Mag-log inAlina ainda estava admirando o anel de noivado quando o telefone começou a tocar.Era Helena.— Minha filha, você tem alguma coisa para me contar?Alina olhou para Caetano, que estava preparando café na cozinha.— Talvez.Helena soltou uma exclamação.— Teresa disse que viu uma fotografia sua usando um anel!Alina ficou imóvel.— Que fotografia?— Uma imagem publicada há poucos minutos em um perfil de notícias da cidade. Você e Caetano aparecem no jardim da casa. Ele está ajoelhado diante de você.O sorriso desapareceu do rosto de Alina.— Mãe, nós não publicamos nenhuma fotografia.Caetano percebeu imediatamente a mudança em sua expressão.Aproximou-se.— O que aconteceu?Alina colocou a ligação no viva-voz.Helena repetiu a informação.Caetano pegou o telefone e abriu o perfil indicado.A fotografia estava ali.Mostrava exatamente o momento em que ele havia colocado o anel no dedo de Alina.A imagem fora registrada de longe, aparentemente da rua, através de uma abertura entre as árv
Alina encontrou Caetano na cozinha pouco depois das sete da manhã.Ele estava diante do fogão, tentando virar uma panqueca com uma concentração que ela costumava ver apenas durante reuniões importantes.— Você sabe que pode usar uma espátula maior, não sabe? — perguntou, encostada à porta.Caetano virou o rosto.A panqueca caiu dobrada sobre si mesma.Ele olhou para a frigideira.— Você me distraiu.Alina começou a rir.— Estou percebendo.— Eu tinha tudo sob controle.— Naturalmente.Ela se aproximou e passou os braços ao redor de sua cintura.Caetano desligou o fogo e se virou para beijá-la.— Bom dia, meu amor.— Bom dia.Alina acariciou seu rosto.Havia passado parte da noite pensando na conversa que desejava ter com ele. Não queria mais deixar que seus medos transformassem o casamento em uma decisão sempre adiada.— Caetano, podemos conversar depois do café?Ele observou sua expressão.— Claro. Aconteceu alguma coisa?— Nada ruim.Ela sorriu.— Na verdade, acho que é uma coisa mu
Alina permaneceu diante do computador fechado por vários minutos depois de ler a atualização de Elisa.Marina Duarte havia sido identificada. A tentativa de fraude na pousada estava esclarecida, e não existiam indícios de ligação com Renato Valença.Era uma boa notícia.Ainda assim, Alina não sentia o alívio que imaginara.Caetano estava na cozinha, preparando o jantar. Ela conseguia ouvi-lo abrindo armários e reclamando baixinho porque não encontrava determinado tempero.Em outro dia, teria ido até lá para provocá-lo.Naquela noite, permaneceu sentada.A última frase do relatório continuava em sua cabeça: não havia necessidade de novas providências por parte do casal naquele momento.Nenhuma providência.Depois de tantos meses em que sua vida parecera depender de documentos, investigações, ameaças e decisões urgentes, Alina descobria que não sabia exatamente o que fazer quando ninguém precisava que ela lutasse.Caetano apareceu à porta.— O jantar está quase pronto. Você prefere...E
A resposta chegou quatro dias depois da viagem.Alina estava organizando as últimas caixas do escritório quando Caetano apareceu à porta com o telefone na mão.— Elisa acabou de ligar. A polícia identificou quem tentou alterar nossa reserva.Alina deixou um livro sobre a mesa.— Quem foi?Caetano entrou e fechou a porta.— Uma mulher chamada Marina Duarte. Ela trabalha na central de atendimento de uma agência que presta serviços de viagens corporativas.Alina franziu a testa.— A mesma agência utilizada pela Armani?— Sim. Mas ela não estava autorizada a acessar nossa hospedagem. A reserva foi feita pelo programa executivo, e Marina utilizou informações disponíveis em um relatório interno que não deveria ter consultado.Alina puxou uma cadeira.— Então não foi alguém da pousada.— Não. A polícia confirmou que a ligação partiu de um telefone utilizado por Marina. A gravação foi preservada, e a voz foi reconhecida pela supervisora da agência. Marina também admitiu ter feito a chamada.A
Alina descobriu que havia algo errado quando a recepcionista da pousada pediu que Caetano retornasse ao balcão.Era quase meio-dia. As malas já estavam no carro, e os dois pretendiam aproveitar o restante da tarde na estrada, parando em uma cidade litorânea para almoçar antes de voltar para casa.Caetano havia acabado de colocar os óculos escuros quando ouviu seu nome.— Senhor Armani, poderia aguardar um instante?Ele se virou.— Aconteceu alguma coisa?A recepcionista, uma mulher de aproximadamente cinquenta anos chamada Patrícia, parecia constrangida.— Recebemos uma solicitação relacionada à sua reserva. Precisamos confirmar alguns dados antes de concluir o encerramento da hospedagem.Alina se aproximou.— Que tipo de solicitação?Patrícia consultou o computador.— Ontem à noite, alguém entrou em contato com nossa central informando que o senhor autorizara a cobrança de uma segunda diária e a transferência da reserva para outra pessoa.Caetano franziu a testa.— Eu não autorizei n
Alina encontrou um bilhete preso à porta da geladeira quando desceu para preparar o café.“Hoje você não precisa resolver nada. Encontre-me na varanda às oito. Caetano.”Ela consultou o relógio. Faltavam quinze minutos.Da cozinha vinha um cheiro agradável de pão aquecido, e sobre a bancada havia uma bandeja com morangos, queijo, suco e duas xícaras. Caetano aparentemente aprendera a utilizar a cafeteira sem provocar nenhum desastre.Alina sorriu.Pegou uma das frutas e saiu para a varanda.Caetano estava terminando de arrumar a mesa, vestido com uma camisa branca de mangas dobradas. Quando a viu, ergueu as sobrancelhas.— Você chegou antes da hora.— Moro aqui. Tenho acesso livre à varanda.— Estou tentando organizar uma surpresa.Alina se aproximou e beijou seu rosto.— Então deveria ter escolhido um lugar menos acessível.Caetano a envolveu pela cintura.— Bom dia.— Bom dia.Ele a beijou lentamente.Alina pousou a mão sobre seu peito e prolongou o beijo até sentir que Caetano havi







