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Capítulo 4

Author: R.Kéthully
last update publish date: 2026-03-13 10:26:52

Cíntia abriu o olho atordoada. Não lembrava muita coisa que acontecera noite passada depois que chegou na boate, mas a ardência no meio das suas pernas era uma leve indicação do que tinha feito a noite toda. Ela estava nua por baixo do lençol e ao seu lado dormindo estava Filipe. Ela olhou seu rosto longo e bonito, seus cabelos negros. Ele era bonito acordado, mas dormindo parecia um anjo. Aos poucos a memória foi voltando.

Seus amigos a drogaram, ela foi salva pelo amigo do homem que a vinha perseguindo e acabara dormindo com ele. Fechou os olhos se lembrando de sua primeira vez. Seus lábios eram macios, ela gostou de beijá-lo. Em alguns momentos ele fora selvagem, querendo e exigindo mais e mais dela. Apesar dele ser um homem grande, ele não a machucou, a tratou com respeito, principalmente quando percebeu que era a sua primeria vez. Ela se sentiu importante pela primeira vez na vida. E isso era perigoso.

Toda criança orfã quer alguém que se importe com ela e saber que ele talvez se importasse era um passo para uma paixão não correspondida.

Droga! E agora o que faço? Mordeu os lábios pensativa.

Uma pequena luz de sol vinda da pequena janela do escritório a alertou que era dia. Se levantou, pegou suas roupas pela sala e as vestiu. Isso sem fazer barulho para não acordá-lo. A última coisa que ela queria era que ele acordasse e tivessem que falar sobre o que aconteceu.

Saiu da sala passando pelo meio da boate que ainda tinha alguns funcionários. Eles a olharam saindo da sala, mas não disseram nada. Um segurança a parou.

- Onde está o chefe?

Olhou para sala envergonhada e se voltou para ele.

- Dormindo. - disse e saiu de lá correndo. Que vergonha!

Deu um longo suspiro quando alcançou a rua. Começou a andar pela calçada mexendo em seu celular e não percebeu quando um carro preto parou ao seu lado, dois homens grandes e fortes a pegaram jogando-a dentro do carro. Ela gritou. Taparam sua boca com fita crepe e amarraram suas mãos e pés com uma corda. Ela estava indefesa.

Cíntia estava assustada, extremamente assustada. Ela estava sendo sequestrada e o pior ela não tinha dinheiro para pagar o resgate, quando eles descobrissem com toda certeza iriam matá-la. Chorou. Não tinha mãe, pai, ninguém que se importasse com ela. Era assim que ela iria morrer, sendo encontrada em alguma mata ou beira de estrada?

Em algum momento colocaram um saco preto em sua cabeça. Ela não podia se mexer, gritar e agora não podia ver. Seu coração acelerou mais ainda. Estava certa que iria morrer.

Em algum momento o carro parou. Sentiu mãos a colocando de pé e desamarrando seus pés para que pudesse andar. Foi arrasta para algum lugar, escutou uma porta sendo batida. Pararam e a colocaram de joelhos como se não valesse nada.

Uma voz rugiu.

- O que vocês pensam que estão fazendo?

Cíntiu escutou um tombo do seu lado. O homem estava furioso e acabara de bater em um de seus sequestradores.

- Mas senhor... O senhor pediu para trazê-la. - respondeu alguém.

- Sim, mas não dessa forma.

O saco foi arrancado de sua cabeça. Tentou ajustar sua visão pela luz que invadiu seus olhos derrepente. Encarou o homem a sua frente.

- Me perdoe filha. - disse o homem tirando a fita de sua boca e a corda que amarrava seus pulsos. - Esses brutamentes não entendem nada do que digo.

Ele a levantou, mas suas mãos ainda tremiam. Senhor Marques tinha um sorriso sincero no rosto.

Cíntia olhou ao redor da sala. Era um escritório rústico e sofisticado. Os dois sequestradores ainda estavam na sala, um tinha sangue escorrendo de sua boca.

- O que eu estou fazendo aqui? - perguntou atordoada. Ela ainda não sabia o que o Senhor Marques queria dela. Desde que ele começou a perseguir ela, Cíntia pesquisou em seu celular quem era o homem a sua frente. Paulo Marques, um dos homens mais ricos da cidade. Não foi difícil identificá-lo já que a internet estava cheia de fotos dele.

- Eu te trouxe de volta para casa. - disse alisando seus cabelos.

- Casa? - franziu o cenho sem entender.

- Sim. - sorriu a olhando com admiração. - Bem-vinda de volta filha!

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