LOGINInconscientemente, ela tocou a face dele. A textura sob seus dedos era diferente da que sua memória guardava, uma discrepância tátil que atuou como uma agulha fina perfurando a parte mais sensível de seu coração, provocando uma dor aguda e inesperada.Seria esse o motivo de ele usar a máscara mesmo diante dela? Vergonha?Luana despertou do transe. Estaria ela sentindo pena dele? Tentou recolher a mão, mas Ricardo aprisionou seu pulso com mais força, num aperto que não admitia recusa.— Já está com nojo? — Perguntou ele, a voz carregada de uma tensão sombria.Luana piscou, atordoada, e logo recuperou o tom desafiador para disfarçar o próprio abalo:— Homens também se importam tanto assim com a aparência?— Como não me importaria? — Ricardo pressionou a palma macia dela contra o próprio rosto, brincando distraidamente com os dedos dela. — Esse rosto é a minha ferramenta para te atrair.Luana se desvencilhou do abraço e voltou para o seu lugar no banco, encerrando o assunto e mergulhando
Enquanto isso, Luana e Ricardo chegavam a um sofisticado restaurante. Para a surpresa dela, ele não havia fechado o local para uso exclusivo nem reservado uma sala privativa, optando por uma mesa para dois no salão principal. Talvez por ser um dia de semana, o ambiente estava agradavelmente tranquilo, ocupado por poucos clientes que conversavam em tom discreto.— Mãe, por que aquele homem está usando máscara? Ele está brincando de cosplay? — Indagou um menino na mesa ao lado, apontando com curiosidade indisfarçável para Ricardo.Constrangida, a mãe interceptou o gesto do filho e baixou o tom de voz, repreendendo-o:— Fique quieto, filho. É falta de educação apontar e falar assim das pessoas.Luana lançou um olhar de soslaio para Ricardo, onde brilhava uma pitada de malícia. Apoiando o queixo na mão, ela se virou para o garoto e sorriu, cúmplice:— É isso mesmo. Não se engane pela idade, ele adora brincar de cosplay.— Meu pai também gosta! Ele vive brincando com a mamãe de...Antes que
De volta à Baía da Meia Encosta, Luana desceu do carro e seu olhar foi imediatamente atraído para o pavilhão de pedra aninhado em um canto do jardim. As trepadeiras e plantas, meticulosamente podadas pelo jardineiro, destacavam-se com vigor contra o mármore branco leitoso das colunas. Lá estava a Sra. Souza, sentada confortavelmente, conversando com alguém. A empregada, atenta, servia chá e, ao notar a chegada de Luana, inclinou-se para avisar a patroa.A Sra. Souza se virou, um sorriso radiante iluminando seu rosto ao avistar a filha, e acenou com entusiasmo.— Filha! Venha cá!Luana caminhou em direção ao pavilhão, seus olhos fixos no homem sentado de costas para ela, de frente para sua mãe. Não precisou ver o rosto para saber quem era; aquela postura e a silhueta eram inconfundíveis.— Você voltou, querida? — Disse a mãe, com uma doçura na voz que soava quase conspiratória. — Seu amigo veio procurá-la e eu fiquei fazendo sala para ele. Um rapaz encantador.Ricardo ergueu os olhos le
A atmosfera na sala de estar estava pesada, carregada por uma tensão quase palpável. As expressões da Sra. Lopes e de Tomás eram sombrias. Tomás, em particular, exibia uma bandagem na cabeça e um ressentimento que parecia sufocá-lo. Ele havia nutrido a ideia de que, ao se casar com aquela mulher, teria a chance de "domesticá-la" ao seu bel-prazer, mas a revelação de que ela já fora casada o atingiu em cheio. Não queria uma mulher divorciada, mas a humilhação de ser rejeitado queimava ainda mais o seu orgulho.A Sra. Lopes, sentindo-se ultrajada e feita de boba, abandonou qualquer resquício de polidez que ainda restava.— Afonso, o que o senhor tem a dizer sobre isso? — Disparou ela, a voz estridente cortando o silêncio. — Realmente não aceitaremos sair no prejuízo. Meu filho nunca foi casado, é um bom partido! Unir-se a uma divorciada da família Souza? Seríamos a piada da sociedade inteira!Afonso manteve a postura rígida, embora seu rosto tenha escurecido imperceptivelmente.— Você d
Assim que Luana e Vinícius entraram na sala de estar, o olhar dela recaiu imediatamente sobre o sofá ao lado de Afonso. Como esperado, a matriarca da família Lopes e seu filho estavam presentes.Tomás apresentava uma figura deplorável, com a cabeça envolta em gaze e vestindo um pijama hospitalar por baixo de um casaco grosso. Ao se virar para encarar Luana, os olhos destilavam um ressentimento profundo.Luana, porém, ignorou-os olimpicamente, focando sua atenção na mulher de meia-idade sentada ao lado de seu avô. Aparentava ter a mesma idade de Yasmin, mas a intimidade com que se sentava ao lado de Afonso denunciava sua identidade.Seria ela a nova e jovem esposa de Afonso?— Essa deve ser a filha do Danilo, certo? — A mulher, Érica, tomou a palavra com um sorriso ensaiado. — É uma pena que eu não estava aqui no dia do banquete de boas-vindas. Estava acompanhando o Carlos em uma viagem e não pude preparar um presente adequado para a menina.Vinícius e Luana se sentaram nas poltronas op
À medida que o crepúsculo tingia o céu, Luana se despediu dos colegas na entrada do edifício e dirigiu-se à garagem subterrânea. As luzes do corredor se acendiam automaticamente, uma a uma, acompanhando seus passos, até que ela estancou bruscamente ao reconhecer a silhueta à sua frente.Ricardo estava recostado no capô do carro dela, com os braços cruzados e uma postura que mesclava uma indolência enganosa com uma opressão latente, impossível de ser ignorada. O olhar dele repousava sobre ela, firme e impenetrável. Desde aquela noite fatídica, Luana ainda não decidira como encarar a situação, ficando em dúvida entre agir com a frieza de quem apenas contratou um acompanhante de luxo ou simplesmente fingir que nada aconteceu. Para sua infelicidade, ele tomou a iniciativa de quebrar o silêncio.— Você não acha que me deve uma explicação sobre a outra noite? — Indagou ele, a voz grave ecoando no concreto frio.Luana piscou, desconcertada pela abordagem direta.— Que explicação eu deveria lh







