá de couro ao fundo da sala.

Ele havia mudado tanto.

O rato de rua de quem eu me lembrava, aquele de jaqueta de couro surrada e uma ferocidade cravada nos ossos, havia desaparecido.

Em seu lugar, sentava-se um rei que detinha o poder de vida e morte sobre aquele império subterrâneo.

Ele estava com a cabeça virada, ouvindo alguém lhe fazer um relatório, com um sorriso frio e descuidado brincando em seus lábios.

E acomodada ao seu lado estava a princesa da máfia que o tinha tirado de mim todos aqueles anos atrás.

Maeve usava um vestido de alta-costura com um decote profundo em V, com o corpo pressionado contra o peito sólido dele. O rubi vermelho-sangue em seu colar era quase ofuscante.

Ela girava uma taça de vinho tinto, com postura arrogante, interpretando o papel de dona da casa.

— Depois que Declan limpar o Distrito Sul, teremos nosso casamento. Uma união entre as duas famílias.

Um coro de felicitações imediatamente encheu o ambiente.

— Nosso Don e sua Princesa. Um verdadeiro casal poderoso.

— Don Declan agora é uma lenda em todo o submundo. Maeve, você é uma mulher de sorte!

— Isso sim é amor forjado na adversidade. Não como aquela vadia covarde que se enfiou na cama de outro homem para salvar a própria pele. Que apodreça na sarjeta, por mim tanto faz.

Um capanga berrou a ofensa e o ar no salão congelou instantaneamente.

Todos os olhares, como se combinados, se voltaram para mim enquanto eu embaralhava as cartas atrás da mesa de pôquer.

Eu era uma máquina, embaralhando, cortando e colocando o ás de espadas sobre o feltro, entorpecida.

— Texas Hold’em, sem limite. Façam suas apostas, senhores.

Deslizei duas cartas fechadas sobre o feltro verde na direção de Declan. O movimento foi preciso, impecável.

Declan finalmente ergueu o olhar.

Que tipo de expressão havia em seus olhos?

Desprezo. Nojo. E um ódio profundo.

Ele nem olhou para suas cartas, apenas me encarou através da névoa de fumaça de charuto.

O pulso que eu usava para distribuir, dolorido pelas longas horas, tremeu levemente.

— Sienna? — Sua voz saiu baixa e rouca quando ele finalmente falou.

— Ouvi dizer que você fugiu com um Capitão de uma família rival. Então, o velho se cansou de você e te chutou para fora? Agora você se reduziu a distribuir cartas no meu cassino?

O salão cheio de soldados ficou em silêncio, esperando para ver o movimento do seu Don.

Maeve cobriu a boca com um suspiro exagerado, olhando para mim com falsa surpresa.

— Meu Deus, é mesmo a Sienna! Como… como você acabou assim?

— Se está tão desesperada por trabalho, é só dizer. Mesmo tendo abandonado o Declan por dinheiro quando ele não era ninguém, ainda posso arrumar um lugar para você limpando os banheiros da minha propriedade.

Ela enfatizou deliberadamente as palavras “abandonado o Declan por dinheiro”.

Os homens ao nosso redor explodiram em vaias.

— Bem feito para ela. Olha o Don agora, ele manda em metade do submundo da cidade. E ela? Só uma máquina de distribuir cartas.

— Uma vez puta, sempre puta, não importa quais cartas esteja distribuindo. Aposto que ganharia muito mais em gorjetas se tirasse esse uniforme.

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