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Capítulo 5

Autor: Liliane
last update Fecha de publicación: 2026-08-05 01:30:22

— Hoje faremos um churrasco completo, com direito a tudo do bom e do melhor. Dhehanks merece boas-vindas dignas de quem ele é. Se não fosse por ele e seu pai, não teríamos a vida que sempre pedi a Deus.

A voz do meu pai transbordava uma empolgação genuína, iluminando seu rosto de uma forma que há muito tempo eu não via. Olhar para ele assim preenchia meu peito de uma satisfação profunda. Eu sabia o quanto ele havia lutado, as noites em claro, a abdicação diária e os anos de estudos intensos para conquistar cada centímetro do espaço que hoje ocupava. Não viemos do berço de ouro; nossa realidade era dura, cheia de privações e incertezas. Tudo começou a mudar no dia em que ele finalmente concluiu a faculdade de Administração de Empresas e a influente família Dhabajhu enxergou nele um talento raro, concedendo-lhe a oportunidade que reescreveria nosso destino.

— Filha, vista sua melhor roupa — meu pai pediu, ajustando a postura com orgulho. — Quero todos impecavelmente apresentáveis para recebê-lo.

— Pode deixar, pai. Vou me arrumar — respondi, assentindo levemente antes de caminhar em direção ao meu quarto.

No banheiro, fechei a porta e deixei a água quente do chuveiro escorrer pelo meu corpo, tentando aliviar a tensão repentina que me envolveu. Porém, assim que fechei os olhos, a minha imaginação tomou um rumo perigoso. Traços marcantes e a aura enigmática de Dhehanks invadiram meus pensamentos sem pedir licença. Imaginei a cena com uma nitidez quase dolorosa: seus olhos fixos nos meus, exalando um desejo contido; seus lábios me tocando em um beijo denso, avassalador, roubando todo o ar dos meus pulmões. Pude quase sentir suas mãos firmes e quentes percorrendo as curvas da minha pele, despertando um rastro de fogo e puro prazer por onde passavam.

Apressada, abri os olhos e desliguei o chuveiro, o coração martelando contra as costelas.

— Por que diabos estou tendo esses pensamentos? — murmurei para o espelho embaçado, encarando meu próprio reflexo corado. — Nenhum rapaz jamais me fez sentir assim antes... Acho que a presença dele, esse feromônio masculino inegável, acendeu algo em mim que permaneceu adormecido a vida inteira.

Caminhei até o closet com o objetivo claro de encontrar a peça perfeita. Eu queria algo cativante, poderoso, mas sem parecer desesperado. Não podia deixar transparecer logo de cara a urgência de ser notada por ele.

Após folhear alguns cabides, meus olhos pararam em um vestido vermelho-sangue. Era perfeito. O corte possuía um decote discreto na frente, mas revelava as costas completamente nuas em um contraste provocante. A barra ajustada terminava um pouco acima dos joelhos, valorizando minhas coxas de forma elegante, enquanto o caimento realçava meus seios com sutileza. Nos pés, calcei um salto de altura média, extremamente confortável para a ocasião. Escolhi joias minimalistas — apenas um colar delicado de corrente fina e uma pulseira discreta —, deixando que a força da cor do vestido fizesse todo o trabalho. Finalizei com uma maquiagem leve para realçar os olhos e borrifei um perfume marcante, de nota amadeirada e marcante, cujo aroma era inconfundível.

Encarando o espelho pela última vez, prendi a respiração. Espero que ele me olhe... e, acima de tudo, me deseje.

O murmúrio de conversas vindas do andar inferior indicou que o convidado de honra já havia chegado. Instintivamente, a insegurança golpeou meu peito.

Ai, meu Deus... Será que essa roupa está cafona? Será que me exagerei? E se meu pai perceber minhas intenções?

Um nó de desânimo se formou na minha garganta por um segundo, mas logo se desfez. Nenhum homem jamais havia despertado minha atenção dessa forma. Se Dhehanks era o primeiro a causar esse turbilhão, eu o queria para mim.

Ajustei a postura, apoiei a mão no corrimão e desci as escadas. De longe, avistei o homem que ocupava meus pensamentos. Ele era, sem sombras de dúvidas, a pessoa mais deslumbrante que já tive o prazer de contemplar — e eu já havia conhecido muitas pessoas bonitas. Seu sorriso era descontraído e leve, sem carregar o peso ou a imponência do imenso poder financeiro e corporativo que detinha nas mãos.

No instante em que meus pés tocaram o último degrau, os dois interromperam a conversa e viraram o rosto na minha direção. O tempo pareceu desacelerar. Meu pai me olhava com admiração e carinho paterno, enquanto Dhehanks sustentava um olhar profundo, carregado de uma atração sedutora que fez minha pele arder. Fingindo naturalidade, sustentei o caminhar e me aproximei.

— Dhehanks, esta é a minha filha, Rand — apresentou meu pai, com o peito estufado de orgulho.

— É um imenso prazer conhecê-la, Rand — Dhehanks disse, estendendo a mão para me cumprimentar. A voz dele era grave e aveludada. — Que jovem deslumbrante! Confesso que, pelos comentários do seu pai, pensei que encontraria uma criança. Estou impressionado.

Meu pai abriu um sorriso de orelha a orelha com o elogio.

— Ah, esqueci de mencionar! Este ano ela completa dezoito anos. Já é quase uma adulta e está se tornando uma mulher espetacular.

Dhehanks sustentou o contato visual, olhando-me no fundo dos olhos com uma intensidade que roubou meu fôlego. Fiquei paralisada, incapaz de articular uma resposta imediata. Senti minhas bochechas queimarem diante daquela energia avassaladora. Como alguém tinha a capacidade de provocar sensações tão físicas com um simples olhar?

— O prazer é todo meu — respondi finalmente, oferecendo um sorriso suave para disfarçar o nervosismo. — Meu pai não para de falar de você um só minuto.

— Espero que ele tenha falado bem — ele brincou, soltando uma risada curta. — Henryco é uma pessoa extraordinária, por isso fiz questão de trazê-lo para perto de mim na diretoria. Tornamo-nos grandes amigos. Seu trabalho é impecável. Meu pai já rasgava elogios à competência dele quando me passou a gestão de todo o patrimônio da família. Confiei no julgamento do meu pai, e os anos trabalhando lado a lado com o Henryco só me provaram que ele estava cem por cento certo.

Além de impressionante e impecavelmente alinhado, ele era extremamente simpático. A cada segundo que se passava, a atração gravitacional que ele exercia sobre mim aumentava exponencialmente.

— Fico muito feliz em ouvir isso. Ele é o meu maior orgulho — declarei, sendo acolhida por um abraço carinhoso do meu pai.

Os dois começaram a organizar os utensílios perto da churrasqueira na varanda, ajustando os cortes de carne e os temperos, quando Dhehanks olhou ao redor e perguntou:

— Henryco, onde fica o banheiro social deste andar? Esta mansão é simplesmente enorme.

Meu pai deu um tapa leve na própria testa, rindo, e se voltou para mim:

— Querida, mostre a mansão e o banheiro para ele enquanto eu acendo o fogo da churrasqueira.

Engoli em seco. Meu pai não fazia ideia do perigo que estava me propondo, facilitando justamente o cenário que minha imaginação havia desenhado horas atrás.

— Claro. Pode me acompanhar, por favor? — pedi, mantendo o tom educado e contido.

Girei sobre os calcanhares e caminhei em direção ao corredor silencioso que levava aos lavabos e à área reservada da casa. Podia sentir a presença imponente de Dhehanks logo atrás de mim, o som abafado dos seus passos acompanhando o ritmo dos meus. Ele permaneceu em silêncio durante todo o trajeto, aumentando a tensão palpável que pairava no ar.

Ao parar em frente à porta do banheiro, virei-me para avisar que tínhamos chegado. Não calculei a proximidade. Dhehanks deu mais um passo e parou a centímetros de mim, encurralando meu corpo contra a parede. O calor emanado por ele era quase tangível, e o aroma marcante do seu perfume caríssimo invadiu completamente meus sentidos. Reparei na curva impecável da sua boca carnuda e no tamanho das suas mãos fortes. Seus olhos castanhos e profundos desceram para os meus lábios e ali permaneceram. O ambiente ao redor pareceu desaparecer; até o vento que entrava pelas janelas do corredor parecia ter cessado.

— Com todo o respeito... — ele sussurrou, a voz caindo para uma oitava mais grave. — Mas você é incrivelmente linda. Nunca me senti tão atraído por ninguém em toda a minha vida.

Meu coração disparou, batendo descontroladamente contra o peito. A intensidade da declaração eliminou qualquer filtro que eu pudesse ter.

— Nem eu — confessei em um sopro, encarando-o sem desviar.

A confissão mútua quebrou a última barreira de contenção. Dhehanks deu meio passo à frente, pressionando suavemente seu corpo contra o meu. Ele inclinou a cabeça e descansou a boca na curva do meu pescoço, selando a pele com um beijo lento e cuidadoso que enviou uma descarga elétrica por toda a minha espinha. Um arrepio violento percorreu meus braços. Senti sua mão firme subir pela minha cintura, desenhando a curvatura do meu corpo com precisão, enquanto minhas mãos buscavam instintivamente os ombros largos e o peito forte oculto sob o tecido nobre da sua camisa.

— Você é um perigo, garota... A filha do meu melhor amigo e funcionário. Isso é uma loucura absoluta — ele murmurou contra a minha pele, a respiração quente roçando meu ouvido.

— Eu não tenho medo de me queimar no seu fogo — respondi, erguendo o queixo para encará-lo com um sorriso provocante.

Dhehanks desacelerou, abrindo um sorriso sedutor e perigoso que fez meu joelho fraquejar.

— Você é muito mais perigosa do que eu jamais poderia imaginar.

— Nunca desejei ninguém como estou desejando você agora — fui honesta, sentindo o peso de cada palavra, mesmo sabendo a velocidade avassaladora com que tudo estava acontecendo.

— O sentimento é exatamente o mesmo — ele admitiu, dando um passo atrás a contragosto para restabelecer o espaço entre nós, mantendo os olhos fixos nos meus. — Vou usar o banheiro agora para que o seu pai não desconfie da nossa demora. Mas não vou sair daqui sem o seu contato.

Assenti levemente, sentindo os lábios ainda trêmulos pela proximidade. Ele segurou a maçaneta, me deu um último olhar carregado de promessas e entrou no lavabo, deixando-me sozinha no corredor.

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