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A Gordinha Que Domou um Mafioso
A Gordinha Que Domou um Mafioso
Penulis: Dirtsa Aijem

MOEDA DE TROCA.

Penulis: Dirtsa Aijem
last update Tanggal publikasi: 2026-07-25 00:48:39

~ALESSIA~

Não é segredo para ninguém que, no mundo das organizações criminosas, as filhas dos chefes da máfia não passam de simples moedas de troca que seus pais usam para negociar alianças com outras organizações, criando laços de lealdade e fortalecendo ainda mais seu poder.

Como filha única de Bruno Cardinale, o Capo da Máfia Cardinale, a organização criminosa mais poderosa da Toscana italiana, eu nunca fui vista dessa forma por um único motivo que parecia me condenar: eu era uma gordinha que jamais poderia ser desejada por um homem poderoso.

Não importava que eu fosse astuta, inteligente, bem-educada e tivesse inúmeras outras qualidades que me faziam se destacar. Ser gordinha era o maior crime que eu havia cometido contra meu pai e contra a organização, porque, segundo eles, eu jamais seria capaz de cumprir meu propósito, já que homem algum aceitaria se casar comigo.

E, às vezes, até eu acreditava nisso. Aos vinte e seis anos, eu era a rejeitada de todos, até mesmo do meu próprio pai que, embora me amasse de todo o coração, não me via como uma moeda de troca valiosa capaz de lhe trazer benefícios.

Mas, naquele dia, quando ouvi que Maksim Volkov, o Pakhan da Bratva Volkov e o homem mais bonito e sexy que meus olhos já tinham visto, iria se casar com uma mulher da nossa organização para firmar uma aliança, soube que precisava fazer alguma coisa para mudar o meu destino.

Eu o queria.

Maksim Volkov seria meu marido. E não apenas isso...

Eu faria com que ele deixasse de me enxergar apenas como parte de um acordo... faria com que se apaixonasse por mim e fosse leal a mim até a morte.

---

O salão principal da mansão Cardinale cheirava a tabaco caro, uísque envelhecido e ambição. Os homens mais poderosos da organização estavam sentados ao redor da longa mesa de madeira escura, conversando em voz baixa, medindo cada palavra como se fosse uma bala.

Eu permanecia de lado, sentada com a coluna ereta e as mãos entrelaçadas sobre o colo, fingindo ser invisível... como sempre. Mas prestava atenção a tudo o que diziam para aprender, porque, se meu destino não fosse encontrar o amor e me casar, um dia eu pretendia me tornar a primeira mulher a ocupar o posto de Capo da organização.

Meu pai, Bruno Cardinale, presidia a reunião na cabeceira da mesa. Sua simples presença impunha silêncio e respeito. Ele não precisava elevar a voz para que todos soubessem quem mandava ali. Era o grande Capo. O homem que havia construído um império com sangue, inteligência e terror.

E eu...

Eu era sua filha. E sua herdeira.

— Chegamos a um ponto crítico — disse ele por fim, rompendo o murmúrio. — A guerra contra a Bratva Volkov está nos custando homens, dinheiro e território.

Um arrepio percorreu minha espinha ao ouvir aquele sobrenome.

Eu nem precisei erguer os olhos para sentir a tensão se tornar mais densa no ambiente. Todos sabiam quem era Maksim Volkov. O Pakhan. O homem mais temido da Bratva. Frio. Brutal. Inteligente. Perigoso.

E, embora eu nunca o tivesse conhecido pessoalmente, já o havia visto de longe. Em fotografias, em relatórios confidenciais e nos rumores sussurrados com medo e admiração.

Alto. De olhar glacial. Poderoso.

Bonito de uma forma sombria e letal.

— Depois de semanas de negociações — continuou meu pai —, Volkov e eu chegamos a um acordo para pôr fim a esta guerra.

Os homens se inclinaram para a frente, atentos.

— Uma aliança — acrescentou. — Que unirá a Máfia Cardinale e a Bratva Volkov. Uma união que nos tornará mais fortes do que nunca.

Meu coração começou a bater com força.

— E qual é o preço? — perguntou alguém.

Meu pai não hesitou.

— Uma aliança matrimonial.

O mundo parou.

Senti o ar abandonar meus pulmões e voltar de repente, como se tivessem me empurrado para o fundo do mar. Meus dedos se apertaram contra o tecido do meu vestido preto enquanto minha mente tentava processar o que acabara de ouvir.

— Maksim Volkov se casará com uma mulher da nossa organização — anunciou meu pai. — Uma das filhas dos principais associados.

Um murmúrio percorreu a mesa.

Eu não respirava.

Porque, embora ninguém soubesse, porque eu jamais admitiria isso em voz alta... aquele homem sempre despertara meu interesse. Não como uma fantasia romântica. Não como um sonho ingênuo. Eu gostava do perigo que ele transmitia. Da sua escuridão. Do seu poder. Gostava dele porque representava tudo o que este mundo respeitava... e tudo o que sempre me havia sido negado.

Nenhum dos homens presentes era idiota. Todos sabiam o que uma união daquela importância com Maksim Volkov representava.

— Minha filha Bianca seria perfeita — apressou-se em dizer um deles. — Jovem, bonita e bem-educada.

— A minha também — acrescentou outro. — Foi criada para esse tipo de compromisso.

— Mas nenhuma se compara à Elena — interveio Gio Marchetti com um sorriso orgulhoso. — Minha filha é a mulher mais bonita de toda a máfia italiana.

Eu continuava ali.

Ninguém olhava para mim.

Ninguém pronunciava meu nome.

Nem mesmo meu pai.

Não era surpresa.

Nunca era.

Apesar de ser a filha do chefe, eu sempre fora a sombra. A que não se encaixava. A que não correspondia ao padrão de beleza que aquele mundo exigia das mulheres.

A gordinha.

Era assim que sempre me enxergavam.

Senti o velho nó apertar meu peito. Aquela mistura de humilhação e raiva que eu conhecia bem demais.

Mas, dessa vez...

Dessa vez havia algo a mais.

— Eu vou me casar com Maksim Volkov.

O silêncio caiu sobre a mesa como um disparo.

Todos os olhares se voltaram para mim.

Por um segundo, ninguém reagiu.

Depois...

As gargalhadas explodiram como granadas.

Risadas abertas.

Debochadas.

Cruéis.

Alguns homens levaram a mão ao peito. Outros balançaram a cabeça, divertidos.

Eu permaneci imóvel, com o queixo erguido, sustentando cada um daqueles olhares como se fossem um desafio.

Todos...

Menos meu pai.

Ele me observava com uma expressão séria, indecifrável.

— Alessia — disse Gio Marchetti entre risos. — Esta é uma reunião séria. Não é hora para piadas.

Olhei diretamente para ele, endurecendo a expressão.

— Não estou brincando.

As risadas foram cessando aos poucos.

— Você ficou louca? — disparou Gio. — Todo mundo sabe que Volkov gosta de mulheres bonitas. Com corpos de curvas sensuais. Não de alguém que parece um círculo...

— Lembro que você está falando com a filha do Capo. Meça bem suas palavras antes de fazer qualquer insulto — retruquei.

Meu comentário e meu tom firme obviamente não lhe agradaram, mas ele se conteve. Sabia muito bem que, gostasse ou não, eu era a filha do seu Capo.

— O que estou tentando dizer é que Maksim Volkov gosta de mulheres como minha filha Elena. Portanto, ela é a escolha mais lógica.

— Não — respondi calmamente. — A escolha mais lógica sou eu.

Um murmúrio indignado percorreu o salão.

— Você? — retrucou outro. — Isso não é um capricho, Alessia.

— Justamente — respondi com firmeza. — Não é.

Levantei-me.

— Sou a filha do líder da Máfia Cardinale. Se alguém deve selar esta aliança... esse alguém sou eu.

O tumulto foi imediato.

Vozes se elevaram.

Protestos.

Indignação.

— Isso é um absurdo!

— Seria um insulto para Volkov!

— Você está envergonhando seu pai!

Então meu pai bateu com força na mesa.

— Chega!

O silêncio voltou, pesado e sufocante.

Meu pai levantou-se lentamente.

— Esta reunião está encerrada — anunciou. — Vou tirar um tempo para decidir quem será a mulher que se casará com Maksim Volkov. Quando eu tiver uma decisão definitiva, todos serão informados.

Ninguém ousou contrariá-lo.

Um a um, os homens deixaram o salão.

Os olhares que lançavam para mim variavam entre o desprezo e o deboche.

Quando o salão ficou vazio, restamos apenas meu pai e eu.

— O que foi aquilo? — perguntou por fim, visivelmente irritado.

— A verdade — respondi.

Meu pai suspirou e passou a mão pelo rosto.

— Alessia... Volkov é o homem mais poderoso da Bratva. Essa união dará uma vantagem imensa a quem a conseguir.

— É claro que eu sei — respondi, usando minha melhor arma para convencê-lo: minha astúcia. — Foi justamente por isso que intervim. Não podemos permitir que Gio Marchetti consiga essa vantagem e se torne mais poderoso do que você. Se isso acontecer, mais cedo ou mais tarde ele poderá querer tomar o seu lugar... e, com os russos ao lado dele...

Meu pai cerrou a mandíbula.

Sabia que eu tinha razão.

— Mas você... — hesitou. — Não acho que seja uma boa ideia. Maksim Volkov não vai querer você. Você não faz o tipo dele.

Aquelas palavras machucaram.

Mas não me surpreenderam.

— Não preciso que ele me queira... no começo — respondi, aproximando-me. — Só preciso me tornar a esposa dele.

Meu pai me olhou, intrigado.

— Eu não vou apenas me casar com ele, paizinho — continuei. — Vou fazer com que ele se apaixone por mim. Vou conquistar a lealdade dele. A mim... e aos Cardinale, para que ele transforme você no homem mais poderoso da máfia italiana e ninguém jamais ouse tentar tirar você do seu trono.

O silêncio se prolongou entre nós.

Meu pai me encarava e percebi que toda aquela segurança que ele demonstrava começava a vacilar.

— Confie em mim, papai — sussurrei, segurando sua mão. — Me dê esta oportunidade e eu garanto que não vou decepcioná-lo.

Meu pai me observou por longos segundos e, naquele instante, eu soube que havia vencido.

Porque eu não seria apenas a moeda de troca que eles usariam para selar aquela aliança de poder.

Eu seria a rainha que viraria o tabuleiro dos Cardinale e dos Volkov.

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