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Capítulo 3

Autor: Washing Wheat
Ao ouvir as risadas das crianças no parque, não consegui evitar um sorriso.

A enfermeira disse que precisava ir ao banheiro ali perto e me pediu para esperar.

Assenti.

Alguns minutos depois, percebi que o barulho ao meu redor aumentou.

— Marina, o que você está fazendo aqui?

— Marina, é você mesmo? Você não fugiu para escapar da culpa? A polícia foi até a faculdade atrás de você, e você ainda tem coragem de aparecer em público?

Franzi a testa.

— Eu não cometi crime nenhum. Por que a polícia me prenderia?

De repente, alguém me puxou.

— Marina, é você mesmo. Vem comigo agora para a delegacia e se entrega.

Reconheci a voz de Rafael.

Arranquei meu braço da mão dele.

— Rafael, você perdeu a cabeça? Por que eu me entregaria?

Helena segurou meu braço, com aquele tom paciente de quem fingia querer me salvar.

— Marina, não continue errando. São três vidas. Você precisa dar uma explicação. Se reconhecer seu erro agora, todos nós podemos pedir clemência por você. Talvez consigam reduzir sua pena.

Empurrei Helena para longe.

— Que absurdo é esse? Eu não fiz nada. Que explicação eu tenho que dar?

No instante seguinte, alguém agarrou a gola da minha roupa.

— Foi você que avançou o sinal ontem e matou minha esposa, não foi?

A voz do homem tremia de ódio.

— Sua desgraçada. Você sabe que minha mulher acabou de descobrir a gravidez? Nossa família ia comemorar. E você destruiu tudo. Acabou com a minha casa. Eu quero que você pague com a própria vida.

Ele me arremessou no chão.

A dor se espalhou pelo meu corpo inteiro.

Mesmo assim, tentei explicar.

— Você está me confundindo com outra pessoa. Passei o dia inteiro no hospital. Eu nem dirigi. E, depois que meu carro sumiu, registrei o desaparecimento.

O homem pareceu hesitar ao notar minha roupa de paciente.

Helena, porém, abriu a boca de novo.

— Marina, eu sei que sua família tem dinheiro e influência. Sei que pode fazer um hospital mentir por você. Mas estamos falando de vidas humanas. Como você ainda consegue negar?

Rafael também apontou para mim, tomado pela raiva.

— Marina, você matou gente. Como ainda consegue agir como se nada tivesse acontecido? Eu posso testemunhar. Antes, eu ouvi a Marina dizer que, assim que pegasse a carteira, ia sair acelerando pelo centro de Aurélia e avançar sinal vermelho só pela adrenalina. Afinal, a família dela tem dinheiro e influência. Mesmo se algo desse errado, ela não precisaria ter medo. Eu tentei impedir, mas ela fez mesmo assim.

Dessa vez, os olhares ao redor se encheram de ódio.

Logo, começaram a jogar contra mim tudo o que tinham nas mãos.

— Como pode existir alguém tão cruel? Matou pessoas e ainda aparece com essa arrogância toda.

— Vocês, ricos, acham que podem passar por cima de gente comum só porque têm dinheiro. Agora nem uma vida vocês respeitam. Gente como você devia pagar com a própria vida.

O homem agarrou meu pescoço com força, os dedos apertando como se quisessem partir minha garganta.

— Só porque vocês têm dinheiro e poder, acham que a vida de gente comum não vale nada? Eu quero uma vida pela outra.

O som das sirenes cortou a confusão.

Logo depois, um policial gritou:

— O que o senhor está fazendo? Solte ela agora!

O homem rugiu, inconformado.

— Eu só quero vingar minha mulher e meu filho! Por que ela destruiu minha família e ainda fica impune?

O policial tentou acalmá-lo.

— Fique tranquilo. A polícia vai lhe dar uma resposta justa.

Quando o homem finalmente afrouxou os dedos, outro policial se aproximou e colocou algemas nos meus pulsos.

Minha garganta ardia. A voz saiu rouca, quase rasgada.

— Policial, vocês se enganaram. Passei o dia inteiro no hospital. Eu nem dirigi hoje.

O policial me encarou com frieza.

— Marina, você sabe que, por fugir depois do atropelamento e não chamar socorro, a gestante perdeu a chance de atendimento e morreu?

Respirei com dificuldade.

— Que provas vocês têm? Eu não dirigi. Não fui eu.

O policial soltou um suspiro. A repulsa na voz dele era impossível de disfarçar.

— Marina, o carro envolvido no acidente apareceu na sua casa. As câmeras da rua e a câmera interna do veículo mostram você atropelando as vítimas e fugindo logo depois. Além disso, várias testemunhas viram seu rosto no local.

Fiquei imóvel.

Eu nem fui até lá. Então por que era eu?

— Se confessar agora, ainda existe a possibilidade de redução de pena.

De repente, alguém perguntou em meio à multidão:

— O que vocês estão fazendo?

Outra pessoa respondeu, cheia de ódio:

— Essa garota atropelou pessoas, fugiu para escapar da culpa, e agora a polícia está prendendo ela.

No empurra-empurra, alguém me puxou.

Sem querer, arrancou a faixa que cobria meus olhos.

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