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CAPÍTULO 3

Author: Echo
A noite caiu. Uma reunião central da família Vexille acabara de terminar.

Segui Donatello para fora da sala de conferências, os braços cheios de pastas.

— Chefe — Carlo, um dos capos, se apressou até nós. — Sobre o leilão beneficente da Sotheby’s esta noite. Quem vai te acompanhar? Precisamos organizar os carros e a segurança.

O ar no corredor ficou suspenso.

Parei, os olhos grudados nas costas de Donatello.

Em três anos de casamento, ele nunca me levou a um evento público. Dentro da Família, eu era apenas a advogada fria e imparcial, encarregada de resolver as confusões legais deles.

Agora Angelina estava divorciada. Livre. Ele levaria ela?

Respirei fundo, ainda com uma esperança patética acesa no peito.

— O leilão, hoje à noite... — Me aproximei, falando baixo, só para ele ouvir. — Você vai me levar?

Era um teste. Testando se ele finalmente estava pronto para me reconhecer como esposa.

Donatello se virou. Os olhos dele encontraram os meus, e o silêncio que se seguiu foi minha resposta.

Engoli o gosto metálico do sangue subindo na boca e forcei um sorriso profissional perfeito.

— Deixa pra lá — desviei o olhar, oferecendo uma saída fácil. — Só pensei alto. Tenho que terminar a papelada da fusão hoje mesmo. Sem tempo pra festa chata.

A tensão no maxilar dele relaxou visivelmente. Um alívio quase feliz tomou conta do rosto.

— Aprecio seu trabalho, Avril — ele disse, a voz suavizando. — Vou trazer um presente pra você.

Sorri, assenti e me afastei.

Mais tarde, vi uma nova postagem da Angelina.

Uma foto, postada há três minutos. No pescoço pálido e delicado dela, brilhava um colar de diamante rosa. A pedra principal era perfeita, lançando uma luz luxuosa e ofuscante.

A legenda: "Eu amei. Acho que sei o que existe no coração dele."

Aquele diamante rosa era a estrela do leilão, a peça mais valiosa. Inestimável.

Fiquei olhando para a tela, depois desliguei o celular e soltei uma risada amarga.

Pouco depois, Donatello voltou pra casa.

Colocou uma caixinha de veludo preto na mesa de centro. — Um presente pra você.

Abri. Lá dentro, uma pulseira de pedra rosa. Reconheci na hora. Era o conjunto do colar da Angelina.

Ele comprou o conjunto inteiro, deu a peça principal à mulher que amava e jogou o acessório para a esposa.

Uma onda de humilhação e amargura me inundou.

Fechei a caixa com um estalo e empurrei de volta na mesa.

Donatello me olhou, irritado. — O que deu em você...?

Nesse momento, viu a tela do meu celular, ainda acesa com a postagem da Angelina.

Ele congelou. Depois de um instante, soltou um suspiro. — Desculpa. Houve uma emergência. Precisei sair, só tive tempo de dar o lance no conjunto. Angelina está tendo dias difíceis desde o divórcio, eu pensei...

O telefone dele tocou.

Ele olhou o visor. Rossi, um dos advogados de litígios da Família. Donatello nem se afastou, só colocou no viva-voz.

— Chefe, o divórcio da senhorita Angelina foi finalizado — a voz respeitosa do Rossi ecoou. — Garantimos todos os bens. O ex-marido dela vai sair de mãos vazias.

— Bom trabalho — Donatello respondeu, o rosto suavizando.

Rossi hesitou, depois falou casualmente: — Engraçado, na verdade. Um tempo atrás, a conselheira Avril também me perguntou sobre acordos de divórcio. Espero que esteja tudo bem...

Donatello ficou rígido.

Me encarou, a voz afiada. — Divórcio? Por que você perguntou isso?

Não esperava ser pega assim, mas me obriguei a manter a calma.

— Perguntei por uma amiga, a Chloe. O marido a traiu. Ela precisava transferir uns bens, e não sou especialista em direito de família, então pedi ajuda ao Rossi.

A tensão foi saindo do corpo de Donatello.

Ele me encarou por dez segundos, procurando alguma rachadura na minha história.

Mantive o olhar firme, sem medo, sem sequer piscar.

No fim, ele acreditou.

E vendo o alívio dele, não consegui evitar provocar.

— Donatello.

Ele me olhou.

— E se fosse eu querendo o divórcio?

Um fogo perigoso, possessivo, acendeu no olhar dele.

Ele veio até mim, os dedos ásperos prendendo meu queixo, forçando meu rosto pra cima.

Um sorriso cruel brincava nos lábios. — Eu te encontraria — rosnou, a voz baixa. — E te arrastaria de volta, não importa pra onde corresse.

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