Home / Romance / A Melodia dos Alpes / A Melodia dos Alpes

Share

A Melodia dos Alpes

Author: Daiane
last update publish date: 2024-05-28 13:03:48

Naquela manhã, enquanto preparava seu café, Sophie ainda lembrava da canção romântica que ouvira seu vizinho tocar. A melodia havia despertado uma inspiração especial nela. Ao abrir a janela, porém, uma nova surpresa a aguardava, a mesma música começou a tocar novamente.

Estranhando a coincidência, Sophie pensou consigo mesma: "Mas que estranho, novamente de manhã e quando eu abri a janela... Mas devo estar paranóica, isso nada tem a ver comigo, nem conheço ninguém aqui."

Decidida a compartilhar essa experiência, Sophie foi até a Café et Poésie e contou aos seus conhecidos do local o que aconteceu. Ela mencionou a estranheza de ouvir a mesma canção em dois dias seguidos em um local tão silencioso e desconhecido para ela.

Os frequentadores da cafeteria ficaram intrigados com a história de Sophie e começaram a especular sobre o significado por trás da misteriosa música. Alguns sugeriram que poderia ser apenas uma coincidência, enquanto outros levantaram a possibilidade de que poderia haver algo mais,como alguém tentando chamar atenção,quem sabe uma homenagem ou até uma mensagem....

Sophie, curiosa e um pouco assustada, decidiu investigar mais sobre a origem da canção e seu vizinho misterioso,pelo menos saber quem morava naquela casa. Ela pergunta a Alain:-Sabe,o mais curioso é que chamou minha atenção,e depois minha curiosidade ao tocar novamente,eu iniciei um livro inspirada nessa canção,talvez...seja só coisa da minha cabeça,a pessoa só deve gostar da canção.

-Sim senhorita,e talvez nem seja um homem,pode ser uma mulher ou até mesmo um idoso lembrando de tempos idos,respondeu Alain.

Ela convenceu-se com as palavras dele e foi como sempre para casa. Ao chegar,logo alguém b**e a porta, desconfiada ela espia pela janela e percebe ser um entregador de flores,ela abre a porta e agradece,são flores e rosas lindas e o cartão diz: Para uma mulher encantadora que observa os Alpes enquanto escreve.

Sophie sente uma mistura de encanto e medo,afinal pode ser alguém interessado ou também quem sabe,uma brincadeira...como saber!

Ela tranca a casa e espia na janela,nenhum movimento na rua,então se deita e começa a pensar,pode ser apenas alguém gentil,que quer se aproximar,pode ser alguém que já conhece ou já falou nesses días,o fato é que lá no fundo isso tem um certo encantamento...ela não pode negar.

No outro dia Sophie acorda motivada e se deixando levar pelo sonho de um admirador secreto, totalmente envolvida nessa sensação ela volta a escrever,sua história agora é baseada no que sente,o medo e o mistério faz parte,ela já não tinha mais nada tão interessante antes em sua vida, então,não custava pensar positivo,mesmo que não fosse uma amor,era alguém de gosto refinado,um admirador...Sophie se arruma e abre a janela entusiasmada,e então,a canção começa tocar...

ela se envolve naquele sentimento,sente a melodia,sente toda a sua inspiração, olha ao redor mas não tem certeza daonde vem.

Muito tarde para pensar se era certo sentir tudo isso,parece loucura,mas ela estava começando a sentir um amor platônico,não sabe ao certo por quem ,mas sentia... já não importa saber se era alguém brincando com ela,o importante era tentar descobrir quem era... enquanto ela ficava na janela,a música se repetia,o som alto,porém não estridente,só uma melodia que quebrava o silêncio, não estava muito próxima nem muito distante. Ela se deixava levar pelos sentimentos confusos e inspiradores e escrevia muitas e muitas linhas da sua história que agora seria também baseada nos acontecimentos e sentimentos da sua vida.

Ela resolve sair para almoçar e então vê um carro com vidros escuros sair de uma das casas onde suspeita que possa vir a música e talvez ser a casa de seu possível admirador,o carro passa por ela que age normalmente mais ainda um pouco ansiosa e também curiosa com a situação.

Ela resolve então caminhar um pouco pela rua,andando devagar ela fica atrás de um muro com cerca viva e observa algumas casas,uma com uma pessoa pegando a correspondência e retornando rapidamente,o aroma de alimentos sendo preparados e aquela casa específica daonde saiu o carro parecia estar só,até que Sophie vê que alguém lhe espia através de uma das janelas e fecha a cortina vagarosamente..

Confusa,Sophie começa a descer a rua em direção ao restaurante e pensa se devia ter feito isso,pois,pode ter sido mal interpretada observando as casas.No salão principal do buffet ela senta para almoçar e em alguns minutos vê Alain que a enxerga de longe e se aproxima.

-Sempre almoça aqui?, pergunta.

-Com frequência,dotes culinários caseiros não são meu forte!,responde ela sorrindo.

Alain explica que as vezes almoçava fora,as vezes em casa ou na própria cafeteira,mas como estava de folga preferia aquele local.

Sophie questiona se ele só teria aquela profissão ou sonhava com alguma carreira.

-Além de café e poesia o que pode querer um escritor? Brincadeiras a parte estou sempre estudando sim,tanto as letras quanto a arte e a filosofia-diz Alain.

Aquele rapaz tão jovem e tão dedicado a tantas coisas que faziam parte da vida de Sophie lhe parecia encantador,mas,ela sabia que a carência pode ver sentimentos onde não deve,era um jovem de 24 anos, simplesmente sendo gentil com ela, certamente tinha namorada e muitas outras pretendentes.

Enquanto Alain lhe contava as histórias das escritas poéticas das paredes,mesas e louças da cafeteria ela lembrava que já tinha 32 anos,um divórcio e tinha que saber separar gentileza e amizade de sentimentos românticos,além de tudo

já existia algum outro admirador,quem sabe alguém até maduro e interessante,mas a amizade de Alain é tudo que ela não queria perder, difícil encontrar um amigo com tantas afinidades hoje em dia.Eles se despedem e ele diz que tem um compromisso,mas que em todo caso,aguardava a presença dela no outro dia para um poético café,ele pega um táxi e parte enquanto ela decide ficar mais um tempo no local observando e escrevendo em seu próprio celular. Quando olha a rua pelas vidraças do restaurante ela avista uma floricultura e um homem de meia idade que compra um arranjo,ele paga,sai caminhando e passa na frente do restaurante com um arranjo similar ao que ela recebeu no chalé,será que é ele? E será ele a mesma pessoa que ouve aquela canção....?

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • A Melodia dos Alpes   Durante a noite...

    Depois do segundo beijo, nenhum dos dois sentiu vontade de sair dali.Jean não sugeriu outro lugar. Não houve pressa, nem mudança de cenário. Era como se aquele espaço — silencioso, fechado ao mundo, iluminado apenas por luz baixa e pelo reflexo do vidro — tivesse sido criado exatamente para aquele instante.Ele passou o braço ao redor da cintura de Sophie e a puxou para perto, encostando a testa na dela.— Fique — disse apenas.E ela ficou.A adega parecia ainda mais silenciosa agora, como se o tempo tivesse se recolhido por respeito. Jean serviu mais vinho, mas logo as taças foram esquecidas sobre a mesa. Sophie sentou-se no sofá de couro escuro encostado à parede de pedra, e Jean ajoelhou-se diante dela por um instante, apenas para observar seu rosto, como quem grava uma imagem que não quer perder.— Você tem noção do efeito que causa? — ele perguntou, a voz baixa, quase contida.Sophie respirou fundo.— Não… e talvez seja melhor assim.O sorriso dele foi lento, carregado de intenç

  • A Melodia dos Alpes   Um novo Homem

    Sophie caminhou pela rua estreita que serpenteava entre os chalets, seguindo as instruções que Jean havia enviado. A noite caía suave sobre Chamonix, tingindo os telhados de um azul profundo. Ela respirou fundo; o ar frio fazia suas mãos tremerem — não apenas pelo inverno.Quando finalmente chegou ao endereço, estranhou. Não era um restaurante, nem um café. Parecia uma antiga adega, discreta, com apenas uma lanterna iluminando a porta de madeira escura.Ela entrou.O ambiente estava silencioso e acolhedor. Uma mesa apenas. Uma. No centro da sala. E Jean estava ali, de pé, com um sorriso quase tímido… mas não o mesmo sorriso de sempre. Havia algo novo nele — uma confiança tranquila, quase perigosa.— Pensei que teria mais gente — ela disse, num meio riso.Jean se aproximou devagar, como quem não quer assustar um pássaro raro.— Para você? Nunca.Sophie sentiu um arrepio que não veio do frio.— Você não é uma mulher para se levar a lugares barulhentos ou coletivos — ele continuou, puxan

  • A Melodia dos Alpes   Grandes Amigos

    Era dia claro em Chamonix, e o céu azul límpido refletia nos Alpes ainda salpicados de neve. Sophie caminhava lentamente pela rua pacata, sentindo o frio suave da manhã em sua pele. O movimento discreto da cidade contrastava com a sua inquietação.Quando chegou diante do portão da casa misteriosa, o coração bateu mais forte. À luz do sol, a fachada parecia ainda mais inóspita. Portas fechadas, cortinas pesadas bloqueando qualquer indício de vida, o jardim malcuidado apesar do valor da propriedade. Tudo transmitia uma estranha sensação de abandono — e, ainda assim, ela tinha certeza de que havia movimento ali dentro.O vento da montanha passava pelas frestas das janelas, provocando pequenos estalos nas madeiras e estremecendo as venezianas. A rua estava quase vazia, apenas uma bicicleta encostada na esquina e um gato atravessando preguiçosamente a calçada.E pensar que tantas vezes acreditei ouvir a música vindo daqui… — refletiu Sophie, apertando o cachecol contra o peito. — Mas como?

  • A Melodia dos Alpes   Descobertas ao Acaso

    Após um dia tenso e uma noite difícil após a discussão com Alain,Sophie decide ir relaxare vai até um restaurante mais distante e onde teria mais privacidade,a noite a chamava para beber um pouco sozinha enquanto decidia sobreseus próximos dias que teriam que ser decisivos sobre seu trabalho e sua vida de forma definitiva.Sophie já estava na terceira taça de vinho quando percebeu que sua mente continuava girando em círculos, incapaz de encontrar respostas. O restaurante era mais movimentado que o habitual para aquela noite, e o burburinho das mesas se misturava ao som discreto de um piano ao fundo.Foi então que a conversa na mesa ao lado começou a se destacar, como se as palavras fossem cuidadosamente escolhidas para atravessar o ar e alcançá-la. Um grupo de cinco pessoas — três homens e duas mulheres — fumavam, riam alto e se revezavam nas histórias, entre goles de vinho e pratos já esquecidos.— O comércio de Chamonix está mudando muito — dizia um homem de cabelo grisalho, ace

  • A Melodia dos Alpes   Palavras Amargas

    O tempo parecia não passar dentro do chalé. Sophie andava de um lado para o outro, os pensamentos agitados como folhas ao vento.A conversa com o homem naquela manhã ecoava como um sussurro persistente em sua mente. O rosto dele, as palavras escolhidas, a menção ao nome de Alain, ainda que superficial... Tudo deixava nela um rastro de incerteza.Será que Alain sabia?Será que tudo aquilo era real? Ou parte de algo mais cruel do que ela imaginava?Ela suspirou, tentando se convencer de que estava sendo paranoica. Mas a ansiedade era teimosa. Sentia-se inquieta, como se o chão sob seus pés não fosse mais firme.O tempo corria devagar até que...Três batidas suaves na porta.O coração de Sophie acelerou. Ela sabia. Sentiu.Era ele.Abriu a porta devagar, e lá estava Alain — com o mesmo sorriso caloroso de sempre. Os olhos claros brilharam ao vê-la, e num gesto natural e urgente, ele a puxou para um beijo demorado, com gosto de saudade.Sophie correspondeu... mas algo dentro dela não perm

  • A Melodia dos Alpes   O Observador

    Sophie acorda sentindo saudade de passear pela cidade, ir à padaria e ao mercado, tentando manter os pensamentos longe dos problemas... Mas sua energia positiva dura pouco.Enquanto faz compras, ela percebe que está sendo seguida por um homem. Ele entra nos mesmos corredores e disfarça muito mal. Ao se aproximar do setor de floricultura, Sophie o observa procurando por ela com o olhar. Fingindo não notar, ela permanece ali, esperando que ele se aproxime. Quando ele finalmente a encara, sorri e acena com a cabeça, como se estivesse cumprimentando-a.Sophie olha em volta, desconfiada, à procura de um segurança. Nesse momento, ele diz:— Não tenha medo, senhorita. Eu queria justamente falar com você...Ela estranha.— Comigo?— Sim. Sou um bom profissional e quis ser notado hoje.— Estou confusa...— Imagino. Mas já faz algum tempo que quero falar com você.Mil pensamentos invadem a mente de Sophie. Quem seria aquele homem, afinal?— Se você aceitar, podemos tomar um café. Com todo respe

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status