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Capítulo 6

Author: Monalisa
last update Petsa ng paglalathala: 2026-09-21 09:41:16

POV Will

Desde o dia em que Isabella me procurou para contar que estava grávida, alguma coisa dentro de mim mudou.

Eu precisei crescer de uma hora para outra.

Precisava parar de pensar apenas em mim, engolir o medo e assumir a responsabilidade por uma vida que dependia de nós dois.

Eu ia ser pai.

E aquilo mudou tudo.

Eu e Isabella nunca cogitamos ficar juntos.

Não porque não gostássemos um do outro, mas porque existia um nome entre nós.

E um sentimento pesado demais.

Emilly.

Ela sempre esteve ali, mesmo quando tentávamos não falar sobre isso.

O que tinha acontecido entre mim e Isabella tinha sido um erro.

Um erro que mudou nossas vidas para sempre e que eu carregaria comigo pelo resto da vida.

Mas, com o passar dos anos, nossa relação mudou.

Desenvolvemos uma amizade.

Um carinho enorme.

Um amor de amigos, construído aos poucos, principalmente por causa de Louis.

Aprendemos a ser uma família sem precisarmos ser um casal.

Nossa relação era boa.

Leve, na maior parte do tempo.

Tínhamos uma parceria que funcionava.

Dividíamos a guarda, as responsabilidades, as decisões importantes e todas aquelas pequenas coisas que faziam parte da criação de um filho.

E Isabella era uma mãe incrível.

Eu nunca tive dúvidas disso.

Quando Louis recebeu o diagnóstico de TEA, nível de suporte 1, ela foi a primeira a mergulhar de cabeça em tudo que precisava aprender.

Não transformou aquilo em uma sentença.

Não deixou que o diagnóstico definisse quem ele era.

Ela queria que Louis tivesse uma vida normal, dentro das possibilidades dele.

E fez tudo o que pôde para que ele tivesse.

Os sinais, no dia a dia, eram quase imperceptíveis para quem não o conhecia bem.

Mas eu sabia quanto esforço existia por trás disso.

Sabia quantas coisas Isabella tinha aprendido, quantas adaptações tinha feito e quantas vezes precisou mudar a própria rotina para entender melhor o nosso filho.

Eu atribuía boa parte daquela evolução a ela.

Ao cuidado dela.

À paciência.

À dedicação.

Isabella fazia questão de que Louis soubesse que ele podia ser qualquer coisa que quisesse.

E talvez aquela fosse uma das coisas que eu mais admirava nela.

Ela nunca tratou nosso filho como alguém que precisava ser consertado.

Ela apenas queria ajudá-lo a encontrar o próprio jeito de viver no mundo.

E agora eu precisava descobrir como contar ao meu filho que a mãe tinha morrido.

Que ela não voltaria.

Eu ainda não fazia ideia de como faria aquilo.

Louis era pequeno demais para entender a morte como um adulto entendia. E, mesmo sabendo que precisaria encontrar as palavras certas, nenhuma parecia suficientemente boa para explicar que a mãe dele simplesmente não estaria mais ali.

Naqueles dias, eu estava ajudando Beth com toda a parte burocrática do sepultamento.

Documentos.

Funerária.

Papéis.

Horários.

Tudo aquilo que precisava ser resolvido enquanto, por dentro, parecia que ninguém conseguia entender direito o que tinha acontecido.

Eu me agarrava àquelas coisas porque eram concretas.

Tinham começo, meio e fim.

Era mais fácil lidar com documentos do que com a ideia de que Isabella não voltaria.

Então chegou o dia do velório.

Eu estava de pé próximo à entrada, cumprimentando as pessoas que chegavam e recebendo as condolências, tentando oferecer algum tipo de suporte à mãe de Isabella.

Beth estava devastada.

Eu não sabia nem como ela conseguia permanecer de pé.

Louis estava na fazenda com meus pais.

Ainda não fazia ideia do que estava acontecendo.

E talvez fosse melhor assim, pelo menos naquele momento.

Eu ainda precisava encontrar uma maneira de dizer ao meu filho que a mãe dele não voltaria para casa.

Foi quando vi Beth olhar para a porta.

Ela estava chorando tanto que, por alguns segundos, achei que tivesse apenas reconhecido mais alguém chegando.

Mas então ouvi sua voz.

— Emilly, querida…

Meu corpo inteiro parou.

Beth caminhou rapidamente em direção à porta, chorando, e abraçou Emilly assim que chegou até ela.

Eu não consegui me mexer.

Fiquei apenas olhando.

Depois de cinco anos.

Cinco anos sem vê-la.

Cinco anos tentando seguir em frente.

E, de repente, ela estava ali.

Emilly.

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