Masuk«Não acho que o Theo os conhecesse de todo», disse eu depressa, a cortar o silêncio. «Apareceram do nada e bloquearam-lhe o caminho. Não é verdade, Theo?» Olhei para ele, a esperar que apanhasse a deixa.
Os olhos dele ergueram-se de súbito até aos meus, arregalados de surpresa, e depois cintilaram com uma pergunta que eu compreendi perfeitamente.
«S-Sim… não os conheço», conseguiu dizer, a voz curta e tensa.
«Talvez fossem ladrões a estudar a mansão e tivera
Porque é que ele sequer se importa de qualquer forma?«Realmente tenho de ir a algum sítio. E além disso, não quero incomodar-te», respondi, a manter o tom tão formal quanto conseguia.«Estás só a inventar desculpas. Só admite que me estás a evitar. Achas que eu não reparei? As reuniões que saltas sempre que eu estou lá. A forma como manténs a distância.» Não havia como confundir a raiva na voz agora.«Não sei do que estás a falar», disse eu, a forçar a voz a manter-se calma mesmo enquanto os nervos se apertavam.«Mentirosa. Nem sequer és subtil nisso.» A voz baixou, mais quieta mas mais pesada. «E achas que eu não sei que não tens estado a voltar ao teu antigo apartamento? Perguntei à auxiliar de limpeza. Disse que não estás lá há duas semanas. Agora diz-me que não me estás a evitar.» As palavras atingiram mais forte do que eu esperava.Não compreendia porque é que ele estava a agir assim, porque é que soava como se eu lhe devesse um
POV da Elyssa:No momento em que o Theo me encurralou naquele elevador sufocante, um medo frio apoderou-se de mim, e soube que tinha de escapar do meu antigo apartamento. Não houve hesitação, liguei de imediato à Lily, a voz a tremer enquanto desabafava a situação desesperada.Bendito o coração dela, ela nem sequer pausou, a oferecer o sítio dela como um santuário até eu conseguir encontrar o meu. E assim, durante quase duas semanas angustiosas depois daquele encontro carregado, o meu antigo apartamento permaneceu um fantasma de casa, um sítio a que eu não ousava regressar, tudo para evitar outro confronto esmagador com o Theo. Cada dia era um ato deliberado de evitação, uma dança desesperada para garantir que os nossos caminhos não se cruzassem outra vez.Com a ajuda da Lily e da Irene, consegui encontrar um apartamento novo. Ficava no mesmo prédio onde a Irene estava a alugar, o que tornava tudo um pouco mais seguro e um pouco menos avassalado
Frustrado, não a ajudei a chegar à porta, mesmo que ela estivesse a coxear.As palavras dela continuavam a rodar na mente enquanto eu conduzia de volta em direção ao Hotel Springfield. Não conseguia sacudi-las, não conseguia parar de questionar se eu tinha estado a fazer tudo isto de forma errada.Finalmente, num impulso de raiva e determinação, fiz uma curva em U afiada e conduzi de volta para o meu antigo apartamento. Não tinha ficado lá em quase dois anos, não desde que ela saiu do país, mas tinha-o mantido limpo, pago uma limpeza regularmente para manter o penthouse em condições impecáveis.Quando cheguei ao prédio, avistei-a justo quando ela entrava no elevador. Não consegui deixar de sorrir. Ela tinha mentido sobre ter de ir a algum sítio. Tinha vindo direto a casa, só um par de horas depois de a deixarmos na paragem de autocarro.Os olhos dela se arregalaram quando me viu entrar, e por um momento, simplesmente nos olhámos um para o ou
«Estás sequer a ouvir-te a ti mesmo?», disse ela entre risos. «Não é assim que ela funciona. Isso não é algo que ela faria. Não te vou ajudar com isso. Já a magoei uma vez. Não vou ajudar-te a magoá-la outra vez», acrescentou ela.Tentei raciocinar com ela, mas não levou a lado nenhum. Por isso fiz a única coisa que restava: chantageá-la.«Se não concordares», disse eu com calma, «então falo com o teu pai eu mesmo. Conto-lhe a verdade. Que não há nada entre nós. E que estás realmente envolvida com um dos meus empregados.»A expressão dela mudou de imediato. Os olhos tornaram-se frios e duros antes de brilharem com algo muito mais profundo, algo próximo do medo. Sorri de lado. Acertei na porra do prego na cabeça. Sabia exatamente o que a aterrorizava.«Imagina como ele reagirá quando descobrir que estás a ver um homem casado», continuei. «A viver com ele, nada menos. Duvido que ele leve isso bem. Pode até forçar-te a sair da empresa. E o Tyle
A próxima vez que nos vimos foi no dia de apreciação trimestral da empresa. Desta vez, vim preparado.Trouxe a Tiffany comigo e tornei-o óbvio. Deixei parecer que ela era a minha acompanhante para a noite, a saber exactamente como aparecería a toda a gente que observava. Os rumores à volta do escritório já circulavam há meses, as pessoas a sussurrarem que estávamos juntos.Não fiz nada para os corrigir. Na verdade, apoiei-me nisso. Se significasse meter-me debaixo da pele da Elyssa, tanto melhor.A Tiffany e eu, estávamos em bons termos agora. Amigos, de uma forma que fazia sentido para nós.Ainda me lembrava do dia em que ela descobriu sobre a Elyssa e eu nos separamos. Ela sabia exactamente como acabou e porque a Elyssa saiu do país.Não muito depois disso, ela veio ter comigo a pedir uma oportunidade. Dei-lha, mas nunca a sério. Certifiquei-me porra bem de que ela soubesse logo desde o início que o que quer que tivéssemos nunca se
Olhei-a direto nos olhos, a manter o olhar com intensidade quieta, a certificar-me de que não havia espaço para dúvida, nenhum espaço para ela fingir que não compreendia. Sim, bebé... Estou a falar contigo, mais ninguém.«Senhorita Gomez, está a ouvir?», insisti, a voz mais dura agora, a carregar uma nota clara de impaciência. Ela enrijeceu de imediato.«A-Ah... sim, senhor», balbuciou ela, a voz a tremer ligeiramente.«H-houve só alguns problemas menores, mas já foram resolvidos com a ajuda do senhor Lopez», acrescentou ela, a tentar estabilizar-se. As faces coraram de um vermelho profundo enquanto baixava o olhar para a mesa, incapaz de encontrar os meus olhos.E por um breve momento, por baixo de tudo o resto que eu tentava ser. Senti outra vez. Aquela atração. Aquela suavidade familiar e perigosa que eu tinha estado a tentar tão duro enterrar.«Bem, claro que o senhor Lopez interveio. Ele sempre o faz, não é?», retorqui, cada pala







