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Author: LuadMel
last update publish date: 2025-03-10 08:38:05

— NOSSO FILHO. ELE É NOSSO FILHO — Gritou o mais alto que pôde e levantou batendo na mesa. Já estava farta daquilo. — Estou cansada dessa droga.

— Ele não é meu filho, e você sabe muito bem disso — E era verdade. O pequeno Jasper era filho de Vicent, e sequer se importou quando mentiu para os dois no começo.

Ela sabia que se dissesse a verdade para Vicent ele cometeria uma loucura, mas ele não era o homem certo, né? Não tinham as mesmas visões, os trabalhos, nem a ideia, céus, ele era um cara mais velho e pai do seu noivo, não tinha como continuar aquela relação.

— Cansada dessa droga? E o que vai fazer? Fugir? — Ronny deu risada — Eu amo você, Clarisse, sabe disso. Mas o que aconteceu no passado me marcou muito e até hoje não consigo superar. Mas eu amo você e quero ficar com você, porém, te manter longe do meu pai e daquela cidade é o que tenho que fazer.

— Eu não sou sua prisioneira. E estou cansada disso. Sabe estou pensando aqui. Eu quero ir ver meus pais. É aniversário do meu pai e faz seis anos que não os vejo e eles não conhecem o Jasper. É isso. Eu vou visitar meus pais.

— Não. Você não vai.

— Eu quero ver se você vai me impedir de visitar meus pais. Chega dessa sua paranoia. Idiota.

Os adultos se encararam com sangue nos olhos, e Ronny queria retrucar e falar mais ainda quando o telefone tocou, Clarisse virou para buscá-lo em cima da mesa sempre com o homem em cima de si como se fosse uma sombra, atendeu mais rápido quando viu que era da escola de seu filho.

— O que aconteceu com Jasper? — Escutou apenas professora dizer que ele caiu e se machucou tentando proteger um colega que passou mal. Clarisse pegou suas coisas colocando dentro da bolsa e saiu do escritório — Estou a caminho. Por favor, não deixe que ele fique tão desesperado.

— Clarisse... — Ronny a seguiu enquanto colocava os sapatos e pegava o casaco ao lado da porta — A gente ainda não terminou de conversar. Eu não quero que você vá.

— Eu vou salvar o meu filho que está mal. O que você quer falar ainda? Já disse que irei visitar meus pais. Para de ser um babaca e não quero saber de nada agora apenas chegar até o nosso filho. Se quiser pode vir também. Ele te adora.

Saiu de casa correndo para o carro mais próximo e para sua infelicidade Ronny entrou no banco do carona sem dizer uma palavra. Clarisse dirigiu até o colégio e abandonou o carro assim que chegou, foi ao encontro de seu filho que chorava com um ferimento no joelho.

— Meu querido, está tudo bem. A mamãe está aqui e não precisa mais chorar — Abraçou o pequeno que instantaneamente parou o choro fazendo uma das professoras sorrirem — Está tudo bem, eu vou levá-lo para casa.

— Nós pedimos desculpas, outro colega acabou passando mal e Jasper correu para ajudar na nossa frente, e se machucou por conta disso.

— Não se preocupem. Ele está comigo agora, e isso é uma coisa boa, quer dizer que ele tentou ajudar o próximo. Esse é meu garoto lindo.

Se despediram e os dois deram as mãos para sair da escola com um ilustre sorriso no rosto. Jasper aninou-se mais ao ver Ronny em pé na frente do carro, correu para lhe abraçar apertado contando tudo que aconteceu. Ronny podia carregar sim uma mágoa por causa de seu pai, mas o menino era apenas uma criança animada. Não iria jogar seu irmão fora, né?

— Então quer dizer que você foi forte o suficiente para salvar seu amigo, mas não se salvar? Vamos treinar isso, né?

— Ele estava precisando mais, papai, mas tudo vai ficar bem, não é mamãe?

— Sim. Vamos pra casa? Prometo te preparar um banho gostoso. E podemos sair hoje para ir ao cinema, disse que queria assistir uns filmes de heróis.

— Sim — O garoto se empolgou.

Seguiram para casa e Ronny acabou por apenas aceitar o fato de que os dois no banco de trás do carro não estavam ligando para seu ódio em ver a interação. Também não deviam existir ciúmes daquela amizade, era mãe e filho se divertindo, se dando bem, mas não importava esse fato, tudo que Ronny via era Clarisse junto da criança que sequer era dele, e sim do seu pai.

Traidor desgraçado. — Sobe devagar, já te encontro no banho — pediu ao garoto que correu escada acima cantando sua música preferida. Clarisse esperou que ele sumisse pelo corredor para voltar a encarar o marido que não tirava os olhos dela — Tem mais alguma coisa que queira falar?

— Se você for pra aquela cidade, irei junto.

— Ótimo. Assim você visita o seu pai, e eu o meu. — Deu as costas ao homem, porém, ele a seguiu imediatamente.

— Eu vou ver aquele homem, mas ele deixou de ser meu pai no momento em que soube que ele estava transando com minha namorada — Clarisse parou na escada — Nós iremos, mas você não vai se aproximar do Vicent de forma alguma. Se não, nosso casamento acaba.

— Ronny... Eu estou aqui com você porque quero estar com você. Eu te amo, é verdade, eu cometi erros e isso também é verdade — Virou para ele — Mas se eu não quisesse estar aqui, apenas com um telefonema eu resolvo. Afinal, se o Vicent souber que Jasper é filho dele, ele jamais me deixaria aqui.

— O que...?

— Eu aceitei por muito tempo seus abusos, mas não vou mais aceitar isso. Estou cansada e quero meus pais, quero ser livre junto do meu filho e não presa dentro dessa casa como se fosse uma marionete sua. E pior, te ver destratar meu filho enquanto ele é louco de amores por você me dói. Então ou você me deixa em paz ou eu conto pra Vicent tudo isso.

— Aposto que é exatamente o que você quer, não é? — Clarisse estreitou os olhos o vendo se aproximar ainda mais — Conta a ele que seu filho é dele também, aí ele vem e te salva, mas então eu destruo a carreira dele. Ele não vai ter mais dinheiro pra te sustentar e ainda tomo seu filho para mim.

— Desde quando dinheiro é problema para mim ou pra ele?

— Ah entendi, você não tem culpa de ter se envolvido com ele. Ele quem te seduziu com dinheiro e pode fazer isso sempre que quiser. — Clarisse pela milésima vez durante os anos de casados, acabou lhe acertando outra tapa no rosto, Ronny só riu.

— Eu não dormi com seu pai por causa de dinheiro. Seu babaca idiota. Eu não sou uma prostituta.

Subiu as escadas sem dizer mais nada.

Era mais fácil imaginar que Vicent ofereceu dinheiro a ela, do que aceitar o fato de que ela se sentiu atraída pela beleza, palavras e o sexo de Vicent.

— Partiremos em dois dias. — Clarisse parou no topo e sorriu — Mas já deixo avisado. Não se aproxime dele, ou eu não responderei por mim.

-

-

— Vamos viajar? É sério? — Jasper se animou correndo de um lado para o outro no quarto — E para onde vamos?

— Seant. Onde seus avós moram e você vai conhecê-los — O garoto parou diante da mãe — Mas quero que se comporte muito bem, porque temos que dar uma boa impressão.

— O papai vai também? — Sentou na cama quando Clarisse deixou as roupas para Jasper colocar.

— Mas é claro que vai, meu amor. Por que ele não iria? Somos uma família e vamos viajar juntos como tal.

— É porque ele trabalha bastante e quase não tem tempo de nos levar para passear. E quando tem, só leva você. Então achei que não poderia ir com a gente visitar meus avós.

Clarisse suspirou com essa informação, e era a mais pura verdade. Ronny sempre inventava alguma coisa apenas não ter que passear ou ir a lugares que o garoto gostava quando ele pedia com muito custo. Por sorte, Clarisse sempre esteve presente em tudo e jamais, nunca se deixou faltar.

E tudo isso porque Ronny jamais aceitaria ser traído e cuidar do filho do seu pai. Ela errou, sabia, mas não queria que nada respigasse em seu filho. O pequeno Jasper Tornneght não tinha culpa de absolutamente nada.

Nada.

— O papai trabalha muito mesmo, mas é para nos manter bem, meu amor. Então não se preocupe. E vamos pensar apenas nas coisas incríveis que você vai conhecer. Seus avós são incríveis e eles vão te mimar muito.

— Não vamos nos separar por lá, né? — Ela negou — E o meu avô? O pai do meu pai?

Clarisse o sentou na cama ficando em sua frente, penteou os cabelos bonitos como os seus.

— O papai disse que ele não gosta de você, por isso teve que fugir para cá para a gente ser feliz. E também não gosta de mim e nunca sequer ligou para saber se estávamos bem.

Clarisse suspirou, não tinha concordado com aquela história desde que Ronny lhe contou o que diria todas as vezes que perguntasse sobre Vicent. E via agora que depois de 6 anos sua escolha tinha sido errada. Mas para todos, até mesmo para seu pai, tudo que sabiam era que Vicent não concordou com o casamento do filho e o mandou embora para outra cidade.

— O pai do seu papai, é complicado. Muito rico, muito trabalhador, não tem tempo para a família. Ele sim trabalha muito, Ronny nem se parece com ele.

— Então eu vou gostar de conhecê-lo?

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