MasukRicardo franziu levemente o cenho, processando a informação enquanto o carro seguia pelas ruas. — Então, quer dizer que o Carlos é, na verdade, uma mulher?— Só pode ser isso. Nenhuma mulher em sã consciência tomaria esse tipo de substância se não tivesse um motivo muito específico. — Respondeu Roberto, dando de ombros com um gesto de descaso.Com atenção à conversa, Luana não conseguiu conter a preocupação e interveio logo em seguida: — E quais são os efeitos colaterais desse medicamento?— O grande problema é que essas drogas são proibidas justamente pelo alto grau de dependência que causam. Se alguém usa uma versão forte por muito tempo e tenta parar de repente, sofre crises de abstinência brutais. Além do mal-estar físico, há uma tortura psicológica terrível. É o tipo de remédio que a pessoa leva para o túmulo. Dizem que, em Teolândia, quem faz parte desse grupo específico não costuma viver muito, mas essas doses cavalares podem matar a qualquer momento. — Explicou Roberto, detalh
A morte inesperada de Érica não causou muito alvoroço na família Souza. Até mesmo Afonso continuou com o rosto sério e impassível ao escutar sobre o acontecido.Na sala de estar imensa e cheia de luxo, Luana e Vinícius estavam sentados nos sofás junto com os tios, enquanto Carlos explicava os detalhes amargos da morte da mãe. O rosto dele estava mais branco que papel e os olhos meio vermelhos de choro, mostrando uma feição muito pesada de quem estava sofrendo de verdade.— Pai, a minha mãe tirou a própria vida e não sobrou nenhum outro parente no mundo para cuidar do caixão dela. Eu quero levar o corpo e me despedir do meu jeito, dando um velório digno. — Pediu Carlos, olhando direto para Afonso sentado na ponta da mesa de madeira, esperando a permissão do homem.Afonso parou o dedo no meio do caminho enquanto segurava a xícara de café preto. O barulho da colher batendo na louça soou muito alto na sala de estar silenciosa. Depois de um bom tempo pensando quieto, ele abriu a boca para f
Rita recuou num susto e acabou batendo as costas no balcão de vidro logo atrás dela. O baque fez com que várias caixas de remédio caíssem sobre a bancada, misturando-se com relógios caros e joias finas de ouro.O barulho fez o coração dela disparar. A garota se virou na mesma hora para arrumar a bagunça de pressa e, ao pegar as caixas com as mãos tremendo, notou que as letras nas embalagens eram muito esquisitas, de uma língua que ela não conseguia ler de jeito nenhum. Movida pela curiosidade do momento, ela pegou o celular do bolso e tirou uma foto das caixas. Bem nessa hora, a voz do Walter soou do lado de fora do quarto.Sem pensar duas vezes, ela terminou de juntar as coisas correndo e tentou sair do closet o mais rápido que pôde. Mas, assim que chegou perto da saída, a porta da frente se abriu com um estrondo de dar medo. Sem ter para onde correr na casa, a garota precisou se encolher no escuro e se esconder dentro do banheiro ali perto.— Senhor Carlos, a Srta. Rita passou por a
As chamadas caíam direto na caixa postal. Érica soltou alguns palavrões, alternando entre a raiva e o desespero enquanto discava sem parar. Em um movimento brusco, ela acabou derrubando o copo de vidro da mesa. O barulho do vidro se estilhaçando no chão pareceu trazê-la de volta à realidade por um segundo: ela estava sozinha e abandonada.Era uma piada de mau gosto. Ela tinha feito de tudo, tinha se humilhado e aceitado ficar com um velho que já estava com um pé na cova, fingindo ser a esposa e mãe perfeita. Tudo o que ela queria era esperar Afonso morrer para colocar as mãos na herança. César tinha prometido tudo para ela, mas a traiu na primeira oportunidade. Agora, ele nem sequer atendia suas ligações.No auge do seu colapso emocional, o celular finalmente tocou. Achando que era o retorno de César, ela atendeu antes mesmo de ver o nome na tela.— César! Por que você demorou tanto para atender essa porcaria de...?— Sou eu, mamãe. — Interrompeu uma voz calma do outro lado.Ao reconhe
O entardecer caía rapidamente, tingindo o céu com tons alaranjados. Luana chegou em casa e estacionou o carro no pátio, mas assim que colocou os pés no hall de entrada, a empregada veio ao seu encontro com um ar de quem queria dar um aviso.— Sra. Luana, a senhora chegou... — A funcionária começou a falar, mas hesitou.Luana nem precisou ouvir o resto, pois logo avistou Ricardo sentado na sala de estar, esperando por ela há algum tempo. Ela parou por um instante, surpresa, e caminhou até ele.— O que você está fazendo aqui? — Perguntou ela, curiosa.Ricardo fixou o olhar nela e respondeu com naturalidade:— Eu senti saudade e resolvi vir te ver.Luana ficou sem palavras, sentindo o rosto esquentar de leve. Percebendo o clima entre os dois, a empregada tratou de se retirar para não atrapalhar a conversa.— Com licença, Sra. Luana. Vou deixar vocês dois à vontade com o senhor Luciano. Vou descer para a cozinha. — Disse ela, mas parou no meio do caminho e se virou. — Ah, quase ia esquecen
Luana se virou para Valentino, guardando o celular no bolso, e abriu um sorriso tranquilo.— Que problema eu teria? Estava apenas pedindo um pequeno favor a minha prima. — Desconversou ela.Valentino, apoiando-se no parapeito, mudou o assunto para o trabalho, o olhar fixo nela.— Os resultados da nova rodada de testes do medicamento saíram. São muito promissores, podemos avançar para a fase III dos testes clínicos. E muito disso se deve à sua contribuição com o líquido cefalorraquidiano. Sei que a situação da sua mãe ainda não tem solução imediata, mas...— Está tudo bem. — Interrompeu Luana, balançando a cabeça positivamente. — Vamos encontrar uma solução. Pelo menos já conseguimos esse avanço, o futuro pode nos reservar coisas melhores.— Sim, o futuro será melhor. — Concordou Valentino, retribuindo o sorriso.Liliane, que observava da porta a conversa íntima entre os dois na varanda, sentiu-se uma intrusa. A intenção inicial de cumprimentá-los se dissolveu, dando lugar a uma sensaçã
Pedir desculpas?Luana soltou um riso sem o menor traço de humor, apertando com força o acordo de divórcio que segurava, como se desse para controlar o turbilhão que lhe subia à garganta. Tentou falar de maneira serena, mesmo que a calma fosse apenas uma fachada.— Você vai voltar para casa esta noi
Ricardo desviou o olhar, a expressão carregada de desprezo, e falou num tom frio, como se quisesse encerrar o assunto ali:— Você não precisa se meter numa enrascada por causa de gente como essa.Sem esperar resposta, virou as costas e começou a se afastar.Luana, que estava no consultório, ouviu ca
Luana ainda se sentia atordoada com tudo o que havia acontecido quando, pela primeira vez, recebeu uma mensagem de Ricardo: [Posso providenciar um advogado para você, desde que se comporte direito.]Ela encarou aquelas palavras, sentindo uma estranha mistura de confusão e incredulidade. Comportar-se
No final da tarde, Luana havia acabado de concluir as últimas tarefas do dia e se preparava para deixar o escritório quando, de repente, Vanessa surgiu à porta. Ela bateu levemente, chamando:— Dra. Luana.Levantando o olhar, Luana manteve a expressão calma e perguntou:— O que houve?— O hospital e







