LOGINEla salva vidas para apagar o sangue das mãos do pai. Ele vive para caçar o maior criminoso do mundo. Dra. Sophia Jones é a definição da perfeição: herdeira da prestigiada Fundação Jones e uma médica residente brilhante. Entre o luxo de Boston e o caos dos plantões, ela esconde um segredo mortal: é filha do "Fantasma", o matador de aluguel mais procurado pelo FBI. Para tentar compensar os crimes do pai, Sophia dedica cada segundo a salvar vidas, acreditando ter o controle absoluto da sua rotina. Mas uma viagem a Seul muda tudo quando ela cruza o caminho de John Park. Implacável e astuto, John é o agente sênior focado em destruir o Fantasma. Nas ruas iluminadas da Coreia do Sul, uma atração avassaladora nasce entre duas pessoas vivendo sob identidades falsas. Quando o passado bate à porta e o dever colide com o desejo, o jogo de gato e rato se torna pessoal. Sophia terá que escolher: abraçar a luz do seu legado ou salvar o homem que jurou destruir sua família?
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O relógio marcava pouco depois das oito da manhã quando finalmente deixei o Massachusetts General Hospital. Depois de quase vinte horas entre corredores, prontuários, cirurgias e café que havia esfriado duas vezes antes que eu conseguisse terminá-lo, tudo o que eu queria era chegar em casa. Boston ainda despertava do outro lado da janela do carro. As ruas começavam a ficar mais movimentadas enquanto eu dirigia meu pequeno carro preto em silêncio. Eu gostava daquele momento. Ninguém precisava de nada de mim. Nenhum paciente,nenhum diretor,nenhuma reunião, e Nenhuma decisão. Por alguns minutos, eu podia ser apenas Sophia. Quando estacionei na garagem de casa, desliguei o motor e permaneci alguns segundos com as mãos sobre o volante. Eu estava exausta. Peguei a bolsa, saí do carro e entrei. — Bom dia, abelhinha. Fechei os olhos por um instante ao ouvir a voz conhecida. — Bom dia, mãe. Margareth estava na cozinha, como sempre impecável. Usava um vestido simples e elegante, os cabelos cuidadosamente arrumados e seu inseparável colar de pérolas. Jacob estava sentado à mesa com uma xícara de café diante dele. Assim que me viu, franziu a testa. — Você comeu? Soltei um suspiro. — Bom dia para você também, Jacob. — Isso não responde à pergunta. — Comi no hospital. Margareth olhou para mim. Tentei sustentar a expressão séria por alguns segundos. Não consegui. — Tá. Talvez não tenha sido exatamente uma refeição. Jacob balançou a cabeça. — Eu sabia. Margareth já se levantava. — Vai tomar banho. Deixei uma roupa limpa separada no seu quarto. Sorri. Era sempre assim. Não importava quantos anos eu tivesse, quantos diplomas acumulasse ou quantas pessoas dependessem das minhas decisões. Para Margareth, eu continuaria sendo a sua abelhinha. — Obrigada, mãe. Subi as escadas devagar. No quarto, encontrei a roupa dobrada sobre a cama, exatamente como Margareth prometera. Deixei a bolsa em uma cadeira, tirei os sapatos e fui direto para o banheiro. Pouco depois, a banheira estava cheia. Entrei na água quente e deixei a cabeça repousar por alguns minutos. Finalmente, silêncio. Fechei os olhos. Pensei no plantão. No paciente que havia estabilizado. Na família que esperava notícias. Nas decisões que precisaria tomar quando voltasse ao hospital. Era estranho. Eu passava a maior parte da vida tentando manter outras pessoas vivas e, ainda assim, às vezes esquecia completamente de cuidar de mim mesma. Quando saí do banho, vesti a roupa que Margareth havia deixado e prendi os cabelos de maneira simples. Ao descer novamente, encontrei Jacob ainda à mesa. — Senta — ele ordenou. — Estou cansada. — Justamente por isso. Ri e puxei uma cadeira. Margareth colocou um copo de suco diante de mim e um prato com algumas coisas para comer. — Você vai comer tudo. — Mãe... — Tudo. Peguei o copo. — Sim, senhora. Jacob sorriu satisfeito. Por alguns minutos, nós três conversamos sobre coisas pequenas. O hospital. A casa. Os cachorros. Uma reunião da Fundação que eu teria na semana seguinte. Nada importante. Nada que pudesse mudar o mundo. E talvez fosse justamente por isso que eu gostasse tanto daqueles momentos. Até perceber que a televisão estava ligada. O som do noticiário preenchia a cozinha. — ...as autoridades continuam sem informações sobre a identidade do criminoso conhecido internacionalmente como Fantasma... Minha mão parou no meio do movimento. O copo permaneceu diante dos meus lábios. Margareth percebeu. Jacob também. Na televisão, imagens de agentes do FBI apareciam enquanto o repórter explicava que mais um crime havia sido associado ao homem que as autoridades perseguiam havia anos. O Fantasma. Eu conhecia aquele nome muito antes de compreender seu significado. Antes de saber o peso que aquela palavra teria em minha vida. Antes de entender que, para o mundo, ele era um dos homens mais perigosos do planeta. Para mim, porém, aquele homem tinha outro nome. Pai. Baixei lentamente o copo. — Você está bem? — Margareth perguntou. Demorei um segundo para responder. — Estou. Era mentira. Mas era uma mentira que eu havia aprendido a contar muito bem. Margareth não insistiu. Nunca insistia quando percebia que eu precisava de silêncio. O noticiário continuou. Terminei o suco, mas já não sentia o mesmo gosto. Levantei-me. — Vou descansar um pouco. — Claro, abelhinha. Subi novamente. No corredor, porém, ouvi Margareth me chamar. — Sophia? Virei-me. Margareth estava parada no primeiro degrau. — Quase esqueci. — O quê? — Chegou uma coisa para você. Fiquei imóvel. — Uma coisa? Margareth assentiu. — Deixaram no lugar de sempre. Meu coração bateu mais forte. Não perguntei quem havia enviado. Não precisava. Voltei para o quarto, mas não entrei. Meus olhos se desviaram para o escritório no final do corredor. O lugar onde eu guardava documentos importantes. O lugar onde quase ninguém entrava. Caminhei até lá. Fechei a porta. E, pela primeira vez naquela manhã, deixei a expressão tranquila desaparecer completamente. Atrás de um quadro havia um pequeno compartimento que fazia parte de um segredo que eu carregava havia anos. Retirei o quadro da parede. Abri o compartimento. E encontrei um envelope pardo. Meu coração apertou. Eu reconheceria aquele envelope em qualquer lugar. Segurei-o entre os dedos por alguns segundos. Ainda não o abri. Porque, de repente, tive certeza de uma coisa: Se aquele envelope havia chegado até mim, meu pai queria me ver. E sempre que Sebastian queria me ver, havia um motivo. Respirei fundo. Então abri o envelope. E encontrei dentro dele algo que eu não esperava receber.John Cheguei ao aeroporto de Boston cedo naquela manhã.Conferi o passaporte, a passagem e o celular antes de seguir para o embarque. Minha mala estava pronta desde a noite anterior, e, pela primeira vez em muito tempo, eu não tinha levado comigo mais do que o necessário.Minha irmã havia me mandado uma mensagem pouco antes de eu sair de casa.— Você realmente está vindo?Sorri enquanto respondia.— Estou no aeroporto.A resposta chegou quase imediatamente.— Não acredito.— Pode acreditar.— Dessa vez você não vai inventar uma desculpa?— Não vou.Demorou alguns segundos até outra mensagem aparecer.— Então eu vou te esperar.Guardei o celular.Eu queria cumprir aquela promessa.Durante anos, sempre havia alguma razão para eu não conseguir estar presente. Aniversários, feriados, encontros de família. Quando percebia, meses tinham passado e eu continuava vivendo do outro lado do mundo.Minha família continuava em Seul.Eu é que havia construído uma vida inteira longe dali.Cheguei ao
Sophia Quando abri os olhos, a claridade que escapava pelas laterais das cortinas chamou minha atenção. Ainda sonolenta, estendi a mão até o criado-mudo e peguei o controle que ficava ali.Com um toque, as cortinas blackout começaram a se abrir.A luz do sol tomou o quarto aos poucos, revelando o céu claro e uma manhã que já estava bastante avançada. Apertei os olhos por causa da claridade e fiquei alguns segundos olhando pela janela.— Eu dormi muito... — murmurei, pegando o celular.Não me lembrava da última vez em que tinha acordado sem despertador e sem precisar calcular quantos minutos ainda tinha antes de sair de casa.Levantei-me devagar e caminhei até o closet.Escolhi um biquíni confortável e o vesti antes de colocar uma roupa leve de verão por cima: uma blusa de alças finas, em tom creme, com textura delicadamente plissada, e uma calça comprida de cintura alta no mesmo tecido. Era uma combinação fresca e confortável para ficar em casa e, principalmente, para aproveitar a pi
Sophia O relógio sobre a estante marcava alguns minutos para meia-noite quando Madeline finalmente fechou a última pasta. Eu estava sentada do outro lado da mesa do escritório, com uma das mãos apoiando o rosto enquanto encarava a pilha de documentos entre nós. Havia contratos, relatórios financeiros, organogramas, planilhas e anotações que Madeline fizera durante a noite. Eu já não sabia dizer quantos nomes tinha lido. — Acho que, se eu olhar para mais uma planilha hoje, vou começar a enxergar números até dormindo — murmurei. Madeline soltou uma risada baixa enquanto reunia os papéis. — Isso passa. Ergui uma sobrancelha. — Você está dizendo isso porque já passou por isso ou porque quer me convencer a não desistir? — As duas coisas. A resposta arrancou de mim um sorriso cansado. Madeline colocou os documentos na pasta e conferiu se não havia deixado nada sobre a mesa. — Para uma primeira noite, você avançou bastante. Recostei-me na cadeira. — Não parece. Olhei novamente p
depois das sete da noite quando finalmente me permiti parar. Eu estava sentada no banco do vestiário, ainda usando o uniforme do hospital, com os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos frouxamente entrelaçadas. Meu corpo inteiro parecia pedir alguns minutos de silêncio. Mas o hospital não sabia o que era silêncio. Uma porta de armário bateu atrás de mim. — Alguém viu meu estetoscópio? — Está em cima da bancada! — Não, esse é o da Ana! Duas enfermeiras entraram conversando sobre a escala da semana seguinte, enquanto uma técnica de enfermagem atravessava o vestiário procurando alguma coisa dentro da própria bolsa. Levantei os olhos e sorri de leve. — Você está procurando o quê? — Minha chave. Juro que estava na minha mão há dois minutos. — Isso acontece depois de plantão demais. — Falou a doutora que está aqui há quase uma hora olhando para o nada. Soltei uma risada baixa. — Eu estava descansando. — Descansando olhando para o armário? — É uma técnica avançada. As duas












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