MasukÀs sete e dez da manhã, Caetano recebeu um e-mail de Alberto.Não uma mensagem.Não um pedido para conversar.Um e-mail formal, enviado também ao departamento jurídico da Armani, ao conselho administrativo e ao escritório responsável pela gestão patrimonial da família.Caetano leu em silêncio.Alina percebeu a mudança em seu rosto enquanto terminava de prender os cabelos diante do espelho.— O que aconteceu?Ele não respondeu imediatamente.Aproximou-se e entregou o telefone.Alina leu.Alberto Armani solicitava a suspensão imediata de qualquer prerrogativa administrativa ainda vinculada ao seu nome em razão dos cargos ocupados antes do desaparecimento. Também pedia uma revisão integral de procurações, autorizações bancárias, participações com direito especial de voto e qualquer instrumento que pudesse permitir sua reinserção automática na administração da empresa.No último parágrafo, havia uma frase que não parecia escrita por um advogado.“Não quero que meu retorno seja usado para
Alberto escolheu um lugar neutro.Não pediu que Caetano fosse até a propriedade Armani, não marcou o encontro em nenhum escritório ligado à família e tampouco escolheu o espaço onde estivera hospedado desde que recuperara a liberdade.Encontraram-se em uma pequena casa pertencente a Samuel, afastada da cidade e cercada por árvores. Não havia funcionários além de um segurança do lado de fora, nem documentos sobre mesas ou qualquer referência ao Arquivo.Quando o carro parou, Caetano não abriu a porta imediatamente.Alina percebeu.— Podemos ir embora.Ele olhou para ela.— Achei que fosse dizer que preciso enfrentar isso.— Você já enfrentou coisas demais porque alguém decidiu o que precisava fazer.Caetano soltou o ar e voltou a olhar para a casa.— Se eu for embora agora, vou ter que voltar outro dia.— Provavelmente.— Então prefiro terminar.Alina tocou sua mão.— Não precisa terminar hoje.Ele ficou alguns segundos observando os dedos dela sobre os seus.— É justamente isso que me
O depoimento de Cesare terminou às cinco e vinte e três da tarde.Às cinco e quarenta e oito, a primeira ordem judicial foi protocolada.Alina só soube na manhã seguinte.Estava se preparando para sair quando recebeu uma mensagem de Samuel pedindo que chegasse mais cedo à entrega dos arquivos Varenna. Não havia urgência no texto, mas existia uma frase que chamou sua atenção.“As consequências jurídicas começaram antes do que esperávamos.”Ela leu novamente.Caetano, que estava encostado no batente da porta, percebeu.— Algum problema?— Depende do que Samuel chama de consequência jurídica.— Com nossa experiência, provavelmente muitas páginas.Alina pegou a bolsa.— Vamos descobrir.Quando chegaram à sede provisória onde os documentos seriam entregues, Samuel já os esperava acompanhado de uma mulher que Alina não conhecia.Ela aparentava pouco mais de quarenta anos, usava um terno escuro e carregava uma pasta tão cheia que Alina imediatamente desconfiou dela.— Alina, Caetano, esta é
Cesare pediu para falar com Alina antes de prestar o depoimento público.Ela recusou.Samuel transmitiu o pedido pouco depois das nove da manhã, quando Alina ainda estava na casa de Caetano organizando algumas coisas que pretendia levar para a própria casa. A resposta saiu sem dificuldade.— Não.Samuel permaneceu alguns segundos em silêncio do outro lado da ligação.— Ele disse que existem coisas que gostaria que você soubesse antes.— Então pode dizer durante o depoimento.— Acho que ele quer explicar pessoalmente.Alina fechou a pequena bolsa que estava sobre a cama.— E eu não quero ser a pessoa para quem ele precisa explicar.Caetano estava perto da janela e não interferiu. Depois do que acontecera nos últimos dias, aprendera a reconhecer quando Alina queria opinião e quando precisava apenas tomar a própria decisão.Samuel insistiu uma única vez.— Tem certeza?— Tenho. Se eu falar com Cesare antes, qualquer coisa que acontecer depois poderá ser interpretada como influência minha
Quando Alina deixou a sede provisória de Vellum, havia menos jornalistas diante do prédio do que ela esperava.Ainda existiam câmeras, perguntas e pessoas tentando arrancar dela uma declaração sobre o vazamento, mas alguma coisa havia mudado. Talvez porque a correção solicitada por Samuel já começasse a circular. Talvez porque a própria matéria estivesse sendo questionada depois da descoberta da montagem. Ou talvez porque, depois de dias em que tudo parecia urgente, o mundo estivesse finalmente descobrindo que algumas respostas exigiriam tempo.Caetano abriu a porta do carro, mas Alina não entrou imediatamente.Ela permaneceu olhando para o edifício.— Está pensando em voltar?— Não.— Ótimo.Alina lançou um olhar para ele.— Você respondeu rápido demais.— Estou tentando apoiar suas decisões com entusiasmo.— Parece mais medo de outra reunião.— Também.Ela sorriu, mas continuou parada.Dentro daquele prédio, Mateo estava entregando arquivos que a família Varenna escondera durante dé
A origem da exposição chegou até Alina antes que ela e Caetano conseguissem decidir o que fariam naquela manhã.Caetano estava diante da bancada da cozinha, verificando algumas mensagens no telefone, quando sua expressão mudou. Alina percebeu imediatamente e se aproximou, ainda carregando o incômodo provocado pelos jornalistas que os haviam esperado diante dos portões.— O que foi?— Acho que descobrimos por que estavam lá fora.Ele entregou o aparelho, e Alina encontrou uma matéria publicada às cinco e quarenta e dois da manhã. O título dizia que a “herdeira Vilar” estaria no centro da reorganização das oito famílias depois do colapso de uma estrutura histórica de poder.Logo abaixo havia uma fotografia dos dois deixando a região da montanha. Caetano mantinha uma das mãos nas costas dela, enquanto Alina parecia cansada demais para perceber que alguém os fotografava.Ela continuou descendo a página até encontrar algo muito mais preocupante.Era a reprodução de um documento.Alina ampl







