MasukTentei recuar, mas meu corpo estava amarrado com força. Eu mal conseguia me mexer.Helena me puxou para baixo.Eu olhei para os dois, lutando contra as amarras, e avisei:— Helena, nós nem somos a mesma pessoa. Como você acha que pode tomar meu lugar? Acha mesmo que meus pais e a polícia são idiotas?Helena segurou meu rosto com força. Havia um brilho de triunfo nos olhos dela.— Já que vai morrer, pelo menos merece saber a verdade.Ela olhou para Rafael.Rafael tirou duas máscaras de pele humana e dois insetos de aparência estranha.— Marina, você passou tanto tempo com Rafael e ainda não sabe que ele descende de uma antiga linhagem de bruxos? Tomar seu lugar é fácil para ele. Basta colocar esses parasitas no seu corpo. A máscara vai se fundir à sua pele, e eu vou me transformar em você. Até o sangue vai mudar. Nem um exame de DNA vai conseguir revelar a diferença.Helena se aproximou um pouco mais, e a voz dela ficou doce de um jeito doentio.— Quando a troca acabar, você vai virar e
Um mês passou como um sopro. Após o exame, a médica confirmou que minha recuperação estava normal e autorizou minha alta.Depois de sair do hospital, descansei em casa por uma semana.Logo vieram as férias de fim de semestre. A professora me avisou que, quando eu tivesse tempo, poderia pedir aos meus pais para irem à faculdade buscar minhas coisas. No semestre seguinte, os alunos mudariam de dormitório, então tudo precisava ser retirado.Assenti e concordei.No dia seguinte, fui pessoalmente à faculdade para arrumar minhas coisas.Assim que os colegas me viram, vieram me cercar.— Mari, é você mesmo? Seus olhos já estão bons?Sorri e assenti.— Já estão quase totalmente recuperados.As meninas do meu dormitório começaram a me ajudar a arrumar tudo e, enquanto isso, puxaram assunto com fofocas.— Mari, você sabe como o Rafael está agora? Ouvi dizer que ele deve muito dinheiro. Os credores até apareceram aqui na faculdade procurando por ele. E, nesses últimos dias, ele nem veio às aulas.
À noite, recebi uma ligação dizendo que as imagens da garagem subterrânea foram recuperadas.Liguei para a polícia na mesma hora. Naquela noite, Helena foi presa.As gravações da garagem mostravam que foi ela quem saiu dirigindo meu carro.Além disso, a polícia encontrou uma máscara de pele humana na casa dela.Quando recebi a notícia, finalmente soltei o ar que prendia no peito. A empregada da minha família também acabou detida por roubo. Pedi ao advogado que entrasse com o processo sem aliviar nada.Naquela mesma noite, Rafael veio me procurar de novo. Ele parecia segurar a raiva à força quando falou comigo.— Marina, dá um jeito de salvar a Lena e a minha mãe. A Lena ainda é nova. Ela não pode ir presa. Se isso acontecer, a vida dela acaba.Fiz um gesto para que Rafael se aproximasse.No instante em que senti sua presença mais perto, peguei o copo de água sobre a mesa e joguei tudo nele.— Rafael, como você tem coragem de dizer uma coisa dessas? Ela não pode ir presa? Helena matou u
A voz nojenta de Rafael fez minha testa se franzir.— Rafael, o que você está fazendo aqui? Sai agora. Eu não quero ver você.Ele soltou um riso frio.— Marina, você ainda está fazendo drama? Foi só porque eu empurrei você naquele dia que decidiu bloquear o cartão? O que você quer, afinal?Fiquei sem palavras.Eu nem fui atrás dele, e ainda assim Rafael teve a cara de pau de aparecer na minha frente.— Rafael, não foi você quem disse que gastar meu dinheiro era uma humilhação? Que eu não respeitava você? Então pare de usar meu dinheiro. Estou respeitando sua dignidade. Aliás, já que ela é tão importante, devolva tudo o que gastou de mim nesses anos.Rafael ficou imóvel por um instante, como se não acreditasse no que acabava de ouvir.— Marina, você tem noção do que está dizendo? Foi você quem insistiu para me ajudar. Foi você quem abriu aquele cartão para eu usar. E agora tem coragem de pedir o dinheiro de volta?Ri de raiva.Se eu ainda enxergasse, teria dado um tapa na cara dele.— F
— Mãe, eu estou bem. Olha para mim, não estou aqui inteira? A doutora também disse que não vai afetar nada. Para de chorar.Minha mãe apertou minha mão.— Mari, você cresceu cercada de cuidado por mim e pelo seu pai. Desde pequena, sempre foi nosso maior tesouro. Quando foi que alguém teve coragem de fazer você passar por uma humilhação dessas? Por que você não me contou? Aquela gente ousou maltratar minha filha desse jeito. Eu vou levar isso até o fim.Eu abracei minha mãe e lhe dei tapinhas leves nas costas.— Mãe, me desculpa. Eu fiz você se preocupar.Ela me envolveu nos braços e falou baixo:— Que bobagem, minha filha. Não diga isso. Daqui para a frente, qualquer coisa que acontecer, você precisa contar para a mamãe. Eu sempre vou defender você. Já falei com os advogados. Quem xingou você hoje, quem encostou um dedo em você, não vai sair impune.Ao ouvir aquilo, não consegui evitar a lembrança da vida passada.Depois da minha morte, meus pais correram até lá em desespero. Diante d
Logo em seguida, alguém gritou.— Meu Deus, o que fizeram com os olhos dela?No mesmo instante, os policiais e todas as pessoas ao redor ficaram paralisados.Então alguém não conseguiu se conter e perguntou:— Sem enxergar, ela conseguiu dirigir, atropelar pessoas e fugir depois? Isso já parece coisa de outro mundo.A enfermeira correu para me proteger, aflita.— Srta. Marina, a senhorita está bem? Sente algum incômodo nos olhos?Franzi a testa.— Meus olhos estão doendo um pouco.Ela segurou minha mão na mesma hora.— Vou ligar agora para a médica responsável. Ela precisa examinar a senhorita de novo daqui a pouco.Assenti.Senti a enfermeira se colocar à minha frente e encarar os demais.— A Srta. Marina acabou de passar por uma cirurgia de retirada das córneas no nosso hospital. Ela não teve tempo, nem condição, de ser essa suposta motorista que atropelou alguém e fugiu. E vocês, sem nenhuma prova conclusiva, vieram agredir minha paciente.A voz dela ficou mais dura.— Se algo acont







