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Capítulo 3

Author: Monalisa
last update Petsa ng paglalathala: 2026-09-21 07:59:42

POV Emilly

Saí para correr.

Meu instinto de fuga gritava que eu precisava correr até não aguentar mais.

Desci as escadas quase tropeçando nos próprios pés, atravessei a sala e abri a porta da rua.

Assim que cheguei à varanda, senti o vento frio da manhã bater contra o meu rosto.

Parei por um segundo.

Apoiei as mãos sobre os joelhos, com o corpo curvado, tentando puxar o ar.

Uma vez.

Duas.

Três.

Quatro.

Cinco.

Seis.

Mas parecia que o ar simplesmente não entrava.

Meu peito doía, minha respiração estava completamente descompassada e eu sentia como se estivesse sufocando.

Então comecei a correr.

Corri como uma doida.

Sem pensar para onde estava indo, sem me importar com a velocidade ou com qualquer outra coisa.

Eu só precisava me afastar.

Precisava colocar distância entre mim e aquela casa.

Entre mim e Isabella.

Entre mim e tudo aquilo que tinha acabado de acontecer.

Continuei correndo como se, se fosse rápido o suficiente, pudesse deixar aquela manhã inteira para trás.

Mas algumas coisas correm mais rápido do que a gente.

Enquanto meus pés continuavam seguindo pela estrada, minha cabeça voltou para o término.

Para a briga que tinha começado justamente por causa de Westbridge.

Eu ainda conseguia ouvir a voz de Will na minha cabeça.

Ele tinha ficado em silêncio por alguns segundos quando contei que tinha sido aprovada.

Então me olhou, completamente surpreso.

— Eu pensei que você tinha desistido dessa ideia.

— Eu pensei que tinha mesmo — respondi. — Mas minha nota foi boa, Will. Eu quis tentar também.

Ele passou a mão pelos cabelos, claramente tentando entender.

— E agora você vai mesmo?

— Vou.

Por alguns segundos, ele não disse nada.

Então fui eu quem tentou encontrar uma solução.

— E a sua nota também foi ótima. Você poderia tentar ir comigo.

Ele franziu a testa.

— Ir com você?

— Sim. Você poderia fazer veterinária lá. Você sempre disse que queria isso.

Eu realmente achei que aquilo poderia funcionar.

Que talvez estivéssemos diante de uma oportunidade de continuar juntos sem que nenhum dos dois precisasse abrir mão dos próprios sonhos.

Mas Will balançou a cabeça.

— Não.

— Por quê?

— Porque minha vida é aqui, Emilly.

Ele apontou para fora, como se a resposta estivesse em cada canto de Everwood.

— Meus pais estão aqui. O haras está aqui. Minha família está aqui.

— Mas você pode ser o que quiser, Will.

Minha voz saiu carregada de frustração.

— Você não precisa ficar pensando tão pequeno assim. Existe um mundo inteiro lá fora.

Assim que as palavras saíram da minha boca, percebi que alguma coisa tinha mudado no rosto dele.

Will ficou em silêncio por alguns segundos.

E eu soube imediatamente que tinha tocado em um ponto que não deveria.

— Pensando pequeno?

A palavra saiu baixa.

— É isso que você acha de mim?

— Não foi isso que eu quis dizer.

— Parece bastante que foi.

Ele desviou o olhar por um instante, respirando fundo.

— Não é porque você não tem isso que eu preciso abandonar o que eu tenho.

Na mesma hora, vi o arrependimento atravessar o rosto dele.

Ele percebeu que tinha me ofendido.

Mas já tinha dito.

E algumas palavras, depois que saem, não voltam mais.

Eu comecei a me afastar, sentindo a garganta apertar.

— Emy…

Não parei.

— Você está certo.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos.

Depois disso, nossa conversa só piorou.

Aquela briga abriu espaço para outras coisas que estavam guardadas havia tempo demais.

Nós dois estávamos magoados, frustrados e com medo do que aconteceria depois.

Dissemos coisas que não deveríamos ter dito.

Ele me machucou.

Eu também machuquei ele.

E, quando percebemos, já não estávamos mais discutindo sobre Westbridge.

Estávamos discutindo sobre nós.

No fim daquela conversa, nós terminamos.

E, mesmo depois de vinte dias, algumas das palavras daquela noite ainda pareciam correr ao meu lado.

No meio da corrida, ouvi o som de um motor se aproximando.

Olhei por cima do ombro e meu coração apertou.

A caminhonete branca e vermelha de Will vinha atrás de mim.

Não.

Acelerei o passo.

Quando percebi que ele estava tentando me alcançar, atravessei para o outro lado da rua e continuei correndo.

Eu não queria ouvir nada.

Não queria olhar para ele.

Não queria ouvir uma única explicação.

De repente, ouvi o barulho da caminhonete parando e, alguns segundos depois, os passos dele atrás de mim.

Will desceu quase no mesmo instante.

— Emilly!

Continuei correndo.

— Emilly, me escuta!

— Não!

— Por favor!

Ele conseguiu me alcançar, mas eu me afastei imediatamente.

— Não chega perto de mim.

— Emy, eu preciso explicar.

— Eu não quero ouvir!

— Não era para ter acontecido isso. Eu juro. A gente estava bêbado, os dois estavam mal por causa de você ir embora e…

— Para!

Minha voz saiu tão alta que ele ficou em silêncio.

— Eu não quero saber.

— Mas você precisa me ouvir.

— Não, Will. Eu não preciso.

Balancei a cabeça, sentindo as lágrimas voltarem.

— Você podia ter transado com qualquer pessoa.

Minha voz falhou.

— Qualquer pessoa.

Olhei diretamente para ele.

— Mas você foi fazer isso justamente com a única pessoa que se importava comigo de verdade.

Ele ficou parado diante de mim.

— Emilly…

— Fica longe de mim.

Ele passou a mão pelo rosto, completamente perdido.

— Eu amo você.

Meu corpo inteiro congelou.

Por um segundo, apenas fiquei olhando para ele.

Então minha mão se moveu antes que eu pudesse pensar.

O tapa estalou no rosto dele.

Will virou o rosto com o impacto.

Minha mão tremia.

— Nunca mais fala isso.

Ele voltou os olhos para mim, sem dizer uma palavra.

— Nunca mais.

E, dessa vez, fui eu quem virou as costas e voltou a correr.

No caminho de volta, uma pergunta não saía da minha cabeça.

Como Will podia dizer que me amava depois de fazer aquilo?

Ele não entendia nada sobre o que era amar alguém.

Eu conhecia o amor.

Conhecia porque tinha aprendido sobre ele desde sempre.

Eu e Isabella tínhamos crescido juntas.

Tínhamos dividido tudo.

As partes boas, as ruins, os sonhos, os medos, as perdas.

Ela tinha sido minha família quando eu mais precisei.

Era assim que eu entendia o amor.

E eu não podia perder Isabella para alguém que achava que amor era aquilo.

Acelerei ainda mais a corrida.

Quando finalmente cheguei em casa, entrei pela porta quase sem conseguir respirar e subi as escadas correndo.

Fui direto para o meu quarto.

Peguei o contrato da kitnet que tinha deixado sobre a cama e fiquei olhando para ele por alguns segundos.

Era o nosso plano.

A nossa chance.

A nossa vida em Westbridge.

Por um instante, pensei que talvez tudo aquilo tivesse acabado.

Talvez eu tivesse que ir sozinha.

Talvez Isabella não quisesse mais ir comigo.

Mas então atravessei o corredor e abri a porta do quarto dela.

Ela estava completamente destruída.

Estava deitada na cama, chorando como uma maluca, com o cabelo preto todo bagunçado espalhado pelo travesseiro, que estava completamente molhado pelas lágrimas.

Meu coração apertou.

Eu ainda estava magoada.

Ainda estava com raiva.

Mas olhei para ela e lembrei de tudo que tínhamos sido uma para a outra.

Segurei o contrato com mais força entre os dedos.

Aproximei-me alguns passos.

— Eu consegui um lugar pra gente em Westbridge.

Ela levantou os olhos para mim, ainda chorando.

Por alguns segundos, nenhuma de nós disse mais nada.

Minha voz saiu baixa.

— Você vem comigo?

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