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Capítulo 16: Acusações

Author: Helenmaria
last update publish date: 2026-08-28 08:00:35

As semanas transformaram-se em meses e a mansão tornou-se silenciosa. Já não discutíamos nem lutávamos como antes. Ele estava ocupado com a conclusão do ensino secundário e com a escolha da universidade onde iria estudar. Admito que ainda fazia tudo o que podia para o evitar, unicamente por causa daquele beijo. Mas era evidente que ele não se lembrava de nada. Nunca gozou comigo nem me insultou por causa do que tinha acontecido, nem uma única vez.

 

Eu ia agora começar o ensi
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    Ele era tão cruel e fazia-me sempre isto. Devo tê-lo pontapeado com mais força do que pensava, pois curvou-se de dor e praguejava com fúria. O primeiro pensamento que me ocorreu por medo foi fugir e foi exatamente isso que fiz. Corri o mais depressa que as pernas me permitiram, como se a minha vida dependesse disso. A raiva nos olhos dele era tão intensa que eu sabia que me iria magoar se me apanhasse. Ouvi-o a gritar furiosamente atrás de mim e forcei-me a correr ainda mais depressa. Gritei quando o vi a perseguir-me. Os passos dele soavam como trovões enquanto corria para me alcançar. Subi as escadas a correr até ao meu quarto e o coração batia-me com tanta força que pensei que me ia sair do peito. Quando finalmente cheguei à porta, abri-a de par em par e entrei depressa. Tentei fechá-la com força, mas ele apareceu num instante, colocou a mão contra a porta para me impedir e forçou a entrada. Dei um passo para trá

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    Fiquei imóvel de choque por um instante antes de começar a debater-me, virando a cabeça para me soltar, mas apenas consegui que ele me beijasse com mais força. O aperto dele apertou para me manter no lugar. Mantive os lábios cerrados o mais forte que pude, mas ele não parou. Com destreza, abriu-me a boca e introduziu a língua. O beijo dele era carregado de paixão e raiva, nada parecido com o beijo desajeitado e febril que partilhámos na noite em que ele estava completamente bêbado. O medo apertou-me o peito e os nervos gritavam para que fugisse. Continuei a debater-me, o corpo a esforçar-se por se libertar do aperto dele. Cada parte daquele beijo parecia uma punição, como se ele estivesse a descarregar a sua raiva em mim a cada toque dos lábios. Mas mesmo enquanto lutava contra ele, algo estranho e indesejado acontecia no fundo de mim. Devagar, contra a minha vontade, a minha resistência começou a desmoronar. Uma parte de mim que nã

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    As semanas transformaram-se em meses e a mansão tornou-se silenciosa. Já não discutíamos nem lutávamos como antes. Ele estava ocupado com a conclusão do ensino secundário e com a escolha da universidade onde iria estudar. Admito que ainda fazia tudo o que podia para o evitar, unicamente por causa daquele beijo. Mas era evidente que ele não se lembrava de nada. Nunca gozou comigo nem me insultou por causa do que tinha acontecido, nem uma única vez. Eu ia agora começar o ensino secundário e ele tinha finalmente terminado os estudos. Isso significava que já não o veria a andar pela escola. Festejámos a sua conquista num restaurante requintado e como prenda de formatura o pai dele ofereceu-lhe uma viagem de um mês pela Europa com os amigos. A mansão manteve-se calma durante semanas e a vida parecia perfeitamente pacífica sem ele debaixo do mesmo teto. Pensava que aquela tranquilidade ia durar muito tempo, mas revelou-se apenas temporária. Disse a mi

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