LOGINAté agora tudo ok! Mas duvido que Derek vai deixar Ethan e Marina em paz... Algo me diz que ele ainda vai perturbar muito esses dois!
A manhã no último andar da sede do grupo empresarial amanheceu envolta em uma neblina fina, refletindo-se nas imensas janelas de vidro do escritório central. O silêncio da diretoria era apenas interrompido pelo rumor distante do trânsito da cidade e pelo farfalhar suave de papéis. No entanto, para Ethan e Marina, a verdadeira tempestade não estava do lado de fora, mas sim na turbulência silenciosa dos próprios pensamentos. O beijo ainda ecoava entre eles como um choque elétrico cujas ondas se recusavam a passar.Ethan entrou no andar executivo a passos firmes, entretanto a tensão visível em seus ombros entregava que seu foco não estava totalmente voltado para as métricas do trimestre. Ele passou pelo corredor principal e parou diante da mesa da recepção da diretoria, onde Carol organizava minuciosamente a agenda do dia.Carol era a secretária sênior da família há mais de vinte anos. Uma jovem senhora, que não aparentava a idade que tinha, com um olhar doce e uma percepção afiada que n
O silêncio que se instalou no carro ao voltarem para casa e na subida do elevador no prédio era denso, quase palpável, quebrado apenas pelo zumbido suave do motor e pelo indicador digital de andares subindo ritmadamente. Poucos segundos antes, o beijo impetuoso e carregado de uma tensão acumulada ao longo de meses havia paralisado o tempo. Agora, a realidade retornava a passos largos, trazendo consigo um turbilhão de dúvidas, incertezas e o inevitável embaraço de quem cruzou uma linha sem volta.Marina mantinha os olhos fixos nos números iluminados do painel, os dedos entrelaçados com força sobre a alça de sua bolsa. Sentia as bochechas queimarem, um calor persistente que parecia recusar-se a diminuir. A poucos centímetros de distância, Ethan mantinha a postura ereta, com uma das mãos afundada no bolso da calça de alfaiataria e a outra ajeitando, num gesto desnecessariamente repetitivo, o nó da gravata. Ele entreolhou-se no reflexo do espelho do elevador, flagrando o olhar furtivo del
Marina olhou para Ethan pelo canto do olho. Para sua surpresa, o rosto dele não demonstrava pânico. Ethan inclinou-se ligeiramente para a frente, apoiando os antebraços nos joelhos.“Não há divergência, agente Miller. Em março, meu avô Richard reuniu a família e a diretoria em Aspen. Nós ainda não tínhamos tornado nosso relacionamento público na empresa para evitar exatamente o tipo de falatório e julgamento que uma estagiária namorando o CEO enfrentaria. Marina ficou hospedada no chalé da amiga dela, Priya, que fica a dez minutos do resort principal, e me encontrava durante o dia. Nós dormíamos no chalé dela para evitar o olhar atento do meu primo Derek e da imprensa.“A amiga Priya confirma isso?” perguntou Miller, gélido.“A Priya não simpatiza muito com meu primo Derek e estaria mais do que disposta a prestar depoimento se o senhor quiser ligar para ela agora” disse Ethan, com um meio sorriso que trazia um traço perigoso do antigo "playboy de gravata", mas temperado por uma firmez
O prédio da imigração na Jacob K. Javits Federal Building parecia ter sido projetado para intimidar até mesmo os inocentes. As luzes fluorescentes do salão de espera no oitavo andar emitiam um zumbido contínuo que parecia entrar diretamente pela espinha de Marina.Naquela terça-feira fria de chuva fininha, o ar-condicionado parecia descalibrado, mas as palmas das mãos de Marina estavam suadas. Ela ajeitou pela quinta vez a pasta sanfonada de couro preto sobre o colo. Dentro dela estavam guardados a vida fabricada pelos dois com extratos bancários conjuntos, apólices de seguro de vida cruzadas, contas e registros da viagem e dezenas de fotos no parque, no casamento, sorrindo para a câmera em jantares da família, eventos do Whitmore Group e manhãs de domingo preguiçosas no apartamento.Ao seu lado, Ethan cruzou e descruzou as pernas compridas. Ele usava um terno cinza sob medida, perfeitamente alinhado, mas sem gravata — uma concessão deliberada ao seu estilo costumeiro, pensada para pa
Eles ficaram em silêncio por alguns instantes. A menção ao contrato trazia de volta as barreiras que ambos tentavam manter erguidas com todas as forças, mas que vinham ruindo a cada jantar improvisado na cozinha, a cada risada compartilhada sobre as idiossincrasias do trabalho e a cada noite em que terminavam adormecendo no mesmo sofá depois de estudar fichas de dados.“Vamos continuar” disse Marina, limpando a garganta para quebrar a tensão repentina. Ela pegou uma pasta azul. “Mais uma sobre a minha vida. Se o agente perguntar qual é a cicatriz pequena que tenho no joelho esquerdo, o que você responde?”Ethan nem piscou.“Queda de bicicleta aos onze anos na casa da sua avó, em Campinas. Você tentou descer uma rua de paralelepípedos sem os freios e não quis contar para o seu pai para não levar bronca.”Marina o encarou, estupefata.“Como você consegue se lembrar de tudo? Essa eu comentei em uma frase rápida logo no início dos nossos estudos.”Ethan deu um sorriso de canto de boca, inc
A luz do fim de tarde em Manhattan banhava a cobertura em tons alaranjados e dourados. Através das janelas de vidro do chão ao teto, os arranha-céus pareciam monumentos gigantescos acesos pela penumbra, mas dentro da enorme sala de estar de Ethan, o clima não tinha nada de contemplativo.Eles dispensaram os empregados assim que chegaram e tiveram que aguentar os protestos da Sra Gable dizendo que estavam atrapalhando o trabalho dela para namorarem, ela foi embora contrariada alegando que a juventude estava perdida.Espalhadas sobre a mesa de centro de mármore e por boa parte do sofá de couro — o mesmo em que Ethan insistia em se largar após o expediente — estavam dezenas de folhas de papel, pastas coloridas, fotos impressas e fichas com anotações à mão. “Próxima pergunta” disse Marina, ajeitando os óculos de leitura na ponta do nariz e mantendo uma caneta empunhada como uma batuta. “Qual é o nome do primeiro cachorro de estimação da minha infância e onde ele foi adotado?”Ethan, que







