LOGIN— Então que tipo de rapaz é o teu ideal? — perguntou-me, seguindo-me e sentando-se ao meu lado, com a curiosidade claramente insatisfeita.
— Alguém que seja bondoso com os outros, que não seja arrogante e que não tenha uma atitude repulsiva — respondi, com a voz firme e convicta. Era a verdade, claro, mas ao falar não pude deixar de pensar que descrevia exatamente o oposto de Theo. — Espera, o Theo não é má pessoa. Tem imensos amigos! — defendeu ela, franzindo a testa como se não conseguisse de forma nenhuma perceber como eu podia vê-lo de outra forma. Ah, se tu soubesses, Melody. Se tivesses visto o quão terrível e cruel ele pode ser. — Se não o conheces pessoalmente, como podes dizer isso? Chega a conhecê-lo? — insistiu ela. Não me apercebi de que as palavras já me tinham escapado antes de as conseguir conter. Soou como se o conhecesse muito bem e estivesse irritada com ele. De repente, senti-me encurralada. — Quero dizer, olha para ele. Parece tão arrogante. Vê-se logo que tem uma má atitude — disse eu, forçando um tom casual enquanto procurava uma desculpa. Não sei, simplesmente não lhes podia dizer a verdadeira razão de saber tanto sobre ele. Não sabia por que não dizia simplesmente que ele era o meu meio-irmão. Mas provavelmente era melhor assim, disse a mim mesma. Ter-me-iam cercado de pedidos para os apresentar e isso era a última coisa que eu queria. Recusava-me a ser a ponte entre aquele idiota e a sua fila interminável de admiradoras. Nunca. Nem por todo o ouro do mundo. Bem, acho que foi bom ter mantido a nossa relação em segredo, porque assim que cheguei a casa depois da aula, ele confrontou-me. Eu caminhava pelo corredor em direção ao meu quarto, com a mochila pesada ainda ao ombro, quando ele saiu silenciosamente do seu quarto, aparecendo como se estivesse à minha espera. Assim que o vi, hesitei entre continuar ou enfrentá-lo, mas já era tarde para o evitar, por isso continuei o meu caminho. Depois, ao passarmos um pelo outro, ele embateu propositadamente o ombro no meu. Não havia dúvida, eu o vi a olhar para mim desde que virei a esquina, por isso sabia que o tinha feito de propósito. Aquele breve contacto enviou uma descarga elétrica a percorrer o meu corpo e soltei um suspiro de surpresa. Quando o olhei, a sua expressão era fria e inescrutável, mas eu sabia exatamente o que ele procurava. Criar conflitos e lançar insultos cruéis era a sua forma favorita de passar o tempo sempre que estávamos a sós e parecia que hoje não era exceção. O meu sangue começou a ferver enquanto o fitava com firmeza, cerrando o maxilar enquanto me preparava para responder a qualquer palavra ofensiva que ele tivesse a intenção de dizer. — Sei que tens consciência de que agora frequentamos a mesma escola. — Disse-o num tom frio e trocista e eu soube de imediato que ia dizer mais alguma coisa desagradável a seguir. Sentia-o nos ossos. — E então? — perguntei, erguendo uma sobrancelha. — Quero que mantenhas em segredo que somos irmãos de criação. Ninguém na escola precisa de saber. — E por que hei de fazer isso? — questionei, com a voz firme e desdenhosa, cruzando os braços sobre o peito. Para ser sincera, era exatamente isso que eu também queria. Mas ardia de curiosidade. Por que estava ele tão determinado a manter a nossa relação em segredo na escola? — Porque eu o digo. Finge que não me conheces. Entendeste? — A voz dele soou mais dura agora, carregada de exigência, como se esperasse que eu obedecesse sem questionar. Ah, aquele idiota! Tem vergonha de ser parente de mim? Como se eu alguma vez tivesse orgulho em o chamar de meu meio-irmão! Também eu tinha vergonha de estar ligada a ele, graças ao seu temperamento péssimo e ao seu comportamento rude e irrefletido. — Está bem. Se é isso que queres. É tudo? — disse eu, com a voz tensa de irritação, pondo fim à conversa. — Pois bem. Não quero que ninguém descubra que os nossos pais se casaram ou que vivemos sob o mesmo teto — afirmou com arrogância. Talvez tivesse engolido o meu orgulho se eu fosse a única razão da sua vergonha. Sei que ele me odeia, afinal, mas por que razão tinha a sensação de que também tinha vergonha de que a minha mãe fosse a sua madrasta? Isto estava a ir longe demais. Insultava-me a cada oportunidade e eu aprendera a cerrar os dentes e a suportar a sua crueldade. Mas nunca, jamais o deixaria desrespeitar a minha mãe. É melhor que nem tente, porque eu não vou recuar. Nem agora, nem nunca. — Sabes uma coisa? Se tens vergonha de ser parente de mim, o sentimento é recíproco. És tão arrogante, agindo como se fosses melhor que todos os outros, mas a tua atitude é péssima — atirei, libertando finalmente toda a frustração que tinha contido. — O que disseste? — rugiu ele, com a voz trovejante e muito mais furioso do que eu esperava. Antes de sequer pensar em responder, ele estendeu a mão, agarrou-me o braço com força e aproximou o rosto do meu com a mesma dureza. A sua mão apertava com tal força que me fez soltar um gemido de surpresa e a sua respiração quase tocava a minha cara. Ficámos ambos imóveis, como se fôssemos atingidos pela mesma faísca elétrica que surgiu entre nós no momento em que as nossas peles se tocaram. Era a mesma sensação de antes, mas mais forte desta vez, e enviou um arrepio pela minha espinha enquanto o meu coração batia a um ritmo alucinante. Os nossos olhos cruzaram-se e, num instante, tive a certeza de que a raiva nos olhos dele diminuiu um pouco, dando lugar a uma expressão confusa, tal como a minha. Continuámos a olhar um para o outro, quase como se estivéssemos em transe, e nenhum de nós parecia conseguir desviar o olhar. Reparei em cada pequeno detalhe, em como o peito dele subia e descia com a respiração acelerada, nas pequenas manchas escuras nos olhos dele que eu nunca tinha notado antes, e depois vi o seu pescoço mexer nervosamente enquanto o olhar dele deslizava lentamente do meu rosto para os meus lábios, como se fosse contra a sua vontade.«Não sabes isso? Se continuarmos esta relação e continuarmos a desobedecer-lhes, a condição dela pode piorar. Gosto de ti, Theo, mas também gosto da minha mãe. Peço desculpa. Podes odiar-me por isto se quiseres, mas realmente já não consigo fazer isto. Vamos acabar com a nossa relação.»Forcei-me a olhar diretamente para os olhos dele apesar do quanto doía. Lágrimas frescas rolavam sem fim pelo rosto.«Não, não vou concordar com isto.» disse o Theo de imediato. A voz soava desesperada agora.Depois de repente, para meu choque, ele baixou-se devagar de joelhos à minha frente.«Por favor, baby. Tem pena de mim. Não consigo sobreviver a perder-te outra vez.» implorou partidos enquanto me olhava de baixo com olhos cheios de lágrimas.Aquela visão despedaçou-me por completo o coração. Ver o Theo ajoelhar-se à minha frente assim quase me fez ceder de imediato. O homem que outrora se comportava com tanto orgulho e confiança estava agora a im
«Baby, por favor. Já te disse. Podemos superar isto. Eu trato de tudo…» disse ele fracamente, a parecer devastado.Antes que eu pudesse pará-lo, ele puxou-me de repente para os braços. No instante em que me abraçou, quase me desmoronei por completo. O abraço sentia-se quente, seguro, reconfortante, exatamente como casa.E por um segundo doloroso, tudo o que eu queria era ficar ali para sempre e esquecer tudo o resto, mas eu sabia que não podia.Não podia permitir-me enfraquecer agora. Por isso, apesar do quanto me magoava, empurrei-o para longe com força.«Disse que já não quero isto! Porque é que estás a ser tão persistente?!» gritei violentamente.O Theo cambaleou ligeiramente com a força com que o empurrei, mas ainda me olhava com incredulidade e dor.«Sei que aconteceu qualquer coisa. Não agias assim sem razão. Falaram contigo? O que é que disseram?» exigiu. A paciência claramente começava a esgotar-se agora.Desviei
Parecia que o meu mundo inteiro se tinha desmoronado quando regressei ao penthouse do Theo. Já não era eu mesma. Enquanto estava de pé dentro do elevador, sentia-me completamente entorpecida, como se o corpo se movesse sozinho enquanto a mente permanecia presa de volta no quarto do hospital com os gritos desesperados da Mãe a ecoar na cabeça.Tudo se sentia insuportavelmente pesado. O peito doía tanto que se tornava difícil respirar devidamente, e os pensamentos estavam tão enredados de medo, culpa e coração partido que já mal conseguia pensar direito.Nem sequer me apercebi de quanto tempo a subida até ao penthouse tinha demorado porque a mente estava noutro lado o tempo todo. Tudo o que conseguia lembrar era a Mãe deitada fracamente naquela cama de hospital. A voz trémula, os ofegos dolorosos por ar e a promessa que eu tinha feito. A promessa que me despedaçou por completo.Quando cheguei à porta do penthouse, sentia-me emocionalmente esgotada e
Depois do que pareceu uma eternidade, o médico finalmente saiu da UCI. O Tio Greg aproximou-se de imediato.«O que aconteceu à minha mulher, doutor?» perguntou ansiosamente. O médico removeu a máscara antes de responder a sério.«Sofreu um ataque cardíaco ligeiro causado por stress severo e preocupação excessiva. Já não lhe tinha explicado antes que o stress emocional é extremamente perigoso para a condição dela?»O corpo inteiro gelou ao ouvir aquelas palavras. As palavras do médico bateram-me como uma bofetada dolorosa no rosto. Senti o peito apertar-se enquanto a culpa me consumia por completo.Devagar, reparei que o Tio Greg se virava para mim e lançava um olhar afiado e ressentido na minha direção. Desviei o olhar de imediato, incapaz de aguentar a acusação nos olhos porque no fundo sabia que eu realmente era responsável por isto.«Como está ela agora? Está bem?» perguntou o Tio Greg depressa outra vez.«Está estável por a
«Mãe. Por favor diz-me que estás a brincar…» A voz tremia violentamente.O peito apertava-se dolorosamente enquanto o terror me consumia lentamente. Há quanto tempo é que ela me escondia isto? Porque é que não me contou mais cedo?«Sabes que eu nunca brincaria com uma coisa destas, Elyssa. Não te contei porque não queria que te preocupasses, mas agora já não tenho escolha. Os meus médicos avisaram-me estritamente para evitar o stress e a tensão emocional tanto quanto possível, mas desde que descobri sobre ti e o Theo, a minha condição piorou muito. O médico disse que se isto continuar, o stress pode desencadear um ataque cardíaco e eu posso não sobreviver.»As lágrimas escorriam pelas faces enquanto ela inspirava outra vez de forma trémula. Senti os joelhos enfraquecerem ao ouvir aquelas palavras. Fitei-a impotente enquanto as lágrimas embaciavam a visão.«Por isso por favor, Elyssa, se ainda te importas comigo como mãe, deixa o Theo. Faz is
Numa tarde, sobressaltei-me quando a campainha tocou de repente por todo o penthouse. No início, pensei que poderia ser o Theo a regressar a casa cedo, mas quando verifiquei a câmara de segurança perto da entrada principal, o corpo inteiro congelou. Era a Mãe e o peito apertou-se de imediato de pânico.O Theo não estava em casa na altura porque tinha saído para se encontrar com um amigo que lhe tinha oferecido uma possível posição na empresa. Eu estava sozinha no penthouse, completamente despreparada para a visita súbita da Mãe.Por alguns segundos, fiquei ali parada a fitar o monitor, incapaz de me mexer. Hesitei em abrir a porta porque sabia exatamente o que aconteceria assim que ela se apercebesse de que eu já estava a viver aqui com o Theo. Depois ouvi de repente a voz dela de fora.«Abre, Elyssa. Sei que estás lá dentro.»A firmeza na voz fez-me o estômago contorcer-se nervosamente.Nunca esperava que ela já soubesse que eu estav







