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Capítulo 3

作者: Cláu
last update publish date: 2026-09-20 21:57:27

O disparo ecoou pelo escritório com uma violência ensurdecedora, Valentina sobressaltou-se, o instinto fez com que fechasse os olhos durante uma fração de segundo. Quando voltou a abri-los, percebeu imediatamente que não havia sido atingida, nem Sophie.

O homem da cicatriz estava caído no chão, imóvel, os olhos abertos encarando o teto. Uma pequena mancha vermelha espalhava-se lentamente pelo carpete.

O silêncio que se seguiu foi ainda mais assustador que o tiro, os outros invasores permaneceram congelados, com medo estampado nos rostos, um deles chegou a dar um passo para trás, outro baixou a arma, nenhum parecia disposto a continuar a luta.

Valentina olhou para Dante, ele continuava parado próximo à porta, a expressão inalterada como se nada tivesse acontecido. Como se um homem não tivesse acabado de morrer a poucos metros dele.

Aquilo a perturbou mais do que o sangue, mais do que a invasão, mais do que as armas, porque não era normal. Ninguém ficava tão tranquilo diante da morte.

Ninguém.

Mas Dante Moretti parecia pertencer a um mundo diferente, um mundo onde a violência era tão comum quanto respirar.

Um dos invasores largou a arma no chão.

- Não fomos nós.

A voz saiu trémula, desesperada.

Dante observou-o durante alguns segundos.

- Eu sei.

- Nós apenas seguimos ordens.

- Eu sei.

- Não sabíamos que ela estava sob sua proteção.

- Agora sabem.

O homem engoliu em seco, Valentina percebeu algo estranho, todos tinham medo dele. Não respeito, não admiração, medo. O tipo de medo que nasce da experiência, como se aqueles homens soubessem exatamente do exatamente do que Dantes era capaz.

O mafioso deu um pequeno gesto com a mão, os homens atrás dele avançaram imediatamente.

Desarmaram os invasores, amarraram-nos, tudo aconteceu em silêncio, com eficiência assustadora, nenhum movimento parecia improvisado. Era evidente que faziam aquilo frequentemente, talvez diariamente.

Valentina sentiu um frio percorrer sua espinha, porque começava a compreender a dimensão daquilo. Ela não estava diante de um empresário poderoso, nem diante de um criminoso comum, estava diante de alguém que comandava homens treinados para matar, alguém cuja autoridade era absoluta.

Quando os invasores foram retirados do escritório, restaram apenas ela, Sophie, Dante e alguns dos seus seguranças, o ambiente parecia menor, mais sufocante.

Dante finalmente voltou sua atenção para Valentina, os olhos escuros analisaram-na cuidadosamente, como se estivesse verificando se ela estava ferida.

Aquilo a irritou instantaneamente.

- Não preciso da sua ajuda.

O silêncio instalou-se, Sophie fechou os olhos claramente arrependida de estar presente naquela conversa.

Os seguranças evitaram olhar para qualquer dos dois, mas Dante não pareceu ofendido.

- Está machucada?

Valentina cruzou os braços.

- Eu disse que não preciso da sua ajuda.

- Isso não responde à pergunta.

- Estou perfeitamente bem.

- Ótimo.

- Ótimo.

Ele continuou olhando para ela e ela continuou olhando para ele, a tensão entre os dois era quase palpável. Valentina não sabia exatamente o motivo, talvez porque aquele homem representasse tudo o que estava dando errado em sua vida ou talvez porque, pela primeira vez desde a morte do pai, encontrava-se diante de alguém que parecia conhecer a verdade.

Toda a verdade.

- Então você é Dante Moretti.

A voz dela cortou o silêncio.

- Sim.

- O homem que apareceu no funeral do meu pai através de representantes.

- Sim.

- O homem que acredita que pode exigir um casamento porque existe um contrato absurdo.

- Sim.

Valentina piscou, a resposta calma a irritou ainda mais.

- Você parece gostar dessa palavra.

- Apenas quando ela é suficiente.

- E acha que isso é suficiente?

- Para algumas perguntas.

- Não para esta.

Dante permaneceu em silêncio.

Ela deu um passo à frente.

- Vou deixar uma coisa muito clara.

- Estou ouvindo.

- Não vou casar com você.

Os olhos dele permaneceram fixos nos dela, sem qualquer reação, sem surpresa, sem raiva, nada.

- Entendido.

Aquilo a desconcertou, esperava resistência, discussão, alguma tentativa de convencê-la, mas não aquela resposta.

- Só isso?

- Só isso.

- Não vai discutir?

- Não.

- Não vai tentar convencer-me?

- Não agora.

Valentina estreitou os olhos.

- Por que sinto que existe um "mas"?

- Porque existe.

Ela sabia.

Claro que sabia.

Homens como Dante Moretti nunca desistiam facilmente.

Nunca.

- Qual é o "mas"?

- Você corre perigo.

- Não por sua causa?

- Não.

- Tem certeza?

- Absoluta.

Ela soltou uma risada sem humor.

- Curioso.

- O quê?

- Meu pai escreveu uma carta antes de morrer.

Pela primeira vez algo mudou, foi rápido, mas ela viu uma pequena alteração em seus olhos.

- Que carta?

- Uma carta onde me aconselhava a nunca confiar em você.

O silêncio instalou-se novamente, desta vez mais pesado, mais perigoso. Dante não respondeu imediatamente e isso chamou sua atençãorque aquele homem parecia ter resposta para tudo.

Mas não para aquilo.

- Ele escreveu isso?

- Sim.

- Palavra por palavra?

- Sim.

Dante desviou o olhar pela primeira vez, apenas por alguns segundos, mas desviou.

Aquilo bastou para aumentar ainda mais suas suspeitas.

- Então era verdade.

Ele voltou a encará-la.

- O que era verdade?

- Você esconde alguma coisa.

Os olhos dele tornaram-se frios.

- Todos escondem alguma coisa.

- Não mude de assunto.

- Não estou mudando.

- Meu pai tinha medo de você.

- Seu pai tinha medo de muitas coisas.

- Responda.

- Não.

Valentina sentiu a irritação crescer.

- Não?

- Não.

- Você não manda em mim.

- Nunca disse que mando.

- Age como se mandasse.

- Estou tentando mantê-la viva.

- Não preciso disso.

- Precisa.

- Não.

- Acabou de ser sequestrada.

A resposta atingiu-a em cheio, Valentina ficou sem palavras durante alguns segundos, porque odiava mentir, mas ele tinha razão. Ela correra perigo, perigo real, mesmo assim recusava-se a aceitar qualquer ajuda dele. Principalmente dele.

- Quem eram aqueles homens?

- Não sei.

- Mentira.

- Não.

- Você sabe exatamente quem eram.

- Ainda não.

- Ainda não?

- Descobrirei.

A confiança em sua voz era perturbadora, como se fosse apenas uma questão de tempo, como se o destino daqueles homens já estivesse decidido.

Valentina olhou para Sophie, a madrasta parecia tão perdida quanto ela, aquilo só aumentava sua frustração, ninguém dizia a verdade e nem explicava nada.

Todos pareciam possuir peças de um quebra-cabeças que ela era incapaz de montar, então lembrou-se da chave.

A pequena chave dourada ainda estava em seu bolso. Seu coração acelerou, ela retirou discretamente observando-me pensando. O pai deixara aquela chave também a carta, talvez estivessem ligados, talvez existisse algo importante escondido.

- O que é isso?

A voz de Dante interrompeu seus pensamentos, ela ergueu os olhos e ele estava olhando diretamente para a chave.

Valentina fechou os dedos imediatamente.

- Nada.

- Mostre.

- Não.

- Valentina.

Foi a primeira vez que ele pronunciou seu nome e houve algo estranho nisso, algo que ela não gostou porque soou natural demais, como se ele já tivesse repetido aquele nome centenas de vezes.

- Não é da sua conta.

Os olhos dele permaneceram fixos nela, depois na mão fechada e depois novamente nela. Uma expressão indecifrável surgiu em seu rosto, algo raro, algo que parecia preocupação.

Preocupação genuína.

- Onde encontrou isso?

- Por que quer saber?

- Onde?

- No escritório do meu pai.

Dante ficou imóvel, completamente imóvel, mais imóvel do que durante o tiroteio, do que diante dos invasores. Aquilo chamou imediatamente sua atenção, porque pela primeira vez desde que o conhecera, parecia verdadeiramente abalado.

Marco Romano entrou no escritório naquele instante, o braço direito de Dante parecia prestes a dizer algo, mas parou assim que viu a chave.

Seu rosto perdeu a cor.

- Não pode ser...

Valentina alternou o olhar entre os dois homens, agora tinha certeza. A chave significava alguma coisa que eles não queriam que ela soubesse.

- O que está acontecendo?

Ninguém respondeu.

- Alguém vai falar?

Marco encarou Dante.

Dante encarou Marco.

O silêncio tornou-se insuportável.

Então Marco finalmente quebrou-o, com uma frase. Uma frase que fez o sangue de Valentina gelar.

- Essa é a chave do cofre.

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