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Capítulo 5

Penulis: Monalisa
last update Tanggal publikasi: 2026-09-21 09:16:17

POV Emilly

Cinco anos depois.

Aquela semana tinha sido esmagadora.

Eu estava dirigindo de volta para o apartamento, contando os minutos para chegar em casa.

Tudo o que eu queria era jogar a bolsa em algum canto, tomar um banho, encher uma taça de vinho e ligar para Ella.

Eu já conseguia imaginar a conversa.

Eu contaria como a chefe da edição da revista tinha sido uma verdadeira tirana naquele dia.

Como tinha sido grossa comigo por absolutamente tudo.

Como conseguia transformar qualquer detalhe em um problema.

E como eu tinha passado o dia inteiro tentando não perder a paciência.

E Ella, é claro, provavelmente faria aquele discurso que eu já conhecia de cor.

Que aquele trabalho não tinha nada a ver comigo.

Que eu deveria voltar a escrever.

Que eu sempre tinha amado escrever.

Que eu estava desperdiçando meu talento.

Que eu deveria largar tudo, fazer alguma coisa que realmente me deixasse feliz e parar de viver em função de um emprego que estava acabando com o meu psicológico.

Aos dezoito anos, talvez eu tivesse escutado tudo isso.

Aos vinte e três, a realidade era um pouco diferente.

Eu tinha um emprego estável.

Um bom salário.

Uma carreira em progresso.

E, mesmo que aquele trabalho estivesse lentamente acabando com o meu psicológico, ele pagava bem demais para que eu simplesmente jogasse tudo para o alto.

Eu não tinha mais dezoito anos.

Não podia simplesmente decidir que queria ser escritora e esperar que o resto da minha vida se encaixasse sozinho.

Tinha contas.

Responsabilidades.

Uma carreira em progresso.

E, querendo ou não, eu tinha construído aquela vida.

Talvez não fosse exatamente a vida que eu tinha imaginado quando era mais nova.

Mas era a minha vida.

E eu tinha aprendido a conviver com ela.

Foi então que meu celular tocou.

Olhei para a tela e vi o nome de Mark.

Atendi pelo Bluetooth do carro.

— Oi, amor.

— Oii. Como está a viagem?

— Um caos. Vou me atrasar mais alguns dias. Tem muitas negociações em andamento. Devo voltar no meio da semana que vem.

— Entendi.

— E você? Como foi seu dia?

Olhei para a estrada à minha frente.

— Ótimo. Tudo certo.

— Que bom.

Fiquei em silêncio por alguns segundos.

Mark sempre tinha sido assim comigo.

Atencioso.

Presente.

Preocupado com a minha vida.

E talvez justamente por isso eu nunca reclamasse daquele emprego com ele.

Afinal, ele tinha usado a influência da família para conseguir aquela oportunidade para mim, um ano e meio antes, quando eu ainda nem tinha me formado.

Ele tinha aberto aquela porta para mim.

E eu jamais reclamaria para ele que, às vezes, eu sentia vontade de atravessá-la e nunca mais voltar.

Entrei no apartamento alguns minutos depois.

Era um lugar pequeno, simples, mas aconchegante.

Eu tinha escolhido cada detalhe dali.

Os móveis, as plantas, as flores espalhadas pela sala, as velas sobre a mesa de centro e até as pequenas coisas que provavelmente ninguém mais notaria.

Era exatamente como eu gostava.

Mark, por outro lado, vivia dizendo que aquele apartamento era simples demais para mim.

Ele já tinha sugerido algumas vezes que eu me mudasse para um dos apartamentos da família dele.

Eu sempre dizia que ia pensar.

Nunca dizia o verdadeiro motivo pelo qual não queria.

Aquele espaço era meu.

Talvez fosse pequeno, talvez não tivesse nada de extraordinário, mas ainda guardava um pedaço de mim.

Um pequeno espaço que eu tinha escolhido e organizado sozinha.

Mark era extremamente solícito.

Prestativo.

Cuidadoso.

Às vezes, até demais.

E eu sabia que ele fazia tudo aquilo porque me amava.

Nunca tinha sido por mal.

Mas, em alguns momentos, eu sentia como se o cuidado dele ocupasse tanto espaço na minha vida que mal sobrasse espaço para mim mesma.

Talvez fosse por isso que eu gostasse tanto daquele apartamento.

Ali, pelo menos, tudo era meu.

Deixei a bolsa sobre o sofá e comecei a organizar algumas coisas que tinha trazido do trabalho.

Quando terminei, olhei para o relógio.

19h25.

Ainda faltava um pouco para eu ligar para Ella.

Nós sempre nos falávamos às oito.

Era o horário em que Louis já estava dormindo e ela conseguia conversar comigo com calma.

Olhei para a estante.

Peguei um livro.

Depois fui até a cozinha e servi uma taça de vinho.

Voltei para a sala, me sentei no sofá e abri o livro.

Não tinham passado nem dez minutos quando meu telefone tocou.

Olhei para a tela e sorri.

Ella.

Atendi imediatamente.

— Conseguiu fazer o Louis dormir mais cedo?

Do outro lado, porém, não ouvi a voz que esperava.

Houve alguns segundos de silêncio.

Então reconheci a voz da tia Beth.

E alguma coisa dentro de mim gelou.

— Emilly, querida…

Ela parou por um instante, como se estivesse tentando encontrar coragem para dizer aquelas palavras.

Meu sorriso desapareceu.

— A nossa Ella morreu.

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