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O silêncio que veio depois das minhas palavras foi pior do que qualquer grito.
Os cinco estavam diante de mim. Donatello, com aquele olhar frio que fazia homens tremerem. Ângelo, sempre calculista, sempre tentando esconder o que sentia. Miguelito, Roivan e Chunal, os três que pareciam impossíveis de abalar. Mas naquele momento… Eu vi uma coisa que nunca tinha visto antes. Dor. Por alguns segundos, nenhum deles conseguiu responder. Porque pela primeira vez em quatro anos eu não estava ali como a menina que aceitava tudo. Eu não estava usando o vestido que eles escolheram. Não estava sorrindo para agradar. Não estava esperando uma ordem. Eu estava olhando para eles como uma mulher que finalmente tinha entendido o próprio valor. Donatello foi o primeiro a se aproximar. — Você realmente acredita que é isso que você é para nós? Eu ri sem humor. — Não preciso acreditar. Eu vivi isso. Ele parou. Porque aquela resposta machucou mais do que qualquer ameaça. — Eu vivi sendo escondida. Vivi sabendo que, quando a família decidisse, eu seria descartada. Vocês me deram joias, vestidos, proteção… mas nunca me deram um lugar. Ângelo fechou os olhos por um instante. — Não fala assim. — Por quê? Porque dói ouvir? Minha voz falhou, mas eu continuei. — Vocês cinco são os homens mais temidos dessa cidade. Todos abaixam a cabeça quando vocês entram em uma sala. Vocês controlam negócios, pessoas, destinos. Olhei para cada um. — Mas nenhum de vocês teve coragem de enfrentar o próprio pai por mim. Aquilo atingiu os cinco. Porque era verdade. Eles poderiam enfrentar inimigos armados. Poderiam desafiar qualquer homem. Mas dentro daquela família, diante do patriarca, eles ainda eram filhos tentando provar seu valor. Roivan passou a mão pelo rosto, inquieto. — Você acha que foi fácil para nós? Eu olhei para ele. — Não. Eu acho que vocês escolheram o caminho mais fácil. A sala ficou completamente silenciosa. Chunal, que sempre era o mais explosivo, deu um passo à frente. — Você sabe que nós te amamos. Pela primeira vez, meus olhos encheram de lágrimas. — Amor não é só dizer que ama quando estamos sozinhos. Minha voz saiu baixa. — Amor é me escolher quando todo mundo está olhando. Ninguém respondeu. Porque eles sabiam. Durante quatro anos, eu tinha sido a fraqueza dos cinco homens mais perigosos da máfia russa. A única pessoa que conseguia fazê-los sorrir. A única pessoa que entrava no escritório deles sem medo. A única pessoa que tocava neles sem que eles se afastassem. Mas agora eles estavam descobrindo uma coisa pior do que perder uma guerra. Eles estavam descobrindo como era perder a única pessoa que fazia eles parecerem humanos. Donatello segurou minha mão. Dessa vez, sem força. Sem autoridade. Apenas medo. — Eu nunca quis que você se sentisse assim. Eu puxei minha mão devagar. — Mas eu me senti. Ele me encarou. E naquele instante, o homem que todos chamavam de monstro parecia apenas alguém desesperado. — Então me diz o que fazer. A pergunta surpreendeu todos. Porque Donatello nunca perguntava. Ele ordenava. Mas comigo… Ele estava pedindo. Eu respirei fundo. — Pela primeira vez na vida… escolham. Olhei para os cinco. — Não escolham por medo do pai de vocês. Não escolham pelo nome da família. Não escolham pelo poder. Uma lágrima caiu. — Escolham se eu sou realmente a mulher que vocês dizem amar. E saí daquela sala. Pela primeira vez em quatro anos… Eu deixei os cinco mafiosos russos para trás. E eles ficaram ali, parados. Cinco homens que ninguém conseguia derrotar. Mas que tinham acabado de perceber que a única pessoa capaz de destruí-los… sempre foi a mulher que eles juraram proteger.Assim que a ligação terminou.Mira permaneceu alguns segundos olhando para a tela apagada do celular.Um pequeno sorriso apareceu em seu rosto.A saudade apertava.Mas ela também sentia orgulho deles.Eles estavam cumprindo o dever que sempre tiveram.Ela apoiou o celular sobre a mesa de cabeceira.A dona Célia entrou no quarto logo depois.— Eles ligaram?Mira sorriu.— Ligaram.— Disseram que não conseguem voltar hoje.A senhora aproximou-se da cama.— Ficam preocupados com você o tempo todo.Mira olhou para a porta.— Eu sei...— E eu fico preocupada com eles também.Dona Célia ajeitou o cobertor sobre ela.— Descansa um pouco.— Amanhã será outro dia.Mira apenas assentiu....Enquanto isso...No quartel-general...Os cinco continuavam reunidos na sala de estratégia.Um dos comandantes entrou apressado.— Chefes.— Recebemos novas informações.Donatello levantou os olhos.— Fala.— Encontraram outro galpão abandonado.— Há sinais de que foi usado recentemente.Roivan já pegou o ca
As horas passaram.O quartel-general da organização estava em completo movimento.Homens entravam e saíam sem parar.Rádios transmitiam informações a todo instante.Mapas cobriam a grande mesa da sala de estratégia.Donatello permanecia em pé, observando tudo.— Relatório.Um dos comandantes respondeu imediatamente.— Fechamos todas as rotas de saída.— Ninguém passou pelos bloqueios.Miguelito cruzou os braços.— E as câmeras?— Estamos analisando.Roivan apontou para o mapa.— Dividam as equipes.— Quero buscas simultâneas.— Galpões.— Fazendas.— Portos.— Depósitos abandonados.— Tudo.— Sim, chefe.Ângelo olhava para as fotografias espalhadas sobre a mesa.Ainda pensava no sequestro de Mira.Ainda lembrava do medo que viu nos olhos dela quando contou tudo.Seu maxilar se contraiu.— Eles cometeram um erro.Chunal olhou para ele.— Qual?Ângelo respondeu sem desviar os olhos das fotos.— Acham que continuam invisíveis.— Mas toda organização deixa rastros.Donatello assentiu.— E
Alguns dias depois...A manhã na mansão estava completamente tranquila.O sol atravessava as cortinas do quarto, iluminando o ambiente de forma suave.Mira ainda dormia profundamente.Depois de tudo o que havia passado, seu sono finalmente começava a ficar mais tranquilo.Ela estava deitada entre Chunal e Roivan.Os dois também descansavam depois de mais uma noite cuidando dela.Enquanto isso...No escritório da organização, Donatello, Ângelo e Miguelito analisavam alguns relatórios quando vários celulares tocaram ao mesmo tempo.Miguelito atendeu primeiro.Sua expressão mudou imediatamente.Os olhos ficaram frios.Ele desligou e ligou para Chunal.No quarto...O celular começou a vibrar sobre a mesa de cabeceira.Chunal abriu os olhos rapidamente.Olhou para Mira.Ela continuava dormindo, respirando tranquilamente.Para não acordá-la, pegou o telefone e saiu alguns passos para o lado.— Alô.Do outro lado, a voz de Miguelito estava fria e carregada de tensão.— Deu complicação aqui.
Os dias continuaram passando.A recuperação de Mira era lenta.Muito mais lenta do que qualquer um deles gostaria.Ela já conseguia sentar na cama sozinha por alguns minutos.Mas levantar ainda era difícil.A costela continuava doendo.Os pés ainda tinham pontos.Os joelhos e os cotovelos ainda estavam cobertos por curativos.E, por causa da anemia, qualquer pequeno esforço a deixava cansada.Mesmo assim...Ela nunca ficou sozinha.Todos os dias, logo cedo, Donatello acordava primeiro.Descia até a cozinha.Buscava o café da manhã dela e os remédios.Quando voltava ao quarto, encontrava Mira ainda dormindo.Ele se aproximava devagar.Fazia carinho em seus cabelos.— Bom dia, minha princesa...Ela abria os olhos aos poucos.— Bom dia...Logo depois, Ângelo ajudava Mira a sentar devagar na cama.Toda vez que ela fazia força, reclamava baixinho.— Ai...Ele imediatamente a segurava.— Calma...— Não precisa ter pressa.Enquanto isso, Roivan preparava os comprimidos.Conferia os horários
O dia passou lentamente.Nenhum dos cinco saiu do quarto por muito tempo.Eles ajudaram Mira a almoçar.Deram os remédios nos horários certos.Quando chegou a hora do banho, a levaram com todo o cuidado até o banheiro.Donatello segurava seu corpo para que ela não fizesse esforço.Ângelo trocava os curativos dos joelhos.Roivan refazia os curativos dos cotovelos.Miguelito limpava cuidadosamente os pontos dos pés antes de colocar novas gazes e as meias.Chunal penteava delicadamente os cabelos loiros dela depois do banho.Ela ainda reclamava de dor sempre que precisava se movimentar.Mesmo assim, fazia um pequeno esforço para sorrir para eles.Já era noite.Depois de tomar os remédios, Mira finalmente conseguiu dormir.Os cinco permaneceram ao redor da cama, conversando baixo para não acordá-la.Foi quando...Toc. Toc. Toc.Uma batida na porta fez todos despertarem no mesmo instante.Donatello levantou primeiro.Abriu a porta apenas o suficiente.Era Matheus.— Como a Mira está?Donat
Naquela noite...O quarto estava em completo silêncio.Mira dormia entre eles, coberta até os ombros.O ar-condicionado estava ligado na temperatura mais alta, apenas para deixar o ambiente agradável, exatamente como haviam combinado.Já passava da madrugada quando Mira começou a se mexer inquieta.Ela respirava com dificuldade.Levou a mão devagar até a lateral do corpo.A dor na costela aumentava a cada respiração.Ela apertou os olhos, tentando suportar.Mas não conseguiu.Com a voz fraca, chamou:— Amor...Ninguém ouviu.Ela tentou novamente, um pouco mais alto.— Amor...Os cinco despertaram quase ao mesmo tempo.Ângelo foi o primeiro a abrir os olhos.— Oi, meu amor...Donatello já estava sentado na cama.— O que foi?Os outros também se levantaram imediatamente.Roivan segurou a mão dela.— Está doendo?Mira fez uma careta.As lágrimas começaram a escorrer.— Está...Ela respirou com dificuldade.— Está doendo muito...— A costela...Ela levou a mão ao lado do corpo.— Está que







