LOGINHavia passado dois dias desde que Annaluz conversou com Demétrio sobre a cerimônia de maior idade. O sol do fim do dia entrava pelas frestas da janela do quarto, iluminando o pó dourado que flutuava no ar. Ela estava diante do grande armário, organizando com cuidado meticuloso os últimos detalhes para a noite da cerimônia, o quarto tinha o cheiro de flores secas, camomila e lavanda, as mesmas que ela usava nos partos. A luz da tarde entrava pelas janelas, tingindo tudo de ouro, quando três batidas suaves e ritmadas soaram na porta de madeira.
— Prima, posso entrar? — a voz doce de Kassandra abafou o silêncio do corredor.
Annaluz virou-se de imediato, um sorriso genuíno iluminando seu rosto.
— Oi, Kassandra! Que surpresa boa... Pensei que só ia te ver amanhã, na hora da cerimônia.
A porta abriu-se devagar e Kassandra entrou, os cabelos castanho-avermelhados emoldurando um rosto de pele clara, o corpo magro e esguio se movendo com a leveza de quem sempre teve certeza da própria beleza, trazendo no rosto a expressão curiosa e afetuosa de quem vinha em missão de socorro feminino.
— Eu precisava vir ver como você está — disse Kassandra, aproximando-se e abraçando a prima. — Afinal, quando foi a minha vez há dois anos, você me ajudou com cada detalhe, me acalmou quando eu quase surtei com o vestido. O mínimo que eu podia fazer era retribuir. E então... já tem o vestido pronto?
Os olhos de Annaluz brilharam com um misto de orgulho e empolgação. Ela caminhou até a beira da cama, onde o vestido repousava impecável.
— Sim. Olha só... mandei ajustar os detalhes da gola ontem à noite. O que acha?
Kassandra arregalou os olhos, aproximando-se com as mãos unidas junto ao peito, absorvendo cada centímetro da peça.
— Uau... Annaluz, isso está deslumbrante. É simplesmente lindo, tem tudo a ver com você.
Um rubor leve subiu pelas bochechas de Annaluz, embora ela tenha tentado disfarçar mordendo o lábio inferior, enquanto os dedos traçavam distraidamente a barra do tecido.
— Você acha que o Valentin vai gostar? — perguntou ela, a voz carregando aquela ponta inevitável de vulnerabilidade que tentava esconder de todo mundo.
Kassandra soltou uma risada leve, dando um leve empurrãozinho de brincadeira no ombro da prima sentando-se na cama, seus olhos seguindo cada movimento de Annaluz. Ela mesma usava um vestido azul escuro nobre, elegante, o tipo de roupa que dizia "sou família de importância" sem gritar.
— Claro que vai, sua boba! Só se ele for completamente cego para não ver que você vai estar a criatura mais linda de todas as matilhas naquele salão. — respondeu Kassandra, e havia algo na voz dela que era quase doloroso. Porque era verdade. Valentin ia gostar. Valentin ia fazer aquele rosto dele de apaixonado que sempre fazia tão bem.
— Você acha, mesmo? —Seus olhos brilhavam com aquela energia que tinha quando fazia partos. — Eu queria algo que mostrasse que sou mulher, mas não... sabe, óbvio demais. Elegante. O Valentin sempre disse que prefere quando eu fico elegante.
Kassandra sorriu. Era o tipo de sorriso que não alcançava os olhos.
— Ele vai te achar perfeita — murmurou.
Havia uma inocência naquele entusiasmo que era quase dolorosa. Annaluz gesticulava enquanto falava, rosto completamente iluminado.
— Você está muito feliz — observou Kassandra, e havia algo cortante naquela observação, apesar do tom suave.
— Claro que estou. — Annaluz pegou na mão da prima. — Você não ficaria? Eu estou prestes a... você sabe. Começar minha vida de verdade. Com alguém que a capital inteira respeita.
Kassandra apertou a mão de Annaluz, mas seus olhos desviaram.
— Eu fico feliz por você — disse, e era verdade. Mas era também uma mentira, aquele tipo de mentira que as mulheres aprendem a contar sem piscar.
Annaluz suspirou, recostando-se na borda da cama, olhando para o teto por um segundo antes de voltar a encarar a prima. A animação alegre começou a dar lugar a uma sombra de reflexão mais profunda.
— Eu tô tão feliz... mas, ao mesmo tempo, com um turbilhão de coisas na cabeça. Porque eu sei que amanhã, na hora que eu pegar o amuleto da maioridade, existe a chance real de eu encontrar o meu verdadeiro companheiro de destino.
— Você tem certeza de que o ama? — perguntou Kassandra, e a pergunta saiu mais afiada do que pretendia.
Annaluz piscou, como se a pergunta tivesse saído do nada.
— Claro que amo. Você não vê como ele é comigo? Como ele me olha? Como ele quer estar comigo apesar de todos os compromissos do governo?
— Ele é um príncipe, Annaluz — disse Kassandra, tentando ser delicada, falhando. — Príncipes são... complicados. Eles têm responsabilidades que às vezes...
— Que às vezes o quê? — Annaluz já estava na defensiva, porque sabia que tinha que defender aquilo. Porque se não defendesse, tudo que havia construído desabaria.
— Nada. — Kassandra respirou fundo. — Desculpa. Eu só.... eu acho que você merecia conhecer bem qualquer pessoa antes de se comprometer com ela. Príncipes viajam. Príncipes têm deveres. Às vezes o amor não é suficiente quando há outras coisas em jogo. E às vezes as pessoas são complicadas, ainda mais na posição dele. Eu quero que você seja feliz, prima.
Annaluz pegou na mão de Kassandra.
— Você está tensa — disse, e havia carinho ali, porque Annaluz era boa assim, era genuinamente boa. — O que está errado?
“Tudo, pensou Kassandra. Tudo está errado.”
— Nada está errado — mentiu. — Eu só... estou com ciúmes de você crescer, sabe? Em breve você vai ser uma princesa, e eu vou ficar aqui. E tudo vai mudar, e eu não vou estar ao seu lado como antes, vou ser só a prima que ficou para trás.
Era mentira, mas era também verdade. Era a mentira perfeita. Annaluz abraçou Kassandra e disse coisas bonitas sobre não ficar para trás, sobre as primas sempre serem próximas, sobre haver espaço para ambas no palácio.
Kassandra enterrou o rosto no pescoço de Annaluz e sentiu o peito aperto, franzindo a testa com cautela. O tom da conversa mudou de repente, ficando denso.
— Espera... Annaluz, então você acha que o Valentin pode não ser o seu companheiro de destino? Você falou a pouco sobre encontrar seu verdadeiro companheiro.
— Não é bem isso que eu estou dizendo... Sinceramente, eu espero que seja ele, porque nós já namoramos, eu já gosto dele — apressou-se Annaluz em ponderar, gesticulando com as mãos, tentando convencer a si mesma tanto quanto a prima. — Mas... e se não for?
— E se não for? — repetiu Kassandra, arqueando uma sobrancelha com seriedade. — O que você vai fazer? Vai desistir dele na frente de todo mundo?
Annaluz desviou o olhar por um segundo. — Eu não disse isso...
— Mas também não confirmou nada.
Um silêncio pesado instalou-se no quarto, quebrado apenas pelo vento que farfalhava nas árvores lá fora. Annaluz cruzou os braços na altura do peito, buscando as palavras certas para organizar o caos que sentia por dentro.
— Você sabe como é, Kassandra... O vínculo de companheiro de destino é amor verdadeiro, é algo primal. Olha para os meus pais — disse ela, a voz suavizando-se com uma ponta de admiração reverente. — Eles têm algo sólido, um laço só deles, por mais que às vezes discutam ou fechem a cara um para o outro. Mas aquilo que é deles... o vínculo está lá na carne, na alma. Isso nunca quebra. O jeito que o meu pai olha para a minha mãe, a maneira como ela cuida dele sem ele precisar pedir ou sequer notar... É isso que eu vejo, é isso que eu quero para a minha vida.
Kassandra assentiu lentamente, reconhecendo a verdade naquilo, mas ponderou com a praticidade fria do mundo em que viviam.
— O Valentin é um príncipe, Annaluz. Ele é herdeiro, tem poder, status. Ele pode muito bem cuidar de você e dar uma vida segura, mesmo que vocês não sejam ligados pelo destino cósmico.
— Eu sei, eu sei... — Annaluz suspirou pesadamente, sentindo um nó se formar na garganta. — Mas aí não seria ele exatamente fazendo isso por amor puro, seriam os empregados dele, o dinheiro dele, e às vezes, em alguns momentos, ele próprio cumprindo uma obrigação. Eu não estou questionando o carater dele... só estou a constatar uma verdade. O Valentin e eu gostamos um do outro, mas não é amor de alma, sabe? Ele nem... ele sequer me deu um beijo de verdade em quatro meses.
Kassandra congelou no meio do quarto, os olhos arregalados de surpresa absoluta. Ela piscou várias vezes, achando que tinha ouvido mal.
— Como assim... "nem sequer te deu um beijo"? O que você quer dizer com isso?
Annaluz sentiu o rosto queimar de vergonha, abaixando o olhar para as próprias mãos.
— Exatamente o que você ouviu. Já namoramos há quatro meses inteiros e ele nunca me beijou como um namorado de verdade beija. Toda vez que nos despedimos, ele só me dá um beijo formal na testa. Como se eu fosse uma criancinha ou uma irmã mais nova!
Kassandra abriu a boca para falar, mas demorou alguns segundos para formular uma resposta diante de algo tão bizarro para os padrões das matilhas.
— Bom... — balbuciou Kassandra, tentando achar uma lógica plausível. — Vai ver... vai ver ele te respeita demais! É isso. Ele é um príncipe, tem uma imagem a zelar na corte, e deve estar guardando toda a paixão e intensidade para aproveitar na noite de núpcias, depois que estiverem oficialmente marcados.
Annaluz soltou um gemido de exasperação, jogando a cabeça para trás.
— Ai, Kassandra... Pelo amor dos deuses, você diz cada coisa que me faz querer bater a cabeça na parede!
— É sério, Annaluz! Você sabe muito bem como os lobos são, eles têm um fogo terrível — insistiu Kassandra, com um brilho travesso nos olhos, gesticulando animadamente enquanto arrumava uma almofada na cama. — Outro dia eu estava no salão de beleza e uma loba conversava sem filtro com a maquiadora sobre as coisas absurdas que fazia com o namorado... Menina, olha, só de pensar naquilo tudo dá até um calor por dentro!
Annaluz sentiu o rosto queimar instantaneamente, a pele corando até a raiz dos cabelos negros. Ela jogou um travesseiro de leve na direção da prima, rindo de nervoso.
— Ai, por favor, Kassandra, não fica me dizendo essas coisas absurdas que eu fico sem graça! — protestou Annaluz, balançando as mãos como se quisesse espantar o calor. — Chega de falar da minha vida e das minhas intimidades inexistentes. Mudando de assunto... e você, hein, prima? Não vai levar ninguém com você para a cerimônia? Nenhum pretendente?
O sorriso brincalhão no rosto de Kassandra murchou ligeiramente, dando lugar a um suspiro resignado. Ela cruzou os braços, olhando para as próprias botas.
— Quem, Annaluz? Eu não tenho nenhum pretendente que me desperte o mínimo de interesse — murmurou Kassandra, a voz perdendo o tom eufórico de instantes antes. — E na minha cerimônia de maioridade o meu companheiro de destino simplesmente não apareceu... Já se passou bastante tempo desde então, e eu acho que ele não vai mais aparecer. Provavelmente já encontrou e marcou outra loba por aí.
Annaluz suavizou a expressão, sentindo um aperto sincero no peito pela prima. Ela deu um passo à frente, segurando as mãos de Kassandra.
— Ah, mas também... Você ficou escolhendo tanto, fazendo exigências! Tinha três lobos ótimos da nossa matilha, de famílias excelentes, que queriam algo sério com você, e você recusou todos.
— Eram todos insuportáveis! — retrucou Kassandra, revirando os olhos com um muxoxo, embora houvesse um traço de melancolia ali. — Eram chatos, mandões e achavam que as lobas servem só para enfeitar sala de jantar. Prefiro ficar sozinha do que aturar aquilo.
Antes que Annaluz pudesse responder, uma voz familiar cortou a atmosfera do quarto, vinda do corredor aberto:
— Meninas, venham lanchar! A mesa já está posta e o café vai esfriar — chamou Nívea, com o tom firme, mas acolhedor.
— Já estamos indo, mãe! — respondeu Annaluz em alto e bom som. Ela olhou para a prima, estendendo um sorriso encorajador. — Vamos lá embaixo. A mamãe fez aquele pão de centeio quentinho que você tanto gosta.
— Ah, se tem o pão da tia Nívea, então vamos logo! — animou-se Kassandra, sacudindo os ombros e recuperando o bom humor.
As duas deixaram o quarto e caminharam juntas até a ampla sala de jantar rústica da mansão.
A luz suave e dourada da manhã despistava a penumbra da madrugada, filtrando-se delicadamente pelas frestas da cortina do quarto.Henry despertou primeiro, sentindo o corpo perfeitamente relaxado. Ao virar o rosto com cuidado, percebeu que Annaluz dormia profundamente aninhada ao seu lado, com a cabeça repousada diretamente sobre o seu ombro e uma das pernas jogada frouxamente por cima da dele, num abraço possessivo e inconsciente.Ele permaneceu imóvel por longos minutos, apenas olhando para ela com uma ternura avassaladora a brilhando em seus olhos verdes.— Tão linda... — pensou ele consigo mesmo, e um sorriso bobo brotando sem permissão. Sentindo o peito aquecer-se de uma forma que nunca experimentou antes.Com movimentos de uma extrema e cuidadosa cautela para não acordá-la, Henry foi se desvencilhando devagar do peso gostoso da perna e dos braços dela. Ajeitou o edredom sobre o corpo de Annaluz, deixando-a aconchegada, levantou-se na ponta dos pés, tomou um banho rápido e desceu
Annaluz ergueu a mão lentamente, os dedos roçando com uma suavidade quase irreal a linha da mandíbula de Henry. O toque leve enviou um arrepio imediato pela espinha dele. Na penumbra do quarto, iluminada apenas pelo brilho dourado e suave que emanava sutilmente da aura de Luke, Henry era incapaz de desviar os olhos dela. Estavam deitados de lado, muito próximos, encarando-se na penumbra, enquanto ele mantinha o braço firme ao redor da cintura dela, num abraço protetor e cheio de carinho, com os dedos fazendo círculos preguiçosos nas costas dela.Com a respiração um pouco mais calma, mas ainda carregada de expectativa, Annaluz quebrou o silêncio com um fio de voz……— Henry... Posso te fazer outra pergunta?Ele sorriu de canto, a voz saindo num murmúrio rouco e acolhedor.— Claro que pode. O que quiser.— Se você me acha bonita desse jeito... — ela hesitou por uma fração de segundo, os olhos brilhando de coragem no escuro — ...se você me vê assim, você me beijaria?Henry parou de respir
O relógio marcava exatamente duas horas da manhã. A madrugada estendia-se fria e silenciosa por toda a casa quando, de repente, Annaluz sobressaltou-se no escuro, acordando de um novo pesadelo com Valentin. O coração disparado, a respiração sufocada e o corpo inteiro tomado por tremores descontrolados não lhe deram margem para hesitar.Sem pensar duas vezes, ela levantou-se da cama às pressas, saiu do quarto na ponta dos pés e caminhou pelo corredor escuro até a porta do quarto de Henry. Girando a maçaneta com extrema suavidade para não fazer ruído, ela entrou. A luz prateada da lua cheia entrava pelas frestas da janela, desenhando sombras suaves no aposento. Henry dormia de bruços. Sem fazer alarde, Annaluz deitou-se na cama atrás dele, envolvendo a cintura firme do rapaz com os braços em um abraço trêmulo e desesperado.Henry despertou instantaneamente ao sentir o toque do corpo dela encostado nas suas costas. Ele tensionou por uma fração de segundo, mas logo reconheceu o cheiro doc
Annaluz vestia apenas a camisa de Henry a mesma peça masculina que usou pela manhã tendo por baixo apenas uma calcinha de renda delicada. Silenciosa, ela desceu as escadas descalça em direção à cozinha para beber um copo d'água, imaginando que Henry ainda não tivesse retornado para casa devido ao horário avançado.Enquanto a água fresca descia por sua garganta, uma lembrança repentina e vívida do café da manhã invadiu sua mente, o instante exato em que virou o corpo e o encontrou parado ali, descalço e sem camisa, exibindo o tronco perfeitamente esculpido.— Ele estava tão... tão... — Annaluz pensou— Gostoso, Annaluz. Diga a verdade — completou Mia de imediato em sua mente, com um tom de puro divertimento.Annaluz arregalou os olhos, balançando a cabeça em negação com veemência.— Mia, o que é isso?! Onde foi buscar essa ousadia toda?Annaluz sobressaltou-se, corando na penumbra da cozinha— Ah, faça-me o favor, Annaluz, não se faça de boba! Você não é cega e muito menos de ferro. O
Annaluz colocou a mão sobre o ombro, exatamente em cima da marca, e sentiu um calor agudo, quase elétrico, correndo pela pele. O coração acelerou na hora. Ela depressa foi até o espelho, puxando a gola da blusa pra examinar melhor. A marca estava lá, mais avermelhada do que antes, um brilho fraco pulsando nas bordas o início inconfundível da queima. A marca de parteira estava indo diretamente para a sua corrente sanguínea.— Droga... Está queimando muito rápido. Muito mais rápido do que o normal — sibilou ela entre os dentes, sentindo o suor frio brotar em sua testa.A voz de Mia invadiu sua mente de imediato, tensa e cortante.— Mas é claro, Annaluz. Você está usando seus dons como se estivesse no maior potencial. Você sabe o que significa se essa marca queimar toda. Lembra da Kassandra.Annaluz sentiu o peito apertar com a lembrança da prima.— Eu sei, Mia. Ela quase perdeu a vida e a sanidade por causa da queima total da marca.A loba resmungou mentalmente, com um amargor profundo
A casa estava envolvida em um silêncio pesado e sufocante, cortado apenas pelo crepitar distante do vento lá fora. Annaluz encontrava-se sozinha no quarto, sentada na beirada da cama, com os braços cruzados contra o peito e o olhar perdido fixo em um ponto qualquer da parede. A mente dela era um turbilhão de pensamentos desconexos, uma confusão exaustiva que parecia esmagá-la por dentro.Foi então que a voz suave e perspicaz de sua loba ecoou diretamente em sua consciência, cortando o nevoeiro mental.— O que foi, Annaluz...? — questionou Mia, com um tom de preocupação e curiosidade cuidadosa. — Você está extremamente estranha e distante desde a hora em que vimos aquela cena do Henry com a Rose na recepção... O que se passa na sua cabeça?Annaluz soltou um suspiro frustrado, fechando os olhos com força, como se quisesse apagar a imagem que teimava em repetir-se em sua mente. Ela respondeu em pensamento, debatendo-se com os próprios sentimentos.— Eu não sei explicar direito, Mia... Po







