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Capítulo 7: Entre Ódio e Desejo

Autor: Helenmaria
last update Data de publicação: 2026-08-27 06:33:49

— Solta-me! — rosnei, arrancando o braço com força.

 

Eu estava tão confusa com aquela sensação estranha quanto ele. Era como se um íman me puxasse na sua direção e o meu coração batia tão depressa que parecia que ia rebentar.

 

Aquele gesto pareceu despertá-lo do transe. Pestanejou rapidamente, com os olhos muito abertos como se não conseguisse perceber o que estava a acontecer, como se não conseguisse acreditar que se tinha deixado perder naquele breve instante. E depois, a sua expressão mudou de imediato de atónita para furiosa.

 

— Está bem. Faz como quiseres — disse eu, tentando parecer firme e irritada, embora ainda estivesse confusa com o que tinha acabado de acontecer. Virei-me depressa e fui para o meu quarto, fechando a porta atrás de mim.

 

Apoiei-me na porta, ainda confusa. Encostei as mãos à madeira fria e tentei respirar devagar e fundo, mas cada respiração era trémula. A minha cabeça andava às voltas, tão confusa que mal conseguia pensar com clareza.

 

O que era aquela sensação forte que eu tinha sentido? Disse a mim mesma com firmeza que o odiava. Eu sabia que o odiava. Ele era cruel, era mau, sim. Mas por que raio sentia aquele formigueiro estranho no peito sempre que discutíamos, como se tivessem milhares de borboletas presas lá dentro? E aquele choque elétrico que sentimos ao tocar-nos, era real ou estava apenas a imaginar?

 

Será que ele também sentiu aquilo? E por que raio batia o meu coração com tanta força que o sentia na garganta, a trotar como um cavalo de corrida? Por mais que tentasse, não conseguia entender nada. Nada fazia sentido naqueles sentimentos confusos e contraditórios.

 

Maldição, o que se passa comigo?

 

Naquela noite, para o evitar, pedi aos empregados que me levassem o jantar ao quarto. Os nossos pais tinham ido a uma festa, como faziam muitas vezes. Costumávamos jantar juntos quando eles estavam em casa, a pedido do Tio Greg, mas quando eles saíam, cada um seguia o seu caminho.

 

Depois de acabar os trabalhos de casa, decidi descer para ir buscar leite. Ao passar pela sala de exercício, reparei que a porta estava entreaberta. Curiosa, espreitei e fiquei imóvel. Theo estava a fazer exercício, a levantar pesos pesados e não usava camisola, apenas uns calções de banho. Não consegui desviar o olhar.

 

Soltei um grito de espanto ao vê-lo e disse a mim mesma para me afastar de imediato, mas os meus olhos recusavam-se a obedecer. As minhas bochechas ficaram vermelhas como fogo e engoli em seco, de repente a reparar em cada detalhe. O corpo dele era deslumbrante, definido e na proporção perfeita.

 

Depois vi-me a admirar os abdominais marcados, a forma como os bíceps se definia ao levantar os pesos, as veias que se realçavam no pescoço quando fazia força e as linhas fortes das ancas e das pernas. Até a silhueta do corpo dele por baixo dos calções fez secar a minha garganta e eu engolia repetidamente, como se isso pudesse aliviar aquele aperto súbito.

 

Já tinha visto muitos homens musculados e atraentes em ginásios antes, mas nenhum me tinha afetado desta forma. O corpo dele não era apenas musculado, era quase perfeito, cada músculo no sítio exato.

 

Senti aquele formigueiro familiar no peito, o mesmo que me atingia sempre que discutíamos, e amaldiçoei-me por dentro. Não outra vez. Depois do que aconteceu mais cedo, devia estar a evitá-lo, não aqui a admirar o corpo dele. Mas quanto mais tempo ficava a olhar, mais sentia aquela atração estranha.

 

Será que precisava de ser assim tão bonito? Perguntei a mim mesma, ao mesmo tempo frustrada e envergonhada. Seria muito mais fácil odiá-lo se não fosse a pessoa mais atraente que alguma vez vi.

 

Estava tão absorvida a olhar que não reparei que ele tinha acabado o seu exercício até ele largar os pesos com um som metálico que ecoou pela sala. Soltei um suspiro e pestanejei rapidamente como se acordasse de um sonho. Vi os olhos dele voltarem-se para a porta e entrei em pânico, virando-me e fugindo antes que ele me pudesse ver.

 

Não tinha a certeza se ele me tinha visto ou se o meu som me tinha denunciado, mas rezei para que não. A última coisa que precisava era que ele ficasse zangado e me acusasse de o estar a olhar, mesmo que fosse exatamente isso que estava a fazer.

 

Corri de volta ao meu quarto, bati a porta e apoiei-me nela, ofegante. Dei várias palmadinhas nas minhas bochechas, zangada comigo mesma por ser tão tola.

 

— Isto está errado! Ele é o meu meio-irmão e eu odeio-o! Ele é cruel, é desrespeitoso e torna a minha vida um inferno. Mas por que não consigo desviar o olhar? É como se estivesse hipnotizada, a olhar para o corpo dele, maldição!

 

Ah não! Isto não pode estar a acontecer. Não me sinto atraída por ele. Sim, tem um corpo bonito, mas isso não muda o facto de que ele é uma pessoa terrível. E não devia estar a admirá-lo. Ele é o meu meio-irmão, pelo amor de Deus! Não posso desejar o meu próprio meio-irmão!

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