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Capítulo 106 — O fim dos traidores

Author: Batistad
last update publish date: 2026-10-03 10:06:59

POV: Damon

“Henrique Bastos e Serena Bellucci tiveram a prisão preventiva decretada.”

Nicolas colocou o telefone sobre a mesa com a expressão de quem esperava alguma reação maior, mas eu apenas fiquei olhando para ele por alguns segundos, apoiado no encosto da cadeira, sentindo uma mistura estranha de alívio e cansaço. Talvez porque, depois de meses de ameaças, mentiras, documentos falsificados, chantagens, dinheiro desaparecido e um tiro que quase encerrou tudo, ouvir que os dois finalmente es
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    POV: Valentina“Eu aceitei esta conversa por mim, não por você.”Henrique ergueu os olhos quando entrei na sala reservada para a visita, e durante um segundo tive a sensação estranha de estar olhando para uma fotografia antiga que alguém deixara tempo demais exposta ao sol. Ele continuava sendo o mesmo homem de traços impecáveis, postura treinada e voz capaz de parecer calma mesmo quando estava tentando manipular alguém, mas agora havia algemas, um advogado sentado ao lado dele e dois agentes posicionados perto da porta. A imagem de poder que durante anos me fizera duvidar de mim mesma parecia pequena naquele ambiente frio.Meu advogado ocupou a cadeira ao meu lado. A conversa seria gravada, autorizada e acompanhada. Eu tinha imposto cada condição antes de chegar, não porque temesse Henrique como antes, mas porque finalmente havia entendido que colocar limites não era sinal de fraqueza. Era uma forma de permanecer dona das próprias escolhas.Henrique me observou por alguns segundos an

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    POV: Damon“Henrique Bastos e Serena Bellucci tiveram a prisão preventiva decretada.”Nicolas colocou o telefone sobre a mesa com a expressão de quem esperava alguma reação maior, mas eu apenas fiquei olhando para ele por alguns segundos, apoiado no encosto da cadeira, sentindo uma mistura estranha de alívio e cansaço. Talvez porque, depois de meses de ameaças, mentiras, documentos falsificados, chantagens, dinheiro desaparecido e um tiro que quase encerrou tudo, ouvir que os dois finalmente estavam presos não tivesse a força cinematográfica que eu imaginara. Não havia música, nem sensação de vitória perfeita, apenas a consciência de que algumas feridas finalmente teriam a chance de parar de ser abertas.Valentina estava do outro lado da sala, perto da janela, lendo a cópia da decisão que Nicolas acabara de encaminhar para nós. Ela parecia calma, mas eu conhecia bem demais a maneira como os dedos dela seguravam o tablet quando alguma coisa mexia por dentro. A investigação tinha avança

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    POV: Valentina “Damon… o que é isso?” Minha voz saiu mais baixa do que eu pretendia, porque as plantas espalhadas sobre a mesa não pareciam um projeto qualquer. Havia anotações à mão, versões sobrepostas, medidas corrigidas, pequenas observações no canto de algumas folhas. Quatro quartos infantis. Uma brinquedoteca. Um jardim amplo. Uma cozinha integrada à sala. Uma biblioteca com portas de vidro. Um escritório duplo. E uma suíte principal com duas entradas para o closet. Eu ergui os olhos para ele. Damon estava parado à porta do escritório, apoiando uma mão discretamente no batente como se ainda tentasse esconder o desconforto da recuperação. A expressão dele, porém, não tinha nada de físico. Pela primeira vez desde que eu o conhecia, pareceu genuinamente pego sem defesa. “É uma casa.” “Eu sei reconhecer uma planta.” “Ótimo. A medicação ainda não afetou sua inteligência.” “Damon.” Ele soltou o ar e veio até mim devagar. Eu percebi o cuidado na maneira como se movia, mesmo t

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    POV: Damon“Se você tentar levantar sozinho outra vez, eu juro que vou pedir para colocarem uma grade nessa cama.”Valentina estava parada na porta do quarto com os braços cruzados, expressão severa e uma xícara de café na mão, e eu tive a rara sensação de que enfrentar um conselho hostil seria mais fácil do que sobreviver àquela mulher durante minha recuperação.“Isso parece cárcere privado.”“Isso parece consequência.”“Eu só queria ir até a janela.”“Você quase abriu os pontos ontem tentando provar que consegue colocar uma camiseta sem ajuda.”“Detalhe técnico.”“Damon.”O jeito como disse meu nome me fez desistir da resposta que eu já tinha preparado. Não porque estivesse intimidado. Eu preferia chamar aquilo de inteligência estratégica. Voltei a me apoiar nos travesseiros enquanto ela se aproximava da cama e colocava o café sobre a mesa lateral, fora do meu alcance.Olhei para a xícara.Depois para ela.“Cruel.”“Você não pode tomar café ainda.”“Então por que trouxe?”“É meu.”“

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    POV: Valentina“Vale.”A palavra saiu antes que eu pudesse transformá-la em algo menos definitivo.Damon me observou da cama do hospital, ainda pálido, ainda com a voz rouca da cirurgia, mas com aquele brilho nos olhos que sempre aparecia quando eu dizia alguma coisa que conseguia atravessar todas as defesas dele. A mão dele continuava entre as minhas, quente agora, viva, e só aquilo já bastava para fazer meu peito apertar de novo.“Vale o quê?”, ele perguntou.Eu estreitei os olhos.“Não finja que não entendeu.”“Estou dopado. Preciso de precisão.”“Você é insuportável até quase morrer.”“Quase morrer me deixou mais criterioso.”Eu respirei fundo, mas o sorriso veio mesmo assim.Era estranho como a felicidade conseguia aparecer no meio daquele quarto branco, ao lado de monitores, curativos e cheiro de hospital. Estranho e quase ofensivo.Mas ele estava ali.E eu também.“Vale a promessa”, falei.Damon não brincou dessa vez.“Da família?”“Da família.”A mão dele apertou levemente a m

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