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CAPÍTULO 4

Author: Nanda Santos
— A Cecília é meu amor pequeno, e você é meu amor grande. Nós três somos uma família que se ama muito.

— Na verdade… é que… amor, seu corpo é bem bom, viu? Só que… não sei, parece meio baixinho?

— Mas tudo bem. Agora que eu cheguei, vou fazer comida boa todo dia pra vocês. Garanto que você e a Cecília vão crescer altinhos.

O chat surtou:

"Pelo amor de Deus, o que ela tá falando? Como ela ousa dizer isso na frente do Boss Sem Cabeça?!"

"Finalmente o Boss Sem Cabeça apareceu! Ele deve ser o Boss mais forte da Casa da Felicidade! O Mestre Miguel morreu na mão dele."

"Mas… por que o rosto do Boss tá ficando vermelho? Tô shippando."

"Aff, o de cima tá maluco."

Todo mundo estava esperando o homem torcer meu pescoço.

Foi o que aconteceu com todos os jogadores anteriores.

Mas, no segundo seguinte, o homem levantou a mão e recolocou a própria cabeça no pescoço.

Depois se aproximou de mim, o ar frio e arrogante tinha sumido, e a voz dele vinha misturada com um quê de mágoa:

— Eu sou baixo? Eu tenho 1,86m de verdade. Olha direito outra vez.

Hoje em dia, até entidade masculina liga pra altura, viu.

— Nina, é melhor você olhar com cuidado.

O homem chamou meu nome, e só isso já fez meu coração bater.

Eu puxei a gravata dele com força, fazendo ele se deitar totalmente sobre mim, e murmurei com exagero:

— Não consigo ver, chega mais perto.

Com o rosto dele ampliado bem na minha frente, eu comemorei por dentro:

Ainda bem, ainda bem, que esse jogo só mede Pontos de Pânico… e não o batimento cardíaco.

Senão eu já teria morrido na hora.

Como o homem ficou quieto, achei que estivesse bravo.

Abri os olhos brilhando, assenti toda servil e falei:

— Uau! Você tem 1,86m e eu tenho 1,66m. A diferença é perfeita! Somos mesmo feitos um pro outro!

O homem de terno ficou vermelho até a orelha e ia dizer algo quando…

A menina ensanguentada, recém-remontada, correu e deu um chute nele, jogando o Boss direto no teto. Onde ficou preso, sem conseguir descer.

Depois, a menina olhou pra mim com olhos molhados, encostando o rostinho no meu:

— Mamãe… Cecília… fominha… comer…

Quem aguenta isso?!

Corri até a geladeira, peguei ingredientes e fui toda animada preparar o jantar da menina… e do marido, claro.

Minha habilidade culinária não era conversa fiada.

Pai e filha lamberam os pratos até brilharem.

Quando fui tomar banho no banheiro, pareceu até que ouvi os dois conversando com carinho:

— Cecília, deixar essa mulher aqui até que funciona. A comida dela é boa.

— Mas, papai… quando aqueles dois voltarem amanhã e descobrirem que a gente não come mais a comida deles, eles vão explodir.

— Explodir? Aquilo é comida? Se tiverem alguma pergunta, eu mato eles antes.

— Tá bom. Eu faço a vigilância para você.

Depois do banho, naturalmente ocupei a suíte principal.

Da cama, espiando por baixo do cobertor, vi a sombra dele sentada no sofá, imóvel.

Então, com toda a delicadeza, comecei a mostrar como eu era uma esposa maravilhosa:

— Amor, por que você não toma banho no banheiro enquanto eu lavo seu cabelo na cozinha? Assim é mais rápido.

Chat: "Que tipo de ideia demoníaca é essa?!"

O mais absurdo é que o Boss Sem Cabeça, sei lá no que ele tava pensando, aceitou a minha proposta!
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