FAZER LOGINSe ela estava viva...
alguém sabia exatamente onde ela estava.E aquela pessoa acabara de nos mandar para o lugar onde tudo começou.Duas horas depois.O hospital St. Vincent estava praticamente vazio.Peter conseguiu acesso aos arquivos antigos através dos contatos jurídicos da Donovan Tech, entramos no setor de documentos históricos, uma funcionária trouxe três caixas.— Registros de 1993 — disse ela. — É tudo que temos digitalizado e arquivado.Peter Donovan. A última frase de Michael continuava ecoando na minha cabeça. “No antigo apartamento dos Donovan.” Eu ainda segurava a pasta quando ouvi novamente o barulho do elevador no fim do corredor. As portas se abriram, escutei passos e, dessa vez não era apenas uma pessoa, Michael levantou a cabeça. — Quantos? Fiquei em silêncio, contando, um, dois, três, talvez quatro. — Quatro. Michael fechou a porta do quarto 407. — Eles não podem saber que estamos aqui. — Quem são eles? — Não sei. — Michael... — Peter, agora não. Ele apontou para a parede lateral. — Existe outra saída. — Você está dizendo que esse lugar tem uma saída secreta? — O Orion tinha saídas para tudo. Aquilo não me tranquilizou, muito pelo contrário, Michael afastou uma estante, atrás dela havia uma pequena porta m
Peter Donovan.Eu descobri naquela manhã que ter uma sogra em casa mudava completamente a rotina de um homem, principalmente quando essa sogra era Helena Gallagher. Às sete e meia da manhã, eu estava sentado à mesa tomando café quando ela colocou um prato na minha frente. — Coma. Olhei para o prato, ovos, torradas, frutas e bacon. — Bom dia para a senhora também. Helena sorriu. — Bom dia. Tiffany apareceu na cozinha alguns segundos depois, ainda ajeitando os cabelos. — Mãe, você já está mandando nele? — Alguém precisa mandar. Olhei para Tiffany. — Sua mãe não gosta muito de mim. Helena soltou uma risada. — Eu gosto de você. — Parece.
Tiffany Galagher.Os dias seguintes foram estranhos, bonitos, confusos e, pela primeira vez, em muito tempo, tranquilos. Não completamente tranquilos, porque ainda existiam documentos escondidos, o Projeto Orion, Victor Donovan e perguntas demais esperando respostas.Mas havia algo diferente dentro de mim, eu acordava e sabia que minha mãe estava viva, não era mais uma fotografia, não era uma lembrança, não era uma carta.Ela estava no quarto de hóspedes do nosso apartamento, estava tomando café na cozinha, andando pela sala,perguntando se eu tinha dormido bem.Estava reclamando que eu trabalhava demais, ela estava viva e, aquilo, por si só, parecia um milagre, naquela manhã, acordei antes de Peter.Fiquei alguns segundos olhando para ele dormir, depois sorri.— Bom dia, marido.Ele abriu um dos olhos.— Que horas são?— Sete.— Isso não é bom dia. É madrugada.
Tiffany Galagher.Eu não conseguia soltar a mão da minha mãe, era estranho dizer aquilo, minha mãe, durante quase trinta anos, essas duas palavras pertenciam a uma lembrança.A uma fotografia antiga, uma voz que eu mal conseguia recordar, agora ela estava ali viva, respirando, sentada diante de mim.E eu não sabia o que fazer com tantos sentimentos ao mesmo tempo, eu queria abraçá-la, queria perguntar tudo,eu queria chorar, gritar, queria voltar no tempo.Eu queria entender por que ela tinha permitido que eu crescesse acreditando que estava morta e, ao mesmo tempo, eu só queria ficar perto dela.Peter percebeu minha confusão, colocou a mão sobre meu ombro.— Vamos para casa.Minha mãe levantou os olhos.A palavra pareceu assustá-la.— Casa?Peter respondeu:— A nossa casa.Helena ficou alguns segundos em silêncio.— Você tem certeza?Ele olhou para
Helena M. Gallagher Eu passei vinte e nove anos imaginando como seria o dia em que minha filha descobriria que eu estava viva. Vinte e nove anos e, às vezes, parecia uma eternidade, em outras, parecia que tinha sido ontem. Eu ainda conseguia enxergar Tiffany pequena correndo pelo corredor da nossa antiga casa, com os cabelos presos de qualquer jeito e um vestido azul que ela insistia em usar quase todos os dias. Ela tinha quatro anos, e não gostava de ficar longe de mim, quando eu precisava ir ao banheiro, ela ficava parada na porta, quando eu ia cozinhar, puxava uma cadeira para perto do fogão. quando eu saía de casa, chorava. — Mamãe, você volta? Eu sempre me abaixava diante dela. Beijava sua testa. — Sempre. Eu menti, não porque quisesse, mas porque, naquela época, eu não sabia se conseguiria cumprir a promessa e, aquela foi a única mentira
Tiffany Galagher. Eu ainda segurava o envelope entre os dedos quando percebi que minhas mãos estavam tremendo, não era o medo de Harrison, não era o peso de tudo que tínhamos descoberto naquela noite. Era aquela frase. Sua mãe não morreu. As palavras continuavam ecoando dentro da minha cabeça, como se alguém tivesse entrado ali e decidido destruir todas as certezas que eu carregava desde criança. Minha mãe estava morta. Eu tinha crescido acreditando nisso. Durante anos, aquela ausência tinha sido uma espécie de ferida sem cicatriz. Uma história mal contada, um vazio que ninguém conseguia preencher. E agora Michael Reed estava diante de mim dizendo que ela poderia estar viva. — Repete — pedi, quase sem voz. Michael desviou o olhar. — Sua mãe não morreu, Tiffany. Peter imediatamente segurou minha mão. — Michael, você tem certeza do que está dizendo? — Tenho certeza de que não existe um registro confiável da morte dela. Procurei durante anos. Meu coração dis







