LOGINCapítulo 4
Raíssa Narrando Ele travou. E eu senti. Passei a mão no rosto dele devagar. — A gente não precisava tá assim. Silêncio. Mais pesado ainda. Mas dessa vez… Diferente. Ele suspirou. — Tu mudou mesmo… Quase ri. Mas me segurei. — Talvez eu só tenha aprendido. Ficamos ali, naquele clima estranho… até ele levantar de repente. — Se arruma. Franzi a testa. — Pra quê? Ele pegou a chave. — Só se arruma. Meu coração acelerou. Mas não mostrei. Levantei sem questionar. Coloquei uma roupa melhor — dentro do possível — arrumei o cabelo e desci com ele. Entramos no carro. E dessa vez… Ele não falou nada. Só dirigiu. Mas o caminho… Não era o mesmo. Não era pra parte baixa. Não era pra casa pequena. Era mais alto. Mais isolado. Mais silencioso. Meu coração começou a bater mais forte. — Féra … — chamei, desconfiada. Ele não respondeu. Só continuou dirigindo. Até parar. Quando eu desci do carro… Eu entendi. Na minha frente… Uma casa. Não. Uma mansão. Moderna. Grande. Luz acesa destacando cada detalhe. Vidro. Varanda. Piscina. Tudo. Meu ar travou. — Que isso…? Minha voz saiu quase num sussurro. Ele encostou do meu lado. — Nossa casa. Virei pra ele na hora. — Tá de brincadeira… — Tô não. Olhei de novo. Cada detalhe. Tivemos uma noite maravilhosa nem vi quando peguei no sono. acordei com o sol batendo no rosto. Mas dessa vez… Não era aquele calor abafado da casa pequena. Era diferente. Ar-condicionado ligado. Lençol macio. Silêncio. Abri os olhos devagar, olhando em volta… e um sorriso veio automático. Eu tava de volta. Levantei sem pressa, caminhando pelo quarto enorme. Piso frio, tudo impecável. Fui direto pro espelho — grande, inteiro — e parei na frente dele. Me encarei. Sem marcas. Sem fraqueza. Sem ninguém pra me diminuir. Passei a mão pelo cabelo, ajustando, levantando o queixo. — Agora sim… — murmurei. Fui até o closet. Roupas novas. Sapatos organizados. Bolsas que eu conhecia bem… e outras ainda melhores. Ele caprichou. Mas não era só isso. Aquilo ali… Era posição. E eu sabia exatamente o que fazer com ela. No fim da tarde, ele apareceu no quarto, já arrumado. — Vai comigo hoje. Nem perguntou. Só falou. Virei devagar, cruzando os braços. — Pra onde? Ele deu um leve sorriso de canto. — Tu vai ver. Aquilo já me acendeu. — É baile? Ele só me olhou. E eu entendi. Meu coração acelerou. Mas não de nervoso. De expectativa. Fui me arrumar sem perder tempo. Escolhi cada detalhe com calma. Roupa justa, marcando tudo. Salto alto. Perfume forte. Quando terminei… Eu tava perfeita. Do jeito que eles lembravam. Ou melhor… Do jeito que eles iam ter que lembrar. O carro subiu o morro chamando atenção. Como sempre. Mas dessa vez… Era diferente. Eu não tava escondida. Eu tava voltando. Quando paramos, o som do baile já batia forte no peito. Luz, gente, movimento… tudo igual. Mas ao mesmo tempo… Nada igual. Desci do carro primeiro. Cabeça erguida. Postura firme. E senti. Na hora. Os olhares. Um por um. Reconhecimento. Surpresa. E principalmente… Comentário. — Caralho… é ela… — Não acredito… — Voltou… Ignorei todos. Como sempre fiz. Fé desceu logo atrás, parando do meu lado. Não encostou. Não falou nada. Mas a presença dele ali… Dizia tudo. Subimos pro camarote. Cada passo meu era calculado. Cada olhar que eu devolvia… no tempo certo. Quando cheguei lá em cima… O baile inteiro já sabia. O silêncio veio aos poucos. E aí ele fez. Fé pegou o microfone da mão do DJ sem pedir. O som abaixou. E todo mundo olhou. — Presta atenção — a voz dele ecoou. Pesada. Imponente. Eu fiquei parada ao lado dele. Fria. Linda. Intocável. — Pra quem tava achando que tinha mudado alguma coisa… Pausa. Ele olhou pra mim. Depois pra multidão. — Não mudou porra nenhuma. Meu coração bateu mais forte. — A Raíssa continua sendo a patroa. O baile explodiu. Grito. Reação. Comentário. Mas eu? Eu só observei. Com um leve sorriso de canto. Vitória silenciosa. Ele continuou: — E quem não respeitar… O olhar dele ficou duro. — Vai aprender do pior jeito. Soltou o microfone. O som voltou com tudo. Mas agora… Era outro clima. As pessoas vinham me cumprimentar. Algumas forçadas. Outras com medo. Outras claramente incomodadas. — Rainha… — uma falou. Ignorei. — Tá linda, patroa — outra disse. Assenti de leve. Eu sabia quem era de verdade. E quem só tava ali por interesse. Mas teve um momento… Que o ar mudou. Eu senti antes de ver. Virei o rosto devagar. E encontrei. Ela. Luna. Parada mais afastada. Braços cruzados. Olhar travado em mim. Sem sorriso. Sem medo. Aquilo me fez sorrir de verdade. Devagar. Provocando. Inclinei a cabeça levemente, encarando de volta. — Achou mesmo que ia ser fácil? — murmurei, só pra mim. Ela não desviou. Mas também não avançou. Ainda. Virei de costas pra ela como se não fosse nada. Porque naquele jogo… Indiferença doía mais. Fé encostou perto de mim. — Tá satisfeita? Peguei uma bebida, girando o copo devagar. — Tô começando a ficar. Olhei de lado pra ele. — Mas ainda tem coisa fora do lugar. Ele seguiu meu olhar. Direto pra Luna. Silêncio. Pesado. Perigoso. E eu finalizei, calma: — E tu sabe que eu não gosto de nada fora do lugar. Ele não respondeu. Mas eu senti. A tensão. O aviso. O começo de mais um problema. E dessa vez? Eu tava pronta. Porque cair me ensinou uma coisa: Voltar pro topo é bom… Mas se manter lá… É onde o jogo começa de verdade.Capítulo 124 Féra NarrandoEstou sentado na varanda da minha casa.A noite está bonita.O céu limpo, cheio de estrelas, e as luzes espalhadas pelo morro deixam tudo ainda mais especial. Daqui de cima consigo ver praticamente tudo. As ruas estão enfeitadas para a virada do ano, as crianças correm de um lado para o outro com aquela felicidade que só elas sabem ter, e a música já começa a tocar mais forte em alguns cantos.O vento bate no meu rosto.Fecho os olhos por alguns segundos.Sinto paz.Uma paz que passei muitos anos achando que nunca teria.Durante muito tempo minha vida foi guerra.Traição.Perdas.Enterros.Conflitos.Eu vivia esperando o próximo problema aparecer.Sempre armado.Sempre desconfiado.Sempre preparado para lutar.Mas hoje...Hoje é diferente.Pela primeira vez em quinze anos posso dizer com toda certeza:Eu sou feliz.Olho para dentro da sala e vejo minha família.Minha verdadeira riqueza.Taíssa está organizando alguma coisa na mesa enquanto reclama de alguma
Capítulo 123 – Beatriz NarrandoPassei uma semana inteira com meu nego e com o nosso filho em Búzios.Foram dias que eu nunca imaginei viver. Pela primeira vez em muitos anos, senti que tinha uma família de verdade. Sem esconderijos, sem mentiras, sem medo do dia seguinte.Miguel estava feliz.Rodrigo parecia outro homem.E eu mesma me sentia mais leve.Mas toda viagem tem hora para acabar.Quando voltamos para o morro, percebi logo na entrada que alguma coisa estava diferente. Não era algo ruim. Era apenas aquela sensação de que a vida tinha continuado enquanto nós estávamos longe.Entramos em casa e a primeira coisa que notei foi a ausência da Iolanda.Olhei para um lado, para o outro, e nada dela.— Mãe, cadê a Iolanda? — perguntei.Minha mãe soltou uma risada divertida.— Está na casa de um tal de Nathan.Sorri imediatamente.— Nathan?— É o Índio, filha. Seu pai vive chamando ele pelo nome verdadeiro.Meu pai também riu.— Rapaz bom. Gostei dele.Aquilo me deixou feliz.Nos últim
Capítulo 122. Narrando Índio Tem três dias que o Digão viajou com a patroa e o moleque deles. Nunca vi meu parceiro tão feliz, sorrindo que nem bobo. É foda ver ele assim, leve, de boa. Enquanto isso, eu tava aqui com o pau latejando de tesão pela Iolanda.Fazia dias que eu não pensava em outra coisa. Sabia que ela também tava querendo. A mina ficava me olhando de canto, mordendo o lábio, apertando as coxas quando eu passava perto. Chega de enrolação. Hoje eu ia pegar o que era meu.Parei a moto em frente à casa do Digão e buzinei duas vezes. A sogra dele apareceu na porta, curiosa. — A Iolanda tá? — Tá sim, vou chamar.Dois minutos depois ela surgiu. Porra... Vestido preto colado no corpo, curto o suficiente pra mostrar aquelas coxas grossas e macias, um batom vermelho nos lábios carnudos. O cabelo solto, cheirando a shampoo bom. Meu pau já deu sinal de vida só de olhar.— Sobe — chamei, estendendo o capacete.Iolanda veio rebolando devagar, subiu na moto e grudou o corpo quente
Capítulo 121Aila NarrandoEstou sentada na cama faz quase uma hora.Com o celular na mão.Esperando.Nervosa.E odiando o fato de estar fazendo aquilo.Nunca pensei que fosse contratar uma detetive pra seguir homem.Nunca.Mas Arcanjo mudou.E eu senti.Mulher sente.Pode fingir que não.Pode tentar ignorar.Mas sente.Ele tava distante.Saindo demais.Escondendo o celular.Recebendo mensagem e desviando o olhar.E aquilo começou a me corroer por dentro.Ainda mais depois de tudo que vivi no passado.Depois de um relacionamento abusivo…A última coisa que eu queria era viver mentira de novo.Hoje ele me trouxe em casa.Carinhoso.Atencioso.Conversamos normalmente.Até o celular dele vibrar.Ele olhou rápido pra tela.E na mesma hora mudou.Tentou disfarçar.— Preciso resolver um negócio rapidinho.Eu só assenti.Como se não tivesse percebido.Mas percebi.E assim que ele saiu…Mandei mensagem pra detetive.Agora tô aqui esperando.O coração batendo tão forte que chega dói.Até que o
Capítulo 120 Narrado por FeraEu já estava louco para chegar em casa. O dia tinha sido pesado pra caralho, mas a única coisa que martelava na minha cabeça era botar aquelas crianças pra dormir e foder minha mulher do jeito que ela merece. Fazia tempo demais que eu e Taíssa não transávamos direito. Entre os filhos, os problemas no morro e aquela louca da Yara, nossa cama andava fria. Mas hoje ia ser diferente. Hoje eu ia comer minha Deuza até ela esquecer o próprio nome.Yara ainda teve a cara de pau de fazer graça com a cara da minha esposa mais cedo. Aquela vadia é completamente louca. Taíssa não perdoou: mandou expulsar ela do morro na hora. E fez bem. Eu só confirmei a ordem. Antes de subir pro nosso quarto, parei no canto e chamei dois vapo de confiança:— Fiquem de olho. Quero saber se aquela filha da puta realmente desceu do morro. Qualquer movimento estranho, me avisem. Entendido?— Sim, chefe responderam os dois, já se posicionando.Chegamos em casa. As crianças já estavam
Capítulo 119 Narrado por Rodrigo (Digão)Terminamos a conversa em paz. Finalmente. Depois de tanta tensão, de palavras duras e silêncios pesados, a gente se olhou e soube que estava tudo bem. Peguei a mão da minha esposa, apertei com firmeza e sorri daquele jeito que ela sempre derrete. — Vamos pra casa, amor. Quero ver o nosso menino e depois… quero você — murmurei no ouvido dela, baixinho, só pra ela ouvir.Ela mordeu o lábio inferior e apertou minha coxa por cima da calça, os dedos deslizando perigosamente perto do volume que já começava a crescer. O caminho inteiro de volta foi uma tortura doce. Eu dirigia com uma mão no volante e a outra na perna dela, subindo devagar por baixo do vestido fino, sentindo a pele quente e macia. Ela abria um pouco as coxas, me dando espaço, mas não falava nada. Só respirava mais fundo.Quando chegamos em casa, o sol batia forte no quintal. Nosso filho estava na piscina, rindo alto enquanto brincava com a filha da Ludmilla. Os dois jogavam água um







