FAZER LOGINDurante sete anos, Alina Vilar acreditou que seu relacionamento com Gael Armani era uma história de amor capaz de enfrentar qualquer diferença social. Ela suportou o desprezo da poderosa família Armani e os olhares de superioridade da alta sociedade porque confiava nas promessas do homem que amava. Tudo desmorona quando, às vésperas do casamento, Alina descobre uma verdade cruel: seu namoro nunca passou de uma aposta. Gael sempre esteve destinado a se casar com Serena Bastos, herdeira de um grupo rival, em um acordo que uniria duas fortunas bilionárias. Humilhada e sem ter para onde ir, Alina recebe uma proposta inesperada de Donatella Armani, a matriarca da família: casar-se por um ano com seu neto mais velho, o reservado e enigmático Caetano Armani. Em troca, ela receberá dinheiro suficiente para salvar a vida de sua avó e recomeçar. Mas esse casamento não é apenas um contrato. Existe uma antiga cláusula que pode decidir quem herdará o império Armani, e alguém está disposto a fazer qualquer coisa para colocar as mãos nessa fortuna. Enquanto Gael percebe que perdeu a única mulher que realmente o amou, Alina se vê presa em uma guerra de poder, mentiras e segredos. E, quanto mais se aproxima de Caetano, mais ela descobre que seu encontro com a família Armani talvez nunca tenha sido obra do destino.
Ver maisAlina Vilar parou diante do enorme espelho do ateliê e observou o vestido azul-marinho que usava. Não era um modelo de alta-costura, nem havia custado uma fortuna, mas caía perfeitamente sobre seu corpo. Ela mesma havia feito pequenos ajustes na barra durante a madrugada, entre um restauro e outro das pinturas que precisava entregar.
Passou a mão pelo tecido e sorriu.
Naquela noite, tudo mudaria.
Depois de sete anos de namoro, Gael finalmente a apresentaria oficialmente à família Armani. Não como a garota humilde por quem o herdeiro bilionário havia se apaixonado, mas como sua futura esposa.
O celular vibrou sobre a bancada coberta por pincéis e potes de tinta.
Gael: "Já estou chegando. Não fica nervosa. Minha avó vai adorar você."
Alina riu sozinha.
Respondeu apenas com um coração e guardou o aparelho na bolsa. Conhecia Gael melhor do que qualquer pessoa. Sabia que ele estava ansioso. A família Armani jamais aprovou o relacionamento dos dois. Para eles, uma restauradora de obras de arte, criada pela avó em um pequeno apartamento no centro da cidade, não era digna de carregar o sobrenome deles.
Mas Gael sempre a defendia.
Sempre.
A porta do ateliê se abriu e dona Ester entrou apoiada na bengala. O cabelo branco estava preso em um coque impecável, e o avental florido denunciava que havia abandonado o jantar no meio para ver a neta.
— Você ainda está aqui? Pensei que já tivesse ido.
Alina caminhou até ela e segurou suas mãos.
— Estou esperando o Gael. Ele insistiu em me buscar.
A senhora a observou por alguns segundos antes de ajeitar uma mecha de cabelo atrás da orelha da neta.
— Você está linda. Sua mãe ficaria orgulhosa.
Os olhos de Alina se encheram de lágrimas.
— A senhora acha mesmo que eles vão me aceitar?
Dona Ester soltou um suspiro baixo.
— Eu acho que um homem que ama uma mulher enfrenta o mundo por ela. Se esse rapaz realmente merece você, a opinião da família dele não vai importar.
A buzina de um carro ecoou na rua.
Alina se inclinou e beijou a testa da avó.
— Vou voltar tarde. Não me espera acordada.
— Eu só vou dormir quando ouvir você abrir aquela porta.
Ela saiu do ateliê com o coração acelerado. Do outro lado da rua, um sedã preto luxuoso estava estacionado. Gael desceu assim que a viu.
Alto, elegante e impecavelmente vestido, ele abriu um sorriso que ainda tinha o poder de desarmá-la.
— Você está deslumbrante.
— Está dizendo isso porque me ama.
— Não. Estou dizendo porque é verdade.
Ele segurou sua mão e depositou um beijo delicado em seus dedos.
— Pronta?
— Acho que nunca vou estar.
Gael abriu a porta do carro para ela.
Durante o caminho, tentou distraí-la contando histórias sem importância sobre reuniões da empresa e discussões entre os executivos do Grupo Armani. Alina fingia ouvir, mas sua mente estava ocupada imaginando como seria conhecer a família que, durante sete anos, a manteve à distância.
O carro atravessou os portões de uma das mansões mais impressionantes da cidade.
Jardins impecáveis, fontes iluminadas e dezenas de carros importados ocupavam a entrada principal.
Alina franziu a testa.
— Achei que seria apenas um jantar.
Gael desviou o olhar.
— Minha avó resolveu transformar a noite em uma pequena recepção. Nada demais.
Nada demais.
Havia jornalistas na entrada.
Fotógrafos.
Empresários conhecidos.
Mulheres usando joias que provavelmente custavam mais do que o apartamento onde ela morava.
Ela apertou a mão de Gael.
— Tem certeza de que eu deveria estar aqui?
Ele sorriu.
— Você pertence a este lugar mais do que imagina.
Assim que entraram, um mordomo anunciou a chegada dos dois. Algumas pessoas se viraram para observá-los. Alina tentou ignorar os cochichos e os olhares curiosos.
Foi então que percebeu uma mulher parada no centro do salão.
Alta, deslumbrante, usando um vestido branco bordado à mão. Os cabelos dourados caíam sobre os ombros, e o sorriso confiante parecia dizer que ela era a dona daquele lugar.
A mulher caminhou na direção deles.
Mas não parou diante de Alina.
Parou diante de Gael.
E, sem qualquer hesitação, envolveu o pescoço dele com os braços.
— Você demorou — disse ela, antes de beijá-lo no rosto com intimidade.
Alina congelou.
Olhou para Gael, esperando que ele a afastasse. Que dissesse quem ela era. Que explicasse aquele absurdo.
Mas ele apenas permaneceu em silêncio.
— Gael... — a voz de Alina saiu quase como um sussurro. — Quem é ela?
Antes que ele pudesse responder, uma senhora elegante desceu a escadaria principal. O salão inteiro ficou em silêncio.
A matriarca dos Armani abriu um sorriso satisfeito e ergueu uma taça de champanhe.
— Senhoras e senhores, agradeço a presença de todos nesta noite tão especial. Depois de tantos anos de espera, minha família finalmente tem a honra de anunciar a união entre meu neto, Gael Armani... e a adorável Serena Bastos.
O mundo de Alina parou.
Os aplausos ecoaram pelo salão como golpes.
Ela olhou para Gael, incapaz de compreender.
— O que ela está dizendo?
Ele continuava imóvel.
— Gael... fala comigo.
Serena segurou a mão dele e exibiu, diante de todos, um anel de diamantes que brilhava sob as luzes do lustre.
— Acho que ela ainda não sabe.
Alina sentiu o coração disparar.
— Não sei... o quê?
Serena inclinou a cabeça, analisando-a com um sorriso quase piedoso.
— Que você nunca foi a noiva dele.
Você era apenas a aposta.
A mensagem permaneceu gravada na parede."O verdadeiro inimigo acaba de entrar no santuário."Alina sentiu um frio percorrer o corpo.Caetano imediatamente se colocou ao lado dela.— Onde está Otávio?Ninguém respondeu.Laura já corria em direção à passagem por onde as marcas de sangue desapareciam.— Fechem todas as saídas!Os agentes se espalharam pela câmara.Helena permaneceu imóvel diante da inscrição.Samuel observava a porta fechada.Nicolas parecia perdido em pensamentos.— Ele não foi levado.Todos olharam para ele.— Como sabe? — perguntou Laura.Nicolas apontou para as marcas no chão.— O sangue começa aqui.Não há marcas de arrasto.Não há pegadas diferentes.Não há sinais de luta.Ele olhou para a porta lateral.— Otávio saiu andando.Caetano franziu a testa.— Ferido?— Talvez.Ou fingindo estar.Laura imediatamente compreendeu.— Uma encenação.Nicolas assentiu.— Ele queria que acreditássemos que alguém o levou.Alina sentiu o estômago revirar.— Mas quem?Nicolas olho
A última frase da mulher caiu sobre a câmara como uma sentença."O Arquivo não aceitará a guardiã. E poderá destruir ambos."Alina sentiu os dedos de Caetano apertarem os seus.Ele não recuou.Não tentou soltá-la.Nem procurou uma saída.Apenas permaneceu ao lado dela.A mulher de cabelos grisalhos observava os dois com atenção.— Você não precisa aceitar esse destino.Caetano respondeu antes que Alina pudesse falar.— Eu não estou aqui por causa do destino.A mulher ergueu uma sobrancelha.— Então por quê?Ele olhou para Alina.— Porque escolhi ficar.A resposta provocou um silêncio profundo.Alina sentiu os olhos arderem.Depois de tudo o que haviam enfrentado, aquela frase simples significava mais do que qualquer declaração grandiosa.A mulher desviou o olhar.— É justamente isso que será testado.Os seis descendentes permaneceram ao redor do mosaico.Cada um ocupava uma posição correspondente a uma das antigas famílias.Alina reconheceu alguns símbolos.Outros permaneciam desconhe
O sorriso de Otávio fez o sangue de Alina gelar.Durante alguns segundos, ninguém se moveu.Nem mesmo os homens do Conselho.Todos pareciam presos àquela revelação.Otávio continuava parado atrás deles, com as mãos tranquilamente cruzadas à frente do corpo.Não havia pressa em seus movimentos.Não havia medo.Era como se tivesse esperado aquele instante durante anos.Laura foi a primeira a reagir.Levantou a arma e apontou diretamente para ele.— Afaste-se de todos.Otávio soltou uma pequena risada.— Ainda acredita que pode controlar esta situação?— Eu posso prender você.— Pode tentar.Caetano se posicionou diante de Alina.— Não chegue perto dela.Otávio observou o gesto.Seu sorriso aumentou.— É exatamente isso que eu esperava de você.O protetor.O homem disposto a morrer por uma mulher que nem imagina o tamanho do poder que carrega.Alina sentiu a raiva superar o medo.— Você sabia de tudo.Otávio olhou para ela.— Quase tudo.— Você sabia sobre minha mãe?— Sim.— Sobre Loren
A voz continuava ecoando pela câmara.— Seu sangue... ou o homem que ama.Alina ficou imóvel.Por alguns segundos, o barulho dos disparos pareceu desaparecer.Só conseguia ouvir o próprio coração.Caetano segurou sua mão com força.— Não escute o que ele está dizendo.Ela virou o rosto.— Ele quer que eu escolha você.— Então não escolha.A resposta veio sem hesitação.Alina franziu a testa.— O quê?— Não dê a ele o que está pedindo.Caetano olhou diretamente para ela.— Ele quer controlar sua decisão. Se escolher qualquer uma das opções que ele ofereceu, estará jogando pelas regras dele.Alina respirou profundamente.Era exatamente isso.O inimigo não queria apenas o Arquivo.Queria vê-la quebrar.Queria transformar o sentimento que existia entre ela e Caetano em uma arma.Laura disparou contra dois homens que tentavam avançar pelo corredor.— Protejam a porta!Os agentes se posicionaram atrás das colunas.Os invasores não pareciam interessados em enfrentar todos eles.Avançavam em






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