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CAPÍTULO 3 — A PROMESSA

Penulis: Gell Pereira
last update Tanggal publikasi: 2026-08-03 20:24:22

A noite caiu.

Annaluz estava usando um vestido preto simples, bonito, o tipo de roupa que a filha do Líder da Asa usaria em uma noite normal. Seus cabelos estavam penteados com cuidado, flores entrelaçadas nas tranças. Ela estava pronta, mesmo que não estivesse de branco.

O ambiente era preenchido pelo aroma reconfortante de manteiga derretida, ervas e pão recém-saído do forno. Demétrio e Nívea já estavam sentados à mesa de madeira maciça. Demétrio ergueu o rosto, trocando um olhar terno com a filha, enquanto Nívea já empurrava uma xícara fumegante na direção de Kassandra com um sorriso afetuoso.

O clima leve e caseiro, contudo, durou pouco.

No meio da conversa animada sobre os preparativos finais para a cerimônia do dia seguinte, o som nítido e agudo da campainha da frente ecoou pela casa. Todos pararam em silêncio na mesa. Segundos depois, passos apressados anunciaram a chegada de Maria, a empregada da casa, que apareceu na entrada da sala de jantar com uma expressão ligeiramente confusa.

— Com licença, senhores... — começou Maria, limpando as mãos no avental. — Senhorita Annaluz, é o príncipe Valentin. Ele está na porta e pediu para avisar que quer falar rapidinho com a senhorita.

Annaluz sentiu o coração dar um salto no peito, a surpresa pintando-se em seu rosto.

— Onde ele está, Maria? Por que ele não entrou?

— Ele ficou no jardim da frente e disse que não queria incomodar e que não vai demorar nada, pois está de passagem — explicou a empregada.

Annaluz assentiu rapidamente, ajeitando a gola da blusa por puro reflexo.

— Certo, obrigada, Maria. Bom, pessoal... — disse ela, olhando para os pais e para a prima com um sorriso meio sem jeito. — Eu vou ali rapidinho ver o que ele quer e já volto para terminar o lanche.

Sem esperar resposta, Annaluz levantou-se da cadeira e caminhou apressada pelos corredores até a porta da frente, empurrando a pesada madeira para fora, em direção à luz dourada do jardim.

Valentin estava de pé junto aos canteiros de flores da entrada, alto, o porte atlético evidente mesmo sob a túnica impecável que denunciava sua linhagem real. Ao ouvi-la se aproximar, ele virou-se, os olhos castanhos quase pretos brilhando, os lábios grossos se abrindo num sorriso largo que iluminou o rosto.

— Annaluz... Como você está? — perguntou ele, dando um passo à frente.

— Bem, Valentin... E você? — respondeu ela, um pouco sem graça com aquela visita inesperada no meio do dia. — A Maria disse que você não quis entrar... Aconteceu alguma coisa? Está com pressa?

— Hoje estou um pouco corrido, sim — admitiu Valentin, aproximando-se o suficiente para que ela sentisse o perfume amadeirado que ele sempre usava. — Só passei por aqui porque senti saudades e vi que estava relativamente perto resolvendo alguns assuntos da corte. Eu precisava muito te ver... Queria te dar um beijo antes da loucura da cerimônia de amanhã.

Antes que Annaluz pudesse formular uma palavra, Valentin inclinou-se com aquela suavidade costumeira e depositou um beijo delicado, rápido e formal... exatamente na sua testa.

Annaluz engoliu seco, sentindo aquela ponta familiar de frustração que teimava em cutucar seu peito, mas forçou um sorriso compreensivo. Valentin continuou, os olhos brilhando com uma intensidade que parecia genuína.

— Amanhã é o seu grande dia, Annaluz. E eu vou te pedir em casamento na frente de todas as nove matilhas reunidas. Quero que o mundo inteiro saiba que você é minha — declarou ele, segurando as mãos dela com firmeza. — Todos vão ver.

Annaluz olhou para ele, o estômago embrulhado pela ansiedade do que aconteceria no salão da cerimônia no dia seguinte. A lembrança do amuleto, do fio vermelho e da conversa com o pai e com a loba interior a sufocou por um segundo.

— Valentin... — começou ela, a voz saindo num sussurro trêmulo. — Eu queria conversar com você sobre... sobre algumas coisas...

Mas Valentin ergueu a mão livre, interrompendo-a com um sorriso terno e apressado, interpretando mal a hesitação dela.

— Shiii... Não precisa dizer nada, meu amor. Eu sei que você está com a cabeça cheia, preocupada com aquela história toda de vínculo de destino da nossa tradição. É exatamente por isso que eu vou te pedir em casamento publicamente, para te provar de uma vez por todas que o que eu quero com você é real, sólido e infinitamente mais forte do que qualquer laço cego de destino.

Annaluz arregalou os olhos levemente, o fôlego faltando.

— Espera... Você pretende me marcar na cerimônia de amanhã também? — perguntou ela, temendo a resposta.

Valentin balançou a cabeça veementemente, soltando uma risada curta.

— Não. De jeito nenhum. Só vou fazer a marcação oficial na nossa noite de núpcias.

Diante da expressão confusa dela, ele segurou o rosto de Annaluz com as duas mãos, olhando fundo nos olhos dela com uma seriedade inesperada.

— Eu quero que você decida por si mesma, Annaluz. Se por acaso amanhã, na hora do amuleto, o seu destino apontar para outro lado... Eu quero que você tenha a liberdade de escolher com o coração. Eu poderia te forçar, poderia te marcar na hora para te prender a mim e impedir que encontrasse o seu verdadeiro destino, mas isso não seria justo com você. Eu não quero uma loba amedrontada ou acorrentada ao meu lado, eu quero merecer o seu amor, o seu respeito e a sua escolha genuína.

As palavras caíram sobre Annaluz como uma chuva de água morna, desarmando completamente qualquer argumento crítico que ela tivesse preparado. Os olhos dela marejaram de gratidão e confusão misturadas.

— Puxa, Valentin... — murmurou ela, a voz embargada. — Eu... eu nem sei o que te dizer depois disso.

— Não precisa dizer nada agora. Apenas diga "sim" para mim amanhã na frente de todos — pediu ele, abrindo um sorriso doce que fez o peito dela apertar. — Esse seu sorriso é a coisa mais linda do mundo, sabia?

Um rubor quente subiu pelas bochechas de Annaluz. — Obrigada... Obrigada por ser tão bom comigo, Valentin.

— Eu gosto de você de verdade, Luz. Só quero te ver feliz — garantiu ele, dando um passo para trás, já se preparando para partir. — Mas agora eu realmente preciso ir, os deveres da corte me chamam. Nos vemos amanhã à noite na cerimônia. Esteja deslumbrante como sempre.

— Tá bem... Até amanhã — despediu-se ela, com um sorriso.

Valentin inclinou-se mais uma vez, deixando um último beijo formal em sua testa, virou-se com passos firmes e sumiu pela rua, deixando Annaluz parada no jardim, sozinha com o eco daquelas palavras ressoando em sua mente.

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