LOGINO investigador recebeu a informação pelo rádio e fechou a porta da sala administrativa.— Ninguém sai daqui até confirmarmos quem ainda está na propriedade.Caetano se aproximou.— Daniel está bem?— Está consciente. A equipe médica está examinando um ferimento na cabeça e escoriações no braço. Ele afirma que foi agredido perto da passagem de serviço.Alina apertou a mão do marido.— Ele disse quem o atacou?— Ainda não temos um depoimento formal. Mas mencionou um nome.O investigador consultou o telefone.— Sérgio Bastos.Caetano franziu a testa.— Não conheço ninguém com esse nome.Júlia, que permanecia ao lado da mesa, empalideceu.— Eu conheço.Todos olharam para ela.— Sérgio é o coordenador operacional contratado para supervisionar os fornecedores do casamento.Alina sentiu o estômago contrair.— Ele estava aqui durante toda a cerimônia?Júlia assentiu.— Desde ontem. Foi responsável pela montagem, pela distribuição das credenciais e pela conferência das equipes.Caetano olhou p
Alina ainda estava nos braços de Caetano quando alguém bateu à porta da suíte.Três batidas rápidas.Depois, silêncio.Caetano afastou-se ligeiramente.— Deve ser algum funcionário.Alina olhou para o relógio.Passava da meia-noite e meia.— A essa hora?Antes que ele respondesse, ouviram outra sequência de batidas.— Senhor Armani? É Júlia, a organizadora. Preciso falar com vocês. É urgente.Caetano pegou o paletó e abriu a porta.Júlia estava pálida.— Desculpem interromper, mas tivemos um problema sério.Alina se aproximou.— O que aconteceu?A organizadora segurava um tablet.— O sistema de armazenamento da equipe de fotografia recebeu uma solicitação de acesso externo. Alguém tentou baixar os arquivos da cerimônia usando uma credencial temporária.Caetano franziu a testa.— A equipe de Gustavo Leal não foi impedida de entrar?— Foi. Mas a credencial utilizada pertence a um fornecedor que estava autorizado a trabalhar no evento.Alina sentiu o estômago contrair.— Conseguiram aces
Faltavam vinte minutos para Alina entrar na cerimônia quando Helena apareceu à porta do quarto.O vestido já estava ajustado. A maquiagem estava pronta, e Teresa acabara de prender o pequeno broche de pérola na parte interna do buquê, onde apenas Alina poderia vê-lo.Helena, porém, não sorria.— Filha, precisamos conversar.Alina percebeu imediatamente.— O que aconteceu?A mãe fechou a porta.— Há um homem na entrada da propriedade dizendo que foi convidado por Alberto Armani.Alina franziu a testa.— Quem?Helena hesitou.— Gustavo Leal.O nome fez Alina apertar o buquê.Era o consultor de comunicação que havia recebido de Bianca Ferraz a fotografia do pedido de casamento e a repassado ao perfil de notícias.— O que ele está fazendo aqui?— Disse que foi contratado para registrar a cerimônia e preparar um comunicado para a imprensa.Alina ficou alguns segundos sem responder.— Nós não contratamos ninguém para isso.— Eu sei.Ela colocou o buquê sobre a penteadeira.— Caetano sabe?H
Caetano permaneceu diante da porta do apartamento de Alberto por alguns segundos antes de tocar a campainha.Alina percebeu sua hesitação.— Está nervoso?Ele olhou para ela.— Um pouco.— Por causa do objeto?Caetano assentiu.— Meu pai disse que encontrou algo da minha mãe que gostaria que eu usasse no casamento. Não consigo imaginar o que seja.Alina segurou sua mão.— Não precisamos decidir nada hoje.Ele sorriu.— Eu sei.A porta se abriu.Alberto apareceu com uma expressão acolhedora.— Entrem. Estava esperando vocês.A sala estava iluminada pela luz da manhã. Sobre a mesa de centro havia uma caixa comprida, de madeira escura, que Caetano reconheceu imediatamente.Era uma das caixas utilizadas pela mãe para guardar objetos pessoais.Ele parou.— Onde encontrou isso?Alberto acompanhou seu olhar.— No armário do antigo quarto dela. Estava dentro de uma mala que mandei trazer da casa de campo.Caetano se aproximou lentamente.— Achei que aquela mala tivesse sido esvaziada há muito
Alina acordou com o som de chuva contra as janelas.Ainda estava deitada quando percebeu que Caetano não se encontrava ao seu lado. O travesseiro dele estava vazio, e a porta do quarto permanecia entreaberta.Olhou para o anel em seu dedo e sorriu.Estava noiva.A palavra ainda provocava uma sensação agradável, quase difícil de explicar. Não se tratava apenas da promessa de casamento, mas da certeza de que aquela decisão havia nascido de uma escolha livre.Levantou-se, vestiu um robe e desceu.Encontrou Caetano na biblioteca, diante de um calendário aberto sobre a mesa.— Está planejando uma aquisição? — perguntou.Ele ergueu o rosto.— Algo consideravelmente mais importante.Alina se aproximou e observou as anotações.— Nosso casamento?— Nosso casamento.Ela passou os braços ao redor de seu pescoço.— Você acordou cedo para escolher uma data?— Acordei cedo porque fiquei pensando no que você disse ontem.— Sobre decidirmos juntos?Caetano assentiu.— E percebi que, se deixarmos noss
Alina ainda estava admirando o anel de noivado quando o telefone começou a tocar.Era Helena.— Minha filha, você tem alguma coisa para me contar?Alina olhou para Caetano, que estava preparando café na cozinha.— Talvez.Helena soltou uma exclamação.— Teresa disse que viu uma fotografia sua usando um anel!Alina ficou imóvel.— Que fotografia?— Uma imagem publicada há poucos minutos em um perfil de notícias da cidade. Você e Caetano aparecem no jardim da casa. Ele está ajoelhado diante de você.O sorriso desapareceu do rosto de Alina.— Mãe, nós não publicamos nenhuma fotografia.Caetano percebeu imediatamente a mudança em sua expressão.Aproximou-se.— O que aconteceu?Alina colocou a ligação no viva-voz.Helena repetiu a informação.Caetano pegou o telefone e abriu o perfil indicado.A fotografia estava ali.Mostrava exatamente o momento em que ele havia colocado o anel no dedo de Alina.A imagem fora registrada de longe, aparentemente da rua, através de uma abertura entre as árv







