INICIAR SESIÓNSeis anos foram suficientes para transformar uma escolha em uma prisão. Clarisse Evan acreditou que deixar Vicent Tornneght para trás era a única maneira de salvar o que ainda restava de sua vida. Casou-se com Ronny, fugiu de Seant e dedicou cada segundo ao pequeno Jasper, convencida de que distância, casamento e tempo seriam capazes de enterrar um amor que jamais deveria ter existido. Ela estava errada. O homem doce por quem se apaixonou se tornou um marido consumido pelo ressentimento. E, entre culpa, controle e segredos, Clarisse percebe tarde demais que passou seis anos pagando diariamente por uma traição que Ronny jamais foi capaz de perdoar. Então surge a oportunidade de voltar para casa. De volta a Seant, Clarisse reencontra seus pais, recupera pedaços da mulher que deixou para trás e fica frente a frente com aquele que tentou esquecer. Vicent Tornneght. Mais poderoso. Mais intenso. E ainda perigosamente apaixonado por ela. Basta um encontro para Clarisse descobrir que seis anos não foram suficientes para apagar o desejo entre os dois. Mas dessa vez existe muito mais em jogo do que uma paixão proibida. Existe um casamento prestes a ruir. Uma criança cercada por uma mentira. Um pai que desconhece a verdade. E segredos enterrados durante anos que podem destruir não apenas Ronny, Clarisse e Vicent, mas toda a família Tornneght. Porque Clarisse não foi a única a trair. Não foi a única a mentir. E certamente não foi a única a esconder filhos, desejos e pecados atrás de uma família aparentemente perfeita. Agora, pela primeira vez em seis anos, ela não quer escolher entre dois homens. Ela quer escolher a si mesma. Mas Vicent Tornneght perdeu Clarisse uma vez. E, desta vez, ele não pretende deixá-la escapar.
Ver másO sol daquela quarta-feira apenas ameaçava surgir no horizonte. Valcolink era uma cidade fria e chuvosa, com poucos momentos de verdadeiro verão. E, apesar de ter crescido sob o calor intenso de sua cidade natal, acordar todos os dias diante de um amanhecer quase congelado havia se tornado parte de sua rotina. Aos poucos, afastou-se da janela do quarto e admirou o corpo que ainda dormia na cama. Ele poderia acordar sozinho; não haveria problema em seguir direto para o quarto de seu filho.
O pequeno Jasper Tornneght não acordava sozinho, mesmo que já estivesse acostumado com a aula cedo. Beijou seu rosto meigo até ver o garoto abrir os olhos revelando a cor clara e tão transparente que chegava a ser comparado com o vidro. Aqueles mesmos olhos de vidro, dos quais Clarisse sentia tanto orgulho. Seu filho era uma criação dos deuses, com certeza.
— Bom dia, meu querido. Já é hora de levantar. — Devagar, o menino se sentou na cama, ainda sonolento e quase choroso, mas logo foi acolhido pela mãe amorosa.
Desde que se tornou mãe, sua vida havia sido totalmente dedicada ao pequeno Jasper. Ele era sua maior preciosidade. Sem amigos, amigas, trabalho, marido, nada ficava acima de seu pequeno.
— Esse fim de semana, nós vamos mesmo ao parque que prometeu? — Perguntou o garoto novamente quando já estavam descendo para a cozinha. — Papai disse que vai trabalhar.
— Mas eu posso ir com você. Mesmo se ele não for. Mas não se preocupe com isso. — Serviu ao menino o seu café preferido.
— Mas não é a mesma coisa se o papai não for. — Reclamou o menino, fazendo Clarisse apenas sorrir.
Depois do café agradável com Jasper, despediu-se dele quando a babá o levou para o colégio. E então, esse era o momento de ficar sozinha e correr para terminar de escrever seu livro? Colocar toda a casa em ordem? Não iria precisar, já que estava cercada de empregadas que faziam todo o trabalho da casa — menos o de ser mãe. Ela nunca abriu mão.
Antes de ir para seu escritório, escutou quando os passos de seu marido chegaram à cozinha, procurando seu café amargo e com a mesma expressão de sono do dia anterior. O sono dele parecia nunca, nunca sumir. — Bom dia, Ronny. Não sabia que ia acordar mais cedo hoje.
— Tenho muita coisa para resolver, gostaria de ter um final de semana para nós dois — Clarisse riu com desgosto ao ouvir aquilo. Deixou a xícara de lado e se aproximou do marido.
— Jasper quer ir ao parque no final de semana e espera que você vá também. — Ronny segurou o rosto de sua esposa encarando os olhos claros como os céus.
— Ou podemos apenas viajar para um lugar onde fique eu e você, somente. — Clarisse perdeu o sorriso e se afastou aos poucos.
— Então não vamos viajar.
Deu as costas ao marido e subiu para seu escritório. Jamais sairia em uma viagem e deixaria seu filho sozinho com empregadas ou babá. Ronny revirou os olhos e seguiu para sua empresa.
Não era longe de casa, mas algumas quadras e estacionou em frente, chamando atenção de algumas pessoas pelo carro importado e chique, sem contar com o terno de grife sempre bem arrumado e ajustado corretamente em seu corpo.
Era um homem rico, filho e neto e pai de pessoas ricas, tinha que andar como tal.
— Como sempre, veio correndo assim que amanheceu, está querendo se matar, por acaso? — A secretária seguiu correndo até o homem que ia em direção a sua sala — Hoje você irá falar com os Holandeses que estão querendo abrir uma empresa aqui, logo terá sua conta para a gente e podemos divulgar com todo gosto. E o aniversário do seu sogro está chegando, tomei a liberdade de comprar outro presente grande para mandar, só vou precisar que assine o cartão quando estiver aqui. E tem um recado de seu pai.
De repente, Ronny ergueu a cabeça, realmente interessado quando o assunto era Vicent Tornneght.
— Que recado? Pra quem é o recado? — A mulher pareceu desconfortável enquanto se aproximava para lhe entregar um convite.
Ronny pregou nas pressas e levantou da cadeira rasgando todo o envelope apenas para encontrar de fato um convite para uma grande festa que teria na empresa. Seu pai estava comemorando o sucesso de outra conta e um novo sócio que arrecadou milhões para sua conta. E queria seu único filho presente, o filho e sua família. Ronny baixou os olhos revirando logo depois. O que Vicent queria com aquele convite? Se aproximar de Clarisse mais uma vez?
— Posso ver o valor das passagens para você e sua família se quiser.
— Não vamos a nenhuma comemoração deste homem.
— Ele é o seu pai. Achei que dessa vez o senhor iria querer o visitar. Faz seis anos que não se veem. A senhora Clarisse disse que se fossem, aproveitaria para comemorar o aniversário do pai pessoalmente.
— O que? Clarisse sabia desse convite?
— Sim. Recebemos dois. Um para o senhor e outro para ela. — Ronny olhou pela mesa — O dela foi entregue a ela.
— Escute aqui — O homem se aproximou novamente pegando suas coisas — Qualquer coisa que aquele homem mandar para minha esposa, tem que ser entregue em minhas mãos. Ele não é uma pessoa confiável. VOCÊ ENTENDEU?
A mulher apenas assentiu…
— O senhor não vai ficar? Temos reuniões importantes hoje.
— Preciso conversar com minha esposa — deu as costas saindo da sala — Mais uma vez sobre o meu pai.
Depois da notícia de seu filho ter chegado muito bem na escola com a babá, Clarisse relaxou com um banho quente e uma roupa confortável, depois correu para o escritório e diante do computador, onde passava alguns dos melhores momentos de seu dia.
Depois que mudou de cidade, não pôde mais trabalhar, por exigência de Ronny, que acabou mudando de personalidade depois que chegaram a Valcolink. Ronny sempre foi muito fofo e carinhoso, mas a traição o mudou de uma forma drástica. Poderia o acusar de tudo, no entanto, quem poderia acusá-lo?
Muitos homens não aceitam traição e ela não podia dizer nada, uma vez que aceitou deixar tudo para trás e viver com o amor da sua vida. Certo? Vicent era um homem romântico e apaixonado, mas tinha que ser justamente o pai do seu namorado? Respirou fundo abrindo um largo sorriso antes de iniciar um novo capítulo de seu livro, afinal, para uma mulher como ela que sempre amou livros, que tal passar a escrever alguns?
— Precisamos conversar — Clarisse gritou pelo susto e subiu o olhar para o marido que acabava de entrar no escritório sem ao menos bater. — Precisamos conversar agora.
— Aconteceu alguma coisa com o Jasper? Por que não ligaram para mim? — Ela levantou já procurando pelo celular.
— O seu filho está bem, eu acredito. Mas precisamos conversar sobre algo que só envolve nós dois. — Clarisse o olhou outra vez, incrédula.
— Nosso filho. Jasper também é seu filho, não o trate assim.
— Me entrega agora o convite que aquele homem te mandou — Clarisse estreitou os olhos um momento antes de desviar o olhar e logo abaixar a cabeça. Aquilo só podia ser brincadeira — Quando nós mudamos eu disse que era pra esquecer qualquer coisa que viesse daquela cidade, principalmente meu pai.
— Eu esqueci muito bem o seu pai, mas não sou capaz de esquecer as coisas que vêm daquela cidade, porque MEUS pais moram lá — caminhou para de trás da mesa e abriu uma gaveta — Você não pode me prender aqui para sempre. Tá agindo como um idiota.
— Idiota eu agi quando confiei em você e te deixei livre para dormir com meu pai. Me trair da pior forma. — Clarisse entregou a ele o convite bem cuidado e Ronny virou de um lado para o outro, sequer havia aberto. — O que isso significa? Não abriu? — Clarisse negou, e ele mesmo fez questão de abrir e ver o conteúdo. Leu toda a carta e ainda procurou por qualquer recado que tenha sido mandado, uma indireta, algo que só os dois podiam saber. — Por que recebeu algo do meu pai e não me contou?
— Sua secretária disse que havia recebido dois. Você iria decidir qualquer coisa, de uma forma ou outra eu não podia ir sozinha. E lembrando bem, o aniversário do meu está próximo. Se decidisse ir, quem sabe esse ano finalmente eu pudesse visitar meus pais. Então deixei essa droga pra você pelo menos já comprar as passagens.
— Nós não vamos lá — Clarisse que já havia sentada de volta a sua mesa, o olhou de trás dela, Ronny se aproximou aos poucos — Por que quer ir lá? Não tem tudo que sonhou aqui? Um marido, seu filho.
— Meus pais. Quero ver meus pais. Eu sinto muito pelas coisas que aconteceram há seis anos, mas Ronny você não pode mais me prender nessa droga de casa, nessa droga de cidade. Só não me arrependo totalmente de ter vindo pra cá com você, por causa do nosso filho.
— Seu filho.
— NOSSO FILHO. ELE É NOSSO FILHO — Gritou o mais alto que pôde e levantou batendo na mesa. Já estava farta daquilo. — Estou cansada dessa droga.
— Você e as três crianças viverão muito bem a partir de agora— Quatro… — Vivian fechou a pasta após assinar e sorriu — Eu estou grávida outra vez…— De novo? — Ronny quis rir, mas parou rapidamente — Como isso é possível?— Tem dois meses, descobri essa semana e não se preocupe, não estou tão feliz. Achei que não iria engravidar mais. — Contou de cabeça baixa e só a ergueu para encarar Vicent — Não planejei isso. Inclusive tomo anticoncepcional em dia.— O mais louco é saber que ele conseguiu te engravidar quatro vezes, e a mim, nenhuma — Clarisse sorriu — E eu não estou reclamando. Acho bom, que você tenha muitos filhos e encha sua casa de alegria. Parabéns. — Clarisse foi sincera lhe oferecendo um grande sorriso e suas mãos. — Eu adoraria ser a madrinha de algum, mas eu não gosto do pai dos seus filhos, então me desculpe.— Tudo bem. — Riu de volta dando uma piscadela.— Eu estou surpreso, mas feliz. Pelo menos desse neto eu posso assistir o parto, não é possível — Levantou dali rec
— Eu não sei se vamos ficar juntos ou não, isso é decisão da Clarisse. Nem mesmo a guarda do meu filho vou exigir porque ela já está tão machucada e com medo. — Voltou ao filho — Sobre a mídia, você vai falar que o casamento com Clarisse sempre foi de fachada, vai dizer que foi uma exigência minha, mas agora que está assumindo a empresa, pretende começar do zero com a mulher que você ama, e que tem seus filhos. — Ronny apenas piscou. — Clarisse também fará sua parte, deixará claro que sempre soube sobre Vivian e que incentivava o amor de vocês, mas tinham um contrato de casamento e que agora pode te deixar livre para viver seu verdadeiro amor.— Eu não amo a Vivian, mas meus filhos…— Eu vou me aposentar, mas deixarei a empresa nas suas mãos e na das pessoas que eu treinei desde que você foi embora. Convidarei Clarisse e meu filho para uma longa viagem e não retornaremos. E você sairá como a vítima, como era pra ter sido, se não tivesse me ameaçado e chantageado ao descobrir tudo.Ronn
— Eu aceitei quando levou Clarisse para longe. Mas aí você me volta com um histórico péssimo de agressão e cárcere privado, ameaça, uma amante e três filhos. Você quer me destruir? Saiba que destruindo nossa reputação acaba respingando pra você também porque é o nosso nome, é o nosso patrimônio. Se destruir isso, o que terá? — Ronny se afastou estreitando os olhos. — SERÁ QUE VOCÊ NÃO PENSA? NÃO PENSA? É ISSO? VOCÊ É BURRO POR ACASO?— Pai…— NÃO ME CHAMA DE PAI. — Avançou contra o outro que não se mexeu, mas Clarisse se colocou entre os dois — EU NÃO QUERO SER O SEU PAI AGORA. VOCÊ ESTÁ LOUCO, CEGO POR SUA VINGANÇA QUE NÃO CONSEGUE VER AS VIDAS QUE ESTÁ DESTRUINDO.— Não vamos chegar a lugar nenhum com gritos e agressão. Chega disso — pediu Clarisse, afastando o mais velho que deu as costas a tudo aquilo procurando algo para beber. Virou para o marido que continuava paralisado… era medo? Terror? Ou planejamento para mais desgraça? — Me conte sobre a Vivian.— Vivian… — Murmurou o nome
— Eu vou atender a porta e vocês fiquem aí.— Clarisse a gente tem que conversar — Vicent tentou…— Senta aí — Ela ordenou alto e o outro sentou na mesma hora.Ninguém mais iria dar ordens em si. Endireitou seu corpo e escutou novamente a campainha tocar, foi em direção abrindo a porta para esconder Vivian. Seu rosto estava tenso, o bebê em seu colo, uma criança de um lado, a mais velha do outro. Eram crianças lindas.— Entra. — Deu passagem para que a mesma entrasse, aos poucos, uma criança e outra entrou na sala e Vivian apareceu com seu bebê no colo e Clarisse logo atrás.— Vivian… — Maressa levantou olhando para as crianças — onde você esteve? Precisamos conversar.— A Vivian estava sumida porque precisava cuidar dos filhos que teve com o Ronny. — Os olhos cresceram em cima de Vivian enquanto Clarisse apenas ria. — Vicent a sua família cresceu ainda mais. Espero que essas sejam as últimas crianças que estejam se escondendo de você.Vicent levantou aos poucos, olhou para cada crianç












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