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A Verdade Que Eu Nunca Quis Ouvir

last update Data de publicação: 2026-06-11 04:35:53

— Você enlouqueceu.

A voz de Luna saiu mais alta do que ela pretendia.

Algumas pessoas no restaurante olharam em sua direção.

Mas ela não se importou.

Seu coração estava disparado.

Sua mente girava.

E tudo por causa de uma única frase.

"Alguém matou seu irmão."

— Eu não vou repetir — disse Leonardo.

— Então não repita!

Luna deu um passo para trás.

— Meu irmão morreu em um acidente de carro.

— Foi o que fizeram você acreditar.

— Pare!

Ela sentiu os olhos arderem.

Durante anos, aquela dor a acompanhara.

A morte de Gustavo havia destruído sua família.

Sua mãe nunca voltou a ser a mesma.

Seu pai se tornou um homem fechado.

E ela...

Ela passou anos tentando aceitar algo que nunca conseguiu entender completamente.

— Você está usando a memória dele para me manipular.

— Não estou.

— Então prove.

Leonardo a observou em silêncio.

Depois tirou um envelope pardo de dentro da pasta que carregava.

Colocou-o sobre a mesa.

— O que é isso?

— Leia.

Luna hesitou.

Seu instinto dizia para ir embora.

Mas sua curiosidade falou mais alto.

Ela pegou o envelope.

Abriu.

Dentro havia cópias de documentos.

Relatórios.

Fotografias.

Anotações.

A primeira foto fez seu coração parar.

Era Gustavo.

Seu irmão.

Sorrindo.

A imagem parecia ter sido tirada poucos dias antes de sua morte.

Luna engoliu em seco.

Passou para a página seguinte.

Havia registros bancários.

Transferências.

Nomes desconhecidos.

Valores absurdamente altos.

— Eu não entendo.

— Continue.

Ela virou outra página.

E então viu algo que a fez gelar.

O nome de seu pai.

Várias vezes.

Ligado às mesmas transações.

— Não.

Sua voz saiu quase como um sussurro.

— Isso não pode ser real.

— Eu verifiquei tudo.

— Está falsificado.

— Não está.

Luna fechou a pasta imediatamente.

— Chega.

Leonardo suspirou.

— Você tem medo da verdade.

— Tenho medo de pessoas como você.

Por um instante, algo brilhou nos olhos dele.

Dor.

Talvez decepção.

Mas desapareceu rapidamente.

— Seu pai sabe mais do que diz.

— Não fale dele.

— Estou tentando proteger você.

— Protegendo?

Ela soltou uma risada amarga.

— Você aparece depois de anos, exige que eu me case com você e agora diz que quer me proteger?

— Sim.

— Isso não faz sentido.

Leonardo ficou em silêncio.

E foi justamente esse silêncio que a deixou ainda mais nervosa.

Porque parecia haver algo que ele ainda não estava contando.

Algo importante.

Muito importante.

O celular de Luna vibrou.

Ela olhou para a tela.

Era sua mãe.

Atendeu imediatamente.

— Mãe?

Mas a voz que respondeu não era a dela.

Era de uma enfermeira.

O sangue de Luna gelou.

— Senhorita Andrade?

— Sim.

— Sua mãe passou mal.

O mundo parou.

— O quê?

— Ela foi levada para o hospital há poucos minutos.

Luna sentiu as pernas fraquejarem.

— Ela está bem?

— Os médicos ainda estão avaliando.

A ligação terminou.

Por um segundo ela não conseguiu respirar.

Não conseguiu pensar.

Apenas sentiu o medo tomando conta de tudo.

Então uma mão segurou suavemente seu braço.

Leonardo.

— Vamos.

— Eu preciso chegar ao hospital.

— Eu levo você.

— Não preciso da sua ajuda.

— Luna.

Ela tentou se afastar.

Mas o próprio corpo parecia não obedecer.

O desespero era grande demais.

As lágrimas começaram a surgir.

E ela odiava chorar.

Principalmente na frente dele.

Sem dizer mais nada, Leonardo pegou as chaves do carro.

— Venha comigo.

Pela primeira vez naquela noite...

Ela não discutiu.


Quinze minutos depois, eles chegaram ao hospital.

Luna praticamente correu pelos corredores.

Seu coração batia tão forte que parecia querer sair do peito.

Quando finalmente encontrou o médico, suas mãos estavam tremendo.

— Como ela está?

O homem respirou fundo.

— Sua mãe está estável.

Luna quase desabou de alívio.

— Graças a Deus.

Mas o médico não terminou.

— Porém...

Aquela palavra foi suficiente para fazê-la congelar.

— Porém o quê?

O médico consultou alguns papéis.

Seu semblante ficou sério.

Muito sério.

— Há algo que encontramos nos exames.

Luna sentiu um frio percorrer seu corpo.

— O que encontraram?

O médico a encarou.

E pronunciou as palavras que mudariam tudo novamente:

— Sua mãe tem um tumor.

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