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CAPÍTULO 4

Author: Echo
Na manhã seguinte, fui dirigindo até o escritório de advocacia da família Vexille, no centro de Manhattan, para cuidar dos documentos finais do fechamento da fusão.

Assim que saí da rampa da rodovia, três SUVs pretos apareceram no retrovisor.

Meu estômago se fechou. Instintivamente, pisei fundo no acelerador.

Eles se aproximaram rápido, me cercando. O vidro do passageiro do carro ao lado abaixou. Um homem de máscara ergueu uma pistola com silenciador.

A família Salvatori. Rivais dos Vexille.

Tchac

A primeira bala atingiu o vidro, formando uma teia de rachaduras no blindado.

Girei o volante com uma mão, a outra tateando pelo celular. Disquei o número privado do Donatello.

Chamou por um minuto inteiro. Nada.

Tentei de novo. E uma terceira vez.

Ainda nada.

Joguei o telefone pro lado, soltando uma risada amarga. Ele nunca ignorava minhas ligações. A menos que estivesse com a Angelina.

Os carros se aproximavam. Respirei fundo, pisei ainda mais fundo no acelerador e forcei passagem entre eles, abrindo caminho na marra.

Se ninguém ia me salvar, eu mesma teria que me salvar.

Assim que consegui escapar, uma bala atravessou o vidro destroçado e acertou meu ombro esquerdo.

Um grunhido de dor escapou, mas mordi o lábio e mantive firme o volante.

Quando fiquei livre, usei as últimas forças pra pegar de novo o telefone e ligar para o 911.

Acordei sentindo cheiro de antisséptico.

— Avril! Você finalmente acordou!

Chloe, minha amiga, correu até a cama, os olhos vermelhos. Agarrou minha mão, a voz embargada. — Você ficou desacordada por três dias. Os médicos disseram que perdeu muito sangue...

Passei a língua nos lábios secos e forcei um sorriso fraco. — Desculpa te preocupar.

Uma enfermeira entrou. — Senhorita Merouin, que bom que acordou. Tivemos um problema com o contato do seu marido. Não conseguimos localizá-lo. Gostaria que...

— Não se preocupe — cortei, a voz fria. — Somos divorciados.

Nesse instante, a porta foi escancarada.

Donatello apareceu, expressão petrificada. — Divorciados? Que divórcio?

O ar gelou.

Meu coração travou por um segundo, mas apontei calmamente para minha amiga.

— Chloe. Ela que está se divorciando.

Chloe não hesitou. — ...Isso. Meu marido me traiu. Só pedi ajuda pra Avril.

A dúvida ainda pairava no olhar de Donatello. Falei antes que ele pudesse: — Você tem estado tão ocupado. Não quis te incomodar com coisas pequenas.

O pomo de Adão dele subiu e desceu. O olhar duro e acusador suavizou, virando culpa.

Deve ter pensado no que andou ocupado… E tudo levava de volta para Angelina.

Ele se sentou ao lado da cama e segurou minha mão boa. A palma estava quente, os dedos tremendo de leve.

— Avril, me desculpa — murmurou, voz baixa. — Os desgraçados dos Salvatori que fizeram isso... Vou fazê-los pagar dez vezes mais caro.

Só murmurei em resposta.

— E... de agora em diante, não importa o que eu esteja fazendo. Sempre vou atender suas ligações.

Baixei o olhar, escondendo a emoção sob os cílios. — Tá bom. Eu sei.

Ele parecia querer dizer algo mais, mas não achou as palavras. Ficou em silêncio por um tempo, finalmente perguntou:

— Quando te dão alta?

— Daqui a cinco dias, segundo o médico.

— Eu venho te buscar em cinco dias. — O tom era absoluto. — Vou limpar minha agenda. Vou te levar pra casa.

Olhei pra ele e sorri. — Tá bom.

Cinco dias depois, o céu estava nublado.

Esperei o dia todo no quarto do hospital. Donatello não apareceu.

Por impulso, abri a rede social da Angelina.

Uma hora atrás, ela postou uma nova foto.

Estava deitada numa cama, pálida, com soro na mão. Sentado ao lado, reconheci na hora: Donatello, olhando para ela com uma expressão suave, atenta.

A legenda: "Sempre dando trabalho pra ele."

Fiquei olhando a foto por muito, muito tempo.

Então liguei para ele.

— Avril? — A voz dele saiu apressada. Ao fundo, ouvi o bipe fraco de um monitor cardíaco. — Desculpa, surgiu uma emergência. Tô resolvendo agora. Posso me atrasar...

— Tudo bem — interrompi, suave. — Eu consigo ir pra casa sozinha.

— ...Você ainda não está recuperada. Vou mandar um motorista.

— Não precisa. Já chamei um táxi. — Pausei, depois acrescentei, como sempre fazia: — Se cuida, tá?

Desliguei.

Fiquei à beira da rua olhando o calendário no celular.

Faltavam dez dias.

Me abracei e repeti como uma oração: dez dias, e eu estaria livre.

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