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Capítulo 2

Penulis: Washing Wheat
Me forcei a ficar de pé. Engoli a dor que queimava pelo corpo e dei um tapa no rosto de Rafael com toda a força que ainda restava em mim.

— Rafael, você teve coragem de levantar a mão contra mim por causa da Helena? Não se esqueça de quem banca seus estudos e suas despesas. Minha família sustenta você, e é assim que você me paga? Cachorro ingrato. Já que é assim, acabou. Vá proteger sua amantezinha.

Ao ouvir que eu queria terminar, o rosto de Rafael mudou na hora.

— Marina, que drama é esse agora? A Lena é como uma irmã para mim. E você vai ser minha esposa no futuro. Não é normal cuidar um pouco dela? Eu só quero que você se dê melhor com a minha família.

Puxei um sorriso frio.

— Rafael, você acha mesmo que eu sou idiota? Acabou. Eu não preciso fazer parte da sua família. E essa sua irmã, seja lá de onde saiu, não é problema meu.

Depois disso, peguei minha bolsa e fui embora sem olhar para trás.

Atrás de mim, Rafael perdeu a cabeça e começou a gritar.

— Marina, com esse seu temperamento de patricinha, quem mais vai querer você além de mim? Você só sabe usar dinheiro sujo para me humilhar. Vive por cima, sem respeitar ninguém. Depois reclama que ninguém gosta de você.

A raiva foi tanta que eu ri.

Quando Rafael gastava sem freio no cartão adicional que eu lhe dei, nunca achou aquilo humilhação.

Quando recebia presentes de milhares e dezenas de milhares, aceitava tudo muito bem. Nunca vi um pingo de desconforto naquele rosto.

Peguei o celular e bloqueei o cartão dele na hora. Em seguida, entrei em contato com uma amiga que trabalhava no banco e pedi que ela me ajudasse a imprimir todos os extratos dos gastos dele.

Não era humilhação?

Então Rafael ia me devolver cada centavo dessa humilhação.

Naquela noite, a inquietação ainda me apertava o peito. Por isso, decidi voltar para casa de carro.

Quando parei o carro na garagem subterrânea, soltei o ar que prendia no peito.

Agora, Helena não conseguiria levar meu carro. Não desta vez.

À noite, pouco antes de dormir, recebi uma ligação do hospital.

— Srta. Marina, o resultado dos seus exames oftalmológicos saiu.

Só então me lembrei dos dias antes do início das aulas. Meus olhos doíam com frequência, a visão ficava turva do nada, e por isso marquei uma consulta.

No segundo seguinte, a voz da médica chegou séria do outro lado da linha.

— Srta. Marina, sua retina apresenta um descolamento grave, e suas córneas também foram comprometidas. Será necessário realizar a retirada das córneas.

Meu corpo tremeu.

Talvez a médica percebesse meu silêncio, porque logo continuou, com a voz mais cuidadosa.

— O hospital vai tentar conseguir doadores compatíveis para você. Mas a cirurgia precisa ser feita o quanto antes. Se o quadro avançar, o procedimento pode se tornar ainda mais difícil.

Depois que desliguei, liguei para meus pais e contei tudo.

Minha mãe me consolou na hora. Disse para eu não ter medo, que eles fariam de tudo para encontrar doadores de córnea.

Quando a ligação terminou, passei a noite inteira sem dormir.

Na manhã seguinte, quando me preparei para sair, vi que o carro que usei para ir à faculdade no dia anterior sumiu.

Um pressentimento ruim se espalhou pelo meu peito.

Peguei o celular imediatamente e liguei para o hospital.

— Eu me decidi. Quero fazer a cirurgia hoje. Não quero esperar até a situação piorar.

Depois, avisei meus pais.

Assim que souberam que eu queria operar naquele mesmo dia, eles chamaram quatro ou cinco especialistas em oftalmologia para acompanhar os preparativos.

Duas horas depois, eu estava deitada na sala de cirurgia.

No instante em que a anestesia começou a subir, olhei para a câmera posicionada ao lado da mesa cirúrgica.

E meus lábios se curvaram de leve.

Cinco horas depois, despertei.

Tudo diante de mim era escuridão.

O medo me apertou por dentro. Assim que estendi a mão, alguém a segurou.

— Mari, como você está?

Ao reconhecer a voz da minha mãe, meu coração se acalmou.

— Estou bem. Só não me acostumei com a escuridão.

Minha mãe me abraçou.

— Mari, vai ficar tudo bem. Eu já pedi para procurarem doadores de córnea. Acho que logo vamos encontrar um compatível. O hospital disse que, daqui a três meses, você poderá passar por uma nova cirurgia e recuperar a visão.

Assenti.

Enquanto me dava comida, minha mãe perguntou, ainda sem entender:

— Mari, por que você decidiu fazer a cirurgia com tanta pressa?

Fiquei em silêncio por um instante. Depois, sorri.

— Pensei que, quanto antes eu operasse, menor seria o risco e mais rápida a recuperação.

Minha mãe assentiu.

Mais tarde, naquela noite, pedi para sair um pouco e respirar ar fresco.

A médica responsável permitiu que eu ficasse fora por uma hora, desde que voltasse logo para trocar o curativo.

Com a ajuda de uma enfermeira, fui até o pequeno parque ao lado do hospital.

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