Masuk— Eu ligo quando chegar. A viagem não vai ser longa. Duas horas e alguns minutos - Afonso bradou para o filho do outro lado do carro, os olhos baixos e os lábios dobrados numa curva mostrando um sorriso. — Tem alguma coisa para me dizer.
— O que eu poderia dizer? - Subiu os olhos para o lado de fora quando chegaram ao aeroporto.
— Sobre você e a Chelsea - Luke riu de canto e esperou alguns segundos antes de mirar no pai — Eu quero que case com ela.
— Não é cedo para falar em casamento? Tivemos dois encontros e algumas noites.
— Três semanas de relacionamento é alguma coisa para mim. Gosto dela. - Luke assentiu.
— Eu também gosto dela. - Confessou. E nem sabia como não sorrir ao ouvir seu nome. Desde aquela noite, seus encontros não passavam de trinta minutos para algum idiota tirar uma foto e logo estavam dentro de seu apartamento fazendo o que passou a ser seu esporte preferido, e se pudesse passaria os restos de seus dias preso em qualquer lugar com aquela mulher, desde que ela estivesse lhe sorrindo. — Ela é divertida e parece gostar de mim também.
— Você não é um homem de se jogar fora. Todas as mulheres de todas as idades gostariam de uma chance com um dos meus herdeiros. - Riu novamente — Faça esse favor ao seu velho, quero que ao menos um dos meus filhos case com uma moça que escolhi e que gosta.
— Eu poderia casar com Chelsea e até apresenta-la aos meus irmãos. Se você assumir a Marisa - Afonso lhe encarou. — Sei que não é do seu interesse ter alguém assim assumidamente ou que queira ter mais filhos, mas vocês dois são jovens e maduros tem tudo em suas mãos, menos um ao outro.
— Vou anunciar aquela mulher aos outros, e quando estiver tudo bem, quero que venha a Valcolink e apresentamos as nossas noivas. - Luke estreitou os olhos, mas aceitou o convite — Faz um tempo que não volta para casa.
— Voltarei quando estiver tudo bem como diz. — E depois de um abraço, ambos os homens se separaram por aquele momento.
Afonso chegou há Valcolink um pouco depois das quatro da tarde, num voo particular e muito bem reservado. Ao descer do mesmo, avistou de longe um dos filhos com seu típico visual despojado, onde uma camisa branca sem botões e uma calça folgada junto a um tênis de marca era o seu maior charme. Como podia? Revirou os olhos quando o viu se aproximar rapidamente e logo lhe dar um abraço.
— Estava pensando em morar para lá agora? Quase dois meses de férias e ainda não quer que acredite que não tem um filho preferido - murmurou ao se afastar e pegar a mala que o outro trazia.
— Negócios Lorenzo, são apenas negócios. - Contou ao ser guiado para o carro de vidros escuros que seu filho adotava. — Como está meu neto?
— Na barriga da mãe ainda, como você bem sabe. Estamos com seis meses. - Sorriu de canto ao lembrar-se da esposa já na estrada — Ainda sonho no dia em que você comesse a tratá-la bem. Vamos fazer três anos de casados e estou dando a você o seu segundo neto. - Contou feliz e Afonso acabou rindo de canto. — Estou falando sério.
— Fico feliz de saber que está me dando OUTRO neto, Lorenzo, mas isso não muda o fato de que não gosto da sua esposa. - Contou colocando os olhos escuros.
— Por quê? Porque ela não é uma herdeira desenhista, ou porque ela não é uma ex-modelo mais velha? - Referiu-se ás outras cunhadas. — Talvez porque ela não seja rica, se for isso sinto muito.
— É porque ela não é a mulher que você queria. E então, ela tenta ser essa mulher que você quer, me incomoda mulheres que não tomam sua própria posição. - Lorenzo não disse uma palavra — Maggie faz tudo que você quer porque sabe o que pode perder.
Nenhuma outra palavra foi dita do caminho do aeroporto até a mansão de Afonso, e ao passar pelos portões, notou todos os carros de seus filhos, o que lhe dava a sensação de está em casa, porém, no meio de inúmeras cobras. Desceu do carro seguindo para a porta principal e não demorou a entrar na casa. Estava como havia deixado, suas empregadas sempre fazendo um bom trabalho, contudo, ao chegar à sala de estar, sorriu falsamente para os presentes.
— Quanto tempo se passou, parece que nem lembro mais de sua face - Leon foi o primeiro a levantar da poltrona sendo seguindo pela esposa, ambos se achegaram ao homem mais velho. Leon o abraçou apertado. Embora as brigas fossem constante entre famílias, o amor pelo seu pai jamais iria morrer. — Que bom que está de volta.
— Que bom. - Desfez o abraço e Leon deu lugar a sua esposa — Sasha Dorales, mas bonita do que nunca - passou por ela sem apertar sua mão. — Onde está minha neta?
Sasha abaixou a mão devagar e depois de uma olhada ao seu marido, virou para o sogro — na escola, mas logo chegará.
— Mandei preparar um jantar especial para sua chegada - A sua segunda nora apareceu, trajando um terno chique com seu cabelo curto e negro nas alturas dos ombros, a franja escondendo o que seus olhos queriam mostrar, mas nunca a alma para Afonso que conhecia todos os passos daquela mulher — Seja muito bem-vindo sogro - o abraçou rapidamente, mesmo que ele não tenha mexido um dedo para abraçar de volta. — Pedi também sua bebida preferida que está demorando muito - voltou-se para trás deixando claro que a empregada deveria correr e servir ao senhor que olhava tudo com atenção. Algumas semanas fora e elas invadiam sua casa como se fossem donas.
— Achei que a intenção era não gritar muito - Liam o filho mais novo parou atrás de sua esposa, — Oi pai. Valentina só quis - olhou para a esposa — Fazer uma surpresa.
Afonso olhou em volta depois de receber o copo de uísque. Não era nenhuma surpresa que depois de todas as suas viagens elas se juntavam ali para dar boas vindas, e agora, até com a presença de Maggie a grávida da vez. Agradecia pelos netos, eram as pessoas que mais amava no mundo.
— Que bom que estão todos reunidos aqui. - Virou para Valentina — E acredito que seu jantar seja um dos melhores, foi uma coisa boa ter o preparado - A mulher sentiu o coração acelerar — Tenho um anúncio importante a contar a vocês, Valentina, Maggie e Sasha… E aos meus filhos, Leon, Lorenzo e Liam.
— O que? O Luke arramou uma esposa? - Lorenzo quis saber já achando graça.
— Não apenas ele - Tomou todo o liquido do copo e se despediu dos demais.
Enquanto subia as escadas, as mulheres se entreolharam se aproximando mais do centro da sala e sentaram em seus lugares junto dos maridos.
— O que ele quis dizer? - Liam foi o primeiro a quebrar o silêncio. — Quer dizer que ele arrumou uma namorada também? Mas o nosso pai?
— Espero que não seja uma garotinha nova esperando que ele lhe der algum dinheiro quando for dessa para melhor - Valentina murmurou e logo encarou os demais sabendo que tinha dito muita coisa. — Quero dizer… que não seja nenhuma interesseira, isso que quero explicar.
— Não devíamos nos preocupar por ela ser uma interesseira - Sasha começou enquanto balançava sua taça de champanhe — Afinal, uma a mais ou uma a menos nessa sala não vai ferir ninguém - mirou o olhar em Maggie do outro lado que lhe encarou de volta.
— Isso é alguma indireta? - Bradou de onde estava.
— Se serviu para você, use-a. - Delicada e com um sorriso falso, Sasha olhou para Lorenzo que desviou para sua esposa. — Só estou dizendo que você é a única pobre que lutou para casar-se com um homem rico.
— Você está louca garota, eu não pedi nada. - Maggie levantou mesmo seu marido tentando a segurar, a barriga era grande para iniciar outra briga com aquela mulher. — Ele quem correu atrás de mim.
— Muito difícil de acreditar quando você não chega nem aos pés… - Levantou também, mas parou de falar quando seu marido Leon lhe encarando firmemente.
— Vocês não vão começar uma briga aqui e agora. Meu pai acabou de voltar de uma viagem e prometemos que iriamos jantar como uma família civilizada. - Pediu Leon aos outros irmãos que assentiram. — Vão se arrumar, procurar o que fazer.
Valentina assentiu e mesmo não querendo, precisava mesmo ir ver o jantar, queria que tudo saísse perfeito. Sasha aproveitou para esperar a filha que logo chegaria da escola no jardim, e Maggie subiu para se trocar. Não gostava de passar sequer um minuto no mesmo ambiente que as outras duas.
— Quando o papai disse “não apenas ele” quer dizer que Luke também achou uma garota - Liam murmurou — Então o irmão mais velho vai ser o último a se casar.
— Acho que ele preferiu escolher bem e não casar com a primeira namorada, aos dezoito anos de idade - Leon jogou na roda fazendo Liam revirar os olhos — Nada contra, Valentina é uma mulher sábia.
— Sábia é a mulher que conseguiu chamar atenção do Luke - Lorenzo parou em gente a janela olhando para o jardim — o último de nós e ainda lá em Seant.
— Isso tem cheiro de Afonso Ambrose. Certeza que ele fez questão de escolher a próxima nora. - Liam tornou a falar e encarou os irmãos. — Será que ele vai gostar dessa pelo menos?
— A pergunta que não quer calar é porque, e apenas porque ele não gosta e nunca gostou das nossas esposas - Leon ficou de pé. — Elas não fizeram mal a ele ou a qualquer pessoa, pelo menos não que eu saiba.
— Alguma coisa me diz que ele sabe de alguma coisa das meninas, só nunca nos contou. - Lorenzo sugeriu.
— Ou ele queria que a gente vivesse como ele… Solteiros para sempre. - A ideia parecia boa, mas já estava longe demais para isso acontecer.
— Vai ficar insuportável — Liam comentou.— Já é — Lorenzo respondeu.— Ela puxou o pai.Leon e Lorenzo se encararam.— Qual deles? — Leon perguntou. Todos começaram a rir.Até Afonso. A risada foi diminuindo lentamente. E pela primeira vez aquela sala pareceu leve. Não feliz. Ainda havia cicatrizes. Casamentos destruídos. Confianças quebradas. Uma paternidade roubada. Dinheiro desviado. Uma criança prestes a nascer dentro de uma família que já começava separada. Mas as mentiras haviam acabado. Luke se desencostou da parede.— Falta uma coisa. — Afonso olhou para ele. — Chelsea. — Afonso abriu um sorriso.— A única escolha decente feita por um filho meu.— Ei — Liam reclamou.— Eu estou solteiro. Pode continuar — Lorenzo incentivou.Luke riu.— Por que ela? — Afonso entendeu a pergunta. — Por que deixou tudo para Chelsea encontrar?Afonso olhou para a janela.— Porque ela não tinha nada a ganhar destruindo vocês.Os irmãos ficaram em silêncio.— Chelsea tinha dinheiro próprio. Carreir
Leon ficou de pé também.— Nós chegaremos nessa parte.A voz dele era assustadoramente calma.— Primeiro termina de explicar como conseguiu colocar um caixão vazio no meio da nossa sala. — Afonso massageou a testa. — O caixão realmente estava vazio.Liam arregalou os olhos.— Eu sabia!— Você não sabia porra nenhuma — Lorenzo rebateu.— Eu sempre achei estranho não podermos abrir.Luke olhou para Afonso com uma expressão que misturava incredulidade e vontade de rir.— Nós rezamos para um caixão vazio.— Basicamente.— Pai!— Eu sei que parece horrível quando digo assim.— Parece horrível de qualquer jeito! — Leon rebateu.Afonso levantou as mãos.— O hospital alegou que meu corpo não deveria ser exposto por causa dos procedimentos e da transferência. Meu advogado cuidou do restante.— Seu advogado é um criminoso — Luke murmurou.— Um excelente criminoso.Lorenzo caiu na gargalhada.— Eu não acredito nisso.Afonso também quase sorriu.— A documentação real permaneceu sob sigilo. Eu não
— Eu atravessei o inferno para chegar até este casamento, Luke. Não ouse transformar o dia da pequena Chelsea em um interrogatório.Foi apenas quando ouviu o nome dela que Luke pareceu lembrar onde estava.Virou-se.E encontrou Chelsea no início do corredor.Os olhos dela estavam cheios de lágrimas.Mas havia um sorriso ali.Um sorriso tão bonito que alguma coisa dentro dele finalmente se acalmou.Afonso acompanhou seu olhar.— Além disso... — murmurou. — Passei anos dizendo que queria essa menina como minha nora. Não vou perder justamente a parte em que finalmente consigo o que queria.Chelsea riu no meio do choro.— Você continua mandão.— E você continua respondona.— Pensei que estivesse morto. Posso me dar esse direito.Afonso abriu os braços.Chelsea não resistiu.Entregou o buquê para Marisa e correu até ele.O abraço foi apertado.— Eu senti sua falta — confessou contra o peito dele.Afonso beijou seus cabelos.— Eu também senti sua falta, pequena.— Isso foi cruel.— Eu sei.
— Ah minha maquiagem — Reclamou ao ver Chelsea se aproximar para um abraço forte. — Você está tão linda.— Senti a sua falta. Senti muito a sua falta — Avisou ainda a abraçando e se pudesse não soltaria por um longo tempo. Mas é claro, não podia se dar esse luxo no momento — eu não posso chorar ou vou acabar com minha maquiagem, olha o que está fazendo.— Lágrimas de noiva é sinal de boa sorte. Lea, e estou feliz em finalmente conhecê-la, sua filha fala muito de você. — Cumprimentou a mais velha que assentiu gostando do agrado. — Eu vou deixar vocês sozinha, mas lembrem-se, vocês tem apenas alguns minutos, conversam, matem a saudade e desça, o Luke está desesperado a voou da lua-de-mel sai à meia noite.Chelsea acabou rindo, todo mundo se preocupou em preparar-se para o casamento, com convidados, roupas e flores, enquanto Luke, Liam, Leon e Lorenzo fizeram uma rota de lua-de-mel para os pombinhos como presente de casamento. Podia reclamar dos seus cunhados, claro que não.— A minha me
Naquela tarde em questão os carros entraram no estacionamento fórum com mais alguns seguranças, gente para todo lado como se estivessem ali para ver o um show, uma mentira completamente. Leon, Lorenzo e Liam desceram do carro sendo escoltados para dentro do lugar, e mesmo ali, as fotos eram negadas, ninguém precisava saber que estavam indo ali darem um fim a vida de casados para sempre.Foram os primeiros a chegarem, a sala bem iluminada com o advogado de cada esposa presente, e o único para ditar as regras dos três. As cláusulas eram claras e precisas e não teriam como aceitar. Seria uma grande dificuldade não conseguir quebrar o vinculo para sempre com cada uma, mas eles suportariam aquele tipo de coisa. Logo, logo estariam na pista de verdade e mais casamentos viriam, ou apenas namoros, namoros eram amis seguros.A primeira a chegar foi Valentina, atravessou a sala mostrando os passos precisos e sentou em seu lugar, ao lado do advogado. Não havia mudado nada nas seis semanas que Li
— Tenho uma surpresa. Vem comigo.O tom tranquilo a enganou. Valentina o seguiu até o escritório e só percebeu a armadilha quando viu a caixa marcada com seu nome sobre a mesa.— O que é isso?— Um presente do meu pai. Abre.Valentina levantou a tampa esperando joias. Encontrou extratos, recibos, cópias de transferências e autorizações eletrônicas emitidas com credenciais de Liam. No fundo, havia documentos da empresa do pai dela e uma fotografia de Afonso saindo de uma reunião com auditores.O sorriso desapareceu devagar. — Eu posso explicar.— Vai explicar como afastou Lea de mim ou como desviou dinheiro da empresa da minha família? — Liam se levantou. — Começa pelo dinheiro. A outra mentira eu já sobrevivi uma vez.Valentina respirou com dificuldade. — A empresa dos meus pais estava falindo. Eu trabalhava na faculdade porque precisava de dinheiro. Quando conheci você…— Quando descobriu meu sobrenome.Ela não respondeu.— Você se aproximou de mim por isso?— No começo, eu vi uma sa







