FAZER LOGINCapítulo 147Manuela Rossi Montenegro GoulartEu acordei antes do despertador.Na verdade, nem sei se consegui dormir direito.Era ansiedade.A casa estava diferente.Desde cedo, dava para ouvir gente andando de um lado para o outro, portas abrindo, caixas sendo arrastadas, vozes vindo da cozinha e Marcos reclamando que alguém tinha colocado alguma coisa em cima dos documentos que ele precisava.O detalhe era que ninguém tinha pedido para ele cuidar dos documentos.Mas era o Marcos.Se deixassem, ele organizaria até o clima da festa.Levantei da cama e fui direto para o quarto dos aniversariantes.Léo e Luiza estavam acordados.Os dois sentados nos berços, brincando com um bichinho de pelúcia que eu nem lembrava de ter colocado ali.Quando me viram, começaram a sorrir.– Bom dia, meus amores.Luiza bateu as mãozinhas.Léo soltou um gritinho.Entrei no quarto e peguei os dois.Um em cada braço.Ainda era estranho pensar que aqueles dois bebês já tinham um ano.Um ano.Parecia que tinha
Capítulo 146Manuela Rossi Montenegro GoulartEle respirou e soltou de uma vez.– Eu ganhei uma bolsa.Foi isso que Gael disse.Uma frase simples.Mas ninguém naquela sala pareceu entender imediatamente.Marcos foi o primeiro a perguntar:– Bolsa para quê?Gael respirou fundo.– Para uma pós-graduação.Ellen levou a mão à boca.– O quê?Ele sorriu.Dessa vez, aquele sorriso nervoso desapareceu e deu lugar a uma expressão de pura felicidade.– Uma universidade dos Estados Unidos me ofereceu uma bolsa para fazer minha pós-graduação lá, por causa do estudo das células do cavalo com uma doença rara, que eu tratei ano passado aqui na fazenda.Fiquei alguns segundos em silêncio.– Nos Estados Unidos?– Nos Estados Unidos.Ellen olhou para ele.Depois para Aurora.Depois novamente para ele.– Você está falando sério?– Estou.Ela levantou do sofá tão rápido que quase derrubou a bolsa.– Meu Deus!Foi até ele e o abraçou.Gael a apertou contra o peito, rindo.Marcos foi o primeiro a chegar pe
Capítulo 145Manuela Rossi Montenegro GoulartNove meses.Quando dei por mim, Léo e Luiza já tinham nove meses.Eu ainda conseguia lembrar perfeitamente do dia em que cheguei em casa com os dois nos braços, morrendo de medo de não dar conta.Agora, eles não paravam quietos.Engatinhavam pela casa, puxavam tudo que encontravam pela frente, tentavam se levantar apoiados nos móveis e tinham descoberto que existia uma coisa muito mais interessante do que qualquer brinquedo.A nossa comida.– Não, Léo.Ele parou.Olhou para mim.E colocou a mão novamente no prato de Marcos.– Eu falei não.Ele abriu um sorriso.Aquele sorriso banguela que acabava com qualquer autoridade que eu tentasse ter.Marcos, sentado à mesa, começou a rir.– Ele não respeita você.– E você acha bonito?– Acho.– Marcos.– O menino só está com fome.– Ele acabou de comer.– Então está com fome de novo.Olhei para os dois.– Vocês são iguais.Marcos abriu um sorriso orgulhoso.– Obrigado.– Não foi elogio.Luiza, que e
Capítulo 144Manuela Rossi Montenegro GoulartO tempo estava passando rápido demais.Rápido de um jeito que eu não estava preparada para aceitar.Quando percebi, Léo e Luiza já não eram mais aqueles dois bebezinhos minúsculos que eu tinha levado para casa.Já tinham alguns meses.Já sustentavam melhor a cabeça, prestavam atenção em tudo, reconheciam nossas vozes e tinham descoberto que as mãos serviam para muito mais do que segurar nossos dedos.Serviam para puxar cabelo.Para agarrar colar.Para derrubar coisas.E, principalmente, para colocar absolutamente tudo dentro da boca.Os dois continuavam extremamente unidos.Se Léo começava a reclamar, Luiza procurava por ele.Se Luiza ria, Léo logo começava a se mexer, como se quisesse saber o que estava acontecendo.Às vezes, eu colocava os dois no tapete da sala, cada um com seus brinquedos, e quando percebia eles já estavam praticamente grudados.Era impossível não sorrir.Meus filhos tinham chegado juntos.E pareciam ter decidido que c
Capítulo 143Manuela Rossi Montenegro GoulartJá fazia mais de quinze dias que nosso mundo mudou, que estamos com os bebês tentando aprender a ser pais.Quinze dias de mamadas, fraldas, noites mal dormidas, cochilos no sofá, roupinhas espalhadas pela casa e uma quantidade absurda de paninhos que eu nem sabia que existiam.Eu já tinha perdido completamente a noção de quantas vezes tinha trocado uma fralda.E, apesar de tudo isso, tinha uma coisa que eu ainda não tinha feito sozinha.Dar banho nos meus filhos.Até aquele dia, quem assumia essa parte era minha mãe. Ela tinha experiência, calma e uma habilidade que eu sinceramente invejava. Ela segurava um bebê com a maior tranquilidade do mundo, conversava com ele durante o banho e parecia saber exatamente o que fazer.Eu ajudava.Marcos ajudava.Mas ela sempre estava ali.Naquela tarde, porém, quando ela começou a separar as coisas para o banho, eu parei ao lado dela.– Mãe.Ela olhou para mim.– Hum?– Hoje eu quero dar banho neles.E
Capítulo 142Manuela Rossi Montenegro Goulart Eu descobri uma coisa nos primeiros dias em casa.Ter dois filhos era maravilhoso, um sonho.Agora amamentar dois filhos...Era outra história.Eu tinha imaginado tantas vezes como seria.Na minha cabeça, eu sentaria tranquilamente, colocaria um bebê de cada lado e tudo aconteceria naturalmente.A realidade resolveu rir da minha cara.– Calma, meu amor...Eu estava com Luiza no colo, tentando ajudá-la a pegar o peito.Ela procurava, fazia biquinho, soltava.Tentava de novo.Soltava outra vez.Eu já estava ficando nervosa.– Vamos, filha...Olhei para Léo, que estava no outro braço.Ele também começou a reclamar.– Não. Você espera um pouquinho, meu amor.Ele reclamou mais alto.– Eu sei. Eu sei...Minha voz começou a tremer.Marcos apareceu na porta.– Está tudo bem?Olhei para ele.– Não.Ele entrou imediatamente.– O que aconteceu?– Eles estão com fome.– Então vamos alimentar.– Eu estou tentando!Minha voz saiu mais alta do que eu qu







