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A Face da Traição: Quando o Amor Vira Armadilha

A Face da Traição: Quando o Amor Vira Armadilha

作者:  Washing Wheat已完成
語言: Portuguese
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故事簡介

Casamento

Reconquistar a Esposa

Amigos de infância

Parcial / Egoísta

Reviravolta

Quando abri os olhos outra vez, a carteira de motorista recém-emitida ainda estava nas minhas mãos. Na vida passada, foi esse documento que me empurrou para o inferno. No primeiro dia de aula, Helena, a amiga de infância do meu namorado, pegou meu carro escondida, levou três colegas ao shopping perto da faculdade e provocou um acidente brutal: uma grávida e um idoso morreram na hora. Mas, diante da polícia, todos apontaram para mim. Disseram que eu estava ao volante. Que eu matei aquelas pessoas. Que fugi sem prestar socorro. Eu implorei, jurei que não era eu. Quem dirigia era Helena. Só que ela se jogou nos braços de Rafael, chorando como se fosse a verdadeira vítima. — Marina, eu sei que você nunca gostou de mim, mas me acusar de assassinato já é demais. Então Rafael mostrou a gravação da câmera do meu carro. Na tela, quem avançava o sinal, atropelava as vítimas e fugia em pânico tinha exatamente o meu rosto. A partir daquele momento, ninguém mais quis ouvir a verdade. Para eles, eu era uma assassina covarde. Para Rafael, eu era uma mulher sem arrependimento. Para os familiares das vítimas, eu era o monstro que merecia morrer. E foi assim que, tomada pela fúria deles, recebi dezoito facadas. Talvez o destino tenha se compadecido de mim. Talvez o inferno ainda não tivesse terminado. Quando despertei, eu tinha voltado para a véspera do dia em que Helena pegaria meu carro.

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第 1 章

Capítulo 1

— Bem-vindos a Aurélia. Como eu nasci aqui, quero receber vocês direito. Amanhã levo todo mundo ao shopping para comprar umas lembranças da cidade. A conta fica comigo. Considerem meu presente de boas-vindas.

A voz de Helena ecoou nos meus ouvidos como uma lâmina enferrujada.

Meu corpo gelou.

No instante seguinte, a verdade me atingiu em cheio.

Eu voltei.

Voltei para o começo de tudo.

A sala inteira se encheu de animação. Em poucos segundos, os elogios cercaram Helena como se ela fosse uma princesa generosa demais para pertencer ao mundo real.

— Nossa, Helena, você é perfeita. Linda, rica e ainda por cima gente boa.

— Mas a turma é grande. Isso vai custar uma fortuna.

Helena sorriu com aquela doçura calculada.

— Não tem problema. Vocês vieram de tão longe para estudar aqui. É o mínimo que eu posso fazer por vocês.

Alguém, então, virou o rosto na minha direção.

— Marina, vi na ficha de matrícula que você também é de Aurélia, né?

Forcei os dedos a pararem de tremer e assenti.

— Sou. Bem-vindos à nossa cidade.

Mal terminei de falar, Helena se aproximou e segurou meu braço com intimidade, como se dividíssemos uma confiança que nunca houve.

— Mari, meu carro não cabe todo mundo. Você acabou de pegar a carteira, não foi? Me empresta o seu carro amanhã?

O sangue sumiu do meu rosto.

Por um momento, senti o frio da morte subir pela pele outra vez.

Na vida passada, foi com esse mesmo sorriso, essa mesma voz mansa e esse mesmo pedido inocente que Helena levou meu carro.

Depois, ela rasgou as ruas de Aurélia em alta velocidade, avançou dezoito sinais vermelhos e atropelou uma grávida e um idoso no meio da faixa de pedestres.

Mas, quando tudo desabou, os três colegas que estavam com ela apontaram para mim.

Disseram que eu estava ao volante. Me acusaram de tirar aquelas vidas. Juraram que eu fugi sem prestar socorro.

Quando a polícia me levou, eu quase enlouqueci tentando explicar. Repeti até a voz se partir que quem dirigia era Helena.

Ela, porém, só precisou chorar.

Se jogou nos braços de Rafael, frágil e pura.

— Marina, eu sei que você não gosta de mim. Mas me acusar de uma coisa dessas é cruel demais.

Rafael nem hesitou.

O tapa dele estalou no meu rosto antes que eu conseguisse terminar uma frase.

Em seguida, ele mostrou a gravação da câmera do meu carro.

Na tela, a pessoa que acelerava, furava o sinal vermelho e atropelava aquelas duas pessoas tinha o meu rosto.

O meu rosto.

Ninguém quis ouvir mais nada.

Para os familiares das vítimas, eu era o monstro que merecia pagar com sangue.

E eu paguei. Com dezoito facadas.

Ao lembrar da dor da vida passada, meu corpo se encheu de tremores que eu não consegui conter.

Antes que eu pudesse reagir, alguém arrancou minha bolsa das minhas mãos.

Rafael abriu tudo sem a menor cerimônia, achou a chave do meu carro e a entregou para Helena.

— Lena, pode ir tranquila. Pega o carro dela.

Aquelas palavras me trouxeram de volta na mesma hora.

Arranquei a bolsa e a chave das mãos dele.

— Desculpa, mas amanhã vou precisar do carro. Pede para outra pessoa.

O rosto de Rafael fechou na hora.

— Que compromisso você pode ter, Marina? Para mim, você só não quer emprestar.

Olhei para ele com frieza.

— Exatamente. Não quero emprestar. E daí?

Helena, no entanto, assumiu logo aquela expressão magoada de sempre.

— Marina, eu não sei por que você me odeia tanto. Eu só queria pegar seu carro emprestado para levar todo mundo para comprar os presentes de boas-vindas amanhã. Por que você precisa sempre me tratar como inimiga?

Quase ri de raiva.

Eu só me recusei a emprestar uma coisa que era minha, e aquilo já virou um ataque contra ela.

Os outros alunos não aguentaram ficar quietos e começaram a se meter.

— Marina, somos todos da mesma turma. Você está sendo fria demais.

— A Lena só pediu seu carro emprestado. Para que machucar desse jeito? Ela nem fez nada contra você.

Rafael me empurrou com força.

— Marina, será que você não consegue controlar esse seu jeito de patricinha mandona? É o primeiro dia de aula, e você já está humilhando a Lena desse jeito.

Caí no chão. A parte de trás da minha cabeça bateu contra a mesa, e a dor me fez puxar o ar entre os dentes.

Se fosse antes, talvez as palavras de Rafael me prendessem na culpa. Talvez eu começasse a me perguntar se o problema era mesmo comigo.

Mas agora, tudo o que eu sentia por eles era ódio.

Principalmente por Rafael.

Eu queria despedaçar aquele homem e jogá-lo direto no inferno.

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