ログインO EX TENTOU MATÁ-LA. No hospital, ainda se recuperando da agressão, Natasha acredita ter salvado um desconhecido de cometer suicídio. Dois anos depois, esse homem se torna seu chefe — mas ela não se lembra dele. Oliver Ferraz nunca esqueceu aquela noite. Depois de sobreviver à violência do ex-namorado, Natasha Garcia Beaumont tenta reconstruir a própria vida. Entre a ansiedade, a depressão e o medo de ser encontrada novamente, ela quer estudar, trabalhar e conquistar sua independência. Da internação em Portugal, guarda lembranças confusas: uma noite fria, um desconhecido perto da beirada de um terraço e a sensação de que precisava impedi-lo de desistir da vida. Para Natasha, aquele encontro pode ter sido apenas um sonho. Bilionário, viúvo e acostumado a dar ordens, Oliver enterrou a esposa grávida sem saber se o filho era seu. Ela morreu no carro com o amante. Desde então, ele mantém distância de qualquer possibilidade de um novo casamento. Quando Natasha aparece para uma entrevista na Ferraz Construtora, ele reconhece a mulher que tentou ajudá-lo no pior dia de sua vida. Ela enxerga apenas um chefe exigente e uma oportunidade de recomeçar. Horas depois, os dois se encontram no Ambrosia Club. Escondido por uma máscara, Oliver a beija sem revelar sua identidade. Natasha corresponde — até que uma frase dele desperta lembranças do ex e a faz fugir. Ela quer recuperar a própria liberdade. Ele se acostumou a ter tudo sob controle. Natasha já escapou de um homem que não aceitava perdê-la. Poderá confiar em outro que está acostumado a conseguir tudo o que deseja?
もっと見るPOV/NATASHA
Olhei para trás pela terceira vez antes de alcançar a entrada do prédio. Uma mulher atravessava a rua com uma sacola pendurada no braço e, mais adiante, um homem esperava na esquina, olhando para o telefone. Não reconheci nenhum dos dois, mas apertei o passo, sentindo a bota roçar meu calcanhar machucado.
Desde que saí do trabalho, tinha a impressão de que alguém me seguia. Parei diante de uma vitrine para observar o reflexo da calçada e atravessei a rua, tentando distinguir meus passos dos que vinham atrás. O medo continuou mesmo quando não encontrei ninguém conhecido.
Estava em Portugal. Tinha um emprego numa empresa de logística, um apartamento e dinheiro para comprar minha comida. Aos vinte e dois anos, ainda precisava me lembrar de que podia chegar em casa sem explicar por que demorei ou entregar o celular para alguém conferir minhas conversas.
Na terapia, eu falava sobre essas coisas. Conseguir sair de casa sozinha era um avanço, assim como escolher uma roupa sem imaginar a reação de Rafael. Algumas vezes fazia tudo isso com facilidade; em outras, passava o caminho inteiro olhando para trás.
Enfiei a mão na bolsa, procurando o chaveiro entre a carteira, um recibo e uma embalagem de pastilha. O vento entrou pelo casaco e esfriou minha nuca úmida. Precisei segurar a chave com as duas mãos para encaixá-la na fechadura.
Entrei no prédio e puxei a porta até ouvir o encaixe. Fiquei olhando através do vidro por alguns segundos antes de seguir para o elevador. Quando me afastei, ouvi a porta de entrada se abrir novamente, mas não consegui ver quem entrou.
O cheiro de produto de limpeza era forte no saguão. Apertei o botão e tirei o telefone da bolsa, pensando em ligar para Nathan, meu irmão mais velho. Ele estava em Porto Alegre e provavelmente tentaria me tranquilizar, como fez quando me ajudou a sair do Brasil.
Depois da última internação, foi Nathan quem me ofereceu uma maneira de ficar longe de Rafael. Com a ajuda dele, consegui uma medida protetiva, dinheiro e uma oportunidade de trabalho em Portugal. Eu não queria preocupá-lo outra vez por causa de uma sensação que não conseguia explicar.
Quando o elevador chegou, entrei, apertei o botão do meu andar e me encostei à lateral da cabine. As portas começaram a fechar, mas uma mão apareceu entre elas, fazendo o mecanismo recuar.
Reconheci o relógio antes de levantar os olhos para o rosto.
Rafael entrou e ficou entre mim e a saída.
— Finalmente.
Apertei o telefone. O perfume dele chegou até mim, e senti enjoo antes mesmo de conseguir responder. Era o cheiro que ficava no quarto onde moramos, nas roupas e no travesseiro em que chorei tentando não fazer barulho.
— Como você me achou?
Ele observou meu rosto, depois os números acima da porta.
— É só isso que você tem para me dizer?
Tentei passar pela lateral dele, mas Rafael se moveu na mesma direção. Estiquei o braço até o painel e apertei o botão de abrir quando as portas já estavam fechadas.
— Eu quero sair.
— Agora você vai conversar comigo.
A cabine começou a subir. Continuei apertando o botão, com o polegar escorregando na superfície lisa.
— Como você entrou aqui?
— Vim atrás da minha namorada.
— Eu não sou mais sua namorada.
O sorriso desapareceu. Rafael contraiu o maxilar, e acompanhei suas mãos com os olhos, recuando até encostar na parede.
— Você foi embora sem falar comigo.
— Eu terminei com você.
— Você fugiu.
— Você me machucou. Por isso eu fugi.
A última vez que fiquei diante dele sem conseguir sair, terminei num hospital. Passei muito tempo tentando me lembrar disso quando sentia saudade dos dias em que ele era carinhoso. Agora não precisava fazer esforço algum: bastava olhar para suas mãos.
— Por favor, vai embora.
— Você sabe o que eu passei procurando você? — Ele segurou meu braço por cima do casaco.
— Me solta.
— Eu te amo, Natasha.
Aos dezesseis anos, eu queria ouvir aquilo o tempo inteiro. Rafael conheceu uma menina que trabalhava desde os catorze e tinha medo de perder as poucas pessoas que permaneciam por perto. Agora eu puxava o braço, tentando escapar dos mesmos dedos que antes segurava para andar na rua.
— Está me machucando.
— Então para de agir como se eu fosse um estranho!
O grito me fez encolher os ombros. Tentei alcançar o painel com a mão livre, mas ele me puxou pelo braço.
— Você vai voltar comigo.
— Não vou.
O golpe atingiu meu rosto antes que eu conseguisse me proteger. Minha cabeça virou com o impacto, e bati a lateral contra a parede da cabine. Uma dor forte se espalhou pela têmpora. Levei a mão ao rosto, sentindo o olho lacrimejar e um gosto metálico na boca.
— Rafael…
Ele me empurrou novamente contra a parede e fechou a mão no meu pescoço.
Segurei seu punho com as duas mãos. O telefone ficou preso entre minha palma e a pele dele enquanto eu tentava afastar seus dedos.
— Você vai me ouvir.
— Para…
Minha voz saiu fraca. O polegar pressionava abaixo do queixo, e tentei firmar os pés para empurrá-lo. Minha cabeça doía no ponto em que bateu, mas a dificuldade para respirar me impedia de pensar em qualquer outra coisa.
Eu não quero morrer.
Bati no braço dele. Minhas unhas rasparam sua pele, e Rafael afrouxou os dedos por um instante. Puxei ar e comecei a tossir, curvando os ombros.
— Olha o que você me obriga a fazer.
Ouvi aquela frase depois do primeiro tapa. Também ouvi quando ele me insultou e, mais tarde, procurou gelo para meu rosto. Na época, passava horas tentando explicar o que fiz, como se uma resposta certa pudesse impedir a próxima agressão.
O elevador parou.
Quando as portas começaram a abrir, empurrei o braço dele e passei pelo espaço que consegui encontrar. Rafael agarrou meu casaco, mas puxei o corpo para a frente. O tecido apertou meus ombros antes de escapar da mão dele.
Saí cambaleando para o corredor.
— Socorro!
Tentei correr, mas minhas pernas estavam fracas. A visão ficou embaçada quando olhei para trás, e precisei apoiar a mão na parede. Ainda segurava o telefone. Toquei na tela, errando a senha na primeira tentativa.
— Natasha!
A voz veio perto demais.
Consegui abrir a lista de chamadas e toquei no contato de Nathan. O telefone começou a chamar quando Rafael me alcançou.
— Desliga isso.
Continuei andando, com o aparelho junto ao rosto.
— Nathan! Me ajuda!
Uma voz respondeu do outro lado, mas não consegui distinguir as palavras. Rafael arrancou o telefone da minha mão e o jogou no chão.
O aparelho deslizou até perto da parede.
— Eu mandei desligar!
Ele me puxou pelo braço. Tentei me soltar, mas o primeiro soco na barriga me fez dobrar o corpo. O segundo veio antes que eu conseguisse erguer as mãos.
Meus joelhos bateram no chão.
A bolsa escorregou do ombro, e apoiei uma mão no piso, tentando respirar. Minha barriga doía por dentro, e o esforço de puxar o ar trouxe outra pontada.
— Socorro! — gritei. — Alguém me ajuda!
Rafael segurou meu braço e tentou me levantar.
— Para de fazer escândalo. Levanta.
— Me solta!
Puxei o corpo para trás e perdi o apoio. Caí de lado, batendo o quadril e o ombro no chão.
Tentei me afastar usando os cotovelos. Havia uma porta alguns passos adiante. Se conseguisse chegar até ela, poderia bater, gritar, fazer alguém me ouvir.
Um chute me atingiu na lateral do corpo.
Soltei um grito e me encolhi, cobrindo a barriga. A dor se espalhou pelas costelas e ficou mais forte quando tentei respirar. Procurei o chão com a mão e arrastei o corpo mais um pouco, sem conseguir levantar.
— Para, Rafael. Por favor.
Ele se abaixou e segurou meu braço. Senti seu perfume outra vez e tentei me afastar.
— Se você não for minha, não vai ser de mais ninguém.
Fechei os olhos por um instante, esperando outro golpe. Quis minha mãe perto, passando os dedos pelos meus cachos como fazia quando eu era pequena. Depois me lembrei de Nathan e procurei o telefone.
Ele estava longe demais.
Uma fechadura se moveu. Ergui a cabeça com dificuldade quando a porta à minha frente se abriu.
— O que está acontecendo aqui?
Um homem apareceu na entrada do apartamento. Rafael soltou meu braço, e estendi a mão na direção do vizinho.
— Me ajuda.
Minha voz mal saiu. Tentei repetir, mas a cabeça pesou e precisei apoiá-la no chão.
— Afasta-te dela! — o homem gritou.
Ouvi passos e outra voz pedindo que chamassem uma ambulância. Tentei acompanhar o movimento, mas só consegui distinguir os sapatos perto de mim e a luz que vinha do apartamento aberto.
Alguém se ajoelhou ao meu lado.
— A ajuda está a caminho. Consegues ouvir-me?
Mexi os lábios. Queria pedir que não me deixassem sozinha com Rafael, mas não consegui formar as palavras.
O rosto da pessoa ficou desfocado. Tentei manter os olhos abertos, procurando a porta, mas a imagem escureceu antes que eu conseguisse responder.
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NOTA DA AUTORA ❤️
Esta é a história de Natasha, uma mulher que tenta superar seus traumas e se permitir viver um novo amor. Ela faz parte do mesmo universo de O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido e de outros romances que você encontra no meu perfil.
Enquanto acompanha os lançamentos, aproveite para conhecer essas histórias e os personagens que nos trouxeram até aqui! ❤️
POV/ NATASHAMeu rosto esquentou.— É… mais ou menos.— É porque eu quero mesmo.Apertei o copo.Desde que deixei Rafael, aos vinte anos, não beijei mais ninguém. Quatro anos sem permitir aquela proximidade, tentando recuperar a confiança até nas escolhas mais simples.Agora eu estava diante de um desconhecido, prestando atenção à sua boca.— O que quer dizer?— Quero beijar você.— O quê?Ele tocou meu rosto e encostou os lábios nos meus antes que eu conseguisse dizer outra coisa.Fiquei imóvel por um instante. Depois correspondi, sem saber como acompanhar a inclinação da sua cabeça. Nossos dentes se tocaram, e me afastei, envergonhada.— Desculpa.Ele riu baixo.— Calma.Voltou a me beijar, dessa vez devagar. Segurei sua roupa com a mão livre e senti o calor do corpo sob o tecido. Quando sua mão se acomodou na minha cintura, um arrepio percorreu meus braços.Meu ventre se contraiu. Apertei sua camisa, surpresa com a vontade de ficar mais perto.Durante alguns instantes, não procurei
POV/NATASHA— São duas semanas de treinamento remoto — Joana explicou. — Depois você começa presencialmente como secretária de projetos e comunicação, trabalhando comigo e com o senhor Ferraz.Assenti, olhando para os documentos. Eu estava contratada. Oliver disse que eu não tinha a experiência das outras candidatas e, minutos depois, entregou a vaga para mim.— As orientações sobre o uniforme também estão aqui. Leia com calma e me procure se tiver dúvidas.— Obrigada.Preenchi meu nome completo, Natasha Garcia Beaumont, e conferi os campos que ela indicou. Ainda lembrava do olhar de Oliver. Em alguns momentos da entrevista, pareceu procurar alguma coisa no meu rosto. Eu ajeitava a roupa, afastava o cabelo e tentava descobrir se tinha feito algo errado.Quando saí, mandei uma mensagem para Nathan.Consegui.Ele ligou imediatamente.— Conseguiu mesmo?— Consegui.Ouvi Sakura perguntar alguma coisa ao fundo. Meu irmão contou, e ela comemorou tão alto que afastei o aparelho da orelha, ri
POV/OLIVERJoana deixou um copo de água perto de Natasha. Ela agradeceu e bebeu alguns goles, ainda com a bolsa no colo. Enquanto conversavam, segui para a sala de reunião.Os currículos estavam organizados diante da minha cadeira. Tirei o paletó, coloquei-o no encosto e procurei a pasta da última candidata. Natasha Beaumont. A experiência numa empresa de logística em Portugal correspondia à época em que estive lá.Passei os olhos pelo restante do documento, mas continuei lembrando do rosto que vi no elevador.— Pode chamar a primeira — pedi.Entrevistei as outras sete candidatas tentando manter a atenção nas respostas. Algumas tinham formação completa, cursos e experiência nas funções exigidas. Duas mereceram uma marca ao lado do nome. Outras pareciam mais interessadas em prolongar a conversa comigo do que em explicar como trabalhavam.Uma mencionou a lista da Forbes em que viu meu nome. Outra comentou que sua disponibilidade não terminava no expediente, cruzando as pernas enquanto e
POV/OLIVERNaquela manhã, antes da entrevistaFiquei diante da lápide de Juliana com as mãos nos bolsos, observando a fotografia que a mãe escolheu. Na imagem, minha mulher sorria com o rosto ligeiramente virado para o lado. Eu conhecia aquele sorriso e ainda me irritava por sentir falta dele.Dois anos depois, continuava sem saber o que dizer naquele lugar.Casei com Juliana aos trinta e oito anos. Estávamos perto de completar um mês de casamento quando precisei escolher seu caixão. Agora, aos quarenta, ainda havia dias em que me lembrava de uma conversa nossa antes de recordar o restante: o acidente, o homem no carro e as mensagens que encontrei depois.Ela era dançarina e disse que precisava ir a Portugal para uma apresentação. Eu sabia da gravidez quando nos casamos. Acreditei que seria pai e comecei a fazer planos que nunca cheguei a contar a ninguém. Também me apaixonei por ela. A criança teve importância na decisão de casar, mas não foi a única razão.Viajei depois de saber do






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