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Autor: LuadMel
last update Data de publicação: 2025-03-23 00:24:02

— O pai do seu papai, é complicado. Muito rico, muito trabalhador, não tem tempo para a família. Ele sim trabalha muito, Ronny nem se parece com ele.

— Então eu vou gostar de conhecê-lo?

— Eu acho que ele não terá tempo para isso — Ronny adentrou o quarto com um tablet nas mãos. Sorriu para o pequeno — Descobri que ele vai viajar nesse fim de semana e nos vamos justamente nesse, o que é chato. Se tivéssemos planejado.

Clarisse encarou o marido e levantou aos poucos. Isso era mentira. Estavam planejando uma grande festa para o final de semana e ele iria viajar? Ronny estava outra vez sendo idiota, e controlando tudo que não deveria controlar.

— É uma pena. Eu gostaria de conhecer mais pessoas. Nossa família é pequena e não tem crianças para brincar. Que tal?

— Crianças? Quer dizer irmãos? — Ronny riu — Eu concordo, mas a sua mãe não quer. — Os dois olharam para Clarisse fazendo bico — Mas como você já melhorou e temos o dia todo, quer sair encontrar alguns presentes para os pais da Clarisse?

— Sério? Sim. Eu quero. — Levantou da cama pulando na mesma — Mamãe disse que minha vó gosta de colares bonitos, vamos comprar um colar pra ela, bem bonito. O mais bonito de todos.

— Vamos sim. Vou me arrumar. Te espero lá embaixo.

Ronny saiu do quarto e não demorou a Clarisse lhe alcançar no deles. Fechou a porta indo até ele com o menor sorriso nos lábios.

— Mentiu pra ele. Não minta pro nosso filho.

— Você tá achando que eu vou levar "nosso filho" pra conhecer aquele cara?

— Aquele cara é o seu pai.

— E pai dele também. — Clarisse desviou o olhar — Eu não quero que aquele homem se envolva com a minha família.

— Que família Ronny? Essa que você quer fingir que vivemos bem? — O marido não respondeu, mas a encarou firme, muito firme — Não minta pro meu filho outra vez. Puna a mim, não ao Jasper. Ou eu que acabo com tudo. BABACA!

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Saiu outra vez, deixando-o sozinho. Nenhum dinheiro do mundo poderia comprar o prazer da mulher que gostava. Poderia se passar anos e inúmeras mulheres por aqueles lençóis, mas poucas se comparavam a um terço do que foi Clarisse em seus braços. Sentou na cama lembrando que deveria ter mais cuidado com quem visitava nas madrugadas porque isso só lhe dava dor de cabeça e outro dia cansativo para trabalhar e nada mais. Nem libertação, felicidade, satisfação, nada e nada.

Desceu as escadas da casa esperando não encontrar nenhuma das empregadas para não começar o dia ignorando as pessoas, porque agora entendia a dor de ser totalmente ignorado e preferia não sentir absolutamente nada. Chegou ao seu carro sem ver nenhuma alma viva e seguiu para a saída querendo que aquele dia fosse um dos melhores da semana. Não iria custar nada a ninguém não o perturbar de nenhuma maneira possível.

Desde o saguão do prédio ao andar que ficava sua sala, seus desejos vinham sendo atendidos de maneira rápida e eficaz... Ele tinha algo para reclamar? Claro que não. Entrou em sua sala e todo o sorriso que não mostrava em seu rosto sumiu ao ver sua gloriosa secretária Dylan ajeitando alguns papéis em sua mesa. Foi quase um dia bom.

— Bom dia para você também. Me parece que dormiu muito, muito bem com aquela garota. — Riu de canto trazendo para a mesa um copo de café amargo, o que Vicent mais gostava embora ele não fosse dizer nunca. — Hoje fui em três padaria diferentes para comprar essa sua torrada que não sei bem o que tem de tão especial, são sem gosto ou cor. Ah... É isso, é igual a sua vida — Sussurrou a última parte e sim, ele com certeza ouviu, mas Vicent tinha adotado um novo modo de viver que era "ignorar todo o resto do mundo e seus comentários".

— Tem alguma coisa para mim? — Se encostou na cadeira cruzando as mãos, analisou o vestido sem cor da secretária enquanto a mesma procurava em sua agenda algo que pudesse lhe informar? Será isso? Dylan já foi mais eficiente... Mas isso também não era para se discutir.

— Preciso acertar mais alguns detalhes da festa de aliança, eu adorei esse nome. Aposto que você vai se divertir, mas ainda não consegui nenhum acompanhante para você.

— Eu não preciso de acompanhante.

— Por que não? Pretende aparecer sozinho enquanto todos tem alguém para conversar se tudo ficar estranho? — O outro revirou os olhos. — Está bom, tenho outra notícia que pode ser do seu agrado.

— Então fala sai daqui, preciso focar no trabalho.

— Eu sou a sua secretária e sei bem que não tem nada hoje. Mas esse final de semana será muito produtivo, então sugiro que o senhor passe ou faça uma viagem para relaxar de duas horas, tem lugares ótimos.

— Dylan — A mulher se calou. Suspirou novamente procurando por suas coisas e sorriu.

— Recebi uma resposta do seu filho. — Vicent apenas piscou antes de assimilar aquela frase — Ele disse que virá para a festa.

— O que? É sério? — Se aproximou da mesa com seus olhos cerrados — E ele vem sozinho?

— Sim Vicent ele está bem e a empresa de Valcolink tem dado tanto lucro. Você o criou bem — O outro apenas abaixou os olhos — Ele confirmou a presença, apenas isso. Não informou se trará a família dele.

— Família dele… Quem diria que se casaria com ela e ainda criaram um filho — Virou na cadeira e levantou.

Às vezes quando fechava os olhos ainda podia sentir o toque de Clarisse em seu corpo. Tudo que viveu com ela, não foi mentira. Gostava dos seus lábios, dos seus olhos, do corpo, até do som da sua voz. E se odiava todos os dias apenas em lembrar que perdeu tudo àquilo para a única pessoa que não podia destruir.

— Mas como sua secretária preferida e uma das mulheres da sua vida, tenho uma informação que pode te deixar animado — Vicent abaixou a cabeça dando uma pequena risada. Aquela mulher era louca, certeza. — O aniversário do pai da Clarisse está chegando — O homem ergueu os olhos para a janela grande apreciando a vista.

— E o que isso tem a ver conosco? — Virou para ela que fechou seu tablet se aproximando.

— Tem a ver que Clarisse não vai deixar o seu marido viajar sozinho para uma festa na cidade dos seus pais podendo vir visitá-los no aniversário do pai. Eu conheço a cabeça daquela mulher como a palma da minha mão.

— Você a conhece como a palma da sua mão? — A encarou, completamente interessado naquele assunto.

— Sim. E vou me preparar muito bem para esse final de semana. Me aproximo de algumas pessoas, jornais, revistas de fofoca e saber se você tem dinheiro o suficiente para cobrir quando fofoca que sair com seu nome.

— Não entendi onde quer chegar.

— Clarisse e você no mesmo ambiente... E não me venha falar que vai se comportar porque ela é a esposa do seu filho. Isso não te impediu de roubar a namorada, pode muito bem roubar a esposa. E eu não quero que faça isso de um jeito ruim, porque quero continuar trabalhando para você e ganhando meus salários com aumentos todo ano, o que não vou conseguir manter se você falir. Entendeu? Então tudo isso é por mim, não por você.

Deu as costas para o homem que tornou a rir. Então Ronny iria vir para a festa e traria Clarisse? E agora? Tentaria sair e conversar com ela a sós para saber como estava a sua vida? Se ela era feliz com Ronny, como disse que seria? Foi à coisa certa ela lhe deixar por aquele pirralho que não saberia lidar com toda aquela situação? Bom, se estavam juntos até agora então ele tinha a aceito e respeitado, NÉ?

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O susto da mulher diante do celular despertou o marido lá na cozinha. Saltou do sofá para dar a boa notícia... — QUERIDO... Clarisse acabou de dar a melhor notícia que você poderia receber — O homem deixou sua colher de lado — Ela virá para seu aniversário. Precisamos dar uma festa grande.

— Vamos conhecer a criança, finalmente. — Se animou o homem. — E o marido virá junto? — fechou a cara.

— Provavelmente, ele não a deixaria viajar sozinha para Seant outra vez. Mas não vamos pensar naquele cara agora e sim na visita de nossa família depois de seis anos. E vamos conhecer o nosso neto — Vibrou a mulher no lugar...

Desde que se mudaram para Valcolink, Santa Maria, Ronny não permitiu que a família visitasse Clarisse, uma coisa que partiu o coração tanto de Jasper por não conhecer os avós pessoalmente, como para Clarisse que não conseguia se livrar de toda a culpa de ter o traído, então ela deixava que Ronny ganhasse aquela partida sem reclamar. — Quero conversar com Clarisse de pai para filho, gostaria de saber se ela está de acordo com essas exigências do marido — Gregori, o ex-policial apaixonado pelas mulheres de sua vida trouxe a esposa de volta a conversa. — E se ela estiver de acordo, não vou interferir em nada, mas se ela não está gostando de ficar longe dos pais e as melhores amigas, ela não ficará.

— O que quer dizer? — A mulher abriu um sorriso enorme.

— Que se ela não quiser voltar, ela vai voltar para aquela cidade junto do marido e sumir do mapa como se isso fosse possível. Não quero mais a minha única filha morando longe.

— O Ronny virou um homem muito influente e firme em sua palavra. Ele não ficará sem a sua família. Ele tem um filho e é casado com nossa filha.

— Estou disposto a ir mais longe para ter a Clarisse por perto se ela não se sentir feliz ao lado daquele homem. — A esposa riu de canto. — E ele pode ser poderoso e rico e muito influente, mas não é mais que o pai dele.

— Se for pela felicidade da nossa filha, eu ajudo em tudo que for preciso.

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Último capítulo

  • A Esposa do meu Filho   - 25 -

    — Você e as três crianças viverão muito bem a partir de agora— Quatro… — Vivian fechou a pasta após assinar e sorriu — Eu estou grávida outra vez…— De novo? — Ronny quis rir, mas parou rapidamente — Como isso é possível?— Tem dois meses, descobri essa semana e não se preocupe, não estou tão feliz. Achei que não iria engravidar mais. — Contou de cabeça baixa e só a ergueu para encarar Vicent — Não planejei isso. Inclusive tomo anticoncepcional em dia.— O mais louco é saber que ele conseguiu te engravidar quatro vezes, e a mim, nenhuma — Clarisse sorriu — E eu não estou reclamando. Acho bom, que você tenha muitos filhos e encha sua casa de alegria. Parabéns. — Clarisse foi sincera lhe oferecendo um grande sorriso e suas mãos. — Eu adoraria ser a madrinha de algum, mas eu não gosto do pai dos seus filhos, então me desculpe.— Tudo bem. — Riu de volta dando uma piscadela.— Eu estou surpreso, mas feliz. Pelo menos desse neto eu posso assistir o parto, não é possível — Levantou dali rec

  • A Esposa do meu Filho   - 24 -

    — Eu não sei se vamos ficar juntos ou não, isso é decisão da Clarisse. Nem mesmo a guarda do meu filho vou exigir porque ela já está tão machucada e com medo. — Voltou ao filho — Sobre a mídia, você vai falar que o casamento com Clarisse sempre foi de fachada, vai dizer que foi uma exigência minha, mas agora que está assumindo a empresa, pretende começar do zero com a mulher que você ama, e que tem seus filhos. — Ronny apenas piscou. — Clarisse também fará sua parte, deixará claro que sempre soube sobre Vivian e que incentivava o amor de vocês, mas tinham um contrato de casamento e que agora pode te deixar livre para viver seu verdadeiro amor.— Eu não amo a Vivian, mas meus filhos…— Eu vou me aposentar, mas deixarei a empresa nas suas mãos e na das pessoas que eu treinei desde que você foi embora. Convidarei Clarisse e meu filho para uma longa viagem e não retornaremos. E você sairá como a vítima, como era pra ter sido, se não tivesse me ameaçado e chantageado ao descobrir tudo.Ronn

  • A Esposa do meu Filho   - 23 -

    — Eu aceitei quando levou Clarisse para longe. Mas aí você me volta com um histórico péssimo de agressão e cárcere privado, ameaça, uma amante e três filhos. Você quer me destruir? Saiba que destruindo nossa reputação acaba respingando pra você também porque é o nosso nome, é o nosso patrimônio. Se destruir isso, o que terá? — Ronny se afastou estreitando os olhos. — SERÁ QUE VOCÊ NÃO PENSA? NÃO PENSA? É ISSO? VOCÊ É BURRO POR ACASO?— Pai…— NÃO ME CHAMA DE PAI. — Avançou contra o outro que não se mexeu, mas Clarisse se colocou entre os dois — EU NÃO QUERO SER O SEU PAI AGORA. VOCÊ ESTÁ LOUCO, CEGO POR SUA VINGANÇA QUE NÃO CONSEGUE VER AS VIDAS QUE ESTÁ DESTRUINDO.— Não vamos chegar a lugar nenhum com gritos e agressão. Chega disso — pediu Clarisse, afastando o mais velho que deu as costas a tudo aquilo procurando algo para beber. Virou para o marido que continuava paralisado… era medo? Terror? Ou planejamento para mais desgraça? — Me conte sobre a Vivian.— Vivian… — Murmurou o nome

  • A Esposa do meu Filho   - 22 -

    — Eu vou atender a porta e vocês fiquem aí.— Clarisse a gente tem que conversar — Vicent tentou…— Senta aí — Ela ordenou alto e o outro sentou na mesma hora.Ninguém mais iria dar ordens em si. Endireitou seu corpo e escutou novamente a campainha tocar, foi em direção abrindo a porta para esconder Vivian. Seu rosto estava tenso, o bebê em seu colo, uma criança de um lado, a mais velha do outro. Eram crianças lindas.— Entra. — Deu passagem para que a mesma entrasse, aos poucos, uma criança e outra entrou na sala e Vivian apareceu com seu bebê no colo e Clarisse logo atrás.— Vivian… — Maressa levantou olhando para as crianças — onde você esteve? Precisamos conversar.— A Vivian estava sumida porque precisava cuidar dos filhos que teve com o Ronny. — Os olhos cresceram em cima de Vivian enquanto Clarisse apenas ria. — Vicent a sua família cresceu ainda mais. Espero que essas sejam as últimas crianças que estejam se escondendo de você.Vicent levantou aos poucos, olhou para cada crianç

  • A Esposa do meu Filho   - 21 -

    — Eu não entendi o que quis dizer. — Clarisse subiu um canto dos lábios num riso sem humor. E foi questão de segundos até Vivian engolir a seco e se endireitar. — Clarisse eu posso explicar.— Explicar o que? Que a melhor amiga do casal passou a ser amante do marido? — Clarisse olhou ao redor notando que algumas pessoas já olhavam interessadas na conversa. — Eu não tenho direito nenhum, nenhum de falar sobre lealdade dentro de um namoro, um casamento. Mas eu nunca traí você.— Clarisse… Você não podia ter descoberto isso.— Você era a minha melhor amiga, quando você me traiu pela primeira vez e eu fiquei calada. Eu te perdoei, e quando tudo na minha vida estava desmoronando você me deu conselhos para ir com Ronny… e me diga para quê?— Clarisse, podemos conversar na minha sala — se aproximou e a outra deu um passo para trás. — Ele não pode saber que você sabe disso.— Não. Eu não quero ir a lugar nenhum com você. Não preciso ficar dentro de uma sala para falar tudo que precisa ouvir.—

  • A Esposa do meu Filho   - 20 -

    — Sim a gente já sabia, mas porque Clarisse nos contou antes mesmo de sair de casa para se aventurar naquela cidade com o seu filho. — O CEO o olhou, bravo dessa vez — Achei que estava fazendo o certo apoiando minha filha nisso, mas tenho que confessar que o seu filho é horrível. Clarisse não é inocente, mas seu filho a prendeu, a humilhou, ameaçou e agrediu. Ele terá que pagar por isso.— Quer colocar meu filho na cadeia? — Greg assentiu e Vicent puxou o ar para dentro de seu corpo.E agora? O que fazer?As atitudes de Ronny não foram das melhores, mas colocar seu filho na cadeia não era uma opção. Primeiro por ser seu filho, segundo porque ver ele preso traria problemas para seu nome, empresa. Tudo. Tudo mesmo.— Você não concorda em colocar ele atrás das grades, não é? Por ser seu filho.— Eu tenho maneiras diferentes de resolver os problemas da minha família não envolvendo a justiça — O outro apenas piscou se encostando na poltrona para escutar melhor. — Como você disse temos a mes

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