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POV Jenny
Encarei meu reflexo enquanto prendia o cabelo diante do espelho. Fazia aquilo todos os dias e, de algum jeito, acabava sempre voltando à mesma pergunta. Como será que ela era? Minha mãe. A humana que fez o poderoso Alfa Eirik Ashcroft perder completamente a cabeça. Ou, como eu preferia pensar nos meus dias menos pacientes… Perder a porra da cabeça a ponto de não conseguir manter o pau dentro das calças. Sorri de canto. O sorriso desapareceu quase tão rápido quanto surgiu. Meu pai morreria se me ouvisse falando desse jeito. Mas, sinceramente, se alguém tinha esse direito, era eu. Afinal, quem carregava as consequências daquele breve romance era eu. Inclinei a cabeça, observando meu reflexo. Meu cabelo nunca fez sentido. Era um loiro frio, quase prateado, uma cor que eu jamais tinha visto em ninguém. Nem entre humanos. Nem entre lycans. Sempre que saía, acabava reparando nas mulheres ao meu redor. No mercado, na rua, na universidade… procurava aquela mesma tonalidade, como se encontrá-la pudesse responder todas as perguntas que meu pai nunca respondia. Às vezes, eu me perguntava se não era justamente por isso que nunca conseguia deixar de procurar minha mãe no rosto de mulheres desconhecidas. Será que ela vinha de outro país? Ou eu simplesmente estava tentando encontrar lógica onde nunca existiu? Meu pai não gostava de falar sobre ela. Quando eu era pequena, ainda inventava algumas histórias. Dizia que ela era bonita, que ria fácil e que tinha me amado desde o instante em que descobriu a gravidez. Eu acreditava em cada palavra. Até crescer o bastante para perceber quando ele mentia. Depois disso, simplesmente parou de tocar no assunto. Talvez porque soubesse que eu já conseguia enxergar a verdade antes mesmo de ele terminar uma frase. Crescer rejeitada pela alcateia teve um efeito curioso na minha infância. Enquanto as outras crianças corriam umas atrás das outras, eu passava o tempo seguindo meu pai para todos os lados. Não era porque ele era o Alfa. Era porque ele era o único que nunca olhava para mim como se eu fosse um erro. E, durante muito tempo, isso bastou. Até eu entender que o amor dele nunca conseguiria responder à única pergunta que me acompanhava desde que aprendi a pensar. Quem era a mulher que me deu essa maldita cor de cabelo? Será que, se minha mãe tivesse sobrevivido ao parto, ela teria escolhido ficar comigo? Mesmo sabendo que eu era uma lycan. Ou teria me levado para o mundo humano? Eu teria crescido longe da alcateia? Longe dos olhares de pena. Dos cochichos. Da rejeição. Será que teria conhecido o meu companheiro destinado? Ou viver entre humanos teria me poupado da humilhação de encontrar o homem que nasceu para mim… Só para descobrir que ele preferia fingir que eu nunca existi. Soltei o ar devagar. Bom… Eram perguntas que jamais teriam resposta. Olhei para o relógio sobre a cômoda. — Merda. Já estava atrasada. Ajustei o corpete preto, conferi se a calça de couro estava no lugar e calcei as botas de cano alto. Era um visual que combinava perfeitamente com o lugar onde eu passava boa parte das minhas noites. Pelo menos trabalhar era a única parte da minha vida que eu realmente controlava. Durante algumas horas, eu deixava de ser a filha rejeitada do Alfa, a lycan sem companheiro e a garota que nunca conheceu a própria mãe. Eu era apenas Jenny. Parei diante da porta ao lado e bati duas vezes. — Elara! Bora! A gente tá atrasada! O Jeff vai matar a gente! Nosso chefe odiava atrasos. — Já tô indo! — ela respondeu do outro lado. Poucos segundos depois, a porta se abriu. Elara apareceu terminando de calçar uma das botas, completamente despreocupada. O que mais chamava atenção, como sempre, era o cabelo. As mechas coloridas agora misturavam um roxo vibrante com azul elétrico, como se ela tivesse roubado um pedaço do céu ao entardecer. Sorri de canto. — Hum… gostei. Hoje resolveu combinar roxo e azul? Ela passou a mão pelos fios com um sorriso convencido. — O que eu posso dizer? Eu tenho um dom. Soltei uma risada. — Tem mesmo. Só não abusa da sorte. O Jeff gosta da gente, mas atraso continua sendo atraso. Elara deu de ombros. — Relaxa. Você sabe que o Jeff ama a gente. Balancei a cabeça enquanto trancava a porta do apartamento. — É… mas eu prefiro não descobrir até onde vai a paciência dele. Elara riu, entrelaçou o braço no meu e começamos a descer as escadas do prédio. — Ah, falando nisso… — comentou enquanto prendia uma mecha azul atrás da orelha. — Ouvi dizer que teve confusão perto da fronteira da floresta. Uns renegados atravessaram a barreira essa madrugada. Soltei um suspiro cansado. — O que eu posso dizer? Esses lycans só sabem dar problema. Elara arqueou uma sobrancelha. — Você sabe que você também é uma lycan, né? Olhei para ela com um sorriso torto. — Meia. Ela riu. — Continua sendo. Dei de ombros. — Prefiro acreditar que herdei só a parte humana. Elara me lançou um olhar divertido. — Seu pai teria um infarto se escutasse isso. Sorri. — Mais um motivo pra eu não falar na frente dele. As duas rimos enquanto saíamos de casa. Naquele momento, eu ainda acreditava que aquela seria apenas mais uma noite de trabalho.POV Emma A primeira coisa que senti foi a dor. Quando minhas presas se cravaram no pescoço de Liam, meu corpo reagiu antes que eu pudesse compreender o que estava fazendo. Meu. A voz da minha loba ecoou na minha mente, carregada de uma certeza tão absoluta que me deixou atordoada. Meu companheiro. Meu Liam. Mas, por trás daquela euforia instintiva, havia outra parte de mim. A parte que ainda conseguia pensar. A parte que acabara de perceber o que eu tinha feito. Meu Deus. Eu tinha marcado Liam. E se ele não quisesse aquilo? E se eu tivesse estragado tudo? O pânico me atingiu com tanta força que me afastei, arfando, incapaz de compreender como minha loba podia estar tão feliz enquanto minha cabeça parecia prestes a explodir. Liam me olhou imediatamente. — Ei, querida. Olhe para mim. Eu não sabia o que dizer. Meu coração batia tão depressa que parecia querer escapar do peito. — Emma… Ele tocou meu rosto com delicadeza, acariciando minha bochecha. — Você não fez nada
POV Liam — Desculpa, querida. Eu sei, eu sei. Eu sabia que ela estava sentindo dor. Senti o corpo de Emma se encolher inteiro sob o meu, cada músculo ficando tenso de uma só vez. Então, antes que eu pudesse assimilar completamente sua reação, suas presas se cravaram no meu pescoço. Exatamente onde ficava a marca dos companheiros. Meu corpo inteiro estremeceu. Um choque atravessou meu peito, tão intenso que perdi o fôlego. A sensação percorreu minha coluna, alcançando cada terminação nervosa, como se um raio tivesse acabado de atingir meu corpo. Meu lobo rugiu dentro de mim. O vínculo explodiu em uma intensidade que eu nunca havia experimentado. Por um instante, não consegui distinguir onde terminava a minha própria consciência e começava a dele. Minha. A palavra ecoou na minha cabeça. Minha companheira. Minha Emma. O vínculo entre nós parecia pulsar sob a minha pele, vivo, poderoso, impossível de ignorar. E então ela se afastou. Abri os olhos e a encontrei arfando dian
POV Emma Liam começou a se erguer diante de mim, agigantando-se sobre meu corpo, e acompanhei o movimento com os olhos, sentindo meu coração acelerar ainda mais. — Você tem o gosto que eu achei que teria, querida. Meu rosto esquentou imediatamente. Eu queria responder alguma coisa, qualquer coisa, mas as palavras simplesmente desapareceram. Baixei os olhos por um instante, sentindo até as orelhas queimarem de vergonha. Liam sorriu. Quando voltei a olhar para ele, encontrei seus olhos azulados, quase violeta, brilhando de um jeito diferente. Ele passou a língua lentamente sobre os lábios, e meu coração deu uma batida descompassada. Liam ergueu a mão e afastou delicadamente alguns fios que haviam caído sobre meu rosto, acomodando-os atrás da minha orelha. Quando percebeu que eu continuava vermelha, soltou uma risadinha. — Você é linda, Emma. Engoli em seco, apertando os lábios na tentativa inútil de esconder meu sorriso tímido. Ele continuou sorrindo, acariciando meu rosto co
POV Dante Assim que cheguei ao território humano, peguei meu celular para avisar que estava ali. Foi quando percebi. Ela tinha bloqueado meu número. Fiquei encarando a tela por alguns segundos, esperando que aquilo fizesse algum sentido diferente se eu olhasse por mais tempo. Não fez. — Filha da… Interrompi o xingamento, passando a mão pelo rosto. Sério, Elara? Era isso que ela queria? Simplesmente me bloquear e fingir que eu não existia? Uma parte de mim queria ligar de outro número. Outra queria voltar para o território Lycan e fingir que aquela mulher não tinha conseguido entrar na minha cabeça. Mas, por algum motivo, acabei fazendo o contrário. Fui até a casa dela. Não sei exatamente o que esperava encontrar. Talvez Elara sentada no sofá, talvez uma oportunidade de conversar, talvez apenas uma explicação que me fizesse parar de pensar naquela maldita tela. Só que ela não estava lá. Fiquei parado diante da porta por alguns segundos, com as mãos na cintura, tentando d
POV Emma Liam inclinou a cabeça, observando meu rosto com uma expressão satisfeita, como se já soubesse exatamente o que eu estava prestes a responder. — Você quer que eu pare, Emma? A pergunta saiu baixa, carregada de uma provocação que me fez sentir o rosto esquentar ainda mais. Eu poderia ter respondido. Apenas neguei com a cabeça. O sorriso dele mudou. Tornou-se lento, predatório, daqueles que faziam meu estômago se contrair e minha loba praticamente se jogar contra as paredes da minha mente. Liam aproximou a boca do meu ouvido. — Ótimo, porque hoje não estou nem um pouco disposto a parar. Um arrepio percorreu minha espinha. Antes que eu conseguisse formular qualquer resposta, ele voltou a me beijar. Seus lábios encontraram os meus com uma intensidade que me fez esquecer a reclamação que eu pretendia fazer. Segurei seus ombros, tentando acompanhar o ritmo dos beijos, mas Liam parecia conhecer cada reação minha antes mesmo que eu a percebesse. Quando ele se afastava po
POV Genevieve Kaellen abriu a boca para dizer alguma coisa quando ouvimos batidas na porta. — Entre! — autorizou. O curandeiro entrou no quarto, e eu já sabia que não encontraria nada nos exames. O que havia acontecido comigo estava relacionado ao toque de Leonora. Eu tinha certeza disso, mesmo sem compreender exatamente o que aquela mulher havia despertado em mim. — Alfa, em breve teremos mais um pequeno Draven nesta mansão! — anunciou o curandeiro, com uma animação que me fez desviar os olhos para ele. Franzi a testa. Um pequeno Draven? — Parabéns, Alfa Kaellen! A Luna Genevieve está grávida! Fiquei olhando para ele, completamente perplexa. Grávida? Eu estava grávida? Comecei a fazer contas mentalmente, tentando encontrar alguma lógica naquilo. Aquilo não era possível… ou era? — Não! Isso não é possível! — soltei, olhando para o curandeiro. Ele sorriu, sem perder a tranquilidade. — Ainda é muito recente, Luna, mas os marcadores estão claros. A senhora est







